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Zona Livre => Café Virtual => Tópico iniciado por: JC Duarte em 19 / Fev / 2005, 15:06



Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 19 / Fev / 2005, 15:06
"Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
.../...
"

Operário em construção, de Vincius de Morais

Aqui o resto
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=JC1&action=view&id=1209783

Divirtam-se e mantenham a luz acesa
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 20 / Fev / 2005, 23:30
"Desta Fotografia é dificil gostar.
Do sofrimento de crianças em tempo de guerra ninguém pode gostar! Suponho.
No entanto, esta imagem efectuada no Vietnam por Nguyen Kong (Nick) Ut, de uma menina (Phan Thim Kim Phuc) bombardeada acidentalmente com Napalm por aviões Sul Vietnamitas, em 1972 é um marco na história da Photographia.
.../...
"

http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=JC1&action=view&id=1215665

Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 22 / Fev / 2005, 11:42
"O que surgiu primeiro: o ovo ou a galinha?
O que é mais importante: a informação que os media querem vender ou a informação que o público quer consumir?
.../...
Assim, a relação entre os media e o público tornou-se (e é!) uma relação simplista em que um vende e o outro compra produtos para aliviar consciências e incómodos quotidianos. Tal como a botica vende pomadas para o lumbago e pensos para os calos.
.../..."


E, como de costume, mais aqui
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=JC1&action=view&id=1220605
Divirtam-se e mantenham a luz acesa
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: Sector Zero em 23 / Fev / 2005, 13:45
Ser cidadão...

Citar
Alguns há, honra lhes seja feita, que não se encaixam neste consumismo informativo. Pessoas há que procuram saber mais e mais fundo, comunicadores há que procuram contar e explicar tudo sobre cada tema e sobre todos os temas. Mas como estas atitudes são cada vez em menor número, este circuito produtor/consumidor é cada vez mais marginal, talvez condenado à extinção.

Está em nós (produtores) e em nós (consumidores), não permitir que esta estupidificação no conhecimento do mundo que nos rodeia grasse como uma epidemia fatal!


Exercer cidadania, tem de ser um conceito cada vez mais interiorizado. Elegemos os politicos pelos seus programas e propostas e depois há que "policiar" constantemente a sua actividade, e apontar imediatamente os desvios. Cada um de nós tem a missão e a obrigação de o fazer, principalmente quem tem responsabilidades nas áreas de comunicação de massas.


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 23 / Fev / 2005, 15:05
“Eu abaixo assinado juro por minha honra cumprir com lealdade as funções que me são confiadas.”

Esta é a frase (mais coisa menos coisa) que, ao longo da minha vida, ouvi vezes demais, com demasiada frequência e até, ocasionalmente, mais de perto do que gostaria.
Em breve, vamos todos ouvir de novo uma mão cheia de vozes proferir solenemente este juramento.

Infelizmente, nos tempos que correm, a honra é coisa que se dá de barato, valendo dez reis de mel coado e a lealdade é igualmente usada e abusada, encontrando-se aos pacotes de 12 nas lojas dos 300.
Acredito que, daqueles que irão dizer estas palavras, alguns estejam animados de boas intenções e que não pretendam deixar-se levar pela febre do poder nem pelos vírus das influências.
Mas também acredito que poucos, se alguns, quando de lá saírem, tenham honrado lealmente o juramento efectuado. Pelo menos é a conclusão que tiro da história dos últimos decénios.

Espero, sinceramente, que algum dia me engane!


www.photoblog.be/jc1

Divirtam-se e mantenham a luz acesa
JC Duarte


Título: Panfleto
Enviado por: JC Duarte em 03 / Mar / 2005, 00:36
"É consequência da industrialização, da migração para os grandes centros urbanos, da dispersão de residências!
...
Nos grandes centros urbanos a solidão dos idosos está na proporção directa da densidade populacional."


http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1251932

Divirtam-se e mantenham a luz acesa
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 03 / Mar / 2005, 23:56
O que é porco? E o que é limpo?
Se tivesse que fazer uma escolha eu preferia que o meu filho visse um filme pornográfico que um filme normal, como o Rei dos Reis.
Porquê? Porque o Rei dos Reis está cheio de mortes, e eu não quero que o meu filho mate Cristo quando ele voltar.
E é o que acontece no filme.
Não há um único filme porno em que alguém leve murros ou que alguém seja morto.
Com sorte, vê-se alguém a ser amarrado ou a levar umas pancadinhas com um cinto, mas a maior parte do tempo, aquilo que se vê durante hora e meia são abraços e beijinho, suspiros e gemidos…
E depois, no fim do filme, quando aquele instrumento potencial de morte é revelado… a almofada.
O gajo parece que vai sufocar a miúda, como num filme de terror.
Ele agarra na almofada e mete-a debaixo do rabo da rapariga. E eles adormecem, e ninguém se magoa ou morre.
E é bonito. E assim acaba o filme.”

Nada do que acima está dito, nem a imagem, têm algo de novo. Em boa verdade, ambas existem desde que, em 1974, o filme “Lenny” foi rodado e de onde foram extraídas.
Actual? Terrivelmente. Sugestivo? Espero que sim.
Lenny”, interpretado por Dustin Hofman e realizado por Bob Fosse. Á venda em DVD.
Recomenda-se.


em:
www.photoblog.be/relogioparado
Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 05 / Mar / 2005, 01:02
"A ideia era acamparmos na Tapada de Mafra. Mas ao lá chegarmos na então ainda não velha Diane, constatámos que estava fechada para manobras militares.
Não seria aquele contratempo que nos iria fazer regressar daquele passeio decidido na véspera ao jantar na cantina.
Pegámos nas mochilas como estava previsto e começámos a contornar o alto e extenso muro, em busca de um local propício para aquele fim de semana.

O melhor que encontrámos foi um adro de uma igreja, bem no meio de um povoado algures nos arrabaldes da tapada. O terreiro era limpo de ervas, plano e horizontal. Perfeito!
Tenda montada, que a noite já tombava, atacámos nas latas, das “rações” que levávamos para dois dias de isolamento florestal.
A canalha miúda rondou-nos, estranhando e bem, aquele circo sem cartazes nem feras numa tenda à luz de velas.
Após o repasto, como bons campistas de cidade que éramos, não resistimos a um cafezinho no tasco que do outro lado do adro nos convidava.
Mesas e balcão de pedra, ruídos de dominó e de grossos copos de três obrigaram-nos a fazer o pedido em tom um pouco mais alto do que gostaríamos.
Da qualidade do café não me recordo, mas não esqueço o silêncio sepulcral que de súbito ali se fez. Que teríamos nós, forasteiros, feito para interromper as jogatinas da noite?
Olhando em redor constatámos que os olhares convergiam num ponto acima das nossas cabeças e que nós seguimos.
Ainda a preto e branco, num aparelho do tempo da guerra (nem sei de qual), tinha começado o Telejornal.
Para aquela gente, a meia dúzia de léguas de Lisboa, aquele era o momento em que se sentiam ligados ao resto do mundo, em que a ponte entre o rural e a urbe se fazia, indiferente a estratos sociais e a conteúdos dos copos.
O ruído que os tinha feito parar, o genérico, era-nos tão familiar que nem déramos por ele. Tão normal para nós quanto uma cotovia para eles.
Aquilo que fazíamos todos os dias, com uma displicência atroz, era para eles um ponto alto no quotidiano.

Esse momento foi para mim uma charneira na vida. Serviu para eu aprender, “in loco”, a importância do meu trabalho, o alcance daquilo que fazia com tanta facilidade quanto o beber um copo de água. O poder dos media caiu em mim como que uma revelação divina, que nunca mais esqueci.
Muitos genéricos se fizeram e transmitiram de então para cá. Tantos que já lhes perdi a conta. Mas todos os dias, quando ouço pelos “cascos”: “ESTAMOS NO AR”, a sensação é a mesma:
Estamos a comunicar e milhões de pessoas por todo o mundo dependem disto. Tão ou mais importante quanto um jogo de dominó ou uns copos consumidos socialmente depois do jantar."


em  www.photoblog.be/relogioparado

Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 05 / Mar / 2005, 22:42
"...
A liberdade não se rege! Sente-se! É-se!
Sintam-se e sejam!
Hasta siempre!"

em
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1262036

Divirtam-se e mantenham a luz acesa
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: A. Caneira em 06 / Mar / 2005, 00:56
Citar
...Ainda a preto e branco, num aparelho do tempo da guerra (nem sei de qual), tinha começado o Telejornal.
Para aquela gente, a meia dúzia de léguas de Lisboa, aquele era o momento em que se sentiam ligados ao resto do mundo, em que a ponte entre o rural e a urbe se fazia, indiferente a estratos sociais e a conteúdos dos copos.


Mais uma pérola. Na infancia vivia numa aldeia (ainda vivo, na mesma) "a meia dúzia de léguas de Lisboa", é conheci bem essa realidade. Nesses "tascos", quase os únicos com electricidade, misturava-se muito bem o copo de três, a sueca, a lerpa, as noticias, e em horas mais diurnas, o Bonanza ou Daniel Boone.


Citar
Esse momento foi para mim uma charneira na vida. Serviu para eu aprender, “in loco”, a importância do meu trabalho

O desprezo com que normalmente se vê o modo de vida simples do aldeao irrita-me, mas quando se quer ver, pode ver-se e muito. Tu olhastes com vontade de ver e aprendeste algo, não com eles, contigo mesmo!

Vejo que o teu photoblog já tem mais um endereço, é pena teres de ir mudando. Eu sei porque é! Já tive garras de criar um espaço no PortugalVideo, para alojares o teu photoblog, mas a coisa não é assim tão simples. Um dia, quem sabe...


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 09 / Mar / 2005, 21:25
Nunca entendi muito bem o conceito de ”aluno terrível!”
Indisciplinados, turbulentos, provocadores, extrovertidos, ainda vá, agora “terrível”…
O que existe, as mais das vezes, é uma falta de interiorização, de entendimento, sobre o seu papel na escola, enquanto local de aprendizagem e sociedade onde está inserido.
Será o papel do professor, seja qual for a sua área ou grau, o de o fazer tomar consciência disso e de o levar a actuar em conformidade (consigo mesmo e com o social).
...
Aí perguntei-lhe:
“-João, estamos fora da escola?
-Sim! E então?
-Então vai p’ro ca….!”
...
Em pedagogia não há formulas: há resultados.
E se os fins não justificam os meios, estão lá perto, aplicando o processo adequado a cada indivíduo. E o papel do professor vai muito para além dos conteúdos programáticos, emanados ou não de um ministério.
É isso que os alunos esperam de nós.


O resto. como de costume, em:
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1275543

Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 10 / Mar / 2005, 23:17
...
"Aqui, a meu lado o bom cidadão
Escolheu Sagres
Que é tudo tudo cerveja
A pausa que refresca
a longa pausa de um longo cigarro King Size.
atenção ao marketing.
Eu não gosto de cerveja
mas tenho de gostar que os outros gostem de cerveja
sobretudo da Sagres
para não contrariar os fabricantes de cerveja.
atenção ao marketing.
Ninguém contraria os fabricantes de cerveja
ninguém contraria os fabricantes do Opel e da Super Silver
nem os fabricantes de alcatifas para panaceias
nem as panaceias nem os códigos e os édredons macios
nem as mensagens de natal dos estadistas
nem os negociantes de armas da Suíça
nem o homem da capa negra que virou costas ao Palmolive.
…"

...

O resto aqui, como de costume
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1280201

Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 13 / Mar / 2005, 00:03
Passear na web, indo uma página para outra, de um país para outro, de uma cultura para outra, tem por vezes as suas dificuldades.
Entender as referências locais, entender a língua ou mesmo entender o grafismo usado.
No caso concreto, na Etiópia, entender esta escrita será algo quase tão difícil como fazer passar um camelo por uma agulha, para usar uma expressão arcaica.
E esta expressão não é usada ao caso. Tanto quanto sei, e salvo melhor opinião, é na Etiópia que se encontra a forma de Cristianismo mais arcaica, quem sabe se a mais próxima daquilo que se divulgou há perto de 2000 anos.
...


O resto, como de costume, aqui
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1284499

Divirtam-se a mantenham a luz acesa
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 14 / Mar / 2005, 11:13
"A casa fica nos limites da povoação. A umas centenas de metros de qualquer outra. Mesmo na curva, com o portão de madeira verde a separar a rampa do quintal do asfalto da estrada, então macadame e cascalho.
...
Na cozinha, a mesa coberta com um linóleo. Móvel multi-usos para comer, ler e escrever e outras tarefas dignas, estava engalanado com o único electrodoméstico: o rádio.
A pilhas, que o diferendo sobre quem pagaria os postes da luz ainda não estava resolvido, era parcimoniosamente ligado a seguir ao almoço e durante o jantar. Rádio Clube Português de dia, Emissora Nacional de noite. Era um ritual sacrossanto: os Parodiantes de Lisboa para animar a tarde, o Teatro Radiofónico para embalar a noite. Um dia por semana, nem sei qual, talvez sexta-feira, havia os “serões para trabalhadores”, programa em directo, com conversas e músicas das que, mais tarde, se chamariam “nacional-cancenotismo”.
Os noticiários não se ouviam, que só falavam de Lisboa e para a meteorologia bastava olhar o céu no nascer e pôr-do-sol que tudo se sabia. Excepto o vento suão, mas esse ninguém previa.
..."


