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JC Duarte
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« em: 28 / Nov / 2007, 20:56 » |
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Um susto! Um daqueles sustos de nos deixar gelado o sangue!
Num noticiário televisivo dedicado aos acontecimentos africanos, vejo e oiço uma reportagem. Falava ela da cerimónia popular de transferência de soberania ou posse da barragem de Cahora Bassa. Do estado Português para o estado Moçambicano. Nesta mudança de soberania o segundo pagará uma quantia substancial. E, tal como afirmou um dos discursantes, assim fica quase completamente encerrado o ciclo colonial Português. Mas o que me deixou verdadeiramente siderado foi a frase feita bradada pela população, “espontaneamente” reunida para os festejos: "Cahora é nossa! Cahora é nossa! Cahora é nossa!” Gaita! Em fechando os olhos e ouvindo aquela multidão assim gritando, quase que ouvia a nossa própria vivência de há mais de quarenta anos. Quando os Portugueses, civis e militares, também reunidos espontaneamente, gritavam em uníssono: “Angola é nossa! Angola é nossa! Angola é nossa!” Não, este não é um ataque de saudosismo! Até porque era muito pequeno na altura. É mesmo um ataque de raiva por pensar que entre os gritos de agora e os de então, com significados e sonoridades semelhantes, muitos foram os que morreram, de um lado e do outro da barricada. Inutilmente! Que Angola continua lá, Cahora também, e continuarão a estar daqui por uns milénios. E quase que oiço as pedras, as montanhas, os rios, a gritarem à uma: “O Homem é nosso! O Homem é nosso! O Homem é nosso!”
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