"Profissão" com os dias contados em Portugal!
08 / Jan / 2009, 07:18 *
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Autor Tópico: "Profissão" com os dias contados em Portugal!  (Lida 731 vezes)
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Marcos Bras Iba
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« em: 09 / Jul / 2008, 20:08 »

Saudações Caríssimos! ...

Bem, como o vida não pára e ao final do mês o Sócrates quer ver se dos meus bolsos saem alguns Tostões ... tenho andado um bocado ausente, mas com saudades dos "tempos" em que havia condições para mais vezes cá estar. Alimento por muitos aqui respeito e admiração ... mas o que com os amigos vou dividir agora a mim não agrada.

Nos últimos cinco meses tenho andado a fazer contatos, divulgar meus produtos e serviços, conhecer pessoas e empresas.

Visitei para lá de 100 empresas e prestadores de serviços, dos mais diversos níveis profissionais ( do mais humilde fotógrafo à mais "requisitada" empresa de prestação de serviços no segmento BBC ) ( somente BBC ).

Do muito que vi ( e posso afirmar seguramente que assisti DVD's à perder de vista ), chego a uma triste, porém fatidica conclusão: - Em Portugal, em poucos anos, o Vídeo para Eventos Sociais vai desaparecer!

Nestas minhas visitas ( buscando sempre encaixar meus "servicinhos" ), fez-se regra a idéia de que "os clientes já não querem mais saber dos DVD's de Casamento"!, assim como, fez-se regra, ouvir que "a culpa por este fenômeno é dos próprios prestadores de serviços de Vídeo"!.

Bem, embora tenha eu opinião formada à este respeito, reservo-me ao direito de aqui e agora não mencioná-la. Primeiro por respeito aos meus Colegas BBC's, depois para não incorrer na leviandade de emitir Juizo de Valor, afinal, quem sou eu ... ou quem somos nós para tal.

O Facto é que, os DVD's de Casamento já não são Produtos bem vistos no mercado ... e não o são justamente, segundo empresários e prestadores de serviços, por sua má qualidade, pela ausência de compromisso com aquilo que se está a fazer, pela falta de critérios quando da captação de imagens, pela falta de critérios quando da edição ... enfim, pela falta de conteúdo, falta de conhecimento das pessoas que os fazem, falta de beleza, falta de brilho, falta de charme, falta de talento.

Sinceramente, ao assistir alguns dos DVD's em questão ( inclusive muitos deles encontram-se ainda nas montras para demonstração ... à espera de clientes ), percebi exatamente os porquês das coisas terem chegado ao ponto que chegaram.

Ao final de uns 10 ou 15 minutos de tortura ... sinceramente, já não se conseguia mais permanecer à frente do televisor ... 01 hora então à torturar-me ( torturar-nos ) ... nem pensar!

Bem. talvez agora consiga eu arranjar inimigos ... mas desculpem os mais sensíveis: explicado está ( pelo menos para mim ) ... porque é que não se consegue fazer vídeo BBC à sério em Portugal!

Trocando em miudos: assim como os "sapateiros", como os "bancários", como os "clínicos gerais", como os "advogados polivalentes" desapareceram ... a profissão de "operador do mercado audiovisual para eventos" ... está mesmo com os dias contados.

PS. Vénias ao Senhor José Costa ... neste momento, sinto realmente vergonha em dizer que sou Operador do Mercado Audiovisual para Eventos em Portugal!

Abraços meus Caros ... e Sucesso ( mais do que nunca - estamos a precisar )!
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António Cristo
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« Responder #1 em: 09 / Jul / 2008, 22:21 »

Caríssimo Marcos!!

Tenho andado muito fora aqui deste fórum e estarei possivelmente até ao fim do mes de Setembro isto por questões profissionais e pessoais. Mas não resisti a este seu Post.

Estou nesta área "do vídeo" desde que o U-MATIC era rei de Master e formato C ainda dava algumas cartas eis que surge a época do Betacam e sequencialmente o digital com as suas torradeiras a gastarem energia a rodos.
Trabalhei em empresas que tinham o ultimo grito de equipamento no mercado, essencialmente ligado á publicidade.