O resto, como de costume, aqui
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=relogioparado&action=view&id=1285852

Divirtam-se e aproveitem bem a luz (e, já agora, o som também)
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 14 / Mar / 2005, 22:53
Tenho uma alergia de comichão a estas palhetas.
Têm um tempo de vida útil de cerca de dez segundos.
Na nossa mão.
Porque depois, no lixo, é de vários séculos.
...
Nestas pequenas coisas faço jus ao meu apodo: Ter mau feitio!
Mas se gosto do que ainda vou tendo por cá, porque o devo estragar para os vindouros?
O problema dos resíduos não é tanto o que fazer com eles mas antes começar por não os produzir. Pelo menos os inúteis.


O resto aqui, como de costume
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1290330

Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 16 / Mar / 2005, 00:14
O panfletismo é bem velho. Quase tanto quanto o papel em que se suporta. Pequenas folhas, com textos ou imagens que, séria ou satiricamente, criticam os assuntos tratados. Divulgam ideias ou produtos, tentam convencer os seus leitores da validade dos argumentos apresentados.
Distribuídos de mão em mão, nas caixas do correio, afixados nas esquinas ou nas cantinas, têm um alvo bem definido. As mais das vezes são intervenções políticas ou laborais, denunciando situações erradas ou problemáticas.
O poder instituído nunca gostou muito de panfletos. E quanto mais ditatorial menos gosta. Apreende-os, arranca-os das paredes, pinta por cima ou prende os seus autores ou distribuidores. Por cá e agora, as coisas não estão tão feias, pelo menos formal e publicamente.
...
A nível laboral, as coisas não são mais simples: As chefias intermédias, mais ferozes na censura que a própria entidade patronal, empenham-se em não deixar que os panfletos circulem ou estacionem nas paredes com as suas ideias subversivas. Tornam-se patéticos na sua fútil tentativa de manter a paz social a todo o custo.
A imagem acima é uma excepção.
Sobreviveu mais de quatro anos afixada em local bem visível de todas as estruturas internas. A crítica implícita ao funcionamento interno era, e é, grande e clara para quem conhece os meandros. No entanto nunca foi retirada, excepto aquando da mudança de instalações, não fosse perder-se.
Já velhota que é, continua tão actual quanto então, com outros personagens mas com o mesmo enredo.

Um destes dias renovo-a!


O resto, como de costume, aqui
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=relogioparado&action=view&id=1291743

Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 22 / Mar / 2005, 13:19
Quando entrei na papelaria em busca de cartolinas, já lá estavam os três garotos, o mais velho a rondar os dez anos.
Ainda fui a tempo de os ouvir pedir um maço de cigarros e um totoloto completo, feito pela máquina. Receberam o que pediram, pagaram com uma nota de 20€, guardaram o troco na mão bem fechada e saíram.
Quando chegou a minha vez, interpelei o lojista sobre a legalidade do acto. A resposta foi a tradicional por cá:

“Na verdade a lei obriga a que o tabaco e o jogo só se venda a maiores de 16 anos, mas conheço a mãe e sei que é ela que pede aos filhos para cá virem e assim não sair de casa.”

Caro está que não é importante que, amanhã, a compra seja para consumo próprio, primeiro por brincadeira, depois já com “o macaco às costas”.
A lei existe e a fiscalização é ineficiente. Restam os agentes económicos, mas a eles a lei não importa: Desde que o negócio corra bem e que se dêem bem com a vizinhança… E que não surja um qualquer chato a fazer perguntas e observações incómodas!


em "www.photoblog.be/jc2"
Divirtam-se a aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 24 / Mar / 2005, 12:21
"De novo se fala nesta matéria. Ainda só no campo das possibilidades, mas já se fala num possível referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez.
Obviamente que me interessa o resultado. Mas o que é realmente importante é a participação dos cidadãos neste acto.
Não se trata de escolher um grupo de pessoas que irão legislar ou governar, animados ou não de boas intenções.
Trata-se de os cidadãos poderem, directamente, decidir sobre os conceitos base que gerem a sociedade.
Se a participação num acto eleitoral normal é importante, neste é-o muito mais. A defesa do voto branco ou abstenção neste referendo é uma das maiores manifestações de anti-sociabilidade que a nossa forma de viver em grupo possui.
...


Mais, como de costume, em
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1304773

Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 24 / Mar / 2005, 12:25
"Uns dias antes tinha estado mesmo na fossa, mais por baixo que barriga de jacaré. Por isso, quando me abordaram no comboio, não só não os afastei como é meu hábito como ainda caí na patetice de lhes dar a minha morada. Assim, quando naquela naquela tarde os dois “Elder’s” me bateram à porta, tive que os convidar a entrar e conversar com eles. Afinal o convite tinha sido meu…
...
Quando ouvi isto, ainda ponderei a situação, mas achei que o preço a pagar pelas vidraças quebradas era demasiadamente alto comparado com o prazer que sentiria vê-los sair pela janela do meu 7º andar.
Engoli em seco e tentei acabar a conversa rapidamente, procurando mostrar a minha boa educação para com as visitas.
À saída, ainda tentaram dar-me uns papeis com excertos do seu livro sagrado, para que o pudesse conhecer melhor. Perante a minha recusa em aceitar, visto que não seria por excertos que poderia conhecer a sério uma religião, entreolharam-se e ofereceram-me o exemplar que possuiam.
Ainda lhe dei uma olhada, mas nunca fui mais longe que isso.
Queima-me os dedos e a retina ler um livro que tão primariamente defende o racismo e a segregação racial.
Não! Não na minha casa nem na minha convivência! E, se pudesse, não na convivência dos demais seres humanos!
Porque estes que ali estiveram, são infra humanos!


Mais, como de costume, aqui
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1304216

Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 04 / Abr / 2005, 19:04
Lisboa, primavera de ‘76. Tinha eu 17 anos.
Sentada no beiral de uma boca de metro encontro uma mulher a chorar.
Chorava para dentro, mas com lágrimas para fora. Quase não fazia ruído, mas o corpo estremecia.

Abeirei-me dela e perguntei-lhe o que se passava, se se sentia mal.
A resposta foi evasiva, mas as lágrimas não paravam de correr. Insisti e perguntei se queria que chamasse uma ambulância. Todo o seu aspecto era de quem estava com dores intensas…
Assustou-se e os seus olhos abriram-se desmesuradamente.
“Que por favor não. Que não podia ir para o hospital.”
Fui insistindo até que me explicou:
“Tinha acabado de fazer um aborto, estava cheia de dores e não se conseguia mover para ir para casa. Se fosse para o hospital seria presa ou, pelo menos, interrogada pela polícia.”
......
Basta, digo eu!


O resto, como de costume, aqui
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Divirtam-se e aproveitem bem a lzu
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 08 / Abr / 2005, 10:12
Estou em crer que a legislação existente em Portugal não abrange esta situação. Assim sendo, é legítima – no sentido de “dentro da lei” – a sua utilização. E não há como os portugueses para usar de expedientes e tirar partido das falhas da lei.
Mas já da moralidade e honestidade da coisa, é outra conversa.
......
Passa-se o mesmo com a imagem animada e as chamadas “imagens subliminares”. Apesar de facílimas de fazer com as actuais tecnologias, são proibidérrimas, como é evidente.
......
Talvez por isso mesmo, noutras linhas de transporte ferro e rodoviário de outras grandes cidades europeias, este sistema não seja usado.
A bem da saúde pública e em defesa dos cidadãos.


O resto, como de costume, aqui
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Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 09 / Abr / 2005, 23:02
Não andava nem depressa nem devagar. Andava na sua velocidade.

Chegava-se aos clientes, recebia as suas encomendas, desaparecia por entre as prateleiras e regressava com os braços cheios de papeis, sobrescritos, canetas, borrachas, réguas, lápis, blocos e cadernos, o que quer que fosse que lhe tivessem pedido. Volta e meia voltava atrás para confirmar um detalhe, mas tudo vinha aparecendo em cima do balcão.
Aliás o balcão de madeira, vetusto e carcomido pelos embates dos pacotes, pouco mais velho seria que aquele caixeiro que nele pousava o que vendia.

Quando entrei, já lá estariam uns três ou quatro clientes que pacatamente aguardavam vez.
De súbito tocou o telefone. Ninguém reagiu, até porque os telemóveis eram uma invenção do futuro. E aquele de digital tinha apenas o dígito com que se rodava o mostrador.

TRiiiiim. TRiiiiim. TRiiiiim.

Nem o bom do vendedor se interrompeu, que o ignorava como se de um surdo total se tratasse, continuando na sua tarefa de atender o cliente.

TRiiiiim. TRiiiiim. TRiiiiim.

Ao fim de um pedaço, um dos outros clientes que, como eu, aguardava vez e achava estranho que ele não o atendesse, chamou-lhe a atenção para o aparelho que retinia.
A resposta foi bem clara:

“O telefone só toca porque clientes que não querem esperar gostam de fazer as suas encomendas e tê-las prontas quando cá chegam.
Mas os senhores já cá estavam.
Quando chegar a vez dele, logo o atendo.
É a seguir àquele cavalheiro!”


O silêncio que se fez só era interrompido pelo toque estridente da campainha. Que cedo se calou. Quem quer que estivesse do outro lado do fio deve ter percebido a lição.

E quem diz que há que ter um curso superior para dar lições?...



Em www.photoblog.be/jc2, como de costume

Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 19 / Abr / 2005, 07:02
Regra geral somos nós que “damos” as notícias.
Do ponto de vista ético nem fica bem nós próprios sermos a notícia, a menos que os factos sejam “dignos de nota”. Mas é o caso. Agora somos nós o objecto de atenções, poucas é verdade, mas algumas.

Tem-se feito o possível, nos órgãos de comunicação social e nos últimos tempos, de pouco falar de agitação social, de confrontos laborais, do desemprego e de greves, do fecho de empresas e de fome.
Mas tudo isto continua a existir. Queira-se ou não dar o benefício da dúvida aos recém-chegados, os conflitos existem e o seu número está a crescer.

Agora chegou a nossa vez.
A RTP vai entrar em greve a partir das 00.00 horas de segunda-feira e por um período de 72 horas. Promovida pelas organizações sindicais representativas das áreas técnicas e jornalísticas.
Não irei aqui dizer o porquê, para que não se diga que estou a advogar em causa própria (e até estou mesmo), mas deixo isso aos outros media: a informação dos motivos da greve.

Mas vamos parar e, se não existir recurso a meios técnicos e humanos externos à empresa, como manda a lei, a emissão deverá parar também.
Assim, se ao sintonizar a RTP ou a RDP virem ou ouvirem alguma coisa, fiquem sabendo que esse trabalho estará a ser realizado por algum dos poucos técnicos ou jornalistas que não aderiram à greve (que é um direito que lhes assiste, legal e moralmente).
Mas se as emissões decorrem dentro ou quase da normalidade, será porque se recorreu a meios técnicos e humanos externos à empresa, o que não é permitido pela lei e pelos estatutos da comunicação social.

E, considerando as recentes posições e declarações proferidas por altos responsáveis da empresa, esperemos que os conflitos e atitudes resvés aos limites legais se fiquem por aqui…



Em
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1344904

Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 19 / Abr / 2005, 07:04
Há uns tempos chorei. De tristeza e de raiva.
Quando um disco rígido de um dos meus computadores se avariou sem remédio e com ele foi o trabalho de muitos meses de pesquisa na web.
Usava-o como Backup e era nele que guardava a pagina web que estava a construir. Uma espécie de atlas mundial, onde constariam, para além de algumas informações sobre os países existentes, links a todos os museus, jornais, estações de tv e agencias noticiosas possíveis.
Garanto que foram muitos meses de trabalho que se perderam em segundos, e algumas reais lágrimas que verti.

O motivo pelo qual me decidi a construir tal “monstro” prendeu-se, primordialmente, com a segunda guerra do golfo.
Todas as informações que por cá eram difundidas eram assumidamente pró Estados Unidos da América. Nada nos chegava, nem do outro lado da contenda nem de quem, não estando envolvido no conflito, tinha opinião divergente.
A propaganda política, que tão bem foi utilizada na primeira metade do século XX, tanto pelos russos como pelos alemães (mas não só, não nos enganemos) foi levada a um requinte extremo durante esta guerra. Pelo menos em Portugal.

