Marcos Bras Iba
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« Responder #17 em: 23 / Out / 2008, 19:19 » |
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Saudações Caríssimos!
José Costa: maravilhosamente, os seres humanos possuem características que os possibilitam ver coisas diferentes à partir de um mesmo objecto, de um texto, de uma mensagem.
Contudo, esta característica não nos torna mais ou menos inteligentes, espertos, cultos, preparados; torna-nos humanos! Também, Isto não quer dizer que a minha visão ou a de outrem à cerca de determinado assunto esteja certa ou errada. Obviamente, do ponto de vista de quem escreve algo, esculpe, desenha – enfim, produz algo – as avaliações e/ou interpretações possam ser consideradas equivocadas ... mas isto do ponto de vista do autor, não de quem as interpreta.
Quando compilei a referida publicação da revista Lux Woman, o fiz com a intenção de advertir aos Colegas sobre um fenômeno conhecido por poucos ( infelizmente ) mas que afeta directamente os rendimentos de alguns segmentos do mercado fotográfico profissional. Este fenômeno chama-se “Organização de Profissional’ de Eventos”. Afeta um segmento da fotografia e vídeo acostumado a reportar eventos realmente selectos. Eventos disputados por “afamados” ( e também disputadíssimos ) fotógrafos e cinegrafistas.
Afinal: o que é “Organização Profissional’ de Eventos”?
Antes, é preciso explicar que ( aos que não saibam ) o mercado de Eventos Sociais é um mercado emergente em diversos países ( talvez não em Portugal ). É um mercado realmente lucrativo que movimenta centenas de milhares de dolares todos os anos. Um mercado até bem pouco tempo atrás, “pouco” explorado – pouco explorado não somente pela fotografia e pelo vídeo, mas por diversos outros segmentos comerciais – Buffet’s, Paisagistas, Decoradores, Iluminadores, Sonopástas ( etc ).
Adiante - A realização de um casamento, um baile debutantes, um “jantar” de noivado ( dentre outros ), era uma obrigação familiar, ou seja: encarregavam-se dos preparativos, encomendas, contratações ( etc ), a tia, a irmã ( etc ). Bem, sem preparo algum, faziam as coisas consoantes seus conhecimentos e gostos pessoais – e poder aquisitivo - fundalmentalmente.
Atualmente, em alguns segmentos da sociedade ( principalmente aos mais abastados ), terceirizaram-se as responsabilidades. Já não são os famíliares ... os amigos dos amigos das amigas a contratar ... a investigar. Existe atualmente ( e repito: talvez não em Portugal ), um grande número de empresas e profissionais encarregados da Organização Profissional de Eventos Sociais ( os/as ditas Promoters ).
São estas as empresas/pessoas que alguns dos mais bem pagos Fotógrafos ( e não só ) estão fadados a “negociar”. Vezes sem conta ( assim como acontece no vídeo ), fotógrafos dirigem-se às sessões para a confecção de fotos para os Convites, para Banner’s ( etc e por exemplo ) ... sem nunca terem contactado pessoalmente com seus “patrões” – os protagonistas dos referidos eventos. Isto acontece porque já não são mais os fotógrafos a lidar diretamente com os clientes. Esta responsabilidade agora é das ditas/ditos Promoters.
Bem, vou repetir para que fique muito bem esclarecido: Esta não é uma prática realmente muito conhecida e habitual em Portugal. Embora estejamos no “primeiro mundo”, esta situação ainda não é lá muito frequente ( o que encaro de forma positiva e na expectativa de que nunca por cá se torne usual ). Bem, de volta à revista Lux -
Quando compilei a publicação em questão, julguei que todos conseguiriam ver ou perceber seu significado. Isto não aconteceu.
Não sou crítico de revistas do gênero, embora tenha opinião formada ( à qual reservo-me ), mas esta conceituada revista é antiga conhecida dos Profissionais da Fotografia ( e do Vídeo ). Isto digo porquê, via de regra, estas colunas ( bem como a sua supervisão ) são construídas à partir da opinião de pessoas diretamente ligadas ao movimento da “Organização Profissional de Eventos”. Partindo deste pressuposto, são matérias tendenciosas que buscam única e exclusivamente “vender subjetivamente” este mesmo produto, ou seja: a “Organização Profissional de Eventos”.
E, para que fique realmente evidenciado o que afirmo, recorro ao exemplo de revistas especializadas de autos ( por exemplo ). Quando publicam na revista 4Rodas ... ou AutoMotor ( por exemplo ) ... que os acabamentos internos da Ferrari F40 são de má qualidade, obviamente estão a buscar atingir um público realmente específico. Não estão interessados nos consumidors de Mono-volumes populares ... mas sim, dos poucos e selectos clientes dos Ferrari, Lamborguini, Lotus ( etc ).
Assim também, a revista Lux, não está interessada em Eventos cujo menu seja composto por churrasco+loira+pudim- flan. O que “eles” buscam é o que “todos” buscamos: ‘Estar aonde está o dinheiro’, ou seja, atingir as “classes mais altas da sociedade”!