Como coisa certa na vida o que é hoje amanhã já não é mais.

Há que reinventar trabalho.

É que há muitos divórcios e há muita gente que entretanto tirou uns cursos e sabem umas coisas e Portugal é pequeno.

Há que ser flexível.

Isto não tem a ver com a Flexigurança do Socrates "leia-se 1º ministro".
Mas as empresas actualmente querem pessoas que dominem várias técnicas pois para alem da mais valia é uma possibilidade de roling entre os seus colaboradores.

Na última empresa onde estive fazia um pouco de tudo Excepto "camara" e "Captação de áudio" e posso dizer que gravar em vídeo e ou reportagem fotográfica de funerais em alguns locais africanos é um negócio.

Fazer imagens para telemóvel pode ser um recurso sei que isto são palavras soltas.

Mas o termo certo é reinventar trabalho ..... ok levanta-se uma série de questões a ultrapassar e todos os dias se come.... I no...

BBC nunca foi a sério " aqueles votos na saude e na doença é protocolo não acredito nada nisso" ... e quando é a sério os meios a envolver saltam para outros patamares.

Com isto não quero dizer que não existam pequenas bolsas de trabalho dentro da perspectiva do Marcos.... mas tem de se comer todos os dias.... e o mercado é pequeno.

flexibilizar e reinventar.... é uma ordem para quem queira ter a cabeça fora de água com alguma folga.

O que descrevo é uma perspectiva pessoal e não devo nada a ninguém.

Sucesso para você.
AC
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Rodrigo Pinheiro
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« Responder #2 em: 09 / Jul / 2008, 22:54 »

Boas,

Marcos depois de ler o seu tópico, fiquei a pensar um bocadinho e cheguei à mesma conclusão " o vídeo para Eventos Sociais vai desaparecer! ", mas estou em desacordo quando subscreve " a culpa por este fenômeno é dos próprios prestadores de serviços de Vídeo; e porquê que os clientes não gostam dos DVD's? Porque são os próprios clientes que contratam um (só um) "Videografo", é claro que as expectativas desses clientes é ver o seu filme muito bonito, mas são eles, na maior parte das vezes os primeiros a dizer já chega! (quando queremos dar um pouco da nossa imaginação no dia do evento, por exemplo quando vamos dar uma voltinha com os noivos sozinhos); é claro que não há criatividade e tempo possível para um operador fazer uma reportagem da cerimónia da igreja em que tenha que ter imagem/som original do coro que está a 30mts de distância; em que os convidados estão na parte de trás da igreja onde nem sequer tem luz suficiente, para não falar das regras que temos que cumprir por capricho de alguns padres, etc...

Poderia dizer muitas coisas mais, mas tenho receio de me tornar enfadonho como muitos DVD's que já vi; por falar em enfadonho, nunca vos disseram para filmar tudo/muito eles gostam de se ver na televisão, isto é mais uma das coisas que aborrece, ter que fazer (e depois ver) um filme com 2h ou mais horas d'oh!.

Temos que ser firmes a defender o nosso trabalho a quem nos diz " a culpa por este fenómeno é dos próprios prestadores de serviços de Vídeo " Speak to the hand, senão arriscá-mo-nos ao abandono por parte dos nossos "clientes" (quem nos paga).

Um abraço

Registado

Na verdade, um vídeografo não tem outros inimigos sérios senão as suas péssimas imagens.


Rodrigo Pinheiro

Canon XL1: JVC HD-111E: Adobe Premier 6.5
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« Responder #3 em: 10 / Jul / 2008, 00:19 »

Boas.
O tempo agora não é muito para poder responder em profundidade, mas vou já adiantando:

- No geral, partilho da opinião do Marcos Bras Iba, mas não do seu péssimismo em relação ão desaparecimento da "profissão", embora compreenda a razão de tal pensamento.  O video vai existir sempre. Ontem analógico, hoje digital, amanhã  Stereoscopic 3D. Mas vai existir sempre, porque está na natureza humana reviver o passado. E nada melhor que o video ou a fotografia para tal.

