Impunidades
08 / Jan / 2009, 01:04 *
Ainda não é membro? Registe-se Aqui

Entrar com nome de utilizador, password e duração da sessão
Notícias: Nunca utilize endereços de e-mail, como Nome, ou Nome de Utilizador! Os registos serão automáticamente apagados
 
   Início   Ajuda Pesquisa Membros Entrar Registe-se  

Páginas: [1]   Ir para o fundo
  Imprimir  
Autor Tópico: Impunidades  (Lida 555 vezes)
0 Membros e 1 Visitante estão a ver este tópico.
JC Duarte
Suporte
*****

Pontos Ganhos 81
Offline Offline

Mensagens: 657



WWW
« em: 08 / Jan / 2008, 12:06 »




O caso vem hoje nos jornais:
Ex-ministro, ex-deputado, ex-dirigente partidário, Paulo Pedroso ex-arguido no caso “Casa Pia” pôs a justiça na justiça.
Esteve preso preventivamente durante quase cinco meses, findos os quais foi considerada pouco consistente a acusação que pendia sobre ele e foi libertado sem julgamento.
Como compensação, pede qualquer coisa com 600.000 euros de indemnização. Do Estado. De todos nós. Por erros na aplicação da justiça.

Da sua culpabilidade ou inocência nos factos que lhe eram atribuídos nada sei. Tenho apenas que admitir que a justiça se aplicou e que os juízes que o libertaram estavam correctos. E que os que inicialmente o detiveram estavam errados. Mas é igualmente admissível que o contrário tenha sucedido: A prisão preventiva fazia sentido e sua libertação foi errada.
Em qualquer um dos casos, alguém no sistema de Justiça do País fez asneira: quem o mandou prender ou quem o mandou libertar.
E faz todo o sentido que a justiça seja julgada pelos erros que comete. Não o julgamento feito em praça pública, em que a opinião do cidadão comum é, em regra, a que a Justiça é ineficaz, mas sim julgamentos em que a Justiça responde formalmente pelos seus erros. E em que os injustiçados sejam, de algum modo, ressarcidos dos danos que possam ter sofrido com esses erros.

Mas acontece que o que aqui é julgado é o sistema e não as pessoas. E a Justiça é aplicada por pessoas. Juízes, profissionais na matéria, que sendo pessoas também erram. E, nestes casos em que a Justiça é julgada, os Juízes não estão em causa.
Não é importante o tamanho dos danos que possam ter provocado. Quem responde pelos seus actos e decisões é o Estado, de quem os Juízes são funcionários. Gostem ou não do facto, os Juízes trabalham para os cidadãos, sendo pagos por eles. Ainda que sejam um dos três poderes instituídos no Estado, quem executa a Justiça são funcionários ou assalariados dos cidadãos.
E estes assalariados não respondem pelos seus actos perante os seus empregadores. Dos erros que podem cometer no desempenho do seu trabalho, dos danos que podem provocar com eles, são inimputáveis.
Pagamos todos nós pelos erros que os nossos assalariados podem cometer!

E os danos destes erros são tantos maiores quanto mais “mediáticos” forem os casos em causa.
Que o nomes, as imagens e os detalhes das vidas dos visados, quando colocadas na praça pública, apenas o são – ou em regra – aquando das acusações ou detenções preventivas.
Quando a Justiça, pelos seus agentes, erra nas detenções ou acusações, os media só muito rara e excepcionalmente dão relevo ao facto. Os suspeitos são nomeados, os inocentados olvidados.
Da exposição pública e da mácula que fica na reputação de quem é incorrectamente acusado, também os media são inimputáveis.

São raros os casos em que os erros da Justiça são julgados. E não sei quais os resultados que daí têm advindo. Mas não sei de nenhum casos em que Jornais, Rádios ou Televisões tenham sido julgados por terem sido cúmplices na destruição de reputações ao relatarem os actos errados das Justiça.

