"No automático"
23 / Nov / 2008, 19:15 *
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Autor Tópico: "No automático"  (Lida 1112 vezes)
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Jose Costa
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« em: 26 / Mar / 2007, 10:44 »

Boas.

Ao longo da minha profissão, tenho tido a oportunidade de trabalhar com uma centena ou mais de equipamentos. Uns próprios, outros alugádos, outros ainda fornecidos pelo cliente/empresa. Como é natural, as comparaçôes são inevitáveis. Comparámos o equipamento A com o B, o C com o D. Como é natural também, por vezes gostámos mais de um do que de outro. Uma vezes pelas caracteristicas intrinsecas do equipamento/formato, outras vezes apenas pela facilidade do trabalho que ele nos proporciona.

Com todos eles aprendi sempre algo, pois todos eles são diferentes. E no que diz respeito ás câmeras de video, os melhoramentos verificádos através da passagem dos anos tem sido enorme. Mas algo se mantém igual: o famoso botão "automático".

Tenho como máxima nunca ir para um trabalho com uma máquina que desconheço. Quando tenho que efectuar um serviço com uma câmera pertença do cliente/empresa, e com a qual nunca trabalhei, ponho como condição o facto de dias antes do serviço se efectuar, a câmera me ser entregue para assim a "conhecer", poder fazer umas filmagens como experiência, conhecer a localização dos controles, ler o manual, ajustar os parâmetros, ambientar-me com a mesma. È que fazer uma reportagem video é um trabalho de responsabilidade. È a captura/gravação de momentos que, em principio, não se voltam a repetir. E mesmo que mais tarde se possa voltar a gravar (como no caso de um trabalho para um "institucional"), é sempre uma perca extra de tempo, tempo que é precioso. Fazer reportagem com uma câmera a qual se desconhece, tenho para mim, que é uma irresponsabilidade como profissional, uma falta de respeito para com o cliente que vai pagar o trabalho, além de ser uma grande fonte de desconforto para quem está a trabalhar (o câmeraman). Porque a dúvida do que está a fazer vai persistir. Querer fazer algo especifico e não saber aonde mexer para assim o conseguir, faz com que não dei-a-mos o melhor de nós, com que o cliente fique mal servido, além de passar uma mensagem de incompetência.

Quando coloco esta condição (uns dias para "testes"), é comum ouvir a famosa frase:" Não tem nada que saber. Coloca a máquina no automático que ela faz o resto". Mas tal não é para mim. Ou a minha condição é aceite, ou simplesmente regeito o trabalho. Pode parecer exibicionismo ou até mesmo arrogância da minha parte, mas nada disso. È o meu profissionalismo (ou falta dele, depende do ponto de vista de cada um) a falar mais alto que o dinheiro, e mais do que isso, a manutenção do meu estádo mental (que diga-se de passagem, já é pouco. Não digam nada a ninguém, mas fugi á pouco tempo do manicómio).

Automatismos, não tenho nada contra eles, muito pelo contrário. Em muitas situaçôes fazem bem o que lhes compete. Mas MUITAS não são TODAS. Conhecer o funcionamento do "automático", as vantagens e inconvenientes do mesmo, em que situaçôes se deve e não deve utilizar, permite-nos fazer uma escolha conscenciosa em função do resultádo pretendido. Se queremos algo, temos que ser nós a controlar a câmera, e não o contrário. Personalizar a imagem ao nosso gosto e focagens e desfocagens propositádas e controládas, só para citar dois exemplos, é algo que nenhum "automático" faz. Só o próprio. A máquina não lê pensamentos.

Assim, o famoso botão "automático" não é para mim. Este "automatismo" retira profissionalismo a quem o utiliza, limita a criactividade e impede que evolua-mos como profissionais. E bons profissionais precisam-se.

Boas.
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« Responder #1 em: 26 / Mar / 2007, 20:41 »

Apoiado!!! Diafragma automático não obrigado!
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« Responder #2 em: 27 / Mar / 2007, 11:00 »

