
São mais as conversas que vou tendo em torno do meu artefacto que as fotografias que com ele faço.
As perguntas, a admiração, a curiosidade adulta ou infantil, os parabéns, as recordações, são inúmeros os motivos que justificam uma paragem junto do tipo de barbas brancas e da câmara antiga.
Alguns, mais do que seria de esperar, estão ou estiveram de alguma forma ligados à imagem ou às artes gráficas. A câmara é a ignição para o rastilho de histórias relacionadas com ela.
O que se torna curioso é que a maior parte deles, a partir dos quarentas de idade, ao recordarem a sua actividade, têm necessidade de se afirmarem de como são ou foram bons nela. Os melhores, mesmo! E, não tendo provas materiais que o demonstrem, recorrem a nomes sonantes para sustentar as suas memórias. Fotógrafos, pintores, escultores, músicos, políticos mesmo… As referências são muitas e de difícil contestação.
A mim, que as oiço e vou provocando, por vezes “dando corda” ao que vai sendo dito, restam-me três soluções:
Acreditar expressiva e serenamente no que oiço, não tendo motivos para que o não faça;
Dar algum desconto à solidez do que é dito, tentando separar o trigo do joio e adivinhar o que será credível;
Pensar que o ser humano necessita de se afirmar de algum jeito e que um conjunto de patranhas, relatadas a um desconhecido ocasional, são uma forma de dar corpo a sonhos nunca materializados.
Um dia, quando me apetecer andar mais carregado e “artilhado”, levarei comigo material de registo de som. À sorrelfa, gravarei o resultado das conversas para mais tarde as ponderar. É que algumas são tão incríveis que só podem ser mesmo verdade.
Como este tabuleiro de xadrez, à venda numa casa da especialidade aqui no meu bairro. Curiosidade ou não, inverosímil ou não, a verdade é que existe e que há quem com ele jogue. Com três jogadores mesmo!
Divirtam-se e aproveitem bem a luz
JC Duarte
www.photoblog.be/jc2www.photoblog.be/relogioparadowww.photoblog.be/oldfashion