Mais Respeito aos Profissionais BBC's
22 / Ago / 2008, 02:13 *
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Autor Tópico: Mais Respeito aos Profissionais BBC's  (Lida 998 vezes)
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Marcos Bras Iba
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« em: 12 / Out / 2007, 04:05 »

Saudações Caríssimos Colegas!

Mais uma vez sinto-me honrado em ter a grata seleta oportunidade de participar de tão nobre site, partilhar informações com o mais alto nível de profissionais, futuros amigos!

Sinto-me obrigado a desabafar com os colegas expondo tema extremamente polêmico, repleto de variações, opiniões, mas que no fundo, acaba por determinar em muitos de nós o sucesso ou fracasso Profissional: "Conseguir no Mercado Audivisual o Respeito que Merecemos".

Então vejamos:

À partir de minhas experiências em Televisão, Rádio e Jornal, ( Público e Privado ) Produtoras de Vídeo e agora no Mercado BBC ( Eventos Sociais ), percebo que nós, Cinegrafistas, Editores/Finalizadores, não gozamos em nossa comunidade do mesmo Respeito que outros profissinais, muitas vezes menos qualificados e menos cobrados possuem.

À saber:

Comparemos nossa atividade com a de um Dentista - por exemplo ( obviamente existem outras infinitas comparações - arquitetos, engenheiros ... e assim por diante ). Um dentista, pode a qualquer tempo, solucionar uma anomalia "na boca" de um paciente. Se este dentista cometer enganos, erros, imprudência ... etc, pode ainda, à qualquer tempo ... resolvê-las. Se um tratamento, por ele iniciado não oferecer resultados, pode ratificá-lo, mudar o tratamento, até que o "problema" esteja resolvido.

Nós, Cinegrafistas, lutamos contra toda espécia de dificuldades. Iluminação, Promoter's, convidados ... Se cometermos enganos, imprudências ... irrresponsabilidades ... não existe tempo para correções. Uma vez gravado ... para sempre gravado ... são possíveis tentativas ... mas ... por exemplo> uma imagem "chapada" não serve para nada ... para nada mesmo!

Há quem diga que sou exagerado, mas, estamos a falar da vida de pessoas, de eventos, que só acontecem uma vez na vida ... são únicos ...

Então vejamos:

Somos pagos para executar tarefas que só acontecem uma vez na vida ... ou algum de vcs conseguiu levar uma noiva para o altar navamente só porque vc ( Cinegrafista ) perdeu o momento das alianças? ... eu nunca consegui.

Concluo, desta forma, que nossa responsabilidade é demasiada e que nossos erros são irreparáveis. Então ... não temos "tempo" para errar.

Ainda, se compararmos nosso trabalho com as atividades de uma Produtora de Vídeo ( por exemplo ) ... com um Studio de TV ... fica mais evidente ainda. Já trabalhei na construção de comerciais e audiovisuais institucionais. Gravávamos cada "set" de cena inúmeras vezes ... até ficar bom! ... No mundo "real-time" dos BBC's ... existe esta mais-valia? Obviamente não!

Também, na produção de VT's ou audiovisuais institucionais, utilizamos Gruas, Dolly's, Trilhos, Tripés Elétrico/Hidraulicos ... etc ... já ... nos BBC's, se quisermos movimentos de câmeras e afins, temos que construí-los "no braço" ... e Real-Time ... ou vc conseguem enxer uma igreja com este aparato todo? Eu não ... não existe tempo para isso!

Também, à nível de investimento, não nos encontramos muito distantes de qualquer outro profissional em relação ao numerário necessário para início ou manutenção de nossa atividade. Um Studio de gravação custa um balúrdio. Uma Filmadora de ponta ( até para que não fiquemos em desvantagem em relação à nossa própria concorrência ) ... custa também muito dinheiro. Isto sem falar nos periféricos, fundamentais à mantença da nossa atividade. Iluminação, automóvel capaz de carregar o equipamento e nós levar com segurança e agilidade aos locais dos eventos ... etc.

