José
23 / Nov / 2008, 18:36 *
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Autor Tópico: José  (Lida 274 vezes)
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JC Duarte
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« em: 07 / Abr / 2007, 11:38 »



Isto é um pouco daquilo que sei da vida de José.


Nasceu uns cinco ou sete anos antes de mim. No início dos seus vinte anos, trabalhou como camionista da indústria petrolífera na Líbia, tanto transportando os respectivos produtos em comboios escoltados como fazendo parte das escoltas armadas.
Por motivos que desconheço, saiu de lá e foi viver para Espanha. Aí desenvolveu a actividade de jornalista e foto-repórter, trabalhando como independente para o jornal “El País”. Uma ocasião fez uma reportagem, que foi publicada, sobre a ETA e alguns dos seus elementos. Perseguido pela polícia, que queria que divulgasse as fontes e os contactos, acabou por fugir para Portugal.
Durante algum tempo retomou a actividade de camionista, mas veio a ingressar lá, onde trabalho, como técnico.
Acontece que os ambientes agrestes e pesados já então se manifestavam, com as arbitrariedades e a falta de respeito pelo indivíduo que tão bem conhecemos, infelizmente.
Um dia, tendo atingido o limite, cruzou a cancela do complexo com uma pistola de calibre militar na mão. A sua intenção confessa era a de ajustar contas com um elemento da hierarquia. A pessoa em causa esteve escondida durante horas numa casa-de-banho, enquanto se tentava serenar os ânimos ao José. Acabou por sair sem concretizar os seus intentos e desapareceu do mapa.
Viemos a saber, passados uns tempos, que tinha acabado por se vergar ao sistema, e que se tinha entregue num posto policial, com pistola e tudo.
Esteve internado, passando depois a regime de ambulatório, sob a influência de fortes medicamentos psiquiátricos, vindo a regressar ao trabalho.
Mas a sua cedência ao sistema social e aos seus títeres de baixo calibre foi de curta duração e partiu para outra viagem: a última.
Foi encontrado pendurado numa corda atada a uma árvore, na serra de Sintra. O bilhete que deixou era, ao que parece que nunca o li, um manifesto forte e incisivo.

Alguns de vós dirão, à luz das teorias comportamentais e dos padrões sociais, que era um homem desequilibrado e desajustado, quiçá anti-social e perigoso. Alguns de nós que o conhecemos temos uma opinião diametralmente oposta.
E dos que ainda por lá estão e com que com ele conviveram, poucos são os que o recordam – ou querem recordar!
Mas os que o fazem, e alguns dos que ouvem contar estes e outros episódios, lamentam que tenha falhado nos seus intentos naquele dia comprido e complicado.
Dizem - dizemos, digo - que se o tivesse feito talvez as coisas hoje não corressem como correm e que os ditadores de secretária e de baixo coturno, falhados da vida e na vida, tivessem outro comportamento.
Pelo menos saberiam o que lhes poderia suceder ao serem mais papista que o papa e ao usarem dos seus pouco e fúteis poderes para se vingarem da sociedade e da existência.

Mas talvez um dia, quem sabe…


Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte

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« Última modificação: 07 / Abr / 2007, 11:40 por JC Duarte » Registado

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Divirtam-se a aproveitem bem a luz
JC Duarte

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