Sorte para alguns azar para outros...
Falta o "Automático" na edição... ainda bem senão estariamos a fazer os botões na fabrica....
Quanto à velha questão do profissionalismo, para quê?!!?
Esta sociedade em que vivemos quer cada vez mais a prontidão a custos reduzidos, às vezes de borla e a fórmula até é simples, pegam-se nas imagens, acrescenta-se 2 ou 3dl de água e ja está pronto.
Ficou uma "merda", desculpem o termo, mas que se lixe, a malta que vai ver até nem percebe disto. Mas depois a mesma malta diz, afinal ou já vi isto algures ou o raio dos americanos fazem isto bem!
Quanto à "merda", pois uma laranja leva algum tempo, aquele que a natureza designou apropriado para o seu desenvolvimento, até que fique com aquele aspecto apetecivel para se saborear. Se a comerem antes, cospem-na, se depois, cospem-na... O fruto do trabalho também é assim. Feito de forma natural, estruturado e de acordo com os prazos sabe bem à vista e para quem o fez também à carteira que se enche.
A minha sincera homenagem a aqueles que ainda procuram trabalhar e não desenrascar.

Abraço
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Pedro Rocha
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« Responder #3 em: 28 / Mar / 2007, 10:01 »

Vejo que deves ter tido tal experiência recentemente. Fazes bem em ter essa atitude perante o trabalho pois é nele que muitas vezes revelamos as pessoas que somos.  Applause Applause
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« Responder #4 em: 28 / Mar / 2007, 15:12 »

Boas.

Não foi assim tão recentemente. Já faz algo tempo... Escrevi o tópico porque me lembrei da situação. E já me aconteceu umas quatro ou cinco vezes, e numa das vezes perdi o serviço. A última das quais foi na fotografia. È que para além de ser Op. câmera também sou fotografo. Aliás, comecei como fotografo, ainda estáva eu na Força Aérea. Depois é que veio o video, sendo ele cerca de 80% do meu trabalho.

Mas não foi para falar de mim que voltei ao assunto. Mas para falar acerca de um e-mail enviádo por um user deste forum, aborrecido com a opinião por mim expressa acerca do "automático". Nas palavras dele, e simplificando, não entendia como é que se podia ver o "automático" um mal, e só porque alguns acham que sabem muito (e são palavras dele) não dáva o direito de criticar quem uso faz do mesmo. E acrescenta que ele próprio se considera um amador.

Por o assunto ser tão actual, creio que a opinião dele deveria ser pública e não pessoal, pois aqui cabem todas as opiniôes (acredito eu). Mesmo que contrárias ás da maioria. Mas respeito a decisão dele, pois apesar de tudo fê-lo com respeito. E enviei a respectiva resposta. Mas para desanubiar alguns mal entendidos, que outros users possam ter, vou tentar clarificar alguns pontos. Esta não é uma resposta ao e-mail dele, pois essa já foi enviáda. È antes um complemento áo tópico por mim iniciádo.

E em primeiro lugar, tenho para mim que eu não acho que sei muito. Sei mais que alguns, mas que muitos mais sabem mais do que eu. E em altura alguma se deveria de catalogar alguém como sabichão, só porque ele sabe alguma coisa, ou porque exprime públicamente a sua opinião. As dúvidas de uns são a certeza de outros e da troca de opiniôes é possivel melhorar-mos como pessoas, como profissionais e como membros de uma sociedade, muitas vezes fecháda, é um facto, mas que não deixa de ser uma sociedade. A troca de opiniôes é acima de tudo uma troca de informaçôes. Umas vezes certa, outras vezes errádas, mas sempre informaçôes de algum género.

Trabalho em video, gosto de video, tento manter-me informádo sobre o video, e nesta era de constantes avanços tecnológicos, mantermo-nos informádos sobre a temática é quase uma profissão a tempo inteiro. E apenas sei que nada sei.

Na minha imensa ignorância, eu classificaria as câmeras de video em três classes: Amador, Prosumer e Broadcasting. De igual forma, os utilizadores classificaria como amadores, entusiástas e profissionais. Em relação ás câmeras, a linha que separa as amadoras das Prosumers é muito ténue. E o mesmo será dizer em relação ás Broadcasting. Cada vez mais se vê as de uma categoria no campo das de outra. E sempre que assim se justifique de alguma forma, acredito que o procedimento está correcto.

Em relação aos utilizadores, diria que amador é todo aquele que filma algo do seu interesse (seja a familia, amigos, festas ou um jogo de futebol), e que pode ou não saber algo de video, pode ou não querer saber mais sobre o assunto, e pode inclusivé, achar que as filmagens que faz estão muito boas. Para o que é serve muito bem. Não quer complicar aquilo que é simples. Saber aonde fica o REC/PAUSA poderá ser tudo aquilo que ele quer saber.

