As melhores cassetes miniDV
22 / Nov / 2008, 18:43 *
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Autor Tópico: As melhores cassetes miniDV  (Lida 901 vezes)
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Mário Rui
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« em: 19 / Jul / 2008, 18:57 »


Bom dia, boa tarde ou boa noite (conforme a hora e o local em que me estiverem a ler),

Gostava de lançar este tópico para discussão no fórum, por me parecer um assunto ainda pouco discutido. Ou seja, podemos ter a melhor câmera do mundo, mas se não tivermos "fita" não vamos conseguir fazer nada (exceptuando, obviamente, as câmeras que funcionam com outro tipo de registo).

Assim, gostava que pudessem ser expressas aqui as mais diversas opiniões sobre este assunto.

O meu pequeno contributo: uso as SONY Digital HD Video, as SONY Premium e MAXELL Professional M63Master.
A Sony Premium foi-me desaconselhada pela Emílio Azevedo e Campos, em contra-partida já li aqui no fórum que um user as utiliza e está satisfeito com elas. A Maxell foi-me aconselhada pelo Bazar do Video. Sinceramente, não consigo notar diferença na qualidade de imagem registada por cada uma delas. Bem sei que a qualidade de uma cassete não tem a ver só com a imagem, outros factores também importam.

Gostava de saber a vossa opinião.

Obrigado a todos.
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Marcos Bras Iba
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« Responder #1 em: 20 / Jul / 2008, 03:11 »

Saudações meu Caro Mário Rui!

Está aí mais um dilema: que Cassetes usar?

De minha parte, utilizei ao longo dos anos fitas de diversas marcas e, sinceridade ( mesmo ), não percebi diferença alguma ( exceto a questão dos drop's que nas "Panasonic e TDK" sempre me ocorreram em maior quantidade ), não notei diferença que justificasse optar por esta ou aquela marca. Certo também que não sou especialista em "medição de qualidade" e muito menos equipamentos possuo para esta "medição", mas, tenho feito "vistas grossas" às "receitas malucas" que alguns representantes comerciais a mim tem dito. Ouvi de tudo um pouco. " ... olha ... estas são melhores que aquelas ... ou aquelas são isto ou aquilo ... ".

De uns tempos para cá tenho utilizado as Cassetes sugeridas pelo fabricante da Cam que estou a utilizar ... e mais nada! A bem da verdade, no momento, utilizo Cassetes apenas por medida de segurança ( backup ) ... optei pela gravação em Hard Drive ... então ... já não me "preocupo" com esta situação.

De qualquer forma, deixo o link de uma série de post's dos Colegas cá do Fórum. Falam das experiências que tiveram com esta ou aquela Cassete. Talvez ainda não os tenha lido ... !

www.portugalvideo.com/component/option,com_smf/Itemid,181/topic,1142.msg4921#msg4921

Abraços e Sucesso!
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Mário Rui
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« Responder #2 em: 20 / Jul / 2008, 06:18 »


Obrigado Marcos Iba pela informação sobre o tópico já existente e que eu desconhecia.

No seguimento do seu post, gostava de referir que conversa de vendedor é fogo mesmo. O ideal é estarmos esclarecidos e informados sobre o assunto antes de "enfrentá-los", porque muitas vezes o "conselho" deles é baseado no seu interesse comercial que pode nada ter a ver com o interesse do cliente. Apesar da pouca experiência que tenho nesta área, já deu para perceber isso. Curiosamente, no meu caso, os produtos/equipamentos "aconselhados" pelo(s) vendedor(es) existem sempre em stock e os que eu pretendia teriam de ser encomendados e não sabiam quanto tempo demoravam a chegar. Dá para perceber.

Entretanto li o tópico por si indicado sobre as cassetes miniDV e fiquei mais esclarecido.

Obrigado.
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Jose Costa
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« Responder #3 em: 23 / Jul / 2008, 15:49 »

Boas.
No tempo do VHS, S-VHS e HI-8, a utilização desta ou daquela marca ou modelo de fita tinha impacto na imagem que eu observáva no monitor. O detalhe, a nitidez, a côr,... era diferente de uma para outra fita, em maior ou menor grau, e por vezes era imperceptivel. Mas estamos a falar de gravação analógica...

