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Jose Costa
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« Responder #42 em: 25 / Set / 2007, 00:14 » |
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Mãaaaaaaaaaaae!
Boas.
Âo ler os posts anteriores, tenho a sensação de que estou a correr á volta da mesa. E quando se corre á volta de uma mesa, não se chega a ládo nenhum. È que eu não estou a ver aonde está o problema. Talvez porque o problema não existe. Acredito antes que o verdadeiro problema está em não compreenderem o conceito que está por trás da câmera. Revolucionário, mas eficaz.
Assim, vou tentar explicar o interlaçado e o progressivo, o funcionamento da Sony HVR-V1E, o porquê da câmera não "funcionar" no Final Cut, e mais alguns pontos que não ficaram bem claros nos posts anteriores.
Imaginem uma grade de cerveja vista por cima. O seu interior tem divisórias, que é aonde são enfiádas as garrafas. Imaginem que a grade leva 6 x 4 garrafas. Um total de 24. Encaixem as 24 garrafas, uma em cada divisória, mas com o cú para cima, o gargalo para baixo. Agora peguem na grade e coloquem-na em cima de uma mesa, mas com um ládo para baixo, de forma que as garrafas fiquem deitádas umas em cima das outras, dentro da grade. Coloquem uma cadeira em frente e sentem-se. Ai têm a vossa câmera, em que a grade é o sensor CMOS ou CCD e as garrafas são os pixeis. Temos um sensor de 6 x 4 pixeis.
Cada uma dessas garrafas (pixeis) está ligáda por fios eléctricos a uns circuitos electrónicos. São eles que vão converter os sinais eléctricos provenientes das garrafas (pixeis) em sinais a serem gravados na fita. Lembro que os pixeis convertem a luz refletida pela imagem a gravar, em corrente eléctrica.
Imaginemos que esta nossa câmera grava um sinal de video interlaçado. Vamos para isso numerar as linhas. A grade tem 6 garrafas (pixeis) na horizontal (linha 1), com outras 6 por baixo (linha 2), mais 6 (linha 3), mais outras 6 (linha 4). Temos aqui um sensor com 4 linhas e 6 pixeis por cada linha. A electrónica da nossa câmera vai começar por converter os sinais eléctricos das linhas Impar e depois os das linhas Par, gravando o resultado. Assim, primeiro lê a linha 1 e grava o resultado, depois lê a linha 3 e grava o resultado (linhas Impar) depois volta ão principio e lê a linha 2 e grava e finalmente lê a linha 4 e grava (linhas Par). Quando a electrónica acaba de ler a linha 4, recomeça tudo de novo (leitura e gravação das linhas 1, 3, 2, 4).
As gravaçôes das linhas Impar chamam-se Field A, as gravaçôes das linhas Par chamam-se Field B. Se a nossa câmera gravar a 50i (sinal video interlaçado), significa que o processo de leitura acima descrito vai ocorrer 50 vezes num segundo, ocasionando a gravação de 25 Fields A e outros 25 Fields B. De cada vez que a câmera grava um Field A e outro B, está na prática a gravar uma imagem completa. Assim, uma imagem (em interlaçado) é composta por duas meias imagens. Na leitura da fita é seguida a mesma ordem que na gravação, mas aqui o Field A é exibido primeiro e depois são exibidos os dois aos mesmo tempo (A e B).
Quando a electrónica acaba de gravar um dos Fields, a imagem já se moveu do lugar. Se fôr imagens em movimento (como desporto), é mais acentuádo. A electrónica grava o Field A, a imagem movimenta-se, o Field B é lido e gravado, mas como a imagem se movimentou entre a gravação do Field A e o Field B, quando eles (os Fields) são combinados na leitura da fita para se formar a imagem, não "casam" na perfeição, ocasionando o "rendilhado" na imagem, provocando o chamado efeito Flicker (o tremer da imagem).
