Uma imagem com tampa
08 / Jan / 2009, 06:51 *
Ainda não é membro? Registe-se Aqui

Entrar com nome de utilizador, password e duração da sessão
Notícias: Problemas, dificuldades, duvidas??? - Consulte a secção INTRO
 
   Início   Ajuda Pesquisa Membros Entrar Registe-se  

Páginas: [1]   Ir para o fundo
  Imprimir  
Autor Tópico: Uma imagem com tampa  (Lida 414 vezes)
0 Membros e 1 Visitante estão a ver este tópico.
JC Duarte
Suporte
*****

Pontos Ganhos 81
Offline Offline

Mensagens: 657



WWW
« em: 31 / Mar / 2008, 21:17 »

E o rapaz do vídeo sempre foi punido com a sanção máxima: a mudança compulsiva de escola!
Eu não me queria pronunciar sobre o tema. A este respeito já muito foi dito e feito e nem sempre o mais acertado. Mas há um aspecto que ainda não vi debatido: ética e juventude!

Na sociedade em que vivemos, afirmarmo-nos como o melhor é uma necessidade. Não tanto por aquilo que efectivamente somos mas antes parecê-lo como tal aos olhos dos demais por atitudes ou posses. Não é muito importante o como o fazemos, mas desde que tenhamos um lugar bem definido entre os melhores, está tudo bem!
Fabricantes e comerciantes de artigos de consumo que não de primeira necessidade bem o sabem, e tentam convencer os potenciais clientes da importância dos seus produtos. De como sem eles não somos alguém digno de nota, marginais, anónimos, infelizes. Em particular no que se refere à electrónica e às tecnologias de informação e comunicação. Fotografia, vídeo, computadores, telemóveis, GPS’s e afins. Não há cão nem gato que não os tenha ou, em alternativa, que não faça do desejo de os possuir uma necessidade premente a satisfazer.
E, entre o público potencialmente consumidor, as camadas mais jovens são os que mais se deixam influenciar. E o alvo preferencial dos publicitários. Por um lado porque sempre desejosos de experimentar as novidades, de todos os tipos. Por outro, porque este, mais que qualquer outro grupo social, necessita de se afirmar: entre os seus iguais e entre os adultos. É aquilo a que se chama “ter um lugar ao sol”!

E as tecnologias surgem e evoluem mais depressa que os códigos sociais e éticos da sua utilização. Algo de novo é para ser usado intensivamente e até ao limite, antes que alguém diga que não se pode fazer ou que se transforme em obsoleto. As regras e códigos de conduta criados pelos adultos, na sua “sabedoria” e na sua necessidade que estes têm de impor restrições e condicionantes, são lentas a acompanhar estas mudanças.

É assim que, assistindo a uma situação insólita (confronto entre colega e professora) é difícil de resistir ao seu registo, possuindo o equipamento para tal e da moda (o telemóvel) e onde divulgar o inusitado evento (a internete).
Indo mais longe, a profissão de jornalista é hoje muito cobiçada, bem como a de repórter de imagem. É o que denuncia, é o que investiga, é o que comunica, é o herói das TV’s, que se exibe, que vai a lugares estranhos, que lida de igual para igual com figuras púbicas e de destaque.
Poder “brincar aos jornalistas” tendo a oportunidade e meio e não o fazer será, assim, contra-natura!

Claro que as questões éticas sobre esta questão existem. Mas, para quem?
Um jornalista ou repórter, se estivesse no local, certamente faria o mesmo registo. Portanto, porque não o jovem?
Dirão que ele não o poderia fazer, que há códigos de como e quando se podem fazer imagens de terceiros e de como e onde se podem exibir.
Mas… será que ele está informado, que conhece os códigos de conduta e dos limites de quem exerce o ofício? E será que quem exerce o ofício de jornalista ou repórter de imagem respeita as éticas e se coíbe de registar imagens em local não público e sem autorizações? Onde termina o que é permitido a um jornalista ou repórter de imagem e onde começa o que é interdito a qualquer outro cidadão?

No caso da escola Carolina Micaelis e das imagens captadas e divulgadas, tivemos uma adolescente, de 15 anos, que além de um acto de indisciplina teve um ataque de histeria perante a confiscação do telemóvel. Tivemos também uma professora que não soube lidar com a situação e que deixou que uma disputa com a aluna passasse a confronto físico e a indisciplina generalizada na sala de aula.
Mas também tivemos o caso de um rapaz de 15 anos que fez o que vê fazer às figuras de referência dos tempos que correm, provavelmente sem nunca ter ouvido falar ou ter sido sensibilizado para a ética da recolha e divulgação de imagens.

Os códigos de conduta não são inatos. Surgem das relações no grupo. E é na vivência do jovem – humano ou não – que estes códigos são aprendidos.
É papel da escola, em paralelo com a família, fazer passar estes códigos, fazer com que o aprendiz aprenda o que lhe é permitido, o que lhe é interdito e a tomar decisões e fazer julgamentos nas situações não aprendidas. Tudo isto quer seja por conversas orientadas quer seja na sequência de situações vivenciadas.
Mas a escola não forma os jovens para o uso e para a ética da imagem. Ainda que esta seja a rainha dos tempos que correntem, não lhe é dada a formação para com ela lidar enquanto produtor ou consumidor.
Assim, como seria possível que este rapaz soubesse que não poderia ou deveria registar um acto insólito acontecido num espaço a que se habituou a chamar de seu: a sala de aula?
A sanção que lhe foi aplicada não só é descabida como injusta. E desproporcionada. Porque o erro, em havendo-o, não é dele mas de todos nós. Que lhe pusemos ferramentas nas mãos mas não lhe explicámos até onde poderia ir com elas.