Nesta era digital, o método de gravação difere do anterior, pelo que já não se pode tanto falar de qualidade de imagem gravada, mas de interferencias observádas. A qualidade da imagem já não depende tanto da qualidade da fita, mas do formato ou codec utilizado.

Nas fitas de melhor qualidade não acontecem tanto os dropouts, que provocam a pixelização da imagem. E sobre este assunto, já por aqui escrevi. Mas isso não significa que utilizar esta ou aquela fita seja indiferente, pois existem diferenças.

Pessoalmente utilizo as fitas Sony Premium DV, quer em gravação mini-DV quer em gravação DVCAM. E já o faço á uns três ou quatro anos sem ter motivo de reclamação. Inicialmente utilizei as da TDK, mas tive vários problemas com o acontecimento de dropouts. Mas aqui um reparo: só utilizo as Sony Premium DV uma vez, nunca faço gravaçôes por cima. Pelo que não me posso pronunciar pela regravação constante nas mesmas fitas. Não sei se seriam tão fiáveis em tais situaçôes, acredito que não. Mas gravando só uma vez nas Sony e outra nas TDK, as TDK dão-me problemas.

Já nas regravaçôes (gravar por cima), utilizo as Sony Digital Master. Já regravei 4-5 vezes e sem problemas, mais do que isso nunca experimentei.

Quanto á questão dos vendedores, que me desculpem (os vendedores) mas... não é possivel ser-se isento quando se é parte interessáda num negócio.

O representante da Sony profissional em Portugal desaconselha-me vivamente a utilização das Sony Premium. Por vários motivos. Mas a experiência diz-me exactamento o oposto. Não sou eu que sei mais do que eles, mas o meu método de trabalho é diferente do método de trabalho que eles "defendem". O mercádo deles é um mercado em que as fitas são regravadas por cima várias vezes, com tempos de pausa entre gravaçôes muito grandes (com o tambor em funcionamento), com constantes avanços e retrocessos de fita entre gravaçôes, etc. E nestes casos, efectivamente as Sony Digital Master são melhores que as Premium. Mas eu só utilizo as cassetes uma vez, a fita não fica muito tempo em pausa (alguns segundos apenas) e poucos ou nenhuns avanços e retrocessos. E nestes casos, as Premium servem-me muito bem. Sem contar com o factor preço, que tem a sua importancia. Mas mais um reparo: só me estou a referir a gravação em SD. No HD, não me posso pronunciar. Boas.
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« Responder #4 em: 23 / Jul / 2008, 22:49 »

Partilho do método do José Costa, pois é o mesmo que utilizo à pelo menos 5 anos. Estranho que tenho exactamente o mesmo relato em relação ás TDK. Parece que não aconteceu só comigo, desde que uso Sony Premium DV tudo corre bem e sem drops-outs, pois também só as utilizo uma vez. Uso as Sony Digital Master, quando o cliente é exigente e paga por elas.

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No HD, não me posso pronunciar

Neste aspecto posso também falar por experiência, gravo ultimamente (desde 2007) todos os meus trabalhos em HDV mesmo que o trabalho final seja para DVD, (as diferenças notam-se) e até hoje só tive um ou outro drop-out numa gravação HDV, que por sorte não eram imagens de importância relevante. Mas lá está depende do cliente em questão e dos valores do trabalho envolvidos, acima de tudo posso considerar positiva a utilização das Sony Premium DV a gravar HDV. Só à um pequeno pormenor a ter em atenção que tenho reparado, é não deixar a cassete ir até ao fim, que normalmente não são 60m mas sim 63m e ás vezes até 64m. O que aconselho é trocar logo de cassete mal apareça na camera o sinal de aviso de fim de fita. Isto porque tenho experimentado alguma "inconsistência" na captura dos clips em HDV a partir desse ponto. Porque um drop-out em HDV 1080i são logo 15 Frames que vão à vida.

