Política, trabalho e aprendizagens
20 / Ago / 2008, 16:52 *
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Autor Tópico: Política, trabalho e aprendizagens  (Lida 409 vezes)
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JC Duarte
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« em: 02 / Mai / 2008, 20:09 »



Poderia ter feito como em outros anos e ter ido engrossar as fileiras dos que desfilam no 1º de Maio. O meu horário de trabalho este ano, de entrar às seis da manhã, assim o permitia. Seria mais um a lutar com a minha presença, pelos direitos de quem trabalha.
Mas a emissão da manhã tirou-me a vontade. Sentados lado a lado em estúdio, estiveram os dois líderes das principais centrais sindicais a falar do dia e das razões que lhes assistem. Nem se cumprimentaram, nem se sorriram, nem se falaram. E, quando o jornalista lhes perguntou, com sofisma, para quando uma manifestação conjunta, titubearam, meteram as mãos pelos pés e deram a entender que não estava nos seus planos a curto prazo. Talvez que num futuro, distante, bem distante, se bem soube entender o que disseram e o que não disseram.
Este antagonismo mal disfarçado, se bem que por mim bem conhecido de há muito, deixou-me furioso! Porque, afinal, as posições de ambas as organizações até que são semelhantes. Diferentes mas bem semelhantes. E, juntos, obteriam bem melhores e mais rápidos resultados nas suas reivindicações.
Mas as coisas são como são e, neste 1º de Maio de 2008, não me apeteceu dar força com a minha presença a nenhum destes adversários de longa data.
No seu lugar, preferi ir ser mais um dos que se manifestaram e desfilaram, a partir do Largo de Luís de Camões, em Lisboa. Meio marginal, o evento acontecia sob o nome de May Day. O objectivo, transnacional, é dar voz específica aos que vivem com e da precariedade do seu trabalho, bem como à precariedade do seu futuro.
E, no meio daquela pequena multidão maioritariamente composta de gente nova (talvez que eu fosse o mais velho naquele espaço) vejo uma equipa de reportagem.
Com idades iguais ou ligeiramente inferiores à média dos presentes, tinham todo o aspecto de estudantes nestas coisas do audiovisual que, aproveitando o ensejo, estavam ali para fazer um trabalho prático. Bem vista a oportunidade!
E, ainda que a câmara andasse rodando de um para outro ombro, apercebi-me que as funções estavam mais ou menos bem definidas, cada um com uma tarefa definida. E, para minha alegria, o ombro que tinha a “ingrata” tarefa de carregar e apontar “o bicho”, era feminino.
Mas que alegria mesmo! Num país ainda bastante machista, onde as oportunidades de emprego definem-se pelo que há a fazer e pelo género, num país onde se fala em aplicar cotas na atribuição de cargos políticos, no lugar de deixar que os méritos falem mais alto para além do sexo, ver uma mulher segurar uma câmara no ombro e, apesar disso, ter toda a sua feminilidade patente no vestir e gesticular, é bom de ver! É mesmo bom de ver!
Que, neste ofício são raras e marginalizadas.

O que já não foi tão bom de ver foi a forma como ela e os seus companheiros seguravam o equipamento. Mão direita na objectiva, manobrando o comando de zoom, mão esquerda no visor de ocular. Claro que faltava uma mão para afinar o foco ou controlar a exposição. Para já não falar na estabilidade da câmara e no seu permanente nivelamento. Deixando de parte a fragilidade do visor, que não foi concebido e construído para ser o suporte da câmara.
Perdi então a vergonha e, tirando partido da brancura e comprimento das minhas barbas, abordei-os, tratando de ser tão afável quanto o possível, no meio daquela gente toda. E meio paternalista, lá lhes sugeri que segurassem a câmara como é suposto ser feito, dando uso prático às duas mãos. Afinal, aquilo tem sido estudado por muitos e competentes profissionais para um máximo de ergonomia e eficácia. E aquele não seria, com toda a certeza, o melhor resultado.
Para surpresa minha, dois deles reconheceram-me, que já tinham estado lá, onde trabalho e tínhamos estado um pouco à conversa, com umas dicas pelo caminho. E, em dado o recado, fomos cada um para seu lado, eles com o vídeo, eu com a fotografia, que era para isso que lá estávamos.
Mas lá no fundo, enquanto ia fazendo os meus bonecos, ia pensando no caso e ficando triste. Que eles eram estudantes da Escola Superior de Comunicação Social. E que esta, aparentemente, não lhes tinha dado a formação correcta. Porque alguma lhes teria dado, ou não lhes teria fornecido a câmara para trabalho autónomo no exterior. O mínimo que se poderia esperar seria que soubessem segurar no raio da câmara, que diabo! De uma forma segura e eficaz!
Pergunto-me que saberão eles de prático no final de três anos de estudo, pagando bom dinheiro pelo curso. Que, como ouvi e aprendi faz muito tempo, “A teoria sem prática é cega, a prática sem teoria é estúpida!”

Em qualquer dos casos, espero que o trabalho lhes tenha corrido bem e que, mais tarde ao visionarem as imagens que fizeram, se apercebam da diferença entre segurar mal e bem a câmara. Não é a “pedra de toque”, mas pode ser o que separa um trabalho sofrível de um bem feito!
E venham daí a mulheres para se agarrarem à câmara! Que só conheço duas por cá, e uma delas já nem exerce. Mostrem que isto de trabalho tem a ver com as capacidades de cada um e não com o sexo ou com ideias pré-concebidas!