A partir do momento em que haja divergência de opiniões, apenas verbal, no extremo oposto, pela força das armas ou algures entre um e outro, haverá sempre quem tome partido por um dos lados.
O dever da informação será o de “escarranfunchar” e apresentar os factos dos dois lados da contenda. Independentemente das opiniões que cada cidadão possa ter, quando não exerça a função de agente de informação: na imprensa, na rádio, na tv, na web.
Por outro lado, é dever de cada cidadão consumidor de informação, saber filtrar o que recebe, sendo crítico nas análises que faz e procurando obter dados de todos os lados. Agressores e agredidos, acusação e defesa, patrões e trabalhadores.

Vêm todas estas considerações a propósito de uma contenda que conheço bem por dentro. Na primeira pessoa e a cada instante: A greve que decorre nesta altura na RTP.
É evidente que as informações a esse respeito difundidas pelos serviços noticiosos do grupo sobre o assunto são tendenciosas. Defendendo o lado e os pontos de vista da entidade empregadora. Já que quem as produz e por elas dá a cara e a voz são pessoas que por um motivo ou outro não aderiram à greve e que defendem que ela não se deveria efectuar.
É igualmente natural, que os agentes de informação que se baseiam em “sensacionalismo” (sangue, tragédias, escândalos) tomem uma posição assumidamente para o lado da empresa ou dos trabalhadores, conforme o que entenderem que mais vende papel ou audiências.
É assim vital que, quem queira estar correctamente informado, sobre este ou outro assunto, busque fontes de informação credíveis, tão isentas quanto o possível e diversificadas. E que, com base nelas, forme a sua própria opinião, não se deixando levar por sensacionalismo nem emotividades.
Neste assunto também!

Claro está que neste tema sou suspeito, pelo que não deixarei aqui a minha versão dos factos.
Apenas este alerta.


Em
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1348242

Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 20 / Abr / 2005, 09:12
A solidariedade é um termo bem antigo mas cujo o uso está a desvanecer como um cravo murcho.

Aconteceu o desastre no Sudeste Asiático. A imprensa encheu-se de parangonas, os ecrãs mostraram as lágrimas e as enchentes. E o mundo comoveu-se. Com razão!
As dádivas sucederam-se nos multibancos. Uma referencia, uma quantia e a confirmação.
Alguns foram mais longe e deslocaram-se às organizações humanitárias e ofereceram em mão: roupas e cobertores, géneros alimentícios ou medicamentos. Vindos de casa ou da loja.
Esta é a solidariedade fácil: Alguns gestos, por causas bem lá longe, e as consciências tranquilizam-se. O acto caritativo para com os menos afortunados está feito, vamos ver a bola ou a novela!

Mas alguns vão bem mais longe.
Largam o conforto de sua casa e partem para intervir onde é necessário. Lá, onde as lágrimas não secaram e as doenças grassam.
Cruzam estradas destruídas, alojam-se em tendas ou escombros, tentam suster epidemias e levar algum conforto, pelo menos sanitário.
Conheço alguém assim e sinto-me honrado em pronunciar o seu nome na primeira pessoa: apenas C.G., que faz questão de manter o anonimato.

Mas há outro tipo de solidariedade, igualmente anónima e despretensiosa, que não é movida por emoções ou histerias colectivas, que não é alimentada pelos media.
Parados em frente ao portão, enquadrados por duas faixas a explicar os motivos da luta e greve, formávamos uma pequena multidão. O passeio é largo e o asfalto estava desimpedido. E o trânsito processava-se a velocidades que qualquer radar policial classificaria de excessivo.
Mas foram incontáveis as buzinadelas de quem passava para mostrar solidariedade. “En passant”, sem dar a cara ou seja o que for, sem perder tempo nem dinheiro. Apenas para dizer “Estou convosco”, “Estou com a vossa luta, pelo que entendem ser justo”.

Este menos de coisa nenhuma provoca um elevar dos ânimos, um aclarar das nuvens pesadas de quem está em greve, de quem assumida, pública e legalmente, prescinde de dias do seu salário para melhorar o seu presente e futuro.
Contra aquilo que entende ser injusto e despótico.
São bem-vindas estas manifestações.

O que é bem curioso de constatar é quem se solidariza em trânsito. Motoristas profissionais.
De pesados de mercadorias, de pesados de passageiros, de ligeiros de passageiros (táxis). Com as possantes buzinas de ar ou as tradicionais de automóvel. Mas são apenas os profissionais do volante que se manifestam. Talvez por saberem o que é trabalhar muito e receber pouco.
Os particulares, demasiadamente preocupados no chegar rápido de um ponto a outro, nem se apercebem do que se passa fora do asfalto.
A menos que se trate de um anuncio surpreendente, de uma garota sexy ou de uma ambulância.

Solidariedade é bem mais que um gesto caritativo. Ou o nome de um sindicato.
É uma forma de estar na vida e de interagir com o que nos cerca. De se ser parte da sociedade, activamente.
Apoiando ou contestando!



Como de costume, aqui:
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=relogioparado&action=view&id=1349462

Divirtam-se e aroveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 21 / Abr / 2005, 09:02
"Num outro espaço que tenho, existe uma secção denominada Dici-cores. (www.photoblog.be/relogioparado)
Pouco falta para estar completa. Ali estão quase todas as entradas da obra “Dicionário das cores do nosso tempo” de Michel Pastoureau.
Sobre experiências recentes, não posso deixar de aqui repetir uma das entradas, agora com outra ilustração.

AMARELO

Eis como poderia apresentar-se um quadro de resumo das diferentes funções e significados da cor amarela na cultura ocidental, tal como são invocados nas entradas deste dicionário:

.....................

5) Cor da mentira e da traição:
Cor de Judas e da Sinagoga (Idade Média).
Cor imposta aos Judeus (estrela amarela), aos excluídos e aos reprovados.
Cor dos traidores, dos cavaleiros desleais, dos falsos moedeiros (no século XIV as suas casas eram pintadas de amarelo).
Cor dos fura-greves, dos trabalhadores que atraiçoam em favor do patronato.
Cor dos maridos enganados (já atestada no século XVII).

..............."



O resto, como de costume, aqui
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1352267


Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 24 / Abr / 2005, 11:18
Eram folhas de papel encerado.
.....
Deram a cara e o corpo.
.......
Chama-se “Life on the Ocean Wave” e foi composta por Henry Russel.
.......
Por tudo isto, ao gozar o feriado de 25 de Abril, que este não seja considerado apenas como mais um dia de não/trabalho.

Há que estar alerta! É o que faz falta…



O resto em:
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1357767


Divirtam-se e aproveitem bem a luz (e o feriado)
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 28 / Abr / 2005, 11:33
"Não é nem nova nem velha. É, apenas!
Mas era. Era professora e o marido era engenheiro. E os filhos eram adolescentes. E a saúde era gratuita. E a educação era para todos.
Era o dinheiro na carteira e eram as vitrines a exibirem montras de nada.
Eram as mentes quase vazias e as bocas eram fechadas, que os ouvidos eram muitos e eram denunciantes.
Era um ditador que mandava e os esbirros eram bons executantes.
...................
De uma trincheira ou varanda, via satélite ou repescadas do fundo de um rio, as imagens da queda de alguns regimes alimentam os media e asseguram a manutenção da calma no rebanho que vai sendo pastoreado aos poucos para que continue a fornecer a lã com que uns poucos se vestem.
O preço da liberdade vai assentando em louros, peças e tumbas. Louros em que cabeças, peças sobre quê e tumbas de quem? E liberdade onde?

Não é nem nova nem velha. É, apenas! Uma migrante."



Como de costume, o resto aqui
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1365279

Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC DUarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 02 / Mai / 2005, 13:03
".........
A guerra do ultramar ou das colónias portuguesas esteve recheada de episódios de todos os tipos. Por muito pouco motivados que os combatentes do continente estivessem, as situações humanas, caricatas, de coragem e de tragédia existiram. E existiram também outras para as quais não encontro classificação.

Esta contaram-ma na primeira pessoa.
..............
Na guerra não há bons nem maus!
Há assassinos e vítimas!
A esmagadora maioria inocentes!"


O resto, como de costume, aqui
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1371974

Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 09 / Mai / 2005, 19:53
"Por esta altura celebra-se o terminar da parte europeia da II Guerra Mundial.
Terminou aquilo que nunca deveria ter começado. O genocídio étnico, a definição de espaço vital, a alienação de um povo em redor de um líder megalómano…

Infelizmente não foi a única. Em luta pela liberdade ou pela imposição de conceitos sociais e políticos, por todo o mundo têm estalado conflitos armados.
Chamam-lhes conflitos armados, mas a esmagadora maioria das vítimas nem nunca pegou numa fisga sequer. Os civis são aqueles que vão pagando as facturas pelas decisões de uns quantos políticos que, do conforto das suas secretárias, decretam o abrir das hostilidades.
Quer se trate de questões locais, em que os grandes apenas discretamente apoiam com armas e logística, quer se trate de questões transcontinentais para onde esses mesmos enviam as suas juventudes, as guerras arrastam-se com as chacinas e crimes que conhecemos e as que não queremos conhecer porque incomodativas e ocultadas pela censura e véus pudicos.

Aqui nesta zona do globo, falamos da 2ª e da grande guerra e da guerra dos 100 anos. E das guerras civis aqui e ali. E dos movimentos independentistas, que recorrem aos mais diversos métodos para imporem os seus pontos de vista contrapostos aos pontos de vista e métodos governamentais.

Mas há dois conflitos, um próximo, outro distante no tempo, de que não se fala em toda a sua extensão.

Um deles, na palestina, dura há já meio século.
Por decisão dos “grandes”, criaram-se fronteiras, atribuíram-se territórios e enxotaram-se populações. A maioria dos cidadãos desta zona do globo, por decisão dos tais “grandes” nasceram, viveram e morreram em clima de guerra, com ódios viscerais pela outra parte.
Foi dado o pontapé no calhau no topo da montanha, e a bola de neve continua a rolar. Esmagando inocentes, manipulados por políticas que não as suas.

O outro conflito é bem mais antigo. Terá sido, talvez, a guerra mais longa da história e travou-se do outro lado do atlântico e dos Andes.
Pela posse de um território que não lhes pertencia, os conquistadores espanhóis lutaram durante mais de 300 anos contra o povo Machupe no Chile. Foi uma guerra de vitórias e derrotas, de espingardas e couraças contra arcos e flechas, de uma cultura baseada na religião e na ganância contra um povo que nem escrita usava. Venceram os espanhóis pelo cansaço!
O povo Machupe, hoje, encontra-se restrito a uma espécie de “reservas” bem lá no sul, na região da patagónia Chilena, à imagem e semelhança do que acontece no continente norte-americano.

Usamos as armas para reclamar a posse de terra que já por cá estava muito antes de termos descido dos galhos das árvores. E, a menos que façamos algo que o mude, vamos continuar pelo mesmo caminho até o ser humano mais não ser que um vestígio fossilizado.

Se isto não é um absurdo, não sei o que significa este termo!"



Como de costume, aqui
www.photoblog.be/jc2

Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Sete cartas
Enviado por: JC Duarte em 16 / Mai / 2005, 10:02
IV

Meu caro Amigo:
Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.
.............................
Feche, pois, os ouvidos ao que lhe ensino, se alguma coisa lhe ensino; faça a viagem por sua conta e risco, você mesmo ao leme; se tivermos naufrágio, far-lhe-emos uma Elegia marítima: duas páginas de versos todos cheios do ritmo das vagas e desse estranho soluçar do vento nos altos mastros dos navios.
..............................................

in: “Sete cartas a um jovem filosofo”, de Agostinho da Silva



O resto, como de costume, aqui
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=relogioparado&action=view&id=1396167

Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 17 / Mai / 2005, 08:54
Algures entre as sete e as oito da manhã, dou regularmente uma volta pelos noticiários on-line.
Hoje as “manchetes” eram estas, por esta ordem em cada um deles!
...................
...................
...................
Assim são construídos os nossos noticiários.
Tenho que perder este vício ou começar a tomar anti-depressivos!


O resto, como de costume, aqui
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1399716

Divirtam-se e verifiquem se a luz está acesa
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 05 / Jun / 2005, 08:54
"Hoje aqui na rua, no bairro, na cidade, nasceu uma criança!
Como disse um africano, feita com muito, mesmo muito amor. Todas as noites fizeram um pouquinho mais, uma perninha, um bracinho, hoje a boca, amanhã os pezinhos… Nasceu saudável e mãe e filho estão bem. O pai está baboso e sorri para quem passa…
.........................
Hoje, aqui na rua, no bairro, na cidade, foi um dia feliz!
E os media ignoraram-nos!"