A escola, como parte da sociedade, deveria usar este caso não para punir os intervenientes, mas antes para repensar qual o seu próprio objectivo e método.
Porque se é para preparar os jovens para a vida adulta activa, há que o fazer com as tecnologias actuais e com as éticas adequadas. E fazer adaptar estas àquelas. E não apenas como um repositório de conhecimentos tecnicamente correctos e eticamente vazios.
Por vezes, há que saber pôr a tampa na objectiva!
Registado

A bem do ambiente, e a menos que seja estritamente necessário, por favor não imprima esta mensagem.

Divirtam-se a aproveitem bem a luz
JC Duarte

Spotmeter
Jose Costa
Suporte
*****

Pontos Ganhos 125
Offline Offline

Mensagens: 1,533



« Responder #1 em: 01 / Abr / 2008, 03:59 »

Boas.
Sobre a sanção aplicáda não me vou pronunciar. Não tenho dados suficientes sobre o caso em questão. Uma parte não faz o todo, e o que eu tenho são partes de uma história.

As escolas não são perfeitas, muitas vezes não preparam os alunos para a vida. Mas não queiramos atribuir ás escolas a função que compete aos pais: a educação.

E é educação que falta muitas vezes á nossa juventude. Falta porque os pais se abstraem de a dar. A desculpa que muitos dão, de falta de tempo, até pode ser verdade. Mas que ela não seja a razão para se empurrar a responsabilidade para os outros.

O dado que eu considero mais importante, e que me falta aqui, é a intenção do aluno. E é sobre a intenção que eu posso fazer a minha "condenação". Se eu filmo um gatuno a assaltar uma casa e depois comunico ás autoridades competentes, é uma coisa. Mas se eu opto por colocar o material no youtube, para meu gaudio e dos meus amigos, então o caso muda completamente de figura. A tecnologia nada tem a ver com o certo e com o errádo. E a noção do que está certo e está errádo depende muito da educação que se recebe... e da sociedade em que se vive.

À citação "Porque o erro, em havendo-o, não é dele mas de todos nós. Que lhe pusemos ferramentas nas mãos mas não lhe explicámos até onde poderia ir com elas." não poderia estar mais de acordo. Mas não queiramos fazer disso o nosso cavalo de batalha. Boas.
 

Registado

O segredo do sucesso não está em fazer o que se gosta, mas gostar do que se faz  - Cecília Meireles
Frederico Miguel
Membro Regular
***

Pontos Ganhos 7
Offline Offline

Mensagens: 32


« Responder #2 em: 01 / Abr / 2008, 17:44 »

Boas gente

Sou estudante, 16 anos e como tal sinto-me na obrigação de vos responder e tambem eu dár a minha 'acha para a fogueira'...

Caro JC Duarte, como não poderia deixar de ser há coisas que concordo e outras com as quais discordo:
Tem razão em dizer que nós, juventude, somos o alvo preferencial da publicidade, pois quer queiramos quer não somos influenciáves por necessidade de afirmação pessoal (faz parte da tal adolescencia)...

Mas agora vou direito ao que mais me chocou (salvo seja) no que disse: 'Poder “brincar aos jornalistas” tendo a oportunidade e meio e não o fazer será, assim, contra-natura!'. Discordo completamente por vários motivos. Para começar parece-me que o JC Duarte está a comparar o jovem que filmou a situação a um jornalista, o que acho que não se pode fazer de forma tão simplista. Muito longe disso. É verdade, pois claro, que todos nós podemos ser jornalistas indepententemente do canudo ou não e mesmo até das tecnologias que temos ao nosso alcançe, mas neste caso o jovem filmou a cena por um unico e grande motivo: gozo. Não há nenhuma outra justificação possivel para o que o rapaz fez.

A outra parte com que discordo do seu texto é na altura em que refere que é um dever da Escola educar. Não é, não pode, não consegue, não está ao seu alcançe e sobretudo acho que não lhe compete tão nobre tarefa. A educação é algo que deve provir 'de casa', das vivências, algumas escolares e outras não... Eu poderia dizer que numa sociedade dita 'perfeita' seria bom que a Escola educasse a rapaziada... Mas em vez de ser a Escola a educar não seria ainda mais perfeito que fossem os pais, tal como ocorre na própria Natureza?

O amigo José Costa refere, e bem, que não é um dever da Escola educar, reafirmo e justifico. Aprecio tambem, de certa maneira, a referencia que o José Costa faz á condenação do aluno pela colocação do video na Internet.

Por outro lado gostaria de explicar que é positivo para ambos os lados (da Escola, do aluno e dos outros alunos) que o aluno que filmou toda a 'cena' fosse expulso da Escola em questão. Nem encaro tal coisa como castigo. Penso que é positivo na medida em que poderia ser tratado de forma diferente, rebaixado pelos professores, e acredito que elevado pelos colegas de turma... 'Afinal foi aquele gajo que teve ''tomates'' para por um video com a ''stora'' na net...'

Abraço


PS: off topic, já agora parabens José costa pela milionésima mensagem...
« Última modificação: 01 / Abr / 2008, 18:38 por Frederico Miguel » Registado
Fórum PortugalVideo
   

 Registado
Páginas: [1]   Ir para o topo
  Imprimir  
 
Ir para:  

Powered by MySQL Powered by PHP Powered by SMF 1.1.7 | SMF © 2006-2008, Simple Machines LLC XHTML 1.0 válido! CSS válido!