- Quanto á opinião do António Cristo, li mas não entendi. Ou melhor dizendo, não atingi o que pretendia dizer. Então, o mercádo das reportagens BBC (Bodas, Batizados e Casamentos) não é um mercádo sério, será que temos que ir todos para op. de câmera de alguma TV ou productora? Só o mercádo "broadcasting" é que presta, só esse é que pode ser rentável?

Trabalho em ambos os mercádos, e ambos têm as suas caracteristicas, vantagens e defeitos. Mas é preciso saber o que se está a fazer com o "tijolo" ás costas. Filmar qualquer um filma, e os putos de 5 anos ai estão para provar o que digo. Agora, se vão fazer uma captura (ou gravação) de imagens em condiçôes, essa é uma outra história. È como a fotografia. Qualquer um tira uma fotografia, é só carregar no botão. Falta saber se vai ficar uma "boa" fotografia.

- Quanto ás questôes do Rodrigo Pinheiro, discordo numa grande medida. A questão não é se é um ou dois "videografos", mas sim o que podem e devem fazer. Um só op. de câmera pode e faz um óptimo trabalho, desde que saiba como o fazer. È possivel fazer a reportagem da Igreja e no final dar a ilusão de que tal reportagem foi feita com duas ou mais câmeras. Mas para isso é necessário que o op. de câmera o saiba como fazer e que saiba como editar o trabalho. Mas também temos que ver o factor preço, que é a meu ver o maior impedimento. Um bom trabalho tem um preço, o óptimo trabalho fica mais caro. Quanto ão mau trabalho, esse pode ser feito quase de borla.

A parte da igreja não precisa de ser a "seca" que costuma ser, que muitos teimam em fazer. À que mudar os planos, oferecer variedade de imagens, ter em atenção ãos tempos. Deixar de filmar tipo "deixa rolar".

Já passei por todas as situaçôes comuns e incomuns a quem se mexe nesta área. Já tive inclusivé uma situação em que era o próprio padre quem me dizia a altura em que podia gravar e quando tinha de desligar a câmera. E se no final obtive 6 a 8 minutos de material bruto na igreja, não estarei seguramente a mentir. Mas tal nunca foi impedimento para poder executar um bom trabalho. Talvez não o óptimo, mas um bom trabalho.

Quanto á questão das 2 horas de filme... á 14 anos que os meus trabalhos não têm mais de 45-50 minutos de duração, raramente mais. E muitos têm muito menos que isso. E sempre me recusei a fazer algo com mais que isso. Faço um determinado trabalho, com um determinado estilo, e o cliente contrata-me por esse trabalho ou simplesmente não me contrata. E felizmente que a minha boca come todos os dias á custa do meu trabalho. Por muito bom ou mau que ele possa ser. Agora, é preciso ser firme e objectivo na decisão. Porque em última análise, a culpa é sim do op. de câmera.

E se com pouco tempo disponivel escrevi o que escrevi, imaginem agora o quanto muito poderia escrever com mais tempo.

Como um outro User referiu algures num outro tópico, estes assuntos dão por norma em muitas "postas". Boas.


P.S. E foi com satisfação que voltei a ler algo do Marco Bras Iba, ausente deste espaço faz já algum tempo.

E já agora, sobre a questão de um "videografo", podem ler algo que escrevi tempos atrás, no tópico "Multi-câmera em reportagens de casamentos".
« Última modificação: 10 / Jul / 2008, 00:59 por Jose Costa » Registado

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Mário Rui
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« Responder #4 em: 10 / Jul / 2008, 02:40 »

 
Bom dia, boa tarde ou boa noite (conforme a hora e o local em que me estiverem a ler),

A questão levantada neste tópico dava pano para mangas, mas tentando ser o mais breve possível, gostava de partilhar algumas opiniões que tenho sobre este assunto e sobre o desenvolvimento que teve até agora nos post's registados.

