Sobre economia e futuro
08 / Jan / 2009, 02:12 *
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Autor Tópico: Sobre economia e futuro  (Lida 441 vezes)
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JC Duarte
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« em: 04 / Fev / 2008, 23:33 »

Num jornal diário, na sua versão electrónica, leio:

“As confederações da Indústria Portuguesa (CIP) e do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) defendem o alargamento da figura do despedimento igualmente para as situações de renovação do quadro de pessoal da empresa.
Para a CIP, "a possibilidade de recurso ao despedimento, que não assente em motivos disciplinares ou inadaptação, não pode circunscrever-se à 'redução de pessoal', devendo compreender também a renovação deste", num parecer ao Livro Branco das Relações Laborais, a que a Lusa teve acesso.
Igualmente a CCP aponta o despedimento quando "se pretenda a reestruturação da empresa e a renovação do perfil do trabalhador afecto ao posto de trabalho".
A CIP sustenta que, por vezes, "as empresas estão apenas carecidas de trabalhadores diferentes e não de menos trabalhadores". "Daí que a renovação do quadro deva ser integrado como fundamento legitimador", refere a confederação presidida por Francisco Van Zeller, no parecer já entregue ao Governo.
…”

Acredito que este possa ser um argumento por parte destas agremiações.
Mas a minha leitura, tenha ela o carimbo que tiver, é bem diferente.
O objectivo destes desejos passa antes pela possibilidade de despedir os mais antigos, com prémios de antiguidade e salários mais altos, para ir ser contratada gente, bem mais nova que, desesperada que anda por um emprego, aceitará pela certa colocações com contratos a termo e por menores remunerações.
Na verdade, o que eu leio destas afirmações, é o desejo da total desregulamentação das contratações e despedimentos, ficando estes integralmente sujeitos aos livres critérios e arbítrios de quem contrata.
E, numa sociedade que se pretende estável, com os olhos postos no futuro mas que, igualmente, desespera face a uma previsível falência do regime de reformas, de saúde, de educação, por escassez de contribuintes por comparação com os beneficiários, criar a instabilidade em quem trabalha por contra de outrem é cortar-lhe o desejo de constituir família, de ter filhos, por não poder antecipar-lhes o conforto e bem estar.
Mas, tão ou mais grave, esta atitude por parte das associações empregadoras é autofágica!
Ao não querer criar condições para uma sociedade estável ou positivamente evolutiva, está a diminuir os potenciais consumidores daquilo que os empresários produtores colocam no mercado. No fundo, a médio ou longo prazo, estão a matar as suas próprias empresas.

É caso para perguntar se os dirigentes e associados destas confederações dirigem empresas dinâmicas e com os olhos postos no futuro ou antes à moda dos merceeiros de má fama, contando apenas os tostões no final do dia!
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A bem do ambiente, e a menos que seja estritamente necessário, por favor não imprima esta mensagem.

Divirtam-se a aproveitem bem a luz
JC Duarte

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Jose Costa
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« Responder #1 em: 06 / Fev / 2008, 06:51 »

Boas.
As palavras acima escritas expressão, e muito bem, a opinião do seu autor e a sua interpretação da noticia lida. È a opinião de um cidadão preocupado com o futuro, e porque não, com o seu próprio futuro. È o seu ponto de vista de um problema que cada vez mais afecta os trabalhadores por conta de outrem.

Mas talvez fosse bom lembrar que existem outros pontos de vista, e como tal, outros interesses envolvidos. È que para se ajuizar convenientemente um problema, não pode ser visto apenas um lado da questão, mas têm de ser vistos todos os lados da questão. Apontar o dedo é extremamente fácil, o dificil é chegar a um concenso entre as várias partes envolvidas, pois todas elas têm intereresses e todas elas tentam puxar a "braza á sua sardinha".

Do ponto de vista do trabalhador, e salvo raras excepçôes, ele quer é o ordenádo certo ao fim do mês, e pouco se importa se a empresa está com boa ou má situação financeira. Não quer saber se o vizinho, seu colega trabalhador, vai para o olho da rua, contando que não seja ele. È triste, é um colega que é despedido, "mas antes ele do que eu".

