
Porque passa o tempo comigo, no meu bolso ou na minha mão; porque nos conhecemos razoavelmente bem, sendo cada requebro da sua irregularidade familiar e íntimo da versatilidade de como a suporto; porque ninguém mais a reclama; porque, provavelmente, será única entre milhões na sua forma, volume, peso e massa; porque a escolhi à-toa de entre muitas e a tenho por companheira…
Esta pedra é minha!
Que disparate! Que absurdo de afirmação! Que enormidade de egocentrismo! Que presunção de importância eu me atribuo!
Como posso chamar de “meu” esta pedra? Como posso reclamar propriedade sobre este conjunto de minerais, com um toque de vegetais? Como posso assumir ser dono disto?
Esta pedra existe desde que o mundo é mundo, quem sabe se desde que o universo é universo. As energias e matérias conjugaram-se lenta e laboriosamente, para formar esta pedra. O conjugar das suas partes ínfimas, o fazer de um penedo de tamanho monumental, o fracciona-lo nesta e noutras, talvez mesmo em areias, é trabalho de eternidade!
Enquanto eu, fruto da junção de duas células, que se repartiram e reproduziram seguindo leis de antanho, eu que tenho menos de meio século de existência e que já passei o meio termo, vou envelhecendo até ao desaparecimento total. Passadas que forem algumas gerações, talvez mesmo nem dos meus ossos haja memória, quanto mais vestígios materiais.
Esta pedra, que já por cá andava muito antes de as amibas evoluírem e que continuará a cá estar muito depois de o Homem já nem ser memória, esta pedra, digo eu, não é minha!
Se alguma coisa possuir alguma coisa, serei eu que lhe pertenço.
Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte
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