Se a actividade BBC tem os dias contados, muitas outras actividades também os terão. A ver vamos. A causa, ou as causas, são várias e estão aí à frente dos olhos. O principal problema é a falta generalizada de dinheiro, tanto por parte de particulares como por parte das empresas ou até mesmo de instituições. A política desastrosa levada a cabo pelos Governos eleitos por todos nós, deu nisto. E como diz o nosso povo, casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão.

Que adianta "reinventar" (como diz o companheiro António Cristo) ou ser "firmes a defender o nosso trabalho" (como diz o companheiro Rodrigo Pinheiro e também no mesmo sentido o José Costa) se as pessoas e as empresas em termos de finanças estão na linha vermelha, à excepção das empresas dominadas pelo grande capital e pelos grandes grupos económicos, que com a sua ganância e os seus testas-de-ferro no poder contribuiram para que a sociedade esteja como está?

Claro que se deve reinventar, claro que se deve ser firmes a defender o nosso trabalho, e também ser-se honesto e competente. Naturalmente que nisto todos estaremos de acordo. Mas a minha pergunta é o que é que isso adianta, em termos significativos, no actual estado económico do país. Parece-me que pouco ou nada adianta.

Sou video-amador, não faço BBC's e sou profissional há mais de duas dezenas de anos na área do design. Tenho clientes desde esse tempo e recentemente aconteceu um deles propor-me um preço para um trabalho em que tive de lhe responder que pelo valor proposto eu ganharia mais a lavar escadas. Também evoquei a minha qualidade de trabalho, etc, etc. O cliente disse-me que a qualidade não era importante para ele, mas sim o preço porque a empresa está com dificuldades económicas. Chegámos a isto.

Não vale a pena tapar o sol com a peneira e por vezes até sermos mauzinhos a atirar culpas para cima do parceiro do lado. Claro que sabemos que há maus profissionais em todas as actividades, mas sempre os houve e não era por isso que havia crise ou dias contados nas actividades como há agora. Portanto, chamemos os bois pelos nomes e percamos a vergonha ou o medo de dizer que as políticas seguidas por quem nos governa estão erradas e estão a estrangular as pequenas e médias empresas, os profissionais liberais e todos os assalariados em geral. Quando houver uma consciência colectiva, de certeza que este estado de coisas será alterado e aí melhores dias virão.

Obrigado a todos.
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Marcos Bras Iba
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« Responder #5 em: 10 / Jul / 2008, 03:41 »

Saudações Caríssimos!

Para pensar ( e para criar condições e subsídios para que deixemos de pensar no BBC como uma "ocupação para os finais de semana ).

Poucos de nós sabemos ( até msm porque poucos de nós são BBC de Profissão ) ... mas o mercado de Eventos Sociais é um mercado "milionário" - estejamos nós onde estivermos.

... mas para pensar a respeito:

Até o presente momento, em Portugal, segundo o site www.por7ugal.net, ocorreram 26.182 Casamentos - número este que, segundo estatísticas ( pesquisa por mim efetuada ), pode chegar próximo dos 50.000 até o final do ano.

Segundo ainda um "pequeno" levantamento meu ( nada de muito profundo ... mas com alguma credibilidade ), os casais gastam em média, em Portugal, para casar-se ( perceba-se realmente em média ... pois existem casamentos de 50 mil Euros ... como existem casamentos de 500 Euros ) ... gastam em média 3.200 Euros. Contudo, seguramente, o menor investimento dos casais dá-se em primeiro lugar com os adereços de Florista ( exceto qdo a organização do evento fica à cargo de Promoter's ou "profissionais" ); em segundo lugar no ranking dos "menores investimentos nupciais" vem a Fotografia e Vídeo - raramente ultrapassam os 15% do orçamento para o Casamento. Lidera este Ranking ( segundo meus humildes apontamentos ) ... os investimentos com os Buffet's.