Os intervenientes nos três poderes legalmente instituídos – Legislativo, Executivo e Judicial – são inimputáveis.
E os media, que são um quarto poder não sufragado ou controlado pelo povo, estão ainda mais à margem da responsabilização.
E nós, ovelhas no rebanho, vamos andando ao sabor das vontades do pastor, do lobo, do feirante e do magarefe.
Registado

A bem do ambiente, e a menos que seja estritamente necessário, por favor não imprima esta mensagem.

Divirtam-se a aproveitem bem a luz
JC Duarte

Spotmeter
Marcos Bras Iba
Colaborador
****

Pontos Ganhos 54
Offline Offline

Mensagens: 362


filmarte.com.pt


« Responder #1 em: 10 / Jan / 2008, 04:49 »

Saudações Caríssimos!

Li com particular interesse este Tópico!

Recentemente aqui mesmo disse ... e reafirmo, que alguns "literatos" deviam ter acesso ao que pelos Senhores é escrito ... brilhantemente! De extrema relevância e pertinência!

Contudo, à preço de não causar espanto aos menos informados ou colocar em Causa o Texto da Carta Magna Portuguesa, algumas considerações humildemente faço:

Citar
Não é importante o tamanho dos danos que possam ter provocado. Quem responde pelos seus actos e decisões é o Estado, de quem os Juízes são funcionários. Gostem ou não do facto, os Juízes trabalham para os cidadãos, sendo pagos por eles. Ainda que sejam um dos três poderes instituídos no Estado, quem executa a Justiça são funcionários ou assalariados dos cidadãos.
E estes assalariados não respondem pelos seus actos perante os seus empregadores. Dos erros que podem cometer no desempenho do seu trabalho, dos danos que podem provocar com eles, são inimputáveis.


Diz o Texto da Constituição Portuguesa:

                                                                 Artigo 22.º
                                                (Responsabilidade das entidades públicas)

O Estado e as demais entidades públicas são civilmente responsáveis, em forma solidária com os titulares dos seus órgãos, funcionários ou agentes, por acções ou omissões praticadas no exercício das suas funções e por causa desse exercício, de que resulte violação dos direitos, liberdades e garantias ou prejuízo para outrem.


... percebo exatamente o que o Nobre Colega JC Duarte pretende dizer ao referir-se a "inimputabilidade". Porém ... é preciso esclarecer que todos os mecanismos do Estado ( também a mídia ) ... são sim, imputáveis, bem como todos os funcionários dos mesmos, independente de escalão ou patente.

Se de facto são "realmente punidos", isto é uma outra história ... mas são imputáveis ( e é preciso que isto se deixe claro ! ) ... contudo, ao continuar o assunto, levanta-se aqui o papel fundamental da imprensa e da comunidade e do verdadeiro sentido da existência do Estado - discussão p'ra muito complicada, ambígua e polêmica.

Depois ... ao colocar em causa o Texto da Constituição, coloca-se em Causa uma Nação Inteira. Isso é perigoso. O Texto da Constituição é "Perfeito" assim como são seus agentes de Direito - Código Civil e Processo Civil - Código Penal e de Processo Penal - sucessivamente.


Citar
Da exposição pública e da mácula que fica na reputação de quem é incorrectamente acusado, também os media são inimputáveis.

São raros os casos em que os erros da Justiça são julgados. E não sei quais os resultados que daí têm advindo. Mas não sei de nenhum casos em que Jornais, Rádios ou Televisões tenham sido julgados por terem sido cúmplices na destruição de reputações ao relatarem os actos errados das Justiça.

Os intervenientes nos três poderes legalmente instituídos – Legislativo, Executivo e Judicial – são inimputáveis.
E os media, que são um quarto poder não sufragado ou controlado pelo povo, estão ainda mais à margem da responsabilização.