Bem, talvez o José Costa ( ou ainda algum outro User ) não esteja directamente ligado a alguma experiência com as ditas Promoters.
Posso adiantar-vos que, para além das dificuldades triviais em se tratando de fotografia e vídeo durante a realização de um Evento Social ( que diga-se de passagem são muitas ) ... temos ainda mais uma “lista de coisas a não fazer. Antes, durante e depois dos eventos”.
Para simplificar, consta nesta “listinha da Promoter que à nós recorre”, ítens como “valores cobrados pelos serviços” – dentre uma série de limintações “geográficas e comportamentais”. Talvez os Caríssimos leitores deste post não consigam à partir dos meus escritos “viver” as dificuldades impostas pelas ditas Promoters, mas, adianto-vos, ser realmente frustrante e em alguns casos “pouco lucrativo”. Em resposta aos que possam neste momento pensar: “mais então porque raios este Fotógrafo ou Cinegrafista não manda esta Promoter dar uma curva?
- Respondo-vos:
- Porque a revista Lux diz que a receita de um evento de sucesso começa pela escolha de uma boa Promoter ( e para que fique bem claro ... a expressão revista Lux é uma metáfora! Não somente a revista Lux prega este tipo de coisa ... mas outras e inúmeras o fazem ). Assim sendo, os “Organizadores Profissionais de Eventos” estão por todo o lado, encarregados pelos Noivos ( quando é o caso ) ... da realização de tudo o que diz respeito ao evento. Quanto a “curva” ... bem, neste caso sim ... é preciso adaptar-se, visto ser esta uma realidade, completamente fora do nosso alcance – outrossim, precisamos vender!
Trabalhei com inúmeras Promoters.
Obviamente lucrei com os serviços ( não tanto quanto julgava merecer – mas lucrei ). Asseguro-vos: tornou-se muito mais complicado e menos lucrativo fotografar e produzir vídeos para Eventos Sociais à partir do advento das Promoters - e continuo explicando: Do ponto de vista das ditas Promoters, uma série de pormenores fazem-se necessários para a realização de um “Evento de Sucesso”.
A disposição da Iluminação ( ditas cênicas ), os horários, as ausências, o trânsito de “subalternos” ( dentre muitos outros pormenores que, para a apresentação de um bom produto audiovisual, fazem toda diferença ). Vêmos nosso trabalho limitado pelas ordens de outrem ( das Promoters ). “Não façam isto ou aquilo. Isto sim ... isto não”. Ainda, por incontáveis vezes, não podemos utilizar iluminação excepto àquela incorporada ao “ambiente das luzes cênicas”. Nem torres, nem Vl’s ... ... nada! Fotógrafos não tem permissão para interpelar, intervir, convidar. Fazem o que é possível ( quando possível ).
Para não tornar este texto um “testamento”, limito-me a descrever superficialmente algumas das dificuldades e limitações à nós, Profissionais do Audiovisual, criadas à partir da interferência direta das Promoters.
Só quem já trabalhou com as “elas/eles” sabe exatamente do que falo.
Outrossim, não esqueçamos que, finalmente, as Promoters acabam por ser nossa mais “nova” concorrente direta.
Exatamente, acabam por disputar conosco uma fatia deste bolo – chamado mercado de eventos.
Somos vistos ( e definidos ) pelas Promoters, como um “concorrente direto” – não um parceiro.
Fotografias e Vídeo – segundo as promoters – são uma “vaidade” quase que dispensável.
Segundo elas ( ou eles – digo Promoters ), é possível construír o registro dos eventos de formas “menos agressiva” que a presença “inconveniente” de repórteres fotográficos e/ou cinematográficos.
Dizem elas ( as Promoters): façam fotos de Studio antes do evento ... e pronto – já está!
Distribuam entre os convidados máquinas descartáveis. Encarreguem um “conhecido” de fazer as fotografias ... é sempre mais “caliente” que a presença “pouco diplomática” de um “estranho” ( fotógrafo ) ... entre os seus mais selectos convidados e amigos.
Para finalizar ( apenas sobre a interpretação do texto da revista Lux Woman ) ... quando compilei o referido texto, julguei que alguns de nós conseguiriam entender o que de facto dizia, o que infelizmente não aconteceu.
Assim, julgo ter esclarecido aos menos atentos o que de facto significa para o Mercado de Eventos esta “campanha de Marketing” de revistas como a Lux.
O texto em questão não tem nada a ver com qualidade fotográfica ... com este ou aquele fotógrafo, com tecnologia. Tem sim, a ver com Marketing ... com dinheiro ... !
Quanto ao seu convite, Amigo José Costa, para apontar em seu texto situações que à mim provocaram a interpretação de que “a tecnologia vem aí e ... salve-se quem puder” ... aceito, contudo o faço mais à diante ... tenho uns trabalhinhos por concluir e, esta história de “escrever” em Fóruns e afins – embora gratificante - acaba por subtrair tempo que, em dias de hoje, valem mais que dinheiro!
Abraços Caríssimos ... e Sucesso!
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