Como de costume, o resto está aqui
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1431200

Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 07 / Jun / 2005, 23:17
"Supostamente, o jornalista verá as cores do globo em preto e branco.
Sem se deixar influenciar nem pelo colorido partidário, nem pelos tons vivos das explosões ou os pálidos cadavéricos.
Em preto e branco para que todas as cores sejam tratadas pelo que são, sem simpatias ou empatias pessoais.

Supostamente…


Imagem: by me"



Desta vez, a imagem está aqui:
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1436049


Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: Sector Zero em 10 / Jun / 2005, 01:42
Citar
Supostamente, o jornalista verá as cores do globo em preto e branco


Até pode ver. O chefe de redação é que verá sempre a cores! E em cada altura, consoante o poder que reirar, sempre mais uma do que outras.


Título: Excêntrico
Enviado por: JC Duarte em 15 / Jun / 2005, 00:14
Isto é um excêntrico! Uma peça mecânica em que o seu limite exterior, ainda que seja uma linha curva, não se encontra equidistante do seu centro ou eixo.
Aplicado que lhe seja um movimento de rotação, a irregularidade do seu limite exterior entrará em conflito com o que o circunde, provocando uma acção nos elementos que o rodeiam.
É usado para provocar acontecimentos cíclicos, controlados, em mecânica.

No caso específico da imagem, faz parte do mecanismo de um projector de cinema de 8mm e super 8mm que tenho temporariamente em casa.
Recorri ao empréstimo deste vetusto aparelho para passar para suporte digital velhas películas cinematográficas a pedido de uma ex-aluna. De caminho, e a título de pagamento do empréstimo, procedi a idêntico tratamento aos filmes do dono do projector, passando-os para DVD.

Este trabalho levou-me a conhecer bem duas coisas:
- O mecanismo em causa, já que o tive que reparar por diversas vezes face à sua idade avançada;
- Os filmes passados para a tela, recuperados pela câmara de vídeo e reencaminhados para o disco rígido.
Foram várias horas de um tempo que não se repete, em que figuras que não conheço passaram da fase de bebé de colo à de adolescência vistos pelo olhar técnico de seu pai e pela complacência de sua mãe.
Os trajes e os lugares, os penteados e os automóveis, a participação dos adultos nas brincadeiras e as próprias brincadeira variam enormemente em 30 ou mais anos.

No entanto, ainda me pergunto se terei feito bem em fazer este trabalho.
O prazer da manipulação deste equipamento antigo, o ruído do projector, o ritual das luzes apagadas e dos olhares fixos na tela reflectora perder-se-á. As bobines de metros e metros de milhares de fotogramas serão arrumadas numa qualquer caixa, ganhando bolor e esquecimento.
O ver destas novas imagens na tela emissora que não reflectora ganhará a banalidade de abrir uma gaveta, e fazer click. Tão fácil quanto o ver mais um qualquer filme alugado no clube de vídeo.
A carga mágica do suporte desaparecerá, vulgarizado que for o seu uso.
Será que as gerações vindouras darão ao suporte banal dos bites e dos bytes o mesmo valor que aos fotogramas?

PS – Eu não possuo uma peça destas! A minha excentricidade não se manifesta em peças de teflon, engrenagens e rotações.
Antes em matéria viva, textos e fotografias, pensamentos e intervenções na sociedade.
Como aqui e agora!


Imagem: by me



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Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Eu e a mosca
Enviado por: JC Duarte em 19 / Jun / 2005, 12:43
Sou de uma pobreza intelectual confrangedora, uma nulidade enquanto ser pensante, um sofista indigente!

Face aos recentes, ou não tanto, acontecimentos que envolveram grupos de delinquentes em roubos de multidão, organizaram-se manifestações de repúdio pelos migrantes e seus descendentes que por cá fixaram residência.
Africanos, brasileiros, hindus, ucranianos, romenos, ciganos e islâmicos, judeus e outros que tais. A história é pródiga na multiplicidade de origens do que somos, temos sido ou fizemos ser.

Tentei, muito seriamente, pensar e assimilar os diversos raciocínios que alimentam os discursos xenófobos, tanto por cá como por outros pontos do globo.
A questão da nacionalidade, a questão das fronteiras, a questão da raça e das origens.
O emprego e o desemprego, a identidade cultural e a sobrevivência da moral pública.
A questão das leis, da ordem e da desordem.
As intervenções policiais, as questões legais e os discursos políticos.
A cobertura dos media, os medos e os anseios.
Os guetos, as classes sociais, a defesa das prerrogativas, a psicologia de massas e os pânicos colectivos.

Não sou capaz, confesso que é uma incapacidade, de aceitar e entender os discursos daqueles que defendem as teorias raciais ou xenófobas.

E então nós, os portugueses, que construímos um país a partir de batalhas com os que por cá viviam, que não nos demos bem com os vizinhos e partimos a conquistar o que por aí havia, indiferentes aos que por lá viviam, que explorámos os recursos locais, que traficámos escravos, que impusemos religiões, que assinámos tratados a dividir a posse do mundo, que alimentámos guerras contra a liberdade…

Não! Não posso entender argumentos raciais ou xenófobos!

Nem me posso esquecer que o homem e a mosca partilham mais de 90% dos genes!


Imagem: algures na web



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Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Pescas
Enviado por: JC Duarte em 25 / Jun / 2005, 01:39
A dois quilómetros a norte de Zambujeira do Mar encontra-se a praia dos pescadores.
Uma pequena enseada rochosa, que serve de porto de abrigo aos botes que naquele mar vão pescando. Uma dúzia, no máximo.

Um verão, estava eu de férias na vila, o meu passeio matinal levou-me até lá bem cedo. Tão cedo que cheguei a tempo de assistir à lota do peixe.
Estava tudo pronto: Os pescadores, as canastas de plástico com o peixe, o leiloeiro, os compradores, o guarda fiscal…
Mas não havia meio de começar. Olhavam uns para os outros, iam conversando mas nada de vendas.
Até que se ouve um ruído de motor. Estava a entrar um barquito.
Aproou na areia, desceram os seus dois tripulantes, subiram com as canastas e juntaram-se aos demais.
De imediato começou o leilão matinal.

Mais tarde, em conversa com eles enquanto iam arrumando e limpando as artes, explicaram-me aquele compasso de espera:
Naquela praia nenhuma lota começa sem que estejam todos presentes. Assim, todos têm oportunidade de vender o pouco ou muito que conseguiram pescar. Sempre assim ali foi!

São estes hábitos ancestrais que a actual sociedade, plena de competitividade e anulação do indivíduo, quer extinguir.
Entre a solidariedade que havia e o espezinhar do vizinho que há, prefiro os tempos antigos!


Imagem: algures na web


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Divirtam-se e mantenham a luz acesa
JC Duarte


Título: Os fósoforos
Enviado por: JC Duarte em 29 / Jun / 2005, 01:57
Vindo assim quase do nada, perguntou-me à queima-roupa:
“Em quem é que votas?”
Fiquei meio à-toa. Primeiro porque não há a tradição, ainda, de o disser em público; depois, e por causa disso, é meio incorrecto pergunta-lo; terceiro porque, se bem que bons companheiros de trabalho, pouco mais somos.
Mas, perante tamanha franqueza, respondi no mesmo tom:
“Nas legislativas assim, nas autárquicas assado!”
“Então e não queres fazer partes das listas para a tua freguesia por esta formação política?”

Hesitei! Não no conteúdo da resposta, mas antes na forma de a fazer.
Não faço, nem farei parte de nenhuma formação política, nem mesmo num lugar não elegível, apenas para fazer o número necessário para a formalização da lista.
Se o fizesse estaria a assumir algum tipo de compromisso com essa formação ou partido. Mesmo que como independente.
E isso obrigar-me-ia a algum tipo de lealdade para com esse grupo. Não um seguidismo absoluto nem uma posição acrítica, mas teria que lhes ser leal e, pelo menos em público, reservar as minhas posições contestatárias.
Quanto mais não fosse enquanto durasse o mandato para o qual os demais fossem eleitos.

Prefiro manter-me como franco-atirador.
Manter a minha “liberdade” de contestatário, protestando contra o que entendo por incorrecto e apoiando aquilo com que concordo.
Mantendo-me fiel aos meus princípios sócio-políticos, sem cedências ou contemporizações.
Continuando a intervir socialmente, com subtileza ou toda a frontalidade. Tentando provocar a discussão de ideias, o desempoeirar de mentes e levar os meus concidadãos a tomar posições por si mesmos e não porque alguém bem engravatado e falante sugere um cruz aqui ou ali ou ainda porque este ou aquele tema é tabu.
Quer seja através de discussões no trabalho, no comboio ou no café, quer seja através do panfletismo real ou virtual, da arte ou da técnica.

Tento manter acesa a consciência dos valores do individuo e do grupo.

Imagem: by me


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Divirtam-se e MANTENHAM a luz acesa
JC Duarte


Título: Estória tradicional
Enviado por: JC Duarte em 07 / Jul / 2005, 11:20
Naquela quinta, o ratito fugia do gato malvado que o queria comer.
Já cansado e ofegante, entrou o ratito no estábulo e, vendo a vaca pacatamente ruminando, pediu-lhe:
Oh vaca, tu que és grande e poderosa, protege-me do gato malvado que me quer comer!
A vaca, apercebendo-se do drama que se avizinhava, respondeu-lhe:
Está bem! Põe-te atrás de mim.
Assim que o viu no lugar certo PLOF, largou-lhe uma enorme poia em cima, cobrindo-o por completo.

Ainda mal tinha acabado quando surgiu o gato, matreiro e lambeiro. Olhando para um lado e para o outro, perguntou à vaca:
Oh vaca! Viste o ratito? Estou com vontade de o papar!
Huummm… não! Não vi nada que pudesses comer a esta hora.
Bem, então vou procurar noutro local.
Deu meia volta e começou a afastar-se.

Ao ouvir estas palavras, guinchou o ratito do seu esconderijo:
Ufa! Desta já me escapei!
Mas o gato, matreiro e ágil, ouviu-o, saltou-lhe em cima e papou-o.

Moral da estória:
Nem todos os que te põe na M*** te querem mal!
Ou:
Nem todos os que te tiram da M*** te querem bem!
Ou ainda:
Se estiveres na M*** não ginches!

Esta é a estória tradicional, com o seu final humorístico e políticamente correcto.
Mas eu tiraria outras conclusões:

Desconfia dos grandes e poderosos!
Mantém-te alerta, mesmo quando te encontras numa situação de aparente segurança!” – As estórias tradicionais são conformistas e derrotistas, pelo que é preferível não ligar à moral pública e tradicional.
O problema da moral pública é que é sempre a moral dos outros!


Imagem: Algures na web



A imagem, como de costume, está aqui:
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1481578


Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: (-----)
Enviado por: JC Duarte em 09 / Jul / 2005, 01:19
(------------)


A imagem, como de costume, está aqui:
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1482840


Aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: A. Caneira em 09 / Jul / 2005, 05:55
(http://www.photoblog.be/carmen/images/001/575/1575750.jpg)


A texto, como de costume, está aqui:
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1484083

JC Duarte, desculpa o trocadilho, foi sugestão das imagens...


Título: Fé, dogmas e escolhas
Enviado por: JC Duarte em 11 / Jul / 2005, 08:44
De acordo com as religiões monoteístas contemporâneas, a fé é um dom de deus!
Dizem os crentes que a fé nos é dada por deus (tenha ele o nome que tiver e as interpretações sujeitas às modas das épocas em que se viva) para que possa cada um partilhar dos seus desígnios e ser feliz numa vida eterna junto a ele e aos seus anjos.
Dizem ainda os mesmos crentes que quem não possuir a mesma fé, a fé no seu deus, estará condenado aos infernos eternos (sejam eles como forem) a título de castigo!

Estes dois dogmas, comuns ao Judaísmo, Cristianismo e Islamismo levam-me a alguns silogismos e conclusões.

Se eu estou condenado por não ter fé e não a tenho porque deus não o quis, então estou condenado por vontade de deus!
Ora como as religiões oriundas do Médio Oriente não defendem o conceito da re-encarnação e entendem que a alma (seja ela lá o que for) surge aquando da fecundação (ou pouco depois), então estou condenado sem nada ter feito de mal ou pecaminoso, apenas porque deus assim o entendeu e decidiu.
Condenado na inocência?!

Se cada uma das três religiões citadas defende que o seu deus é o verdadeiro e os demais não passam de embustes, há que acreditar nele e não nos outros.
Significa isto que, por grande que possa ser a fé que possa ter numa delas, estou condenado por infiel pelas outras duas.
Ou, por outras palavras, seja qual for a minha crença, estou condenado aos infernos por outras duas crenças.
Ou, ainda, que tenho 33% de probabilidade de acertar e 66% de falhar a religião certa.
Com o azar que tenho, o mais certo seria que, escolhesse eu a fé que escolhesse, acabaria por escolher a errada e ir para aos infernos de qualquer forma.