O trabalhador quer ganhar sempre mais, trabalhar sempre menos, e ter o EMPREGO assegurádo na empresa. E reparem que escrevi EMPREGO, e não TRABALHO. O trabalhador preocupa-se com ele e com os seus, estando disposto a lutar por aquilo que considera ser seu de direito, e que o é, que não é nada mais que o direito ão trabalho e a ser devidamente renumerádo por ele.

Quando uma firma fecha portas e vêm todos para o olho da rua de mãos a abanar, e infelizmente isso acontece muito por cá, são capazes (os trabalhadores) de fazer "ponto" á porta da empresa, pois querem receber o que têm direito, e não se acanham a fazer barulho. Lutam por aquilo que é seu, pelo seu posto de trabalho. E está correcto.

Pelo ládo da entidade empregadora, ela quer é saber do bem estar da empresa, pois em última análise, o bem estar da entidade empregadora depende do bem estar da empresa. Ela não quer saber das dificuldades financeiras dos seus trabalhadores, não quer saber se no dia seguinte algum deles vai ser despedido. Acredito que qualquer entidade empregadora gostasse de não despedir ninguém, mas se o tiver de fazer, assim o faz.

Uma empresa vive daquilo que produz. È com as vendas que pága aos seus funcionários, os impostos, os investimentos em equipamento e mercadoria, etc, etc, etc. Tem de concorrer diáriamente com os productos similares produzidos pelas outras empresas, e mais ainda, com os productos produzidos em outros paises, muitas vezes com mão de obra quase "escrava", com mão de obra infantil.

Mas agora pergunto: o cidadão consumidor preocupa-se com isso? Prefere comprar o que é nacional, o que a sua empresa produz, ou o que é produzido e vendido mais barato pelas empresas estrangeiras, mesmo que recorrendo a trabalho "escravo" e infantil? E não me venham dizer que não sabem quais os productos, ou que são forçados a isso por não terem dinheiro para comprar o que é nacional.

Se a empresa luta com a existencia de productos mais baratos no mercádo, tem de baixar o preço dos seus productos, se quer sobreviver. Tem de reduzir os custos de produção, e lamentávelmente, quem pága é sempre o trabalhador que vem para o olho da rua e é substituido por outro que faz mais por menos. Pois não se iludam, a tristeza de um é o contentamento de outro. O novo trabalhador não fica preocupádo, nem tão pouco solidário, com o que veio para a  rua. Muito pelo contrário, fica até contente, pois foi dessa forma que teve direito ão lugar, seja ele qual fôr.

Podemos discutir se tais atitudes são ou não correctas, se são a melhor forma de solucionar o problema. E poderá até parecer um pouco "frio" o que escrevi atrás, mas são os factos, querendo ou não querendo aceitar tal.

Os 400 e poucos euros que é o ordenádo minimo nacional e que muitos trabalhadores auferem ao fim do mês, é sem sombras de dúvidas muito pouco. Mas o que muitos desconhecem, se bem que eu diga que preferem não saber, é que esse trabalhador custa á empresa não os tais 400 e poucos euros, mas sim mais cerca de 33%, um terço portanto, que reverte para os cofres do Estado. Em vez dos 400 euros, na verdade custa cerca de 550 euros, o que eu considero uma percentagem muito alta para dar ão Estado.

Temos depois o outro ládo, os gestores das empresas públicas, com ordenados "pequeninos", coitados. Mal dá para eles viverem. Mas aonde está as manifestaçôes, a revolta popular, a indignação do povo Português? Não existe, não se passa nada, ninguém quer saber. Deixa rolar, diz o povo. Coitados, e ainda se queixam que ganham pouco. O povo é muito estúpido, mas é apenas a minha opinião. A únião faz a força. Quem os coloca no poleiro, também os tira. Mas somos demasiádo brandos com os galos de crista. Ou temos um quoficiente de inteligência muito pequeno, ou então uma memória muito curta, pois estamos sempre a colocar os mesmos galos no poleiro. Estamos, virgula, pois eu não alinho nas bandeirinhas nem nos chapeuzinhos tão cobiçados pelos portugueses. Posso não ser muito inteligente, mas ainda tenho boa memória e ainda consigo raciocinar.