A questão dos vendedores depende de cada comercial, à dias fui comprar Sony Digital Master HDV, e o vendedor admitiu que o seu valor é bastante elevado comparando para o preço das Sony Premium DV, que também vendia. Só lhe disse que comprava as Sony Digital Master HDV porque o cliente pagava e ele disse que realmente as Sony Premium são imbatíveis na relação custo/benefício. E não me as desaconselhou, mas para ter atenção ás regravações.

Fica aqui o meu contributo.
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« Responder #5 em: 24 / Jul / 2008, 02:55 »


Grato pelas opiniões emitidas, gostava de dizer que ou é sorte de principiante, sorte por (ainda) não ter "abusado" das fitas ou sorte por nunca ter utilizado cassetes TDK, mas acho que nunca me aconteceu um drop ou drop-out (deduzo que também haverá drop-in). Para ser sincero, nem sabia o que era isso, mas pelos post's entretanto aqui colocados apercebi-me que são interferências que provocam pixelização (imagino qualquer coisa como se a imagem tivesse sido demasiado ampliada). Espero que um dia também possa dizer: bolas, tinha logo que aparecer um drop nesta cena.

Como já referi na abertura do tópico, uso as SONY Digital HD Video, as SONY Premium e MAXELL Professional M63Master, gravo sempre em HD e nunca tive problemas com elas. Algumas Premium já têm três utilizações e... no problem. Os problemas que tenho tido são comigo mesmo e com o meu mau feitio quando estou a queimar fitas.

Entretanto, no seu post, José Costa afirma "...a qualidade da imagem já não depende tanto da qualidade da fita, mas do formato ou codec utilizado". Mais uma novidade para mim (ou talvez não). Já ouvi falar muito por aqui em codec's, mas com toda a humildade confesso que isso é chinês para mim. Deduzo que será por eu editar em Mac e por isso nunca tenha precisado de codec's, mas não tenho a certeza de estar a deduzir bem. Já tenho cerca de duas dezenas de horas de trabalhos editados e nunca precisei de codec's ou então passa-se tudo de uma forma automática que eu nem me apercebo de codec algum. Gostava que algum companheiro de fórum me esclarecesse nesta ignorância.

Obrigado a todos.
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« Responder #6 em: 28 / Jul / 2008, 23:47 »

Boas.
Quanto ás questôes neste último Post, vamos por partes:

Drop-in: não existe Drop-in, só Drop-out.

O que é um Dropout? Para compreender o Dropout, creio ser interesante saber como é feita uma cassete video. Então é da seguinte forma: alguém compra uma quantidade consideravel de fita adesiva, também chamada de fita-cola. Na face colante, aplicam uma especie de pó de ferrugem, calcando-o para que adira bem á fita-cola. Os rolos vão então para uma qualquer fábrica na China, aonde uns homenzinhos de olhos em bico, munidos de folhas de lixa extra fina, lixam o pó de ferrugem até que fique lisinho. Depois, e porque á que reciclar, aplicam um pouco de óleo de motor queimádo na fita, como lubrificante. Cortam na medida, metem dentro de umas caixas de plástico e ai têm as vossas cassetes video.  Boo hoo!

Agora a questão dos Dropouts. As cabeças de video dos gravadores e das câmeras roçam em cima da fita. Por um processo electromagnético, os sinais video são gravados na fita. Nuns sitios o pó fica magnetizado, noutros não. Estas variaçôes magnéticas são o principio da gravação video. Na leitura, as magnetizaçôes são convertidas em sinais eléctricos. Como existe atrito entre a fita video e as cabeças dos gravadores/leitores, tanto na leitura como na gravação, é possivel que alguns bocados do pó se soltem da fita, quer por o trabalho de colagem ter sido mal feito, quer por terem utilizado uma fita-cola das mais baratas (as fitas boas utilizam a Tesa e as fracas utilizam a marca Roscof  Think ). Como falta um bocado do pó, falta a informação correspondente que devia estar gravada nessa bocado. Assim, este processo de soltura de material magnético é chamado de Dropout.