Assim, prefiro esquecer as fés, os dogmas e os preceitos religiosos e optar e conceber os meus próprios códigos de conduta. Baseados no respeito pelo que me cerca e na solidariedade para com os outros.
Como estas abordagens são comuns às religiões referidas – na génese e não nas práticas – tenho fortes probabilidades de não ofender em demasia nenhum dos três grandes.
Presumindo que existem, que se importam comigo e com o que faço e que terão uma boa dose de tolerância perante todos os meus erros e falhas.

Que possam os Deuses vos dar em dobro o que me desejais!


Imagem: by me


A imagem, como de costume, está aqui:
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1486442


Divirtam-se e procurem a luz
JC Duarte


Título: Être citoyen
Enviado por: JC Duarte em 12 / Jul / 2005, 19:46
Neste incidente morreram dezenas de pessoas e centenas de outras ficaram gravemente feridas.

Este é um texto banal que se ouve nas TVs e Rádios ou se lê nos jornais.
Incidente?!!
Chamam incidente a um atentado bombista, às mortes no afundamento de um barco ou queda de um avião, ou à intervenção armada num país ocupado?

Eis o que diz o meu Dicionário da Língua Portuguesa, compilado por Domingos J. da Silva e publicado por Editorial Domingos Barreira


Incidente (Lat. Incidente), adj., Que incide; superveniente; s. m. Circunstância acidental; episódio.

Por questões de dúvidas, fui ver mais duas entradas:
Episódio (Gr. Epeisódion, incidente), s. m. Incidente relacionado com a acção principal; coisa acessória; caso; sucesso.
Superveniente (Lat. Superveniente), adj. Que sobrevém; que vem ou aparece depois ou por acrescentamento.


Com é bom ver as classificações que os media dão às mortes de seres humanos!


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Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Cunhas
Enviado por: JC Duarte em 15 / Jul / 2005, 09:42
Aqui em casa tenho diversos serviços contratados: água, gaz, energia, telefone, tv, Internet… Regularmente quando as facturas chegam, e certinho como qualquer português que se preze, vou pagá-las. Se uso, pago!
Mas protesto quando entendo que tenho motivos para isso, o que, em Portugal, é frequente.

Nestes últimos tempos, um desses serviços tem-se mostrado menos que sofrível. Intermitente, com níveis de fornecimento e satisfação a raiar o péssimo.
Quando cheguei a casa, tarde na noite, não o tinha de todo. Nada! Por mais que “escarafunchasse”, não funcionava!
Liguei para os serviços de apoio permanente, segui as indicações que me eram dadas e nada igualmente. Disseram-me, então, que teria que ligar de novo, agora em horário normal de expediente, a fim de ser marcada a visita de um técnico para resolver “in loco” a questão.
Assim fiz.

Mas, do outro lado marcaram-me uma visita para dali a mais de uma semana. Inadmissível!
Puxei da minha voz de “sargento lateiro” e tentei falar com quem mandava na coisa, já que quem me estava a atender mais não fazia que cumprir ordens.
Deixei o serviço de atendimento normal e tratei de contactar a sede da empresa, tentando ir até onde alguém me resolvesse o problema. De uma recepcionista simpática a uma secretária afável, passando por um técnico de relações publicas eficiente, de tudo fui encontrando e sem solução.
Até, já perto do topo, uma senhora me disse que iria expor o problema superiormente e que em breve teria uma resposta telefónica.
Para espanto meu, assim aconteceu.

Uma voz desconhecida mas bem agradável de ouvir, disse-me ter o meu caso entre mãos e perguntou-me se conhecia “Fulano de Tal”. Confirmei como tendo sido meu colega de trabalho, havia tempo.
Pois agora encontrava-se bem alto na cadeia hierárquica daquela empresa, tinha tomado conhecimento da situação, tinha-me classificado como cliente VIP e que dentro de uma a duas horas teria um técnico em minha casa para resolver a deficiência.
Espanto! E eu que nem sequer sabia que ele estava a trabalhar ali!
Mas o técnico veio no prazo previsto e a questão resolveu-se num piscar de olhos a contento de todos. Encontro-me, agora, em dívida de agradecimento para com esse meu ex-colega.
E quem sou eu para me queixar?!

A questão que se põe, muito naturalmente, é:
E os demais clientes ou utilizadores dos serviços daquela empresa?
Que lhes acontece quando se encontram em situações semelhantes à minha e não tentam ultrapassar as barreiras burocráticas quando entendem que têm razão?
Ficam chateados mas conformados fatalísticamente, como bons portugueses que são!
Ficariam mais de uma semana à espera que um técnico resolvesse um problema num mau serviço que é pago por inteiro, rangendo e resmungando entre dentes mas engolindo o sapo vivo!

Saiu-me em sorte uma cunha inesperada. O meu problema resolveu-se em tempo record. Mas preferia que o sistema funcionasse sem cunhas e célere para todos. Conheça-se quem se conhecer.

Em qualquer dos casos, mais logo lhe telefono a agradecer.

Imagem: algures na web


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Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte


Título: Não fui consultado no acto de nascer ...
Enviado por: JC Duarte em 17 / Jul / 2005, 18:08
Jornalista - É o primeiro testamento de vontade registado em notário onde está expresso o pedido para que seja aplicada a eutanásia no caso de o titular ficar em estado vegetativo persistente.
Este professor de contabilidade e gestão de empresas tem ideias muito próprias sobre a vida e a morte. Por isso mesmo decidiu avançar para este acto.

Manuel Ribeiro – É crime fazer a eutanásia. Se me permite… Eu nem sei se vou ser preso se não, espero que não. (…) Eu não acho que seja, é exactamente ao contrário. O que eu acho é que nesses estados terminais, esses estados vegetativos (…) O crime não é fazer, o crime é deixar de o fazer! Porque as pessoas, depois de 15 ou 20 anos em estado vegetativo, as pessoas têm que resolver a sua vida, não só as pessoas que estão em estado praticamente de morte, como as outras pessoas que também precisam de viver e não podem estar agarrados a uma cama toda a vida.

Jornalista – Foi o exemplo do filme espanhol “Mar Adentro” que retrata o sofrimento de um homem e a luta que travou para conseguir que lhe fosse aplicada a eutanásia, que de alguma forma inspirou Manuel Ribeiro.
Este testamento de vontade ou testamento biológico, até foi fácil de fazer.

Manuel Ribeiro – Eu tive assinatura presencial, e registaram-me o nome, Manuel Joaquim Nunes Ribeiro, com uma assinatura presencial do testamento de vontade, do testamento biológico.
E pronto, paguei 10 euros ou 11 euros, salvo erro, puseram uma quantidade de carimbos, selo branco… Eu vim muito contente com aquilo.

Jornalista – A ordem dos médicos condena o pedido sobretudo porque eticamente está interdito aos olhos da lei portuguesa. E garantem que a eutanásia nunca será aplicada.

José Pedro Moreira da Silva, ordem do Médicos, Norte – O acto da eutanásia não pode como é óbvio. Poderá levar em conta que o doente tem essa manifestação de vontade e, portanto, poderá também levar em conta que pode não lhe prolongar a vida por meios artificiais intervindo medicamente se entender que estão reunidas as condições para isso.
Agora é evidente que não pode praticar a eutanásia. Isso está fora de questão. Não está previsto na legislação portuguesa e é condenado pelo código deontológico da ordem.

Jornalista - Enquanto espera que a Assembleia da República tenha coragem para alterar a legislação, Manuel Ribeiro também lança um apelo aos mais novos:

Manuel Ribeiro – Que tenham coragem, as pessoas novas e a juventude, que nunca se sabe o dia de amanhã, que eles próprios façam atestados de vontade, como há na Alemanha, há na França, há na Suiça…  Façam esses atestados de vontade porque o dia de amanhã é muito incerto, e isso poderá ser uma defesa para eles próprios.
Não tenham medo! Não tenham medo de viver, mas também não tenham medo de morrer!

Jornalista – A vontade de um homem que mantém como lema: “Não fui consultado no acto de nascer, quero ser ouvido no acto de morrer!”


RTP – Jornal da Tarde, 2005-07-17
Esposende.
Paulo Geronimo, jornalista.

Imagem: copy of my PC, website www.rtp.pt



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JC Duarte


Título: Cara ou coroa
Enviado por: JC Duarte em 27 / Jul / 2005, 11:52
A dar fé numa notícia televisiva de hoje, várias mulheres foram ordenadas sacerdotes no Canadá. Umas Padre, outras Diácono. A cerimónia foi presidida por três mulheres sacerdotes, idas propositadamente da Europa para a solenidade.
Estas três mulheres, por terem assumido a categoria eclesiástica que possuem, foram excomungadas pela Santa Sé. O mesmo espera as recém empossadas.

Não entendo este impedimento que a Igreja Católica Apostólica Romana faz à ordenação de mulheres.
Bem sei que a história está repleta de líderes religiosos, todos homens. O papel feminino, na história da igreja, tem-se restringido à função reprodutora, à vida monacal e, nalguns casos póstumos, à elevação à categoria de santa ou equivalente.
Mas as mulheres não podem ser pastoras no rebanho de fieis! Nem mesmo agora, que a mulher atinge ¡Aleluia! altos cargos na vida política e social.
A igreja, cristã ou não, baseia-se em rituais, a repetição “ad eternum” de gestos e práticas ancestrais. A alteração destes ritos e regras perpétuas é um quebrar do conservadorismo inerente a toda e qualquer religião.

Mas, se uma das funções da religião, seja ela qual for, é definir regras e comportamentos sociais, não deveria acompanhar os espíritos vigentes no lugar e no tempo, em vez de se “agarrar” desesperadamente a conceitos definidos quando o social era bem diferente?

Não seria vantajoso para a igreja integrar nas suas regras os actuais conceitos, na tentativa de atrair para si mais fieis? De converter para a “salvação” mais almas?

Ou será que o principal obstáculo do acesso ao sacerdócio se prende com o facto de o símbolo feminino possuir uma cruz invertida? Símbolo da missa negra e da adoração do mal.

Se assim é, à mulher é atribuída a carga negativa, tal como é no Islamismo.
¡Caramba!, qual a diferença entre Roma e Meca?
E, já agora para pôr todos no mesmo saco, entre Roma, Meca e Jerusalém? Sim, porque entre os Hebreus também há actividades interditas à mulher, como seja o estudo da Tora.

Se pensarmos que a Mulher está mais ligada à vida que o Homem (ela é que gera, ele é que mata), podemos perguntarmo-nos se ambos não fazem parte do eventual deus uno e único que terá surgido ali para os lados do Médio Oriente, que vai punindo e recompensado, neste e noutro mundo.

Somos as duas faces de uma mesma moeda, que tanto vale do lado Caras como do lado Coroa!

Imagem: Edit by me, from A crucificação com dois patronos, de El Greco, c. 1580



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Título: Acreditar
Enviado por: JC Duarte em 29 / Jul / 2005, 09:46
A existência do Homem, dizem os especialistas, divide-se em duas grandes épocas: pré-história e história. A fronteira, dizem ainda eles, é a invenção da escrita.
É um ponto fulcral, então e agora. Permitiu-lhes a transmissão do conhecimento de geração em geração sem a já clássica situação “Quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto!” E permite-nos saber hoje o que pensavam os antigos.
Ideográfica ou fonética, a escrita revolucionou e existência humana.

......................

Assim, quando por cá acedemos a uma estação de TV ou rádio, que vão beber nas agências internacionais o “néctar informativo”, mais não estamos que a ser moldados de acordo com os interesses não confessos de um ou vários grupos económico-politico-culturais.
E esta manipulação segue-se, dia após dia, noticiário após noticiário, segundo após segundo.

O inglês, o francês, o castelhano e o português já eu domino. Estou a pensar, muito seriamente, em ir aprender russo, chinês, árabe e indiano.
E, depois disso, continuar tão ou mais baralhado que antes sobre o que me cerca.

Afinal, em quem podemos ou devemos acreditar?
Você sabe?

Imagem: by me



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Título: Perguntas
Enviado por: JC Duarte em 31 / Jul / 2005, 14:33
Este computador em que me lê é profundamente estúpido!
Tão estúpido que só a sua simples existência dá direito a uma ataque de riso histérico!

É que ele só sabe dar respostas. Não faz perguntas!

É um autómato programado para responder às questões que lhe são colocadas, seleccionando as opções possíveis até chegar àquela que o programador escolheu.
Engrenagem complexa e fiel num mecanismo previsível.

Você sabe fazer perguntas?

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Título: O parafuso
Enviado por: JC Duarte em 31 / Ago / 2005, 18:02
A história passa-se nos arrabaldes de Maputo.