Tenho certeza ( e sei ) que montar um consultório dentário sai bem mais em conta que uma produtora de vídeo. Um escritório de arquitetura mais barato ainda. Um engenheiro agrônomo precisa de uma mesa, canetas e botas para começar a ganhar dinheiro. Um nutricionista ... ah, menos investimento ainda ... um médico ... pode empregar-se no serviço público ou associar-se ... um veterinário ... puxa ... com uma maca, algumas gaiolas e meia dúzia de "manetes" cirúrgicos pode operar à toda espécie de animais ... bom ... nós ... BBC's ... se não tivermos equipamento não somos nada. Isto sem falar em estrutura física para aqueles que pretendem atender à toda espécie de clientes e serviços. Isto ... sem falar na formação profissional - formar-se um Profissional BBC demanda dinheiro. Manter-se atualizado também!

Acontece, porém, que, ( e isto pode ser nossa própria culpa ) ... não conseguimos nos comportar como profissionais que somos, gente capaz, homens de sucesso!

Obviamente, embora Colegas, existe concorrência. Saudável, mas existe.

Talvez esta concorrência nos impessa de sermos mais firmes com relação à construção de tabela de preços - por exemplo. E, como tudo na vida, profissionais também são nivelados pelos preços que cobram.

Eu, de minha parte, tenho tentado, com base naquilo que sei, ouço e vejo, colocar-me na posição que julgo merecer ... e o faço através dos preços que cobro.

Não me julgo melhor que ninguém ... mas ... estou longe de ser o pior, e tento, fazer com que meus clientes vejam em mim um profissional capacitado, responsável, criativo, leal, capaz de transformar um "simples" Evento Social, em um DVD que consiga prender as pessoas no sofá, em um DVD que, ao final, sintam vontade de assistir novamente.

Graças ao esforço "sem limites", em busca de novidades, atualizações, novos recursos, equipamentos, tenho conseguido algum destaque em minha área de atuação, mas percebo, que toda uma Categoria Profissional acaba por viver "marginalizada". Ainda confundem-nos com aqueles putos que vão brincar aos finais de semana com uma M9000. Tomam-nos muitas vezes por pessoas sem formação, profissional ou curricular ( embora estas não sejam precedentes para diferenciar o bom do mal profissional ).

Sonho com o dia em que, nós, BBC's, sejamos tratados com o respeito que julgamos merecer, e respeito, se traduz em dividendos, renda.

Novamente, não estou aqui afirmando que todos somos "marginalizados", mas percebo, com base em minhas próprias experiências ( que não são poucas nem tampouco humildes ), que somos uma Categoria Profissinal vista como menor ... e ... afinal ... sabemos todos ... que estamos longe de o ser, e, justo pelo contrário: somos Profissinais capazes, em condições de executar serviços do mais alto nível.

Se é que existem formas de reverter esta situação, não seria aqui hipócrita em apontá-las, mas, repito, tenho tentado atravéz dos preços que cobro. Foram várias as oportunidades que perdi orçamentos para a concorrência ( sem menos prezar a concorrência ). Mas ... se meus clientes querem material de nível ... executados por profissionais de nível ... pessoas íntegras e capazes e sabedoras do protocolo dos eventos mais requintados ( e dos mais simples também ) ... tem que pagar para tanto.

Desta forma, começamos a separar o Joio do Trigo.

Obviamente, percebo, que existem fatores que fogem ao nosso controle. As pessoas, vítimas das "represálias" econômicas estão a cada dia mais "pobres". Isso é situação mundial, embora em países como Portugal esta situação amenize-se um pouco.
Estão todos em busca de "preço" ... em detrimento da qualidade.
Mas existem ainda, e são muitos, os que valorizam o bom material e é esta classificação de clientes que à nós interessa. Pessoas de bom gosto.