Quanto ás interferencias, nos chamados formatos analógicos o mais comum era os riscos horizontais que surgiam na imagem. Nos formatos digitais, o mais comum são as pixelizaçôes que surgem na imagem, aqueles quadradinhos uns maiores outros mais pequenos que surgem e que nada têm a ver com a imagem em si. Estas interferencias, originadas pelos Dropouts na fita, chamam-se de pixelizaçôes no digital, mas o pessoal continua a chamar-lhe Dropouts.  O que já deu origem a um tópico por aqui.

"Espero que um dia..." - Não queira que esse dia chegue. Pode-lhe estragar o dia.

Codecs: existem em "formato" hardware e software, assim como hibridos. Codecs não são mais que processos de conversão de um formato video noutro, ou de conversão de um tipo de dados noutros. Normalmente os codecs baseádos em hardware são mais rápidos que os de software, razão pela qual eles (os por hardware) são mais utilizados no processo de conversão de um formato para outro através de placas (ou de dados para outros) pois a gravação exige mais processamento que a leitura.

Âo contrario do que possa pensar, o MAC também utiliza codecs, assim como o PC. O que se passa é que eles (os mais comuns) estão embutidos no Sistema Operativo e/ou no software dos programas. Por exemplo, o codec DV já está embutido no próprio sistema ou no hardware, enquanto que para visualizar um filme num formato menos comum o mais certo é ter que instalar o respectivo codec. O Final Cut edita nativamente ficheiros MOV, mas se quiser editar por exemplo ficheiros do Avid já tem de utilizar um plug-in, o que não é mais que a instalação do respectivo codec, mais algum software de controlo. Boas.

P.S. Os homenzinhos de olhos em bico que me desculpem a expressão, mas não tenho nada contra eles. Quanto á construção caseira das cassetes podem tentar, mas não aconselho.  Shame on you Dá muito trabalho. Eu sei porque já experimentei.  Laughing
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« Responder #7 em: 29 / Jul / 2008, 11:11 »


Obrigado José Costa pelo esclarecimento e pelo tempo disponibilizado. Acho que tenho tido sorte com os chineses que fazem as minhas K7's. E quanto aos codecs... I love Mac.
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« Responder #8 em: 29 / Jul / 2008, 17:46 »

Boas.
Sobre este tema, Dropout ou Drop-out, achei ser interessante disponibilizar aqui um artigo escrito pelo editor da revista "Produção Profissional", João Martins, artigo esse que esteve inicialmente programado para sair numa das ediçôes da revista no inicio de 2007. Entretanto, e por razôes que creio ser de ordem editorial (falta de espaço nas ediçôes) acabou por ficar na prateleira. Como aliás deve acontecer com tantos outros, tantos são os assuntos relacionados com o meio profissional e não ser  possivel editá-los todos.

È um artigo bastante longo, algo técnico, mas de linguagem acessivel, que na pessoa de João Martins teve a amabilidade de me enviar por e-mail. Aconselho vivamente a ler, a todos quantos se interessam por esta temática. Boas.

Segue então a transcrição do e-mail, em que foi só apagádo a parte de indole particular, pois não interessa a terceiros:

+++++++

Dropout - do analógico ao digital

O termo dropout surgiu na era da gravação em videotape (cassete de vídeo) analógica e tornou-se - infelizmente - rapidamente familiar a todos os profissionais do vídeo.

Inevitavelmente, um sistema de gravação/leitura de fita magnética, funcionando como qualquer dispositivo electrónico e com mecanismos de alta precisão que exigem altas velocidades de rotação e originam estática, atraem partículas microscópicas de poeira e sujidade. Por outro lado, a própria natureza da fita magnética, com as suas diferentes fórmulas de ferro e metais, é propícia a que ocorram eventualmente erros resultantes da má distribuição das partículas, por defeito, excesso ou ausência, qualquer uma delas causando problemas. O termo dropout, em si mesmo, surgiu do facto de estas poeiras e sujidades, ou a má distribuição da camada magnética provocarem ou agravarem “buracos”, originando problemas de vídeo bastante graves.

Outra fonte comum de dropouts são os danos provocados na fita através de dobras, vincos ou impressões digitais, o que obrigou a que rapidamente se desenvolvessem sistemas de cartridge de protecção e se desaconselhassem as práticas de “corte e cola” inspiradas no filme e que se mantiveram tradição no áudio, por exemplo. Ainda hoje, é por isso que não se recomenda a gravação nos primeiros minutos das cassetes, assim como nos últimos, porque é aí que existe maior probabilidade de ocorrência de dropouts.