... percebo exatamente o que pretende dizer Nobre Colega JC Duarte ... mas repito ser perigoso alimentar este tipo de raciocínio. Não são inimputáveis estes mecanismos e seus colaboradores - directos e indirectos!

Recentemente, foi divulgado uma pesquisa ( Brasil ) ... afirmando que a classe política gasta do 100% do seu tempo laboral útil, 90% a fazer "política partidária" ( á preço do que chamam de "sustentabilidade política" ) ... assim sendo ... restam apenas 10% para atuarem efetivamente como Legisladores. Diga-se ainda de passagem ... que dentro destes 10% estão contidas as viagens, sessões faltosas e/ou outras espécies de embaraços!

Acredito não ser esta situação nada diferente do verificado em Portugal!
Talvez expliquemos com os resultados desta pesquisa a "inimputabilidade" brilhantemente referida pelo Colega JC Duarte!

Abraços Caríssimos ... e Sucesso!



Registado
Jose Costa
Suporte
*****

Pontos Ganhos 125
Offline Offline

Mensagens: 1,532



« Responder #2 em: 10 / Jan / 2008, 05:52 »

Boas.

"Quem critica a injustiça o faz não porque teme cometer ações injustas, mas porque teme sofrê-las." - Platão

Boas.
Registado

O segredo do sucesso não está em fazer o que se gosta, mas gostar do que se faz  - Cecília Meireles
JC Duarte
Suporte
*****

Pontos Ganhos 81
Offline Offline

Mensagens: 657



WWW
« Responder #3 em: 10 / Jan / 2008, 10:22 »

Companheiros:
Da responsabilização do Estado e dos seus agentes pelos erros que possam cometer (enquanto funcionários ou enquanto representantes do povo) muito se pode dizer e argumentar.
E da Lei existente e da sua aplicação igualmente.

Mas houve um pensador, algures no passado e cujo nome não recordo, que terá perguntado: “Quem guarda os carcereiros?”
E a questão passa mesmo por aqui: Para além da questão concreta da fiscalização da actividade de quem executa tarefas e tem cargos públicos ou na administração pública, bem mais importante que isso é o repensarmos constantemente a Lei e a sua aplicação. E a sua adequação às mentalidades vigentes. Porque não há conceitos eternos, não há morais permanentes nem há regras imutáveis. E, ao contrário do que muitos pensam, as leis existem para servir o Homem e não o inverso.
Assim, o que é efectivamente perigoso é o cidadão comum alijar a responsabilidade de questionar a sociedade em que se insere. Quer seja sobre os actos, quer seja sobre as regras existentes. A moral, a lei avulsa, os códigos e a lei fundamental.
Porque não há leis perfeitas, porque elas são feitas pelo Homem e ele também não é perfeito. Desta forma, e presumindo que as leis representam o sentir e pensar da comunidade, não só não podemos deixar que sejam apenas uns quantos de uma elite a defini-las como devemos, todos nós sem excepção, pôr em causa e ponderar a sua correcção.
E colocar em praça pública as nossas dúvidas e discordâncias.

Porque perigoso mesmo é o silêncio amorfo dos povos! Voluntário ou imposto!
Registado

A bem do ambiente, e a menos que seja estritamente necessário, por favor não imprima esta mensagem.

Divirtam-se a aproveitem bem a luz
JC Duarte

Spotmeter
Jose Costa
Suporte
*****

Pontos Ganhos 125
Offline Offline

Mensagens: 1,532



« Responder #4 em: 11 / Jan / 2008, 02:18 »

Boas.
Eu sei que colocar aqui uma ou duas frases escritas por alguém não é forma de se "discutir" um assunto. Mas também não estou certo se quero "discutir" o mesmo. Pessoas diferentes têm noçôes diferentes do que é a justiça, o que ela deveria ser e o que gostariam que fosse.