Se a nossa câmera gravar a 25p (progressivo), deixa de existir Fields. As linhas são lidas e gravadas sequencialmente (1, 2, 3, 4) e não por linhas Impar e Par. Passa a funcionar como a luz de uma fotocopiadora. Começa por cima e acaba no fundo, recomeçando de novo, 25 vezes por segundo. São criádas assim 25 imagens completas e não 50 meias imagens, como no interlaçado. Como não á movimento da imagem (teóricamente) durante a leitura e gravação das linhas no sensor, não existe "rendilhado". Passamos a ter uma imagem mais limpa.
A câmera Sony HVR-V1E permite funcionar no modo progressivo a nivel da leitura do sensor e no modo interlaçado a nivel da gravação em fita. O funcionamento passa a ser o seguinte: a electrónica lê as linhas no sensor sequencialmente (1,2,3,4), funcionando assim no modo progressivo. Essas linhas são depois gravadas na fita, como se de linhas Impar e Par se tratassem. A electrónica grava primeiro as linhas 1 e 3 (Impar) e depois as linhas 2 e 4 (Par), tal como no interlaçado. Como a leitura das linhas do sensor foi feita sequêncialmente, não houve (teóricamente) movimento da imagem durante a leitura das mesmas. Obtemos assim um Field A e um Field B, que ão ser combinados num só, na leitura da fita, "casa" na perfeição, sem "rendilhados". Não são iguais, pois um é composto por linhas Impar, e o outro por linhas Par. A imagem que lhes deu origem é que é a mesma. Note-se que no caso do video interlaçado, uma imagem dá origem a um Field e outra imagem dá origem ão outro Field. Por isso é que surge o "rendilhádo" nas imagens.
Assim, na prática, temos uma imagem progressiva (nativa) na HVR-V1E, se bem que o método utilizado para a gravar foi o interlaçado. Note-se que não se converteu uma imagem interlaçada em progressiva. Ela é progressiva.
Este processo engenhoso, diga-se de passagem, permite que qualquer sistema NLE capaz de editar 1080/50i é também capaz de editar em progressivo. O resultado é uma imagem mais nitida, pois não existe o "rendilhado" habitual no interlaçado. E nem sequer é necessário exportar ou converter para progressivo. Basta editar como um sinal 1080/50i que na prática é. E isto leva-nos ao Final Cut.
O Firewire é uma ligação que transfere o sinal de video e de audio da câmera para o PC ou MAC, por exemplo. Mas para além do audio e video, transfere também sinais de controle. Cada câmera tem ou pode ter sinais de controle especificos, que em conjunto com o software adequádo, permite obter opçôes extra. Um caso destes é o da câmera Canon XL2 e um software desenvolvido especificamente para ela, o Canon Console.
Os presets dos NLE são no fundo pequenos programas concebidos para poder ter um maior controle sobre as várias câmeras, além de servirem de identificador dos ficheiros delas. Como estão sempre a lançar câmeras novas, com novas funçôes, é natural que os NLEs não acompanhem o ritmo dos lançamentos. Depois temos o público alvo das câmeras e dos softwares NLE. Quem trabalha com um Avid Composer não trabalha (em principio) com uma HDV, mas sim com uma HD. A Sony, como fabricante das suas câmeras HDV e software house do NLE Vegas, é natural que se preocupe em lançar os necessários presets, de forma a que o seu software seja o mais "compativel" possivel com as mesmas. A Apple terá outras câmeras como prioridade, digo eu.
Assim, é perfeitamente natural que o Final Cut assuma este tipo de formato proveniente desta câmera em especifico, como sendo interlaçado, que o é realmente. O aspecto visual da imagem é que não. Não importa se a imagem é visionada num monitor de TV ou de computador. È uma imagem progressiva, que vai ter uma apresentação progressiva. Pelo que, na minha opinião, não vejo aonde está o problema. O problema está na assimilação do conceito.
Agora, em vez da grade de 6 x 4, imaginem uma de 1920 x 1080 e têm um sensor nativo HD (o HDV utiliza normalmente um de 1440 x 1080). Em vez das 4 linhas, temos 1080. Em vez das 6 garrafas por linha (pixeis), temos 1920 por linha.
E agora vou ão tasco beber uma cerveja. Boas.
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