Uma fábrica, montada ao abrigo de acordos de cooperação Afro-europeus, processava carnes.
Equipada com maquinaria de penúltima geração, possuía uma máquina que era o coração da fábrica. Introduzia-se o porco de um lado e do outro saíam as salsichas, os presuntos, os chouriços, os fiambres, etc.
Acontece que esta máquina avariou! Passou a ejectar salsichas salgadas, chouriços com osso, presuntos entripados e toucinhos… bem, ninguém quer saber como estavam a ser produzidos os toucinhos!

O dono começou a ficar cinzento, o que por estas bandas é sintoma de desespero. Sem a máquina, a fábrica parava e lá se ía o negócio e os subsídios europeus.
Entrou em contacto como representante da máquina, no centro da cidade, para que lhe enviassem um técnico.

No dia seguinte, com uma pontualidade germânica, ao abrir da fábrica apresentou-se o engenheiro alemão. Envergou a bata, calçou as luvas e começou a examinar o complexo monte de peças móveis e fixas, circuitos eléctricos e electrónicos. À medida que espreitava aqui e ali, ía tomando notas nuns impressos que ía extraindo de uma pasta de couro que trazia sempre consigo.
Passadas duas horas, apresentou o diagnóstico e a solução:
“Esta máquina tem um parafuso com a rosca moída. Acontece que sou especialista em porcas, pelo que não posso resolver o problema. Há que chamar o nosso técnico em parafusos. É coisa para umas três semanas, já que ele se encontra em comissão de serviço na América do Sul.”

O cinzento do patrão ía aclareando. Ao fim de três semanas, já nem couratos conseguia fabricar ou vender!
A alternativa, bem mais cara, seria chamar um outro fabricante, americano, sediado em Pretória, que talvez resolvesse o assunto.
Trinta e seis horas depois, chegavam três carrinhas pretas de vidros fumados. Os fatos escuros, tal como os óculos dos seus ocupantes, poderiam sugerir outra ocupação, mas de imediato se dirigiram ao interior da fábrica.

Ligaram à máquina diversos terminais, conectados com os seus computadores portáteis, sincronizados com a antena de satélite que um deles, entretanto, tinha montado. Quinze minutos depois tinham uma resposta impressa em diversas línguas, para que não houvessem dúvidas:
“Existe um parafuso com a rosca moída que impede todo o funcionamento normal da máquina.”No entanto, e em virtude da diferenças das unidades métricas existentes, não poderiam resolver a questão que não fosse venderem toda uma máquina nova, última geração, automatizada e computorizada.
Caramba! O acordo de cooperação era com os europeus e estes não gostariam de ver os seus euros transformados em dollars desta maneira!

Já branco de desespero, lembrou-se o patrão de um português que trabalhava de mecânico numa oficina ao fundo do bairro. Constava ser mágico com as mãos e que não havia avaria ou deficiência que não resolvesse.
Chamaram-no.

Ao fim do dia veio, com a sua mala metálica chocalhando de ferragens e ferramentas.
Pediu para porem a trabalhar a máquina, espreitou aqui, deu umas marteladas ali, rastejou acoli e, passado um bocado, deu o seu veredicto:
“Tem um parafuso com a rosca moída! Não tenho destes. Mas ali ao fundo existe uma peça que tem seis e trabalha bem com cinco. Tira-se um de lá para cá e o assunto fica resolvido!
Mas, por favor! Não digam nada ao meu patrão que é uma coisa assim simples, que eu quero ir passar uns dois dias ali à praia!”


Assim são os Portugueses: especialistas em coisa nenhuma, peritos no desenrasca, amantes do nada fazer. Mas, quando fazem algo com dedicação – o que é raro – fazem-no bem e com rapidez.

Pena é que a sociedade não se restaure com expedientes e desenrascanço!


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Título: Limpeza
Enviado por: JC Duarte em 03 / Set / 2005, 00:06
Desempenham as mesmas funções que faziam os que pertenciam aos quadros. Mas estes foram afastados por rescisões de contractos ou por mudança de actividade dentro da empresa.
Os que agora fazem essas tarefas, vulgo tarefeiros, recebem bem menos que os que já lá estavam e não têm nenhum vinculo à empresa, porque contratados por uma outra, fornecedora de serviços. Out sorcing!

Ganha esta empresa que se limita a receber os candidatos e a fornecer mão de obra a preços da chuva.
Ganha a empresa que a recebe, que diminui notoriamente as suas despesas com pessoal, sem nenhum compromisso para o futuro em relação a eles, nem encargos com segurança social ou outros. Em qualquer momento os pode mandar embora sem nenhum tipo de escrúpulos.
E que ganha quem assim vai trabalhar? Nada!
Dores de cabeça para fazer esticar o magro ordenado pago de má vontade, a incerteza de futuro e a incapacidade de assumir compromissos, porque ninguém quer emprestar dinheiro a gente com este tipo de ocupação.
E a raiva de saber-se a trabalhar ombro a ombro e em igualdade de exigências de qualidade com pessoal dos quadros e a ganhar por metade ou nem isso. Sejam quais forem os horários a cumprir, as tarefas a desempenhar, o número de horas dia em trabalho ou as responsabilidades no produto final.

Foi pela fé!
Foi pelo império!
Foi pelo espaço vital!
É pela competitividade!

Quais as diferenças entre estas formas de escravidão? Alguém me explique que eu não entendo!
Estes novos processos feudais, como os seus noveis senhores e os sempre eternos servos da gleba deitam por terra os sonhos e as lutas de quem tentou construir uma sociedade igualitária e justa!

Estamos a precisar de uma nova limpeza!
Seja qual for o dia ou mês em que se realize!
Com cravos ou cardos!!


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Divirtam-se e acendam a luz!!!!!!!!!!!!

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Título: Être citoyen
Enviado por: Sector Zero em 03 / Set / 2005, 01:23
E quem se interessa com isso??? Nem os própios se atrevem a denunciar as condições em que trabalham.

Um dia, após assistir a uma conversa de refeitório de um grupo destes novos escravos, vim para aqui e escrevi sobre o assunto, chamei-lhe "Tenho escravos, mas não são meus!" (http://www.portugalvideo.com/forum1/viewtopic.php?t=344), o assunto está na área de freelancer's, e nem um comentário teve... não se organizem não.


Título: Comunicações em directo com...
Enviado por: JC Duarte em 06 / Set / 2005, 09:02
Começa a ser objecto de falatório a possibilidade de a igreja Maná adquirir a empresa Media Capital, possuidora da TVI.
Tratando-se de empresas com cotação na bolsa e uma organização por acções, em que o controle de poder passa por quem tem mais acções (o jogo da bolsa ou do monopólio, lembram-se?), não sei em que medida esta associação religiosa poderá de facto controlar a estação de televisão.

No entanto, sabendo nós que outras organizações semelhantes possuem cinemas, jornais, estações de rádio, escolas e universidades, isenções ficais, acordos de excepção com o estado e quejandos, não entendo onde está o problema que começa agora a agitar as consciências?
Será que tem a ver com esta igreja em particular? Pelo facto de cobrar o dízimo aos seus fieis? Por o seu líder ser de origem brasileira? Pelo capital investido num negócio deste tamanho?
Veja-se quem está à frente da igreja católica apostólica romana e o que ela possui em Portugal. Veja-se a quantidade de cinemas, armazéns e lojas adquiridos para serem transformados em templos de outras confissões. Veja-se o número de pares de pessoas que, em horário normal de trabalho ou não, percorrem os bairros das cidades na sua actividade missionária.

A única coisa que espero é que, da mesma forma que sabemos que o jornal “Avante” pertence ao PCP, que o jornal “Povo Livre” pertence ao PSD, que a “Rádio Renascença” pertence à igreja de Roma, que seja divulgado, sem camuflagens, quem possui as estações de televisão.

Na prática, se é obrigatório ter bem visível a composição dos produtos alimentares ou farmacêuticos, no caso da comunicação social deveria ser igual!

E que os deuses nos ajudem!

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Título: Jornalismo de verão
Enviado por: JC Duarte em 07 / Set / 2005, 11:33
Oiço um jornalista, com responsabilidades editoriais, afirmar que o mês de Agosto foi terrível.
Não houve notícias, pelo que se encheram os noticiários com os incêndios.
Ainda segundo essas afirmações, se não há notícias, encurtam-se os noticiários!

Não há notícias?!!!!
O que é uma notícia? A actividade política do governo ou oposição? Serão os media órgãos de um ou de outro?
Ou será que apenas o que a tal respeita é importante, sendo o resto negligenciável?
Quantas operações de sucesso foram realizadas nos nossos hospitais? Não interessa, pois que ninguém morreu!
Quantos casamentos, feiras e festas estivais se realizaram? Informação inútil, que a polícia não interveio!
Se existirem estatísticas sobre as mortes por afogamento nas praias ainda é como o outro! Agora o número de salvamentos…
Só para dar três exemplos!

Mas isto implica jornalismo de investigação, recolha de dados, comparação de valores, inúmeras entrevistas e conversas.
Não mostra mortes e morgues, não tem discursos nem afirmações polémicas, não é sancionado por nenhum das facções parlamentares.
E, além disso, é caro! Não se pode fazer este tipo de informação com uma câmara, um jornalista e uma ligação em directo. São muitas horas de trabalho com pouca publicidade de retorno!

A informação é uma indústria de poder! Compra, vende, constrói e destrói reputações, políticas e argumentos. Se não tem matéria-prima, hiberna.
Neste caso, estiva!

Imagem: algures na web


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Título: O ardina
Enviado por: JC Duarte em 11 / Set / 2005, 01:04
Em tempos antigos, os jornais não se vendiam em bancas.
Eram os ardinas que percorriam as ruas da cidade, com os diversos periódicos num tradicional saco de pano pendurado do ombro, que iam apregoando as “parangonas” (manchetes nos tempos que correm).
Para além dos títulos em venda, iam avisando os passantes e potenciais clientes de quais as notícias mais importantes. Regra geral orientando a publicidade para o mercado existente.

Pois este ardina, que de novo já nada tinha, tinha por actuação a zona centro da cidade, com algumas esquinas de estimação.
Apregoava ele, naquela manhã:
Olha o desastre! Trás o desastre! Olha o desastre!

Às solicitações de “Dê-me um” ou “Deixe-me lá ver isso” ou ainda “Vou levar”, respondia com um “Bom dia vizinha” ou “Aqui tem o seu troco cavalheiro” ou ainda “Até amanhã, freguês”.
E continuava, com a sua voz em tom elevado e já meio rouca:
Olha o desastre! Trás o desastre! Olha o desastre!

Um cliente, depois de folhear o jornal e não encontrando em parte alguma o título apregoado, levantou-se da mesa do café e veio ter com ele:
Oiça cá! Está para aqui há mais de uma hora a anunciar um desastre no jornal e não vejo nada disso por aqui! Anda a enganar a freguesia?

A resposta veio em tom mais baixo, mas decidida e esclarecedora:
Veja lá no fundo da página 26, onde diz “Mulher dá à luz três gémeos”. Eu sou o pai! Quer maior desastre?
E continuou no tom habitual:
Olha o desastre! Trás o desastre! Olha o desastre!

É velhinha esta estória. Pois será.
Mas já então os media davam relevo aos desastres e ocorrências que lhes tocavam mais de perto, deixando para segundo plano outras circunstâncias.
Já não se fala no Inverno gélido que tivemos e que podemos tornar a ter; O Tsunami do Sudeste asiático é notícia requentada; A evacuação dos colunatos judaicos da faixa de Gaza também é sobremesa de anteontem; Os incêndios passaram a segundo plano, tal como a seca e a poupança de água.
O que está a dar é o Katrina, que tem aspirações ao Guiness: desalojados, epidemias potenciais, mortos, destruições, militares em manobras e declarações de políticos.
Ou então a “reentrée” política, com os duelos dentro e entre partidos.
É o que está a dar!

Agora a excisão genital feminina, que é um drama mas que não dá imagens dramáticas, os refugiados do Darfur, cujas imagens são sempre iguais pois que não diferenciamos um faminto de outro, isto já não enche nem 30 segundos de jornal.

Esperemos pelo fim das férias judiciais para ver como será coberto o caso Casa Pia, que sempre distrairá as atenções do acto eleitoral que se avizinha…

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Título: Comment
Enviado por: JC Duarte em 13 / Set / 2005, 01:31
A língua é algo de vivo, tanto na sua oralidade como na escrita. A sua evolução não depende dos acordos ortográficos que uns quantos lentes decidem mas antes da utilização que os falantes ou escribas lhe dão.
Um bom exemplo é Mia Couto, que constrói as palavras quando as que sabe não expressam o que sente.
Mas há o linguajar diário, aquelas expressões, que interjeições ou desabafos, verbalizam as raivas e as vontades contidas.
A propósito de um outro post meu, onde reproduzo um artigo do “Público” intitulado “As bombinhas do Katrina”, alguém, que me faz o favor de vir ver o que por aqui vou pondo, quis comentar. Uma vez, outra e outra e o sistema impediu-o de o fazer.
Decidiu então enviar-me a sua opinião sobre a matéria por e-mail.
Porque acho que não apenas as opiniões expressas como também o estilo de escrita o merecem, aqui fica na íntegra, com a devida referência:
By: pafmax



Carissímo, este photoblog anda doido, diz-me que o meu comentário contêm spam!!
Ou então tem algum tipo de censura (tou a ser paranóide, sim)
Mas pronto, como não quero deixar passar o assunto em claro, aqui vai todo o comment, tal como deveria ser...

