
Não é difícil. Eu diria mesmo que é muito fácil.
Em tempos distantes, bastava não se gostar de alguém e fazer lançar o boato de bruxaria para que esse alguém tivesse a vida estragada. E se o boateiro tivesse sorte, por “vida estragada” entenda-se “a morte na fogueira”.
No séc. XX, em terras lusas, a técnica era um pouco diferente. Havia que fazer chegar aos ouvidos da PIDE uma informação de subversão ou de leituras proibidas. Cedo ou tarde, os esbirros batiam à porta e o visado era levado sem cerimónias.
Nos tempos que correm, a coisa continua fácil, mas com outras técnicas.
Sendo certo que não há santos nem quem não tenha telhados de vidro, em não gostando de alguém basta vasculhar nos arquivos ou bases de dados (estatais ou privadas) que o poder (público ou privado) possui, para encontrar um motivo para afastar ou marginalizar aquele que é objecto de aversão. Código da estrada, fiscalidade, contratos… Até o uso e abuso de clips na secretária pode ser motivo para “prateleirar”, enviar para a mobilidade especial ou mesmo processos disciplinares e despedimentos.
Afinal, quem é que não tem pecados ou erros cometidos na vida?