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JC Duarte
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« Responder #6 em: 11 / Jul / 2008, 11:56 » |
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Vejamos se consigo explicar melhor a minha opinião, ainda que ela tenha vindo a ser expressa, sob diversas formas, por aqui. Uma fotografia é uma imagem! Não creio que alguém discorde desta afirmação. Uma imagem pode ser uma fotografia! Também creio que estamos todos de acordo com isto. Agora uma fotografia, as fotografias que faço, não correspondem ao que vou colocando na web, neste ou noutros espaços. Desde logo porque os monitores onde podem ser vistos dificilmente estarão com o mesmo tipo de afinação que os meus – e não garanto que os meus estejam correctamente calibrados. E sei que raramente aquilo que vejo aqui em casa corresponde ao que vejo, das mesmas páginas web, noutros computadores, mesmo em locais onde é suposto os monitores estarem afinados pelo melhor. Depois, porque eu uso monitores de 19” e uma imagem vista e preparada neles pouco ou nada se assemelha ao que poderá ser visto num outro de 17” ou de 21”. O impacto das manchas de luz e cor não é o mesmo, os detalhes são vistos com maior ou menor relevo. E, aquilo que eu, cuidadosamente, quis por em evidência ou a que quis retirar força, ganha-a ou perde-a. Acrescente-se que, por questões de espaço nos servidores de web e peso das respectivas páginas, retiro resolução à imagem publicada. O que resulta em algo bem mais granuloso, ou pixelizado se quiserem. Por fim aquilo que os visitantes das páginas web onde se encontram imagens feitas por mim vêem não são as fotografias que fiz ou faço, mas tão só cópias ou imagens delas. O trabalho original, ou seja, o ficheiro que resultou do impacto da luz no CCD ou na película, e o respectivo tratamento que lhe dei – a fotografia – estão algures por aqui, num dos meus arquivos. Tudo o mais que possa ser visto disso por processos electrónicos mais não é que imagens dos originais, reproduções eléctricas com codificações digitais do que eu produzi. Imagens das minhas fotografias, não as minhas fotografias, no conceito de a fotografia ser a acção da luz num material fotosensível (químico ou não). Assim, goste-se ou não, concorde-se ou não, continuo a dizer que o que vão vendo na web do meu trabalho fotográfico não são as minhas Fotografias mas apenas Imagens que lhes correspondem. Parcialmente. Nada mais. Tanto do ponto de vista do suporte, como do ponto de vista da qualidade técnica de como é visto, como do ponto de vista da semelhança do impacto no publico entre o trabalho original e o que é visto.
Passe-se a imodéstia, quem quer que procure trabalhos de Ansel Adams na web não verá as suas Fotografias. Verá, antes sim, Imagens delas. E quem quer que já tenha tido o privilégio de ver originais e os compare com estas reproduções, não poderá deixar de concordar comigo. Entenda-se, obviamente, que não me estou a comparar com o Mestre, mas tão só a falar das condições de observação de trabalhos.
Já quanto ao que é uma IMAGEM, se recordarmos o que aprendemos na escola e recuarmos uns milhares de anos, talvez então possamos concluir que o primeiro grande fotógrafo ou fazedor de imagens tenha sido Platão com a sua “Alegoria da caverna”. Apenas não as sabia fixar na matéria. Mas, se quisermos “esticar” o conceito de fotografia, baseando-nos que esta é a “escrita da luz”, então o queimarmos um pedaço de papel com um lupa usando os raios solares, como fazemos de brincadeira ou, bem mais seriamente, como acontece com um heliografo, então também isso é fotografia, até ao momento em que a energia térmica destrói por completo o papel.
Claro que tudo isto são locubrações e preciosismos. Se o comum dos mortais chamar ao resultado da acção da luz sobre uma superfície fotosensivel, e às respectivas reproduções, fotografias ou batatas fritas e se todos os entenderem como tal, pois continuarão a ser fotografias ou batatas fritas, que o que importa é que, na comunicação, os códigos sejam comuns a todos os envolvidos.
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