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O katrina, tal como os incêndios cá em portugal denotam apenas 1 coisa. Há cidadãos de primeira (com dinheiro) e de segunda (sem dinheiro).
Por mais florezinhas ou punhos fechados, por mais cor-d-rosa que o queiramos colorir, a realidade é, e sempre será a mesma. Existem classes. Existem, elas tão sempre lá!!
O caso do Katrina é um caso peculiar, por atingir uma sociedade peculiar.
Os Americanos de Bush são racistas, snobs e uns filhos-da-*Prostituta* de primeira.
Houve um tsunami, matou milhares e milhares de "amarelinhos", mas houve solierariedade, houve e há quem ajude o seu vizinho, porque se preocupa.
Houve incêndios por cá. Populares a ajudar os bombeiros, curtos no seus meios e força anímica, gente a ajudar o vizinho, porque se preocupa.
Houve um tufão na terra do tio Sam... (vou ser um muito sarcástico e corrosivo nas próximas linhas, sorry)

1º, no dia anterior foi o salve-se quem puder, pelos seus proprios meios (e quem n puder? k s foda!)
2º, oops! olha o furacão a dar cabo de tudo em directo na CNN! Uaaau! q boniiito, pareçe holywood, ké do Rambo!?
3º, olha, só ficaram pretos pa trás, velhos e pobres... "tadinhos" mas hei, afinal são pretos e alguns velhos gagás!
4º, mas o q é feito das equipas de socorro? Aaah, hot-dogs no texas!
5º, eix olha a destruição... Pilhagens?! (pudera, preto pobre do guetto é violento por natureza - oh, mas *só* tá há 3 dias sem ajuda de ninguém)
5º e 1/2, os cabrões dos pretos andam aos tiros! Chamem a guarda nacional, o exército e matem-nos a todos!
6º olha mas tb há brancos a entrar nas lojas? Coitadinhos, tem d ser! Tão a tentar encontrar mantenimentos para sobreviver!!! (e 40 sapatilhas nike ajudam mesmo...)
7º olha, os radicais arabes já andam a gozar com os americanos, k passado 5 dias ainda não fizeram puto... pudera, andam em guerrinhas lá fora! Mas isto não pode ser!!! Olha, o bush viu as notícias de Nova Orleães afogada na Aljezira!
8º Lá vem o exército!!!!! e o Bush a abraçar duas pretas magrinhas, maquilhadas e bem arranjadas (axo k vi uma dela num filme qq....) UAU! Bush Saves America Again! (demorou kuase uma semana, mas té vem de mangas arregaçadas e tdo, compensa!)
9º Ajuda intenacional? pa kê??!... Os amirecanos não precisam desse lixo estrangeiro!
....

(acabo o sarcasmo hiper-corrosívo...)

O Próximo episódio vai o número (ainda muito secreto) de mortos k akela bodega fez... Há de meter a guerra no iraque, o 11 d setembro e o afeganistão no cantinho como pequeninos "incidentes", tou mm a ver...

...É que o problema com os americanos é que são ensinados e incentivados a olharem para o vizinho como um inimigo, como um alvo a abater, sem nenhum valor... They don't care!
E isso foi o que se viu com o Katrina. Q para além de uma sociedade racista e classista, onde quem tem $ é rei e quem não tem é cão. Nos EUA há uma cultura de total desrespeito pela vida do próximo, uma falta de solierariedade atróz!!! (e não me venham com as "doações" k afinal d contas são dedutiveis nos impostos da terra do titi Bush).


Deixem-me ficar aqui neste cantinho rectangular. Onde a terra são cinzas, os políticos vasculham a economia como cães procurando no lixo algo pa comer, crianças morrem por incompetência, mas....
Mas... mas onde pelo menos existe solierariedade na sociedade, e respeito pelo próximo q.b...
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Um Abraço,
Pafmax



Imagem: in NewYork Times, usada para ilustrar o texto comentado



Como de costume, a imagem está aqui:
http://www.photoblog.net/photoblog.php?nickname=relogioparado&action=view&id=1558859 (http://www.photoblog.net/photoblog.php?nickname=relogioparado&action=view&id=1558859)



Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte
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Título: Senso comum
Enviado por: JC Duarte em 17 / Set / 2005, 07:45
Aquela era uma empresa grande, com alguns milhares de colaboradores.
Um dos locais de laboração era grande, com umas centenas de metros quadrados onde, em regime de rotatividade, os pouco mais de noventa pontos de trabalho eram ocupados por cerca de centena e meia de pessoas.
Menos de ano e meio depois de se terem “deslocalizado” para ali, pelo menos oito pessoas já tinham sido alvo de tratamento psiquiátrico ou psicológico, algumas com impedimento temporário de trabalho.”


Esta é uma história ficcionada.
Nunca aconteceu em Lisboa, em Portugal, na Europa e muito menos no séc. XXI.

Mas esta história ficcionada é a terceira versão escrita.
As outras duas estórias nunca foram mais que rascunhos detalhados. Com algumas conclusões e estatísticas. Ficcionadas, entenda-se.
Que a ética e o receio devido a veladas ameaças de represálias me levaram a destruir.
Provavelmente não as deveria ter rasgado, mas até eu tenho assomos de senso comum.
Talvez um dia fique integralmente imune!

(http://www.photoblog.net/carmen/images/001/660/1660040.jpg)

Imagem: o meu actual estado de espírito


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JC Duarte


Título: Espantos!
Enviado por: JC Duarte em 30 / Set / 2005, 01:26
Sindicato dos Jornalistas chocado com jornais azuis.
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) questionou a acção de marketing da TMN que ontem tingiu de azul dez jornais diários, incluindo títulos desportivos e gratuitos. "Não estando em causa o recurso do anunciante à generalidade dos jornais, é, no entanto, chocante a submissão dos órgãos de comunicação ao recurso publicitário utilizado", refere um comunicado do órgão sindical dos jornalistas sobre a acção publicitária inserida na mudança de imagem do operador de telemóveis. O SJ considera "este episódio mais grave do que outros anteriores" e apela "às direcções dos jornais, aos conselhos de redacção e aos provedores dos jornais para que encetem uma reflexão séria sobre os limites da publicidade".


In: Público, 2005-09-29


(http://photo.photoblog.be/carmen/images/001/672/1672848.jpg)


Ele é publicidade sonora nas estações de metro, disfarçada de informação, da qual não podemos fugir, queiramos ou não!
Ele é a publicidade através de inquéritos telefónicos, que nos chamam aos aparelhos para responder às questões mais disparatadas!
Ele é a publicidade com imagens subliminares em spots televisivos, ilegalíssima, mas que é emitida! Tenho exemplos disso aqui em casa da TV portuguesa!
Ele é a publicidade em painéis de TV gigantes na berma das vias e ruas, que desvia a atenção dos automobilistas, tal qual o telemóvel!
Eles são os ditos “jornais gratuitos” que mais não são que folhetos publicitários com algumas notícias avulsas e minimalistas!
Ele é a publicidade na correspondência, convencional ou electrónica, mesmo que à revelia da vontade de quem a recebe.

E vem o sindicato dos jornalistas incomodar-se com este fenómeno?!?
Será que apenas agora descobriu que os jornais mais não são que um negócio que vive das vendas de cada unidade e da publicidade e que os investidores mais não querem que lucro?

Não nos enganemos!
Os media são um negócio e não existe nenhum isento. Nem do ponto de vista ideológico nem do ponto de vista comercial!
Apenas alguns são mais discretos e dão menos nas vistas que outros!

Imagem: algures na web


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Título: Urticária
Enviado por: JC Duarte em 03 / Out / 2005, 11:09
Por uma questão de principio, sou contra as leis!
Elas existem para impor ou proibir comportamentos ou práticas. E tudo o que me querem impor ou proibir provoca-me urticária e deixa-me de unhas de fora.
No entanto, há que ser sensato! Na sociedade em que vivemos, com o ser humano que somos, elas têm que existir, quando não…

Vejamos uma história recente:
Nas minhas deslocações recorro aos transportes colectivos. Na esmagadora maioria das vezes, de casa para o trabalho e vice-versa e, quase sempre de superfície. Ainda que prefira o metro, porque não poluente nem engarrafado, não me calha em caminho. Mas às vezes lá os uso.

Um destes dias em que tive que viajar nele, “Saltou-me a tampa”!
Os painéis de vídeo existentes nalgumas estações vomitavam o costume: vídeos musicais, notícias soltas e sem responsabilização editorial, e publicidade.
Montes de publicidade!
Em querendo, poderia não ver: bastaria olhar para o lado. O que já não poderia, mesmo querendo, era deixar de ouvir!
Estrategicamente colocados ao longo do cais de embarque, inúmeros altifalantes garantiam que eu, estivesse onde estivesse, continuaria a ouvir o que me queriam impingir!
Senti-me como que dentro de uma lavandaria cerebral, onde me queriam impor comportamentos, consumos e gostos!
Fiquei com urticária e com as unhas de fora!

Tendo tempo, dirigi-me ao Instituto do Consumidor, ali ao Saldanha. O afável funcionário de uma empresa de segurança informou-me, da sua cadeira, que só havia dois períodos de atendimento ao público, duas manhãs por semana. Para rematar as coisas, ainda me acrescentou que, dos dois juristas destacados para esse efeito, um deles encontrava-se em estágio algures numa capital europeia, pelo que estavam reduzidos a uma manhã por semana.
Não só já era depois de almoço, como aquele nem sequer era o dia em questão!
Mas estas coisas não me atrapalham e, tendo ficado com os contactos telefónicos e de web que me forneceu, telefonei-lhes passados uns dias.
E fiquei elucidado quanto à questão!

A publicidade sonora, em espaços privados, não está legislada. Donde, este caso não está nem dentro nem fora da lei. Nada impede a sua utilização, seja qual for o fim e os conteúdos.
Tratando-se de Portugal, com a sua “Chico-esperteza”, alguém resolveu utilizar este vazio em seu proveito, pondo de parte escrúpulos ou éticas no que toca ao respeito pelo outros.

Quanto mais não seja, ao comprar um título de transporte de metro, o que eu estou a comprar é transporte e não lavagens ao cérebro!
E quero ter o direito de dizer “NÃO” quando me querem impingir publicidade. E se posso desviar os olhos ou fechá-los, já o mesmo não posso fazer quanto aos ouvidos!

Tenho estado cá a pensar numa nova oportunidade de negócio: A venda de tampões de ouvidos, na rua, junto às bocas de entrada do Metro. Não sei se alguém compraria, mas eu seria cliente, de certeza!



Imagem: by me



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Título: A ponte sobre o rio Kwai
Enviado por: JC Duarte em 18 / Out / 2005, 10:09
The Bridge over the River Kwai”, filme rodado em 1957 por David Lean.
À época, e não só, marcou o cinema.
Trata-se de um potente manifesto anti-bélico!
E de um excelente exercício de personalidades, do estudo sobre as diversas motivações humanas para um mesmo objectivo, do esforço interior e colectivo para a sobrevivência psíquica em condições extremamente adversas.
Este tema tem sido abordado inúmeras vezes no cinema como por exemplo “Lifeboat”, de Alfred Hitchcock, baseado num romance de John Steinbeck.

A história original de “The bridge over the river Kwai” é má! Tenho por aí algures um exemplar do livro traduzido para português, tal como tenho por aí algures uma cópia em VHS do filme. É um daqueles casos raros em que o filme supera em muito a história original. Se virem o livro, não o comprem, mas se puderem ver o filme, não o percam!

Mas o que deu grande notoriedade a este filme foi o seu tema musical, aqui em fundo. Composta por Malcolm Arnold correu mundo e tem diversas interpretações, por orquestras, bandas ou solos. Quem quer que tenha visto o filme, não pode deixar de o rever mentalmente ao ouvir este tema.

Agora, dói-me profundamente a alma que se venham apropriar deste tema musical para o tele-lixo intitulado “1ª companhia”, transmitido por uma estação de TV portuguesa.
Da mesma forma que me incomoda que a expressão “Big Brother” seja associado a outra série de tele-lixo no lugar de ser referenciado com a obra de George Orwell "1984", levada à tela, brilhantemente, por Michael Radford.
É como usar reproduções do teto da Capela Sistina para embrulhar doses de extazy ou equivalente!

