
Na nossa pressa de consumo, rodeados de muitos Kms/hora, Gbites e %s, esquecemos vezes demais as coisas realmente belas que nos cercam!
Só vemos as estrelas que nós mesmos penduramos e explicamos o que somos, de onde vimos e para onde vamos com histórias e mitos de nascimentos, renascimentos e endeusamentos. E histórias ou mitos que são, acreditamos nelas por intuição ou educação. Tudo feito a correr, sem pararmos para ver ou sentir.
E não usamos de tempo para encher a alma com aquelas pequenas ou grandes coisas e acontecimentos como o desabrochar de uma flor, o arrulhar dos pássaros ou as estrelas.
Tal como a maioria dos seres ignorou que esta noite que passou foi especial. E não se prendeu com nascimentos ou mortes, guerras ou conquistas.
Foi apenas a noite mais longa do ano, que na nossa pressa de usar cada instante que passa nos impede de viver os instantes que somos.
Os antigos, os muito antigos, sabiam identifica-la e usufrui-la. Sem relógios, computadores ou escrita. A sua sabedoria levava-os a reconhecer o que de bom tinham e disso tirar proveito e prazer. Assim pudéssemos nós hoje fazer o mesmo!
PS – Esta photographia é do início dessa noite maior.
Sentado bem no meio do tráfego, fui fotografando o nascimento da noite, mais que a morte do dia, sob os olhares de estranheza de quem passava, na sua pressa das últimas compras, na sua luta contra o trânsito, nos seus cálculos económicos.
Esta bem mais que uma hora que ali estive foi, muito provavelmente, das melhores que vivi nos últimos tempos. O meu único relógio era o do tempo de exposição das poses que ia fazendo. E os seres humanos apenas meros actores secundários na minha comunhão com o universo.
Possam os vossos deuses dar-vos a felicidade que procurais!