Estas questões já eram conhecidas nos primeiros gravadores de áudio em fita de arrasto, sendo por isso frequente que os gravadores tivessem que ser cuidadosamente limpos com líquidos apropriados, material anti-estático e mesmo desmagnetizadores. Felizmente, na gravação de som, os problemas de poeira, sujidade, ausência ou acumulação de partículas magnéticas na fita de áudio originavam essencialmente ruído e deterioração das cabeças de gravação mas raramente comprometiam toda a gravação, já que o seu efeito era mínimo sobre o sinal gravado (em circunstâncias que se podem considerar normais).

Na gravação vídeo analógica o efeito causado pela ausência de partículas magnéticas num determinado segmento de fita, a acumulação de partículas e sobretudo a sujidade que fazia com que as cabeças não conseguissem reconstituir a sequência do sinal, era bastante mais dramático. Podia ser uma simples fonte de ruído na imagem (linhas ou constelações de pontos brancos mais luminosos) perda total de linhas de exploração ou, com um efeito mais visível, fazer perder toda a informação de sincronismo que permitia reconstituir os quadros/campos do vídeo, provocando grandes saltos na imagem. Nos primeiros anos da gravação em vídeo, esses efeitos eram de certa forma minorados pela distribuição do sinal num fita de grandes dimensões - 2 polegadas e 1 polegada - a alta velocidade mas que, quando ocorriam, faziam falhar por vezes toda a cadeia de sinal ou transmissão. Razão pela qual os primeiros magnetoscópios de vídeo (Quad, formato B e formato C) tinham normalmente associado um corrector de base de tempo (vulgo TBC) e um analisador de forma de onda. Nos magnetoscópios mais recentes da era analógica existiam já circuitos electrónicos de compensação de dropouts (dropout compensator ou DOC) os quais detectavam a presença do problema através de uma cabeça de leitura que antecedia a de gravação, normalmente substituindo a informação da linha de vídeo afectada com a linha do quadro precedente. A capacidade destes circuitos que normalmente estavam associados à memória de buffer (digital) dos TBC, era no entanto limitada a dois ou três quadros.

Com a transformação da gravação analógica de vídeo num suporte portátil para recolha electrónica de notícias (ENG) e a adopção generalizada de formatos como o U-Matic e, mais tarde do Betacam, as questões relacionadas com os dropouts na gravação profissional mantiveram-se e agravaram-se, obrigando a aperfeiçoar fórmulas de fita com partículas de menor dimensão e maior densidade, maior factor de coercividade (magnetização) e protecção da fita num invólucro de plástico (vulgo cassete).

As organizações que trabalhavam com grandes quantidades de cassetes de vídeo, tal como os duplicadores de material VHS ou as próprias estações de televisão, eram obrigadas a proceder à inspecção por amostragem das fitas virgens chegadas da fábrica, recorrendo muitas vezes a sistemas de limpeza e uniformização da camada magnética, de forma a evitar que ocorressem dropouts. Nas estações de televisão, o elevado desgaste provocado por exemplo pelas camcorders ENG e pelos VTRs usados em edição A/B roll, que frequentemente ficavam em pausa com a cabeça encostada à fita durante longos períodos de tempo, tornavam necessário separar cassetes de ENG e edição das restantes cassetes usadas para arquivo, tal era a quantidade de erros e dropouts. Ao desmagnetizar (apagar) cassetes vídeo usadas, os equipamentos profissionais (tipo RTI TapeCheck) aplicam uma lâmina de safira ou diamante que consegue homogeneizar a camada magnética, fazendo com que esta se comporte, por vezes, melhor do que quando virgem. Por isso mesmo, estações como a BBC, antes de colocarem as cassetes em uso, obrigam a que estas sejam verificadas num aparelho deste tipo.