Espero, humildemente, despertar em alguns de nós o mesmo sentimento: o da valorização pessoal e profissional. À Cezar o que é de Cezar. Se querem preço que vão buscar nas Tascas ou Casas do Gênero. Se querem qualidade ... venham à nós!

Abraços e Sucesso!
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João Tiago Calviño
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« Responder #1 em: 12 / Out / 2007, 21:12 »

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Sonho com o dia em que, nós, BBC's, sejamos tratados com o respeito que julgamos merecer, e respeito, se traduz em dividendos, renda.

Garanto.te que com afirmações destas...
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Um dentista, pode a qualquer tempo, solucionar uma anomalia "na boca" de um paciente. Se este dentista cometer enganos, erros, imprudência ... etc, pode ainda, à qualquer tempo ... resolvê-las. Se um tratamento, por ele iniciado não oferecer resultados, pode ratificá-lo, mudar o tratamento, até que o "problema" esteja resolvido.
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Tenho certeza ( e sei ) que montar um consultório dentário sai bem mais em conta que uma produtora de vídeo. Um escritório de arquitetura mais barato ainda. Um engenheiro agrônomo precisa de uma mesa, canetas e botas para começar a ganhar dinheiro. Um nutricionista ... ah, menos investimento ainda ... um médico ... pode empregar-se no serviço público ou associar-se ... um veterinário ... puxa ... com uma maca, algumas gaiolas e meia dúzia de "manetes" cirúrgicos pode operar à toda espécie de animais ... bom ... nós ... BBC's ... se não tivermos equipamento não somos nada. Isto sem falar em estrutura física para aqueles que pretendem atender à toda espécie de clientes e serviços. Isto ... sem falar na formação profissional - formar-se um Profissional BBC demanda dinheiro. Manter-se atualizado também!

Tornar-se-á muito complicado ser-se respeitado. O principio básico para sermos respeitados é respeitar os outros

Pensa bem se todas as outras profissões que mencionaste nao necessitam de todos os meios e mais alguns para serem bons e competitivos... tal como tu dizes que um agronomo so precisa de uma mesa caenta e botas... tb tu para os casamentos so precisas de uma mini Dv que grave a cores e um passe social para ires ate ao local do casamento.
Querem ver que agora é só o meio audiovisual que precisa de muito dinheiro?

Se calhar o principal problema do sub-sector BBC é o da Auto-vitimização.

a sério que às vezes nao csgo compreender.
Existem bons e maus profissionais em todas as àreas. os bons destacam-se pela capacidade de resposta, de inovação. De criar novas soluções e oportunidades de negocio e Acima de tudo a capacidade de constatemente surpreenderem nos serviços prestados.
e é nisso que te tens de concentrar. Se gostas do que fazes entao faz por ser o melhor e fa-lo com orgulho e sem vitimizações!
Wink
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Marcos Bras Iba
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« Responder #2 em: 12 / Out / 2007, 21:46 »

Tornar-se-á muito complicado ser-se respeitado. O principio básico para sermos respeitados é respeitar os outros

Pensa bem se todas as outras profissões que mencionaste nao necessitam de todos os meios e mais alguns para serem bons e competitivos... tal como tu dizes que um agronomo so precisa de uma mesa caenta e botas... tb tu para os casamentos so precisas de uma mini Dv que grave a cores e um passe social para ires ate ao local do casamento.
Querem ver que agora é só o meio audiovisual que precisa de muito dinheiro?

Se calhar o principal problema do sub-sector BBC é o da Auto-vitimização.

Saudações Caríssimo João Tiago!

Encontro-me feliz por teres lido e compreendido meu desabafo.
Contudo, é sabido por todos neste site, que aqui tratamos de questões pertinentes à nossa profissão, problemáticas, tudo o que nos é positivo e negativo.