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JC Duarte

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Jose Costa
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« Responder #1 em: 09 / Mai / 2008, 06:06 »

Boas.
Eu nem queria colocar aqui nenhuma mensagem. O certo é que ontem li aqui mesmo uma resposta de um outro User. Hoje, agora, tinha desaparecido. Então resolvi fazer uma experiência. Colocar aqui uma mensagem minha e depois fazer "Modificar" e deixar o texto em branco para ver se a mensagem desaparecia. O "sistema" não aceitou. Assim, tive que escrever outra mensagem, esta (fazendo "Modificar"), a relatar tal "acontecimento": o desaparecimento da anterior do outro User (que tem uma explicação, não tenho dúvidas) e o ter que deixar esta por aqui, pois não posso voltar atrás. Mas se não perceberam a história, não percam tempo a tentar entender. È o que dá ler tudo e fazer experiências.

De qualquer das formas, uma dúvida me assalta: se foi a escola que não soube dar a formação correcta, como o autor questiona, se foi os formandos que não a quiseram aceitar. È que nestas coisas, uma história pode ter várias histórias: depende de quem a conta e de quem a ouve. Boas
« Última modificação: 09 / Mai / 2008, 06:37 por Jose Costa » Registado

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JC Duarte
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« Responder #2 em: 09 / Mai / 2008, 16:32 »

É, de facto, curioso o desaparecimento desse comentário.
Sendo certo que não poderia ser eu a apagá-lo, que não tenho privilégios para tal nem, mesmo que os tivesse, não o faria, e sendo certo também que não existe nenhum tipo de censura neste fórum, resta-me concluir que o comentário foi retirado pelo seu autor.
Que, estou em crer, é um direito que lhe assiste.
Em qualquer dos casos, sempre fico curioso em saber que posição o referido user tomará, tal como deixou explícito no comentário ora desaparecido.
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« Responder #3 em: 09 / Mai / 2008, 20:25 »

Calma amigos,
Realmente fui eu próprio que apaguei o meu próprio post.
Não por censura ou auto-censura ou por qualquer outro tipo de pressão.

Simplesmente ainda não tinha chegado a uma conclusão em tempo útil e manter aquela resposta não me parecia adequada.
Às vezes precipitamo.nos e achei que era melhor o meu comentário ser logo uma explicação própria.

Eu fui aluno desta escola, e nao queria que a minha opinião fosse vista como uma defesa da instituição e seu corpo docente e um ataque aos alunos e muito menos a situação inversa.

Na verdade existem diversas razões para que situações como estas possam acontecer... ou talvez a expressão correcta seja "desculpas"...

A escola tem na verdade 4 Cursos, Audiovisual e Multimedia, Jornalismo, Publicidade e Marketing e Relações Públicas, tendo os dois primeiros a maior componente de formação audiovisual. A juntar a estes, existe tb um projecto (voluntário e não curricular) na RTP2, no âmbito do espaço universidades, o e2.
É bastante comum neste quadro, existir uma grande movimentação de equipas da escola na rua nas mais diversas produções, logo desde o primeiro ano, muitas vezes ainda sem terem tomado pleno conhecimento do correcto uso do material ou sem sensibilidade ou sequer gosto por todas as áreas, nomeadamente neste caso, de Captação de video.

Aliás é bastante comum, no curso de audiovisual e multimedia, os alunos criarem apetências ( ler Gosto) especificas nas areas de televisão e de video e outros em areas mais relacionadas com Internet e design. E mesmo sendo obrigados a fazerem trabalhos em todas estas áreas, mtos fazem.no contrariados ou sem qq vontade ou espirito de iniciativa para aprofundarem conhecimentos em todas as areas.

Existe ainda o E2, um projecto voluntário, aberto a todos os alunos independentemente do curso, que aproveitam a oportunidade experimentalista que o programa oferece para terem muitas vezes o primeiro contacto com uma camara ou o mundo da TV.
(acabei agora mm de saber que este grupo seria do ultimo ano do curso de am e a trabalhar para o e2).

Mas há muito que me preocupo com esta temática (ainda mais sabendo que são meus colegas de curso).
A Escola não é na verdade uma escola do tipo ETIC e RESTART, que produzem "técnicos". Daqui é suposto saírem jovens licenciados em comunicação audiovisual e Multimédia e não técnicos... pelo menos é o que me dizem com o qual eu n concordo sendo a escola, pertencente ao sub-sistema de ensino Politécnico. Eu até acho que bons "técnicos" licenciados são uma mais-valia para o mercado e para os trabalhos, em si!

há algum tempo que me parece que existe algo que não está a permitir uma formação audiovisual na sua plenitude.
Há algum tempo que o desinteresse dos alunos nessa área me parece não corresponder em proporcionalidade à ineficácia da forma como a formação audiovisual é dada. parecem-me ambos sempre mto superficiais.

Mas na verdade tb acho que estou a ser duro de mais para com os meus professores e colegas... porque se calhar a formação não é assim tao má. Porque se calhar tb saiem de lá mto bons profissionais nesta área. E porque na verdade aqueles que realmente se interessam pelo sector AV, procuram saber mais e trabalhar melhor. e os outros não tão bons em AV,acabam por ser bons noutras áreas, como por exemplo na internet, na produção ou em aplicações interactivas, guionismo ou design.

Este é um assunto que me toca directamente e no qual tenho alguma dificuldade em falar ou analisar, porque guardo mto carinho pela escola e nunca ninguém se negou a ensinar-me mais ou a ajudar-me a esclarecer as minhas dúvidas. E eu também gostava de, certamente, com o pouco que sei dar uma ajuda aqueles que escolhem o caminho que também eu escolhi, e poder tb passar-lhes um pouco da minha "pouca" experiência neste meu inicio de carreira : )



 


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