Para evitar a ocorrência de dropouts, de modo genérico, a solução consiste normalmente em verificar sempre as cassetes antes de as utilizar/reutilizar, pré-gravando sinais como barras ou negro com código de tempo LTC e tons de teste no áudio (1000 Hz) (prática conhecida como 'blacking' ou 'striping' e que não é recomendável para gravação digital), o que permite resolver uma grande parte dos problemas de origem na fita (assim como identificar outros mais graves). Uma boa prática é também a de utilizar sistemas apropriados de limpeza das cabeças, recomendados pelos fabricantes e seguindo as instruções destes. Quando um VTR de qualquer tipo apresenta sérios problemas de dropouts que não desaparecem com uma cassete de limpeza, é de evitar experimentar ler outras cassetes gravadas, pois pode ser a cabeça que está a gerar o problema e é aconselhável enviar a máquina para manutenção para, em caso disso, substituir o tambor. Regra geral, todos os procedimentos de limpeza de tambores e cabeças de magnetoscópios devem ser efectuados exclusivamente por centros técnicos autorizados.

Cuidados especiais devem ser sempre aplicados quando se reproduz uma cassete que esteve armazenada durante um longo período de tempo. Regra geral, a longevidade das cassetes de vídeo analógicas, em formatos profissionais ou de consumo, não ultrapassa os 15 anos, dependendo muito do local e condições de (estabilidade de) temperatura e humidade em que são armazenadas. As cassetes armazenadas devem ser reproduzidas de tempos a tempos (uma vez a cada dois ou três anos, por exemplo), já que isso permite reduzir a incidência de problemas resultantes de armazenamento prolongado e permite detectar problemas de arquivo com antecedência. Qualquer cassete gravada começará inevitavelmente a apresentar problemas de consistência da camada magnética ao fim de alguns anos, os quais se tornam visíveis através de dropouts. A única forma de minorar o problema será transcrever regularmente o material em arquivo para um formato mais actual, nomeadamente em digital, evitando formatos com elevado grau de compressão.

Com a evolução da gravação vídeo tanto nos formatos domésticos como profissionais, as fórmulas de fita magnética de maior densidade permitiram reduzir bastante a ocorrência de problemas de dropout. No entanto, as fórmulas de partículas de metal, sobretudo as adoptadas nos formatos de gravação vídeo digital nos anos noventa, obrigaram também a que os sistemas de cabeça desses magnetoscópios se tornassem bastante mais sofisticados, gerando campos magnéticos bastante mais fortes, os quais tornaram ainda menos flexível a escolha de fórmulas de fita por parte do utilizador. Desde o lançamento do formato Digital Betacam e do Betacam SX, quase sempre, o lançamento de um novo modelo de magnetoscópio coincidia com uma alteração na fórmula magnética da fita, track pitch, velocidade e coercividade da gravação, obrigando à utilização de um tipo específico de cassetes, apropriado a esse novo formato/modelo. Um dos objectivos deste procedimento era também o de minorar o problema de dropouts.

Mesmo no formato DV, mais popularizado a nível de consumo, são frequentes os problemas originados com novas fórmulas de fita introduzidas pelos fabricantes, apesar de estes muitas vezes afirmarem o contrário. Tal como noutras coisas na vida, regra geral, as fitas DV mais baratas originam mais problemas, enquanto as fitas mais caras, sobretudo as que são comercializadas para master e arquivo são as que dão menos problemas. No DV é também de evitar usar fitas antigas, pois as especificações têm-se alterado tanto que muitas vezes ocorrem problemas complicados de detectar e resolver. É por isso que algumas cassetes MiniDV têm chips que registam as suas utilizações e avisam os utilizadores que as quiserem reutilizar mas, por serem mais caras, não são muito comuns.

Quando se introduziu a gravação de vídeo digital em fita, muitos fabricantes apresentavam como benefício a ausência de dropouts entre os principais argumentos para vender esses equipamentos. No entanto, de forma alguma a gravação de vídeo digital está isenta dos problemas que são inerentes à própria fita magnética.