Entusiasta diria que é todo aquele que gosta de video, tenta saber mais sobre o assunto, poderá saber muito ou pouco, mas que quer sempre saber mais. Tenta fazer melhor de cada vez que filma, e tenta saber mais com quem sabe mais. Aproveita as ocasiôes familiares e de amigos para se aperfeiçoar, mas deixa sempre claro para não esperarem muito do "trabalho" dele e só o faz numa de "sem responsabilidade". Está apenas a aprender.

Por profissional, entendo que é todo aquele que (seja a tempo inteiro, seja a tempo parcial), faz trabalhos/reportagens em video e cobra-se por isso. Muito, pouco, não interessa, cobra-se pelo trabalho. Poderá é agora colocar-se a questão do que é ser um bom profissional. Se é bem ou mal págo. Mas isso é uma outra questão. Se leva dinheiro, é profissional: bom ou mau.

Ora "No automático", porque é esse o assunto, a utilização dele não é criticáda por mim. Deve ser usádo, porque é para isso que ele lá está, não é para fazer feitio. O amador, se não tem conhecimentos, tem e deve utilizá-lo. O entusiasta também o deve utilizar, para assim poder, por exemplo, comparar as várias filmagens que faz e em que situaçôes o deve ou não utilizar. Quanto ao profissional, também o deve utilizar, sempre que entender que necessita dele ou se justifica. E estou aqui a lembrar-me de uma captura em timelapse, por exemplo. Mas existem outras situaçôes.

O que lamento, é a utilização a tempo inteiro do mesmo, porque o dito profissional, que tem obrigação de saber minimamente sobre o assunto (e desculpem lá, mas é assim que penso, TEM OBRIGAÇÃO), não sabe trabalhar de outra forma. O que lamento é o dito profissional, numa situação de contra-luz (e para os menos informádos, contra-luz é uma pessoa de costas para a janela, no interior na casa, por exemplo. Na filmagem, o rosto fica escuro), dizia eu que, numa situação de contra-luz filma assim mesmo, porque não sabe que têm de abrir a Iris. Os mais informádos, filmam de ládo. Evitam assim a luz da janela. Mas isso é ser profissional? Tenho as minhas dúvidas.

E muitas outras situaçôes poderia exemplificar. A utilização de projector contra um fundo escuro, a dificuldade da câmera em fazer a focagem em situaçôes de pouco contraste ou de pouca luz, o excesso de ganho, a sobre ou sub-exposição de determinadas partes da imagem, etc, etc, etc.

Não é a utilização "no automático" que critico, é um profissional não o saber utilizar. Em reportagem, as situaçôes são muitas vezes adversas. O local, a luz, a altura do dia, a confusão... os erros acontecem, todos cometemos erros. Mas uma coisa é cometer um erro, e outra é estar sempre em erro. Trabalhar com uma câmera que não se conhece, não saber para que é que serve todos aqueles botôes, não saber minimamente o que se está a fazer, e mesmo assim aceitar um trabalho e ainda dizer-se que é profissional... se isto não é um erro, digam-me então o que é. Eu utilizaria um termo mais forte, mas temo que assim a fazer, Raios e Trovôes iriam soar durante os tempos mais próximos sobre a minha cabeça. E logo eu que gosto tanto de sossego e detesto confusôes.

Assim, amadores, entusiástas e profissionais, aprendam a trabalhar com as vossas câmeras, na medida em que entendam que assim deve ser, que eu vou continuar a regeitar "no automático", e até que me provem que eu estou errádo, vou continuar no meu procedimento. E quem sabe, não estou mesmo errádo?. Mas a ser assim, mais tarde ou mais cedo vou acabar por o descobrir (espero eu). Boas.
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« Responder #5 em: 28 / Mar / 2007, 15:55 »

Excelente tópico José Costa. Não poderia estar mais de acordo, do principio ao fim.
Recomenda-se leitura, a amadores, entusiastas e profissionais!
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A. Caneira
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« Responder #6 em: 28 / Mar / 2007, 21:08 »

Olá,

Pedro, não sei a quem te referias, mas por exemplo, alguns ex-alunos meus e também colegas nossos já desabafaram comigo sobre esta e outras situações similares.

José, um abraço pelo tópico que apresentas.
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Pedro Rocha
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« Responder #7 em: 29 / Mar / 2007, 09:04 »

 d'oh! d'oh! d'oh! Chiiii Rui fiquei baralhado?!?!? Não me referia a ninguém...

Boa mensagem José...
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Pedro Rocha
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