Bem: à medida de minha disponibilidade, trarei outros e melhores números para afirmar ( ou reafirmar aos Colegas ) que estamos a falar de um mercado que movimenta milhares de euros todos os anos. Assim ... a "coisa" não está mal. O que não está bem é a imagem de alguns setores profissionais frente aos clientes ... que ainda tem algum dinheirinho para gastar, mas que insistem em deixa-lo nas mãos de outrém.

PS - Parafraseando o Filósofo Jô Soares: "Este é um assunto para pensar na cama" ( que é onde eu deveria estar agora )!

Abraços meus Caros ... Sucesso!
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« Responder #6 em: 10 / Jul / 2008, 07:12 »

Boas.
Como eu costumo dizer, para se falar das coisas é preciso estar-se por dentro delas. Palpites e opiniôes todos as têm, falta agora saber é da credibilidade delas (das opiniôes). E se opiniôes respeito-as todas, concordar ou não com elas já é uma outra questão.

A questão levantada pelo Mário Rui, se bem que tenha alguma pontinha de razão, não deixa de ser uma falsa questão. È que independentemente do facto de as pessoas não terem poder de compra, ou da capacidade governativa dos nossos (malditos) governantes, a verdadeira razão para o estado das coisas (no que a reportagens BBC diz respeito), prende-se com tudo menos com a falta de dinheiro.

O Marcos Bras Iba, no seu post, tirou-me as palavras da boca, ão falar em mercádo "milionário", se bem que os dados dele não estejam correctos (mas ele também refere que não aprofundou a questão). Quanto ão número de casamentos já efectuádos este ano não sei, mas segundo o INE (Instituto Nacional de Estatisticas) por ano são cerca de 75.000 os casamentos efectuádos em portugal, se bem que a tendencia tenha vindo a descer de ano para ano. Segundo estudos crediveis, e é só fazer uma pesquisa para os encontrar, cada casal gasta em média cerca de 20.000 euros no casamento, não os 3.200 euros referenciádos pelo Marcos Iba. E um destes estudos é e tão só da CGD (Caixa Geral de Depósitos), que caso alguém não saiba, tem interesses neste mercádo, pela atribuição de créditos particulares.

Desta forma, o problema não é a suposta falta de dinheiro. Poderá ser, e sei que o é nas empresas, mas nos particulares não é a razão para a falta de "investimento" no video. A verdadeira razão, tenho para mim, é a banalização do acto de fotografar e filmar.

Cada vez mais se filma mais, e cada vez mais se fotografa mais. E tanto a tal ponto que as pessoas deixaram de ver uma fotografia como sendo uma fotografia, e passaram a vê-la como um producto de "consumir e deitar fora", como se de um lenço de papel se tratá-se. E juntamente com a fotografia, temos o video, que não é mais que uma série de fotografias em movimento.

Junte-se a isto o facto de todos os amigos do futuro casal até ter uma câmera parecida com a do fotografo ou do op. de câmera. Junte-se a isto o facto de todos os futuros casais até terem jeito para fazer umas brincadeiras em video no computador. E se não têm jeito, um dos amigos o terá de certeza. Depois, compare-se as fotografias ou filmagens dos amigos com as que alguns ditos "profissionais" fazem, e temos a fómula mágica para os futuros casais pouparem uns cobres. Afinal, para quê pagar a alguém, quando pudemos ter os amigos a "trabalhar" de borla?

Não se trata aqui de falar mal dos outros, de atribuir culpas ãos vizinhos. Até porque os culpados somos todos nós, profissionais do sector. Temos é que ir ão fundo da questão, avaliar no terreno as reais causas, e não atirar para o ar palpites que em nada ajudam a clarificar o sector. Mas esta é apenas a minha pacata opinião, valendo o que vale.

Subscrevo inteiramente a opinião expressa pelo Mário Rui, excepto no que a reportagens BBC (Bodas, Batizados e Casamentos) diz respeito. A falta de dinheiro é uma das razôes para o não "investimento" por parte das empresas no que a video concerne, mas o mesmo não se aplica ãos futuros casais. E a não ser que me mostrem estudos a contradizer isto,  não pondero sequer a hipotese de estar errádo.