O facto de os sinais analógicos se transformarem em dados codificados numa estrutura de bits (zeros e uns), tornou possível que se apliquem diferentes técnicas de correcção de erros - algumas das quais já existiam e eram aplicadas na transmissão de sinais digitais e até mesmo nos circuitos de correcção dos correctores de base de tempo - as quais permitem “disfarçar” ou corrigir completamente esses problemas. Mas isso não quer dizer que os dropouts na fita tenham desaparecido. Pelo contrário, o facto de o vídeo digital tornar possível “disfarçar” esses erros, faz com que muitos profissionais se esqueçam dos cuidados que tinham com as fitas analógicas, quando na verdade as características do suporte não mudaram e os dropouts estão lá; o efeito visível é que se alterou.

Hoje em dia os sofisticados sistemas de correcção de erros estão presentes em todos os equipamentos de gravação digital mas, como acontece por exemplo numa camcorder DV, a sua capacidade para resolver problemas durante a gravação e a reprodução é distinta e limitada. Os problemas mais comuns que podem ser resolvidos incluem pequenos dropouts, erros de velocidade, erros de impacto e erros de cor. No entanto, todos estes erros - bastante frequentes numa camcorder doméstica ou compacta - exigem dos circuitos digitais de processamento da câmara que todos os recursos existentes para corrigir ou disfarçar os seus efeitos visíveis sejam usados ao máximo. Quando ocorre um erro sério na fita, por exemplo, o número de erros excede rapidamente a capacidade desses circuitos e a gravação pode mesmo parar. O efeito de acumulação desse número drástico de erros é, normalmente e para protecção do sistema, apenas negro. Quando o número de erros excede a capacidade de processamento de informação mas, ainda assim, a sua curta duração permite a recuperação da informação essencial, podemos então observar os diferentes tipos de erros comuns à gravação vídeo digital e que dependem muito do formato de dados.

Num formato de vídeo sem compressão ou com pouca compressão, o erro manifesta-se precisamente pela degradação da resolução total, agravando o ruído da imagem, provocando o aparecimento de cores saturadas e brilhos mais intensos nas zonas mais claras - o que se assemelha ao efeito provocado por uma redução na resolução da informação (de 24 para 8 bit, por exemplo) - ou “solarização” da imagem. Quando o formato de vídeo digital em questão utiliza um tipo de compressão específico - tal como o DV ou o MPEG nas suas variantes - podemos assistir às chamadas “explosões de pixels” ou pixelização parcial e total da imagem, com ou sem o congelamento da imagem (a que se segue o negro em casos mais graves). As degradações na imagem e efeitos resultantes especificamente de dropouts na fita magnética são bastante bem disfarçados no vídeo digital e, na sua expressão mais simples, resultam em constelações de pontos negros (em vez dos brancos e luminosos do analógico), “chuva” de pontos mais escuros, quadrados ou rectângulos negros de dimensão variável, linhas negras ou mesmo a divisão seccionada da imagem em “fatias” horizontais que se atrasam no display. Mas tudo depende em muito do tipo de compressão usada (codec) e do tipo de correcção de erros existente no processamento, antes e depois da cabeça de gravação.

Regra geral, os erros equivalentes que decorrem ao nível do áudio não são audíveis, já que os circuitos de protecção anulam normalmente o sinal após a primeira ocorrência (se for audível será de tipo curto assobio).

A razão principal para termos de considerar a existência de dropouts de fita mesmo na gravação digital em magnetoscópios prende-se com o facto de que estas máquinas não se alteraram no fundamental em relação ao vídeo analógico. Nos VTRs digitais continuam a existir cabeças helicoidais, servo motores, tambores e delicados mecanismos de tensão e transporte da fita, de cujo funcionamento podem resultar dropouts. A diferença está apenas no processamento do sinal quando convertido para digital. Na verdade, se não existissem mecanismos adicionais de verificação prévia e correcção digital de erros, os resultados de um simples dropout de fita, poderiam ser simplesmente desastrosos para a imagem, quando comparados com os do vídeo analógico.

Para que isso não aconteça, os diferentes sistemas utilizam todas as técnicas possíveis para minorar o problema, desde a forma como os dados são analisados previamente (outer error correction), depois reorganizados em diferentes blocos, de forma a evitar erros sequenciais graves (shuffle), por antecipação (forward error correction) e após a codificação (inner error correction).

