Resíduos e lobies
09 / Jan / 2009, 01:01 *
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Autor Tópico: Resíduos e lobies  (Lida 233 vezes)
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JC Duarte
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« em: 06 / Dez / 2007, 09:30 »

Este é um país onde os interesses privados falam bem mais alto que os do colectivo.

Estava a ser ponderada pela governo a possibilidade de os sacos de plástico de lojas e supermercados passarem a ser vendidos em vez de ofertados. Em boa verdade, não seriam “vendidos”, já que as receitas não reverteriam para quem os fabrica ou entrega ao cliente, mas antes “taxados”, sendo esse dinheiro encaminhado para sistemas de tratamento de resíduos e conservação da natureza. O valor que os jornais divulgaram como estando a ser pensado seria de 15 cêntimos por unidade.
De imediato se levantaram vozes discordantes e de protesto. Dos produtores de sacos, aos distribuidores dos seus conteúdos, acabando nos clientes. Mesmo as ONG’s ecologistas, nas suas atitudes pardacentas de permanente “NIM”, vieram dar uma no cravo outra na ferradura.

Afinal, que importa que os sacos de plástico sejam nocivos para natureza? Pela matéria-prima de que são feitos ou pela obrigatoriedade de os colocar em circuitos industrias de reciclagem?
É que é bem mais importante a manutenção da indústria (produção e reciclagem), a manutenção da publicidade impressa e a possibilidade de não cercear a quantidade de produtos comprados e transportados nesses mesmos sacos.
Porque, convenhamos, se o consumidor se ativer a um dado volume de compras em função da capacidade dos sacos ou embalagens que trás de casa, comprará apenas aquilo que pretende e não o que lhe é impingido pelos lojistas nos expositores estrategicamente colocados. É o mesmo que ir às compras com o estômago vazio ou cheio. No segundo caso, compra-se apenas o que se tem previsto, não se sendo tentado pelas inutilidades ou supérfluos. Ou ainda, fazer as mesmas compras regulares com uma lista escrita na mão e ater-se a ela. Resultado: economia para quem consome, menos lucro para quem vende.
Por outro lado, o comodismo dos portugueses leva-os a entender como um incómodo o ter que sair de casa levando consigo esses mesmos sacos. É que, dizem, não é nada prático e, ainda por cima, aproveitam os que lhes dão para disporem do lixo doméstico.
E sobre este aspecto, apenas uma pergunta: Quem é que não tem em casa sacos de plástico em maior número que o que necessita?

Por mim, faz muito tempo que faço questão de não aceitar os sacos que me querem impingir nas lojas. Em regra acedo aos supermercados com um saco de lona que levo de casa e é nele que trago o que compro. Só em situação de excepção recorro aos sacos que me querem entregar.
E mesmo nas outras lojas – papelarias, livrarias, farmácias e afins – recuso os saquitos onde querem colocar o que vendem. Normalmente, tenho comigo onde transportar o que aí compre, pelo que não os aceito. Apesar do olhar meio de lado que lojistas e clientes me lançam quando os recuso.
É que, afinal, a solução do problema dos resíduos não está no que fazer com eles mas antes no começar por não os produzir.

A Natureza – e nós mesmos somos natureza – agradece!


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Divirtam-se a aproveitem bem a luz
JC Duarte

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