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Jose Costa
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« em: 04 / Abr / 2008, 05:30 » |
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Boas. Hoje de tarde sentei-me a brincar com os meus cães, como habitualmente faço. E uma simples palavra me ocorreu enquanto isso: simplicidade. Como seria simples a minha vida se eu tivesse a vida que os meus cães têm. Sem precisar de trabalhar, comida a horas certas, brincadeira quanto baste... nada de cartôes de crédito ou débito, contas bancárias, contratos de trabalho, transportes, seguros, leis... as únicas leis que eles têm e que fui eu que as impus, é a de não urinar no pátio e de não roerem a cassota.
Lembrei-me então dos animais selvagens, leôes, gazelas, ursos... que sem supermercados, centros comerciais, talhos ou mercearias, levam o seu dia-a-dia vivendo daquilo que a terra lhes dá: o que cresce na natureza.
Perguntei então: "Que povos vivem assim, apenas daquilo que a natureza lhes dá, neste nosso planeta?" As tribos da Amazônia, respondi eu. Têm uma vida sem o corre-corre das sociedades industrializadas, sem os problemas destas.
Gostaria eu de assim viver? Gostaria de ir para lá viver? Sim, sem qualquer dúvida... Tudo quanto é preciso é de dinheiro para a viagem, pois o resto já o tenho: a capacidade de adaptação.
Mas após breves instantes, hesitei e não fui. De nada serve o meu dinheiro lá. De nada serve os meus conhecimentos de electrónica, de video ou de fotografia. De nada serve o meu telemóvel ou rádio. E de nada serve reclamar ou tentar atribuir as culpas âos politicos pelas dificuldades que entretanto venha a sentir.
È que apesar de não gostar de muitas coisas por cá, muitas mais não gosto por lá.
Protestar contra o aumento dos impostos é um direito que me assiste. Protestar contra o aumento do preço do pão, do mau estado das estradas ou da governação, poderá não fazer de mim um revolucionário. Mas faz com que seja um protestante inútil. O homem certo, no momento certo, pode mudar muita coisa. Mas não muda os factos já consumádos.
Um homem a protestar não passa disso mesmo: um homem a protestar. Mas juntem milhares de homens em protesto e o que terão não é uma multidão, mas sim uma revolução. Mas até para se obter uma revolução é preciso que todos lutem pelo mesmo, e não por objectivos diferentes. E numa sociedade em que cada um olha apenas para o seu umbigo, esquecendo-se que os outros também assim o fazem, tudo quanto se obtem, tudo quanto se consegue, é milhares de homens a protestar, cada um por um motivo diferente, cada um no seu canto.
Assim, eu não protesto, luto. Com acçôes e não com palavras vazias, pois as palavras levam o vento. Luto por aquilo que acredito e por aquilo que quero. E neste momento, quero continuar a poder me sentar e a brincar com os meus câes. E se para isso tiver que abdicar de algumas coisas, pois que assim seja. Tudo tem um preço na vida. Boas.
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