"Discutir" estas noçôes não pode ser feito sem se olhar á sociedade que nos rodeia. Não raro o que consideramos injusto é visto como justiça por outras sociedades. A mente molda-se, e nem sempre pelo melhor molde. E as leis não são mais que um "molde" com vista a harmonizar a convivencia dos povos, se é que tal é possivel. È desejável, mas creio ser impossivel pela própria natureza do homem. A educação é a mãe de todas as coisas, e essa é morta muitas vezes logo á nascença. Não é possivel "discutir" o que é a justiça sem se "discutir" também o que é a educação.

Cito Thomas Jefferson e Vincenzo Cuoco, respectivamente, que em poucas palavras dizem o que eu não conseguiria com muita escrita:

"Se os homens são puros, as leis são desnecessárias; se os homens são corruptos, as leis são inúteis." - Thomas Jefferson

"Sem instrução, as melhores leis tornam-se inúteis." - Vincenzo Cuoco

Boas.
Registado

O segredo do sucesso não está em fazer o que se gosta, mas gostar do que se faz  - Cecília Meireles
Marcos Bras Iba
Colaborador
****

Pontos Ganhos 54
Offline Offline

Mensagens: 362


filmarte.com.pt


« Responder #5 em: 11 / Jan / 2008, 03:44 »

Saudações Caríssimos!

A conta do texto do Caro Colega JC Duarte fui eu "sabatinar" por horas minha querida Professora de Direito Constitucional! Esta, está por defender em março Tese de Mestrado em muito parecida com o exposto por Duarte.

Citar
Eu sei que colocar aqui uma ou duas frases escritas por alguém não é forma de se "discutir" um assunto. Mas também não estou certo se quero "discutir" o mesmo. Pessoas diferentes têm noçôes diferentes do que é a justiça, o que ela deveria ser e o que gostariam que fosse.

Faço minhas as palavras deste brilhante escritor ... Senhor José Costa ( o qual em passado não muito distante por mim foi criticado - indignamente - por sua postura "pouco convencional" - situação da qual hoje, "conhecendo-o", envergonho-me ).

Faço faculdade de Direito por Realização Pessoal. Já não pretendo ou tenho tempo para buscar viver dos "escritos legais". Trabalho no BBC, um pouco por gosto e outro por questões de sobrevivência mesmo! A coisa não está fácil para ninguém ... mas vai ficar pior. Então ... cada um se defende como pode. Isto digo para que a mim conheçam um pouco mais, à preço de perceber exatamente o que a seguir coloco:

Quero aqui expressar meu imenso contentamento!
Não sou homem culto, rico ou viajado.
O pouco que sei custou-me suor e juventude.

Contudo, carrego comigo desprezo pela pessoa do homem. Somos definitivamente a pior espécie a habitar este planeta. Porém ... ao saber que existem pessoas que ainda se importam, choram, convalecem, ao lerem jornais, notíciários de televisão, revistas, percebo que, por mais que não "haja o que fazer" para reverter situações como as expostas pelo Nobre Colega JC Duarte ... ainda é possível "desabafar". Consolar-nos mutuamente.

De modo geral, os Portugueses são "fechados", receosos, prudentes e cautelósos! Por vezes de difícil trato. Muito se é preciso fazer para consquistar-lhes a confiança e respeito! Um povo ordeiro e "justo" ( na medida do possível ). Um povo a não esquecer!

Elogios não pagam renda ao final do mês ... mas são alimento para a alma!

Entendam esta minha atitude como "paga" pelo privilégio de dividir com os Caríssimos meus humildes conhecimentos ... o que hoje em dia ... está cada vez mais difícil de se fazer ... inclusive ... já havia perdido esperanças de consegui-lo!

Obrigado!
Marcos Iba

Registado
Fórum PortugalVideo
   

 Registado
Páginas: [1]   Ir para o topo
  Imprimir  
 
Ir para:  

Powered by MySQL Powered by PHP Powered by SMF 1.1.7 | SMF © 2006-2008, Simple Machines LLC XHTML 1.0 válido! CSS válido!