A Vitimação de que falas existe sim, da porta de nossos Estúdios para fora, pois, dentro deles, sabemos bem quem somos e o que fazemos. Contudo, atravessamos momento especial na história, onde se fala e faz-se muito pela Ética Profissional, pela Moralização Profissional. Obviamente e infelizmente, ao contrário do que nos é enfiado "guela" à baixo, o Sol não nasce para todos não. Se não buscamos lugar de destaque na comunicade este não vem à nossa porta.

Lugar ao sol se conquista ... com trabalho sério, inovações e atitudes.

Atitudes que por vezes fazem-se necessárias longe dos Estúdios de Gravação ... longe dos Eventos Sociais ... das Ilhas de Edição. Acontecem através do diálogo, da troca de experiências, desabafos ... conquistas.

Cada Profissional, independentemente de sua área, é importante ... todos ... sem distinção. Fiz apenas um comparativo. Tomei por exemplo algumas destas profissões ... que por sinal, não são menores nem maiores que a nossa. Possuem seus graus de responsabilidade e problemática ... embora muitas delas ... a classe médica por exemplo ... tenha alcançado nível social não equivalente à suas obrigações sócio/profissionais - dentre muitas outras delas ) ... mas não estou aqui para emitir Juizo de Valor. Foi apenas uma comparação!

Contudo, se te informares bem, saberá que ainda e infelizmente somos vistos como Profissionais Menores. Existem excessões ... mas são poucas.

Obviamente também se destacam isoladamente um e outro profissional, embora minha experiência afirme que grande parte de nós continua e continuará no anonimato, contando trocados ao final do mês para o transporte. E isto, pouco ou nada tem à ver com talento.

Agora, se te contentares com uma MiniDV e com um passe social para executares evento, desculpe, está fadado mesmo ao fracasso ... e não é isso que pretendo ao desabafar com Caríssimos Colegas meu descontentamento.

De minha parte, nada tenho de queixas à minha profissão. Justo o contrário. Vivo à tempos de bons rendimentos alcançados com o BBC. Não por ser melhor ou pior que ninguém, mas por comportar-me como profissional de valor, que julgo e mereço.

Nada mais quero para meus Colegas, principalmente aqueles que ainda não encontraram seu lugar ao Sol que o encontre ... realização profissional e qualidade de vida ... que só vem à partir dos rendimentos que alcançarem. A vida nos ensina que ( e este site é um exemplo claro do que falo ) ... que dividir é a melhor forma de somar ... dividir conhecimento, experiências ... é fácil estarmos juntos na alegria ... será que qualquer um de nós é capaz de socorrer efetivamente um Colega de Profissão em horas de dificuldades. Não falo em doar ... falo em solidariedade ... que, me desculpem os mais sensíveis ... mas estamos longe de ser uma classe unida, coêsa e larga em horizontes e parceria!

Ainda ... falamos de Estágios, Formação ... falamos de quase tudo ... mas quando o assunto é Organização de Classe, Respeito Profissional, parece que estamos a tocar em feridas. Muita conversa ... conversa ... e pouca atitude.

Encontro-me à disposição ao que se fizer necessário.
Abraços e Sucesso Caríssimos!
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João Tiago Calviño
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« Responder #3 em: 12 / Out / 2007, 22:21 »

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Agora, se te contentares com uma MiniDV e com um passe social para executares evento, desculpe, está fadado mesmo ao fracasso ... e não é isso que pretendo ao desabafar com Caríssimos Colegas meu descontentamento.

eu nao nao me ocntento lol... mas estava.te a por ao nivel da comparação que fizeste com o agronomo... ums botas, caneta e papel e ta feito
Wink

eu sei que a classe tem de se organizar... mas essa e uma outra discussão que nao é so exclusiva do subsector de bbcs
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Rui Barros
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« Responder #4 em: 13 / Out / 2007, 01:36 »