Existe o ládo da sociedade, que para todos os efeitos, atribui sempre a culpa á empresa, nunca aos trabalhadores. Para os menos atentos, chamo a atenção para o facto de já terem ido á falência empresas por culpa única e exclusiva dos seus trabalhadores. Mas ninguém fala disso, ninguém se lembra disso. Perante a sociedade, a empresa foi a responsável pelo despedimento e encerramento das instalaçôes. Mas concordo, são muitas mais as que fecham por culpa ou interesses das administraçôes.

Existe depois o ládo do Estado. Este não quer saber da situação financeira nem de um nem de outro. Quer apenas saber do dinheiro dos seus impostos. Não interessa se empresa pode ou não pode pagar, se os funcionários recebem ou não recebem. Ainda não faz muitos anos que um empresário foi preso por não pagar os impostos ao estado, pois entre pagar aos funcionários e pagar ao Estado, uma vez que não tinha dinheiro para ambos, optou por pagar aos funcionários. Foi preso, mas porveitura foi feito barulho? Os funcionários manifestaram-se? Eu não soube de nada. Cada um ficou quieto no seu canto, o patrão que se desenrascá-se. Tivesse ele feito a outra opção, e as coisas teriam concerteza sido diferentes. Como eu referi antes, cada parte preocupa-se apenas com o seu ládo.

Sabendo que nada é perfeito, que tudo gira tipo bola de neve, que existem bons funcionários e maus patrôes, e vice-versa, temos de nos livrar da ideia de que só uma das partes é que é a vilã do filme. Não existem inocentes nesta selva humana. Todos, uns mais outros menos, todos somos culpados pela situação em que vivemos e para a qual caminhamos. Em vez de apontar o dedo para uma das partes, talvez devessemos pensar o que é que a nossa parte pode fazer para alterar o rumo da situação. Os que afirmam que somos muito pequenos, que nada podemos contra os grandes, desenganem-se. Juntos podemos muito, mas juntos. E o problema começa aqui: o individualismo de cada um. Vejam o caso da greve dos argumentistas americanos: são simples abelhinhas contra Zangôes. Mas quem vence? A união faz a força. Mas os portugueses não sabem o que é isso. Pensam que é um chupa-chupa.

Mas não tirem já conclusôes precipitádas, julgando que eu sou algum empresário ditador ou algum ricaço com umas contas offshore, num qualquer paraiso fiscal. Não passo de um simples cidadão, que luta diáriamente pela vida, que tenta ver para além do que me é mostrádo, que tenta ouvir o que ninguém quer saber, que escreve o que muitos não gostariam de ler. Um cidadão que tenta ver as coisas pelos seus vários prismas, pois só assim se pode ajuizar correctamente o que se lê, o que se ouve. Poderei ajuizar errádamente, mas essa é uma outra questão.

Numa última análise, a opinião expressa pelo JC Duarte é totalmente válida e realista, sobre o ponto de vista dele. Mas se observarmos a  noticia por um outro ponto de vista, a conclussão poderá ser outra. Não existem verdades absolutas, apenas aproximaçôes. Boas.
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A. Caneira
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« Responder #2 em: 06 / Fev / 2008, 12:44 »

Citar
A CIP sustenta que, por vezes, "as empresas estão apenas carecidas de trabalhadores diferentes e não de menos trabalhadores"

O grande sonho, agora qualquer argumento seria válido. Preciso de um gajo de cabelo verde, que coma sanduiches, e este velhote aqui, não alhinha no novo "look" que queremos aqui para o balcão, além de ter o pessimo habito de almoçar todos os dias. Despedido!
« Última modificação: 08 / Fev / 2008, 14:31 por A. Caneira » Registado

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« Responder #3 em: 08 / Fev / 2008, 13:48 »

Boas.
O exemplo acima dado, se bem que humoristicamente exagerádo, vem mostrar o que alguns entendidos na matéria afirmam: a falta de formação e informação por parte da generalidade dos empresários portugueses. Mas, e digo eu, a falta de tais valores não é única e exclusivamente só desta "classe".

Eu dividiria esta questão em duas partes.

I parte:
A grande maioria dos empresários, e falando do caso português em concreto, é proveniente de uma classe social baixa, que com alguma sorte e muito trabalho conseguiu atingir o actual patamar. A maioria nem a 4ª classe tem, muitos são do interior do País, e que vieram para as cidades em busca de melhor vida.