Da mesma forma que existe um “Tribunal internacional dos direitos do homem”, igualmente deveria existir um “Tribunal internacional dos direitos da arte”, para punir estas ligações de obras de arte a lixo, televisivo ou não!


A imagem e o som estão, como é hábito, aqui:
http://www.photoblog.net/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1594215 (http://www.photoblog.net/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1594215)



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Título: Os seus documentos, por favor
Enviado por: JC Duarte em 01 / Nov / 2005, 10:24

Há uns meses uma colega minha foi assaltada.
Tarde na noite, esperava o autocarro numa avenida onde quase não passam peões. Um automóvel parou junto a ela, o passageiro saltou, derrubou-a e regressou à viatura com a carteira.
O comentário geral dos colegas, para além da satisfação de a saberem bem de saúde, foi o aborrecimento da perda do telemóvel e de todos os contactos nele contidos. E a trabalheira de refazer todos os documentos desaparecidos: BI, contribuinte, carta de condução, segurança social, passe, etc.


Foi ontem feito o anúncio formal, com direito à presença do primeiro-ministro, da criação do “documento automóvel único”. Vem este substituir o livrete e o título de propriedade, e será aplicado nas novas viaturas a serem comercializadas.
Em forma de remate, a jornalista que fez a reportagem televisiva anunciou, e cito: “Para os primeiros meses do próximo ano, o governo promete mais um cartão único, o do cidadão. Num só documento substitui-se bilhete de identidade, cartão de utente e cartão de contribuinte.”


Estes dois factos levam os meus pensamentos para vários lados:
Recordo-me de, há uns anos valentes atrás, os nossos políticos terem recusado a ideia de um “número único nacional”, com o argumente, bastante válido aliás, que se trataria de um sistema de extrema vigilância e controle do cidadão, inadmissível numa sociedade livre;
Recorda-me, igualmente, as inúmeras imagens dramáticas de braços magríssimos com números tatuados, sistema que o Nacional Socialismo Alemão usou para controlar os inimigos da pátria: judeus, ciganos, homossexuais, criminosos de ideias ou actos… Este sistema foi apoiado pela divisão alemã da IBM, o então gigante da emergente tecnologia da informática;
Relembra-me também a recente alteração da lei portuguesa que passou a permitir que as imagens registadas pelas câmaras de vigilância das estradas nacionais pudessem servir de prova criminal com o mesmo peso que teria se as infracções fossem detectadas in loco por uma agente da autoridade;
Da mesma forma me lembro que os actuais sistemas de “passe” dos transportes públicos, electrónicos, têm a possibilidade de registar em que ponto entrou e/ou saiu o possuidor do titulo de transporte…
Ou as câmaras de vigilância das instituições, públicas ou não, que viradas para a rua, registam todos os movimentos dos transeuntes; ou que, viradas para dentro, vigiam e registam os movimentos de quem trabalha; ou os registos da “via verde”; ou os registos dos cartões de crédito ou débito; ou os registos do tráfego na Internet…

Não se trata aqui da “Teoria da conspiração” ou de uma mania da perseguição. Trata-se antes de me sentir cada vez mais desconfortável ao saber que aumenta exponencialmente a possibilidade de todos os meus gestos e comportamentos serem registados, comparados e analisados, perdendo cada vez mais a individualidade, a independência ou o anonimato.
E que todos esses dados e registos podem ser usados por entidades que desconheço, com fins que ignoro e à revelia da minha vontade e conhecimento.
Não tenho nada a esconder, já que sou um cidadão razoavelmente cumpridor e dentro da legalidade mediana. Mas preocupa-me a possibilidade de ser tão controlado.
A liberdade do individuo não pode ser apenas um estatuto bonito, inscrito em documentos subscritos por deputados ou nações. É algo que todos e cada um devemos defender, ainda que possa – e dá certamente – trabalho e chatice!

Não uso a “via verde”, não uso o “passe electrónico”, não pago por cheque e raramente por cartão.
E quase que estou para assumir a posição de Agostinho da Silva, ilustre pensador português da segunda metade do século XX, que recusava possuir bilhete de identidade.
E mater-me-hei alerta e interveniente contra o conceito “The Big Brother is watching you!”

(http://photo.photoblog.be/liesbeth/images/002/015/2015948.jpg)
Imagem: fotograma de “1984”


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Título: O mundo é...
Enviado por: JC Duarte em 04 / Nov / 2005, 10:02
O mundo é uma moeda que gira apoiada na ponta de um pénis!

Esta expressão, que muitas mulheres que conheço consideram de “machista”, é a que uso para definir a existência dos seres vivos em geral e do Homem em particular.
Bem espremidas, bem espremidas, e levadas à sua essência, todas as actividades e comportamentos se centram nestas duas vertentes: a sobrevivência da espécie, através da reprodução, e a sobrevivência do individuo, através da sua nutrição.
A sobrevivência é a do mais apto. Procura no género oposto o individuo mais apto para uma boa e sã descendência, sobrevive melhor aquele que encontrar a melhor comida e que mais facilmente evite ou suplante os adversários e predadores.
O ser humano, no entanto, é tão complexo e rebuscado na sua existência que, por vezes, há que esgravatar bem fundo para encontrar as motivações primárias. Mas elas estão lá sempre.


Na sociedade em que vivemos, ambas as vertentes passam pelo dinheiro. É ele que permite ter casa, alimentação, vestuário, educação, saúde, conhecimento… E é com ele que se obtêm os adornos e sinais exteriores apelativos ao género oposto para o acasalamento.
A sua obtenção é o objectivo primordial da actividade actual do ser humano e é por ele que corre e concorre contra os seus iguais.
Para o alcançar valem todos os métodos e meios, mais ou menos legais, mais ou menos éticos. E se isso significar a anulação dos que o cercam, seja lá qual for o método de anulação de que estamos a falar, tanto pior… para os outros. Contando que o próprio esteja bem e seja um dos sobreviventes!...

Este processo de satisfação do individuo, que passa pela competição desenfreada ou não, é aquilo a que muitos chamam a “busca da felicidade”!
Alguns há, raros note-se, que não se revêem na persecução destes objectivos primários, mas que a encontram muito mais próximo e facilmente: dentro de si mesmos.
Não desistindo de ir mais longe, mas encontrando a realização pessoal e a satisfação em cada momento da existência, são aqueles em quem se pode encontrar um sorriso quase permanente, genuinamente de felicidade.
E são aqueles que, não fugindo aos conflitos e competições que os cercam e envolvem, procuram com elas a satisfação da espécie e não apenas do individuo.

A alguns chamam poetas, filósofos ou artistas. A outros, resistentes ou revolucionários. Alguns são mesmo apodados de loucos ou visionários.
Mas todos eles levam, todos os dias, a espécie mais longe e melhor. Até ao ponto, um dia, em que o meu conceito seja arcaico e inútil!


Imagem: by me


A imagem está, como de costume, aqui:
http://www.photoblog.net/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1610181 (http://www.photoblog.net/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1610181)



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Título: Manifestações
Enviado por: JC Duarte em 11 / Nov / 2005, 12:16
É suposto vivermos numa sociedade laica e republicana.
Quer isto dizer que os poderes do estado e da igreja estão separados e não se confundem, cada um seguindo a sua via independentemente do outro.
Mas, na prática, não é bem assim. Melhor, não é mesmo nada assim!

Os líderes da igreja de Roma são recebidos e ouvidos pelos líderes do estado como se altas individualidades se tratassem e representassem a opinião e vontade de grandes comunidades. E sabemos que não o são, já que atingiram aquele estatuto, não por eleição ou escolha dos fiéis da igreja mas antes por opções corporativas e elitistas da igreja enquanto instituição fechada às participações dos crentes não iniciados. O comum dos fiéis mais não faz que ser fiel e seguir ordeira e obedientemente os ditamites desta hierarquia.

E os media reflectem esta subserviência do estado perante a igreja.
Relatam os acontecimentos ditos importantes dentro ou relacionados com a igreja de Roma, chamam elementos da sua estrutura para emitirem opiniões sobre a sociedade em geral, fazendo-o na condição de sacerdotes e não na de cidadãos. Quer se trate de debates de política ou de economia, quer se trate de simples programas ou artigos de entretenimento. Na rádio, na imprensa e na televisão.

Mas a coisa vai mais longe no relacionamento do estado com a igreja de Roma!
O estado define datas consideradas importantes pela igreja como dias especiais, condicionando com isso toda a comunidade, crentes e não crentes. Feriados religiosos e datas festivas! Natal, Páscoa, dia da senhora de… dia do santo de…, Nestes dias é suposto não se trabalhar. As instituições públicas estão fechadas e, nas privadas, há pagamentos extra para quem o fizer. Salários, lucros e mais-valias.

E a dependência do estado em relação à igreja não termina aqui.
A igreja de Roma é, de alguma forma, subsidiada ou subvencionada pelo estado. O apoio às suas instituições, através de benefícios fiscais ou contribuições para a construção dos seus edifícios é facto público e notório. O estado, através do poder central ou local, apoia e incentiva a construção e/ou manutenção dos templos e instituições, através de doações em dinheiro, serviços ou terrenos e géneros. Independentemente de os dinheiros públicos se destinarem a todos os cidadãos e não apenas ou em particular aos crentes na igreja de Roma e em desfavor de outras igrejas ou instituições.

Mas se a coisa ficasse por aqui…!
As manifestações públicas de fé, como as procissões ou as missas campais, são inexoravelmente autorizadas, apoiadas e, quem sabe se incentivadas.
Nos locais privados e nos públicos. À revelia das confissões religiosas de todos os cidadãos e independentemente do quanto essas manifestações de fé possam alterar a ordem pública e a regularidade de vida de todos.
Para além das peregrinações anuais a Fátima e das procissões regulares ao santo da terra, temos outras, extraordinárias, que são dignas das melhores estratégias de marketing comercial ou político.


Hoje, algumas das principais artérias da cidade de Lisboa, vitais para o regular fluxo automóvel, vão estar bloqueadas com o consentimento do poder estatal e a superior vigilância policial. Isto porque irá decorrer uma procissão extemporânea e extraordinária promovida pela igreja de Roma.

Não é importante o que esta alteração da ordem pública possa provocar na vida dos não crentes. Se a igreja pede, aceda-se.
Incondicionalmente!
Agora se se tratar de manifestações que ponham em causa o poder do estado, laico e republicano, e não promovidas pela igreja de Roma…
Isso já é outra história!


Imagem: algures na web


A imagem está, como de costume, aqui:
http://www.photoblog.net/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1616051 (http://www.photoblog.net/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1616051)


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Título: O ladrar dos cães
Enviado por: JC Duarte em 12 / Nov / 2005, 11:24
Comecei a usar chapéu há umas dezenas de anos.
O que começou por uma brincadeira acabou por se tornar num hábito e hoje já quase me sinto despido se não os uso.
Mas esta rotina, notoriamente inofensiva para quem comigo convive, tem-me trazido alguns “amargos de boca”. Aqueles ditos “muito bem-educados” ou defensores da etiqueta social (seja lá isso o que for), olham-me de lado e com desconfiança: “Quem é este que se atreve a vir por aqui e quebrar as nossas regras?”
O que acaba por ser curioso é que não é só com os humanos que tenho tido problemas com o uso de chapéu. Entre os cães, aqueles que estão treinados para ser de guarda ou que passaram maus bocados na vida, ao verem-me de chapéu protestam de medo ou espanto, ladrando e tentando morder.
Quem marcha sem ter o passo certo, entre os homens e os animais, paga caro a ousadia!

Vem isto a propósito do caso recente e badalado de duas jovens que foram socialmente mal-tratadas na escola secundária que frequentam, em Gaia, por assumirem comportamentos homosexuais.
A dar fé nos relatos televisivos e impressos, terão sido elas insultadas por auxiliares de educação e pelo conselho executivo da escola, tendo sido chamados os encarregados de educação, proibidas de ter tais comportamentos dentro da escola e publicamente enxovalhadas.

Pode-se dizer que esta escola, com os seus dirigentes e funcionários, no lugar de se inserir na comunidade onde trabalha, cria uma “ilha de moralidade”, onde o que sucede fora dos seus muros não pode reflectir-se no interior e vice-versa.
Por outro lado, numa sociedade onde cada vez mais se constata e aceita a diversidade de credos, etnias, línguas e costumes, esta atitude é tão retrógrada e perigosa quanto o pendurar uma lanterna vermelha sobre a porta ou nela pintar uma estrela amarela!

A função dos professores e demais intervenientes na escola é ajudarem a crescer no respeito à diferença e na sua aceitação.
Estes funcionários públicos, pagos pelos contribuintes para serem parte integrante no processo de crescimento e formação dos jovens de hoje e adultos de amanhã, não merecem o salário que recebem nem o respeito e confiança dos pais que a eles confiam os seus filhos.

Há, no entanto, que desculpar estes professores e auxiliares de educação em particular. O seu comportamento de cães de guarda d