BBC's, RTP's, SIC's, TVI's, Canal Benfica...
Embora todos mereçam o respeito e é o nosso dever dar-lo ao próximo... a verdade deste mundo é que o respeito profissional ganha-se.
Marcos, dignifica o teu trabalho dando o melhor de ti, o que dizem, cabe somente a ti atribuir a atenção, se for um cliente satisfeito, óptimo, se for alguém que está no gozo ou não sabe o que diz, tens cabeça para pensar e será que deves dar o tempo para responderes?
Presumo que sejas brasileiro, porque não segues o lema do Brasil, Ordem e Progresso... Ordena a tua carreira profissional para teres o teu Progresso.
A velha questão dos casamentos assenta num pormenor quase sempre esquecido, o ensaio... falem com os noivos e com o padre e vão até ao altar e ensaiem a cerimónia, aqui passa a ser Hollywood.
No copo d'água passas a ser a CNN, Live Report.

Abraço
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Marcos Bras Iba
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« Responder #5 em: 13 / Out / 2007, 03:48 »

Tens Razão!

Abraços e Sucesso!
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Jose Costa
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« Responder #6 em: 15 / Out / 2007, 21:05 »

Boas.
Compreendo bem o sentimento e a mensagem do Marcos Bras Iba. E na essência, concordo inteiramente com ele. Mas também tenho de dizer que os exemplos por ele dados são um pouco extremistas. Tenho para mim que todas as profissôes são importantes, que não á uma mais importante que a outra. À é profissôes mais bem págas que outras, á é profissôes mais bem vistas que outras. Se quisermos ir a um ponto extremo, vejamos, por exemplo, o caso dos Almeidas, homens do lixo, op. de recolha do lixo, como os quisermos chamar ou como forem conhecidos nas várias zonas do Pais. È uma profissão sem grande "profissionalismo", ou talvez seja mais correcto dizer, sem grande necessidade de formação. Não é uma profissão muito bem cotáda (e vista) no nosso mercádo. Mas podem viver sem eles? Não serão, á sua maneira, tão importantes quanto o médico, o engenheiro ou o advogádo? (e dizem que o inferno está cheio de advogádos!). O lixeiro não terá seguramente as mesmas habilitaçôes profissionais que outras profissôes (alguns até têm mais), mas não deixa de ser importante. È a minha opinião. Mas também não gostaria de ser lixeiro

Acredito que pelo facto do Marcos Bras Iba ser brasileiro tenha tido, de alguma forma, alguma influência nos exemplos dados. Um pouco de extremismo, mas extremos á parte, o que fica é a situação que existe, a real. E não adianta querer tapar o sol com a peneira. A escolha dos exemplos é que foi infeliz, mas ele também já assumiu isso.

Eu costumo dizer que quando se está de fora dos assuntos, é tudo muito fácil. O problema é quando estamos envolvidos no meio e temos de lidar com os factos reais das situaçôes. Gritar do ládo de fora da cerca é muito fácil. O dificil é falar dentro da cerca, com os cães a correrem atrás de nós. Nessas alturas, perdemos todas as brilhantes ideias antes formuládas e só temos uma em mente: fugir.  Fugir para não se ser devorádo por uma situação que não se consegue controlar. Queremos controlar, mas não conseguimos.

Fála-se muito de profissionalismo, de prestação de serviços melhores, últimamente até já se fala por aqui de múlti-câmera em reportagens BBC (Bodas, Batizados e Casamentos). Seria muito bom, e seguramente que proporcionaria um serviço melhor para o cliente. Mas creio que está a ser descurádo um factor. È que não interessa ter o melhor serviço do mundo, se o cliente não o quiser pagar, e mais ainda, se não se tiver clientes. Acredito que o mercádo seja um pouco diferente nas várias zonas do Pais, mas no Norte o que o cliente procura é preço, não é qualidade. À alguns que saem desta lista, que dão valor á qualidade, mas é uma minoria. E nós sabemos que quantos mais meios estiverem envolvidos (técnicos e humanos), mais cáro se torna  efectuar o serviço.