Todos concordaram comigo de certo, se eu afirmar que na vida tomámos decisôes e opçôes em função da experiência e conhecimento que temos da vida. Todos tomámos as decisôes que entendemos, na hora, serem as que melhor defendem os nossos interesses. Podem se vir a verificar não terem sido as mais correctas, mas na altura foram as que assim pareceram.

O empresário, os patrôes, têm exactamente a mesma atitude: tomam as decisôes que entendem serem as que melhor defendem os interesses deles. E essas decisôes dependem da experiência de cada um deles, dos conhecimentos que cada um tem. Se têm pouca formação, se não têm informação especifica ãos problemas que enfrentam ou que podem vir a enfrentar e se vivem numa sociedade em que as mesmas decisôes errádas são tomádas no dia-a-dia nas várias empresas do País, fácil é de ver qual vai ser a decisão deles quando os problemas surgem.

À anos atrás, ão ler uma revista de economia, era feito um desafio aos leitores: uma empresa (um caso ficticio) tencionáva expandir o seu negócio. Para isso, precisáva de capital. Como não o tinha, tinha de o pedir á banca. Havia três opçôes: 1- Não se expandia. Não pedia dinheiro á banca, não ficáva endividáda. 2 - Pedia dinheiro á banca, na quantidade que era necessário á expansão. 3 - Pedia dinheiro á banca, mas um valor acima do necessário á expansão.  O problema é exposto aqui por mim muito simplificadamente, até porque já não me lembro dos pormenores especificos. O facto é que a solução mais racional para o problema colocádo era a solução nº2. Pois o autor do artigo, um professor de economia, contra toda a lógica aparente, defendia a opção nº3. E explicáva o porquê, e a percentagem do valor superior a pedir. Que apesar de a curto prazo ser mais penoso para a empresa o pagamento, a médio-longo prazo só tinha vantagens o empréstimo de um valor acima do necessário. Não um valor qualquer, mas um valor baseádo numa percentagem especifica. Um valor mais alto não trazia vantagens, mas apenas e só inconvenientes, um valor mais baixo e limitáva bastante a empresa na sua expansibilidade, além de acabar por ficar mais caro a longo prazo.

Quero com isto dizer, que para se tomar boas decisôes, é preciso ter bons conhecimentos, uma boa formação económica, social, cultural, profissional. Coisa que muito poucos têm. E é esta falta de conhecimentos, de formação, que faz com que quando são confrontádos com a necessidade de reduzir custos, só vêm a hipotese de despedimento de pessoal, ou então a substituição do existente por outro menos renumerádo.

II parte:
A percentagem de trabalhadores é muito superior á percentagem dos patrôes. Por uma questão de lógica pura, os trabalhadores deviam ter um poder de decisão no poder politico muito superior á que os patrôes têm. Mas é exactamente o contrário que se verifica. Muitos já devem estar a pensar que os patrôes é que têm o poder porque eles é que têm o dinheiro. Nada de mais errádo. Eles têm o poder porque eles estão unidos, porque defendem e lutam pelo mesmo. A classe trabalhadora não está unida, não é solidária para com os outros trabalhadores, e está fragmentáda numa centena ou milhares de associaçôes ou sindicatos que lutam entre eles mesmos. O problema é UNIÃO, ou melhor dizendo, falta de UNIÃO. Fossem todos um só, e teriamos mais poder. Poder para lutar por mais trabalho, por mais renumeração, por melhores condiçôes de trabalho. Porque se á coisa que eu aprendi é que nós, trabalhadores, precisamos dos patrôes. Mas os patrôes precisam na mesma medida de nós, os trabalhadores. E enquanto não nos mentalizar-mos de que assim é, enquanto continuarmos a criticar os que têm coragem de erguer o punho, nunca vamos ter poder de alterar as coisas. Só quando estivermos no fundo, bem no lodo..., quando não nos fôr possivel descer mais ainda, talvez nessa altura nos consigamos unir... para novamente voltarmos a cair no mesmo erro. Vejam a Bastilha em França, o 25 de Abril em Portugal, o Soliedad na Polónia... e podia escrever mais uma centena de casos. UNIÃO. A união faz a força.

E já que num outro tópico estão a debater uma associação, talvez devessemos pensar nisto. Boas.
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