Uma vez que as variações (flutuações) dos sinais eléctricos e o processo de calibração do sistema de cabeças magnéticas à própria fita (bias) não surtem efeito directo sobre a organização, gravação e reconstituição dos dados (dentro de parâmetros muito mais tolerantes do que na gravação analógica) num gravador digital de fita, tudo depende mais da precisão da cadência dos dados registados, assim como da informação de timing associada aos sinais para a sua conversão e reprodução correcta. Desde que os processos originais de codificação, sejam revertidos exactamente na sua descodificação, os resultados serão exactamente iguais. Daí que será da capacidade de antecipação e correcção de erros resultantes de qualquer eventual perda de informação que dependerá a maior ou menor imunidade aos dropouts da fita.

É também por isso que, na gravação digital em fita, é mais fácil resolver problemas de arquivo, já que a transcrição atempada de cassetes mais antigas permite normalmente obter réplicas exactas, ou muito aproximadas, do material original. Da mesma forma, o restauro digital de gravações antigas, afectadas por dropouts, é normalmente um processo eficiente, onde sistemas como os da Snell & Wilcox, Teranex ou Digital Vision (entre outros), utilizam a análise vectorial de cada campo e cada quadro para reconstituir qualquer ausência de informação com segmentos equivalentes do quadro mais próximo em boas condições.

Existem outros erros comuns à gravação vídeo digital que resultam de outros factores - tal como a acumulação de jitter ou o bloqueamento do processo de compressão/descompressão de dados por sobrecarga (provocando normalmente o congelamento da imagem) mas a esses fenómenos não se pode atribuir a designação de “dropouts”. Tal como, da mesma forma, alguns profissionais chamam erradamente “dropout” a uma falha de sinal num sistema de feixe digital ou em qualquer sistema de transmissão. Se isso acontece é apenas porque o efeito visível da quebra ou ruído no sinal se assemelha por vezes àquele que resulta de um verdadeiro dropout de fita.


Em conclusão
O termo dropout nasce e está associado à gravação vídeo em fita magnética, seja ela em domínio analógico ou digital. Em analógico caracteriza-se por um efeito de ruído visível na imagem (bem característico) através de pontos brancos e brilhantes, enquanto em digital pode resultar em fenómenos variáveis que dependem da existência ou não de codecs de compressão, circuitos de correcção de erros, etc. Estes fenómenos são visíveis através do aparecimentos de pontos negros em parte da imagem, chuva de pontos negros na imagem, pixelização de partes da imagem (macroblocos), redução da profundidade de cor, aparecimento de quadrados negros ou mesmo congelamento da imagem e negro total, nos casos mais graves. No entanto, resultam sempre dos mesmos problemas tal como a existência de partículas de poeira ou a má distribuição da camada magnética onde a informação está registada.

Será curioso verificar, uma vez que estamos cada vez mais a usar gravação em ficheiros com suportes de disco ou memória e estamos prestes a deixar a gravação em fita para trás, se o termo “dropout” se irá manter por muito mais tempo na gíria técnica dos profissionais do audiovisual. É certo, por exemplo, que também os discos magnéticos dos discos rígidos podem conter zonas com deficiências ou “dropouts”. No entanto, o sistema de organização dos dados num disco rígido, quando se detectam problemas desse tipo, identifica e isola rapidamente a zona afectada, não a considerando para armazenamento. O efeito desse tipo de defeitos nos discos rígidos é a perda directa de dados e não qualquer artefacto visível numa sequência de vídeo, por exemplo.

 
Alguns sites com informação sobre o armazenamento e preservação de material de arquivo em filme, videotape e recuperação de imagens através de processamento digital.

acvl
amianet
snellwilcox
digitalvision
rtico

 
Um bom artigo sobre videotape

lionlmb

onde consta alguma bibliografia sobre o tema

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« Responder #9 em: 29 / Jul / 2008, 20:49 »

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« Responder #10 em: 29 / Jul / 2008, 23:19 »


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5 Estrelas este artigo!

Diria mais. Um artigo sem drop's!

Obrigado José Costa (e também ao autor).
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« Responder #11 em: 20 / Set / 2008, 09:50 »

Alguém conhece estas mini-dv?



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