Ora acredito que ninguém consegue sobreviver só com meia dúzia de serviços. Ou então tem uma outra profissão no dia-a-dia. E contra isso nada. Mas se alguém vive só de reportagens BBC, tem de chegar a um concenso entre preço e serviço disponibilizádo. Não se trata de "auto-vitimização", trata-se muitas vezes de concorrência desleal, que existe quer se queira quer não, mas que existe porque em parte ela é do interesse dos que estão implantados no mercádo. As coisas nem sempre são preto no branco. Existe muito cinzento no meio, e que ninguém quer discutir isso a sério, porque incomoda, porque mexe com interesses.

Dizer que as reportagens BBC são um "sub-sector" é ser simplista. È um sector tão importante quanto o do Broadcasting. Não tem os mesmos meios nem gera as mesmas receitas que uma cadeia de TV, mas nem por isso deixa de ser importante. A importancia que lhe damos é que é menor. Vou acreditar que a intenção não foi a de minimizar a importância das reportagens BBC, apenas a palavra não foi bem escolhida, ou eu não soube interpretar correctamente o que li.

Um outro aspecto aqui abordádo, o do equipamento... parece que alguns têm a ideia pré-concebida que só se consegue fazer um bom trabalho com grandes câmeras e muitos meios. Pois nestes muitos anos que tenho já vi das duas situaçôes: quem com poucos meios fez um grande trabalho e quem com muitos meios fez um trabalho de Merd... mil desculpas.

Boa câmera não é sinónio de boas imagens. E boas imagens não é sinónimo de boas ediçôes. Mas um bom trabalho só se consegue com boas imagens e boas ediçôes. E normalmente, um destes aspectos é descurádo.

Portugal não é a América. O serviço de cá não é o mesmo de lá, porque o poder de compra também não é igual, entre outros factores. E a cultura dos ensaios é muito válida, mas que dificilmente teria implantação cá. O português não está para essas coisas, quer é o boneco feito, não interessa como. Se "o passeio dos namorádos", dias antes do casamento e como é conhecido por aqui, se até isso é dificil de incutir nos clientes (noivos), um ensaio está fora de questão. Isto sem contar com a questão "Padre", que a maioria deles não está para essas "modernizes".

As opiniôes expressas acima pelos três Users, denota bem o quanto este meio, o das reportagens BBC, pode ser fonte de "desentendimento", diria mesmo de "polémico". Mas todas, sem excepção, e discutidas a fundo pelos intervenientes e por mais Users, seria um ponto de começo para se obter a tão almejáda "organização". Não só no mercádo das reportagens BBC, mas também nas áreas similares. Houvesse coragem, vontade e determinação para tal. E não estou a dizer que os Users acima não a tenham. Mas três, comigo quatro, não fazem a diferença num mercádo tão amplo. E dai, talvez sim.... talvez...
Boas.

P.S. Rui Barros, o "poder de sintese" foi para o caneco. Ainda fui atrás dele, mas o desgraçado fugiu.
Marcos Bras Iba, toma lá um ponto, para servir de incentivo a novas opiniôes. Só tens de ter em atenção os "extremos", senão o pessoal ainda te arranca o escalpe.  d'oh! d'oh!
« Última modificação: 15 / Out / 2007, 21:07 por Jose Costa » Registado

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« Responder #7 em: 16 / Out / 2007, 00:33 »



Fála-se muito de profissionalismo, de prestação de serviços melhores, últimamente até já se fala por aqui de múlti-câmera em reportagens BBC (Bodas, Batizados e Casamentos). Seria muito bom, e seguramente que proporcionaria um serviço melhor para o cliente. Mas creio que está a ser descurádo um factor. È que não interessa ter o melhor serviço do mundo, se o cliente não o quiser pagar, e mais ainda, se não se tiver clientes. Acredito que o mercádo seja um pouco diferente nas várias zonas do Pais, mas no Norte o que o cliente procura é preço, não é qualidade. À alguns que saem desta lista, que dão valor á qualidade, mas é uma minoria. E nós sabemos que quantos mais meios estiverem envolvidos (técnicos e humanos), mais cáro se torna  efectuar o serviço.