Eu gosto de falar com os futuros casais sobre a reportagem. O que querem, o que gostam, e o que esperam da reportagem. E quem como eu assim procede, quem está atento ão que eles dizem, acába por constactar o mesmo que eu: a fotografia e o video não tem o mesmo valor para eles, como tinha para os pais. A fotografia e o video é, em muitos casos, algo que parece mal não ter no dia, pois todos vão perguntar pelos "fotografos". E como não ter fotografia ou video é dar parte de "pelintra", então que se gaste o menos possivel.

Reinventar, adaptar... palavras bonitas mas que nada significam. Continua-se a "oferecer" o mesmo tipo de trabalho que se fazia á 15 anos atrás. O equipamento evoluiu, as capacidades agora são outras, mas mesmo assim continua-se a dar mais do mesmo, sempre a mesma "seca", sempre a mesma coisa. È uns Sherecks e pouco mais varia. E cópia por cópia, até eu preferia pagar umas cervejas a um amigo para me ir filmar o meu casamento. Boas.
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O segredo do sucesso não está em fazer o que se gosta, mas gostar do que se faz  - Cecília Meireles
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« Responder #7 em: 10 / Jul / 2008, 19:37 »

Saudações Caríssimos!

Talvez todos estejamos certos em nossas afirmações. Evidente ... uns mais certos que outros, mas praticamente tudo o que foi escrito nos Post's subsequentes ao inicial é cabível. Certo é que o espaço é pouco. Certo que o tema é polêmico e que precisaríamos mais de meia dúzia de linhas para fundamentar ou defender algo.

Agora, se o amigo José Costa estiver realmente certo, "a coisa é ainda pior do que eu, ingenuamente imaginava"! ( os números por ele anunciados estão bem acima da média ... 20.000 € estão acima dos orçamentos que tenho visto por aí à fora ). Não conheço tal estudo da Caixa Geral ... mas se vem do "Governo" justifica-se o "absurdo"! Eles tem suas próprias fórmulas matemáticas ... as "continhas" do "Governo" possuem algo de "espiritual" ... mágico. Somente "eles" as percebem ... etc! - Mas repito: se estes números forem verdadeiros ... senhores ... "devemos ter vergonha de dizer que somos Operadores do Mercado Audiovisual para Eventos".

Em um orçamento de 20.000€ ... ver-se apenas 1.000 ou 1.500€, destinados à Fotografia e Vídeo ... é mesmo constrangedor. Lembremos também que, exceto os bancos de madeira da igreja, Fotografias ( segundo a Kodak ) ... podem durar 200 anos. Os DVD's, se bem acondicionados ( segundo a Doctor Hank - por exemplo ), podem ter sua vida útil estendida para além dos 40 anos.

Agora, deixando a modéstia e a humildade de lado, escrevam o que quiserem ... digam o que quiserem ... mas o fato é que, estamos a ver os nossos dias como "Profissionais BBC" contados - e grande parte desta responsabilidade ( que existe ) ... é justamente "nossa". Nossa falta de Cooperativismo, falta de senso de Coletividade, falta de Profissionalismo, falta de zelo, falta de conhecimento, falta de diretrizes, falta de um "sindicato" ... de uma associação ... falta de uma entidade que "nos" defenda, oriente, auxilie ... que nos faça respeitar e que nos respeite.

Resumindo: falta de organização ( entenda-se organização como ponto de partida para decisões, medidas á curto, médio e longo prazo. Medidas que consigam reverter este estado de estagnação, de descaso, de desinteresse ... etc )!

Organização é o ponto de partida para algo. Sem ela continuaremos a ser nada e ninguém!

... mas, como respeito está na base dos valores de uma sociedade organizada, respeito a opinião de cada um, como aprecio o respeito e consideração que possuem pela minha ... mas, se preferirem ... continuem a tentar encontrar culpados, pois eu, já os conheço!

Abraços Caríssimos ... e Sucesso!



« Última modificação: 10 / Jul / 2008, 21:45 por Marcos Bras Iba » Registado
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