Eu penso, que este factor, é mesmo dos mais importantes! As vezes, uma pessoa investe em material, mas dp o cliente, nao entende ou muitas vezes, nao nota o que esta diferente, ou qual o valor acrescentado com o "upgrade"!
O que para o cliente interessa é mesmo isso, o valor final do trabalho, e muitas vezes, chega-se ao ponto de se discutir 25€! Agora, um operador diz que faz um trabalho com um Sony hdv, ou com uma Canon Xl1, para o cliente é igual, Pois nao percebem a diferença, talvez, devesse-mos "todos" fazer um esforço e tentar mostrar ao cliente essas mesmas diferenças!!
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« Responder #8 em: 16 / Out / 2007, 01:00 »

... o fato é que ... este Maravilhoso Espaço ( Site ) ... torna-se para mim e para muitos de nós, profissionais e até mesmo leigos ... em um Oasis no Deserto.

Embora vivamos em momentos tão críticos da economia mundial, acredito ser possível humanizar e moralizar relações profissionais.

Talvez seja extremista - assumo. Contudo, a história nos põe à prova, cotidianamente, posturas menos radicais.

Feliz, mais uma vez estou ... pela oportunidade que me dão de ser membro deste. Também por alcançar o objetivo deste tópico quando por mim iniciado: não o despertar contrariedade ... mas o pensamento e opiniões dos Caríssimos Colegas, para que, em futuro não distante, possamos nos orgulhar de atitudes como estas no passado!

Obrigado, Abraços e Sucesso!
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« Responder #9 em: 16 / Out / 2007, 12:26 »

Boa Marcos, grande desabafo!!!

Compreendo todas as tuas razões, mas só para me situar, presumo que estejas a falar da situação no Brasil ou estás cá a viver em Portugal?

Tocas-te ali num ponto que para mim é fundamental, o "real-time" o momento em si é todo feito em continuo não à paragens, isso ainda hoje e passados 12 anos a gravar BBC's causa-me sempre grande tensão, alias só relaxo depois do final da cerimónia.

Temos de ao mesmo tempo gravar as coisas como se fosse informação mas também com algum sentido cinematográfico e belo. Bem feito é um exercício mental e físico desgastante mas recompensador.

Quando ao resto não me sinto nem mais nem menos que os outros profissionais de áudio e video. Quem me conhece sabe que trabalho para um televisão e tenho como um "hobby" muito sério a produção de BBC's e afins. Porquê? Porque consigo fazer no meu "hobby" o que na televisão não me permite. É uma questão de afirmação e liberdade criativa.

Abraços Marcos e bom trabalho
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« Responder #10 em: 16 / Out / 2007, 14:16 »

Olá Pedro.

Neste momento estou no Brasil ( Maringá - Paraná ) a encerrar atividades de Studio Fotográfico e Produtora de Vídeo. Vivi em Portugal entre 2000/04 ... nesta oportunidade, executei modestos serviços terceirizados de vídeo para BBC's. Retorno à Lisboa em meados do ano.

... mas ... falo da categoria de modo em geral. Qdo aí estive, tive oportunidade de conhecer grandes e pequenas empresas do setor ... e a realidade não é muito diferente daqui. Eu, por exemplo, passei a minha vida inteira trancado em redações de jornais e Tv, depois em Studio Fotográfico ... assustei-me qdo saí às ruas e percebi que em muitos casos, "profissionais" passam a vida à leiloar seus serviços ... e não são poucos ... inclusive em Lisboa!

... mas ... é só um desabafo.

Abraços e Sucesso!
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