Être citoyen
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Autor Tópico: Être citoyen  (Lida 9479 vezes)
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JC Duarte
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« Responder #15 em: 16 / Mar / 2005, 00:14 »

O panfletismo é bem velho. Quase tanto quanto o papel em que se suporta. Pequenas folhas, com textos ou imagens que, séria ou satiricamente, criticam os assuntos tratados. Divulgam ideias ou produtos, tentam convencer os seus leitores da validade dos argumentos apresentados.
Distribuídos de mão em mão, nas caixas do correio, afixados nas esquinas ou nas cantinas, têm um alvo bem definido. As mais das vezes são intervenções políticas ou laborais, denunciando situações erradas ou problemáticas.
O poder instituído nunca gostou muito de panfletos. E quanto mais ditatorial menos gosta. Apreende-os, arranca-os das paredes, pinta por cima ou prende os seus autores ou distribuidores. Por cá e agora, as coisas não estão tão feias, pelo menos formal e publicamente.
...
A nível laboral, as coisas não são mais simples: As chefias intermédias, mais ferozes na censura que a própria entidade patronal, empenham-se em não deixar que os panfletos circulem ou estacionem nas paredes com as suas ideias subversivas. Tornam-se patéticos na sua fútil tentativa de manter a paz social a todo o custo.
A imagem acima é uma excepção.
Sobreviveu mais de quatro anos afixada em local bem visível de todas as estruturas internas. A crítica implícita ao funcionamento interno era, e é, grande e clara para quem conhece os meandros. No entanto nunca foi retirada, excepto aquando da mudança de instalações, não fosse perder-se.
Já velhota que é, continua tão actual quanto então, com outros personagens mas com o mesmo enredo.

Um destes dias renovo-a!


O resto, como de costume, aqui
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=relogioparado&action=view&id=1291743

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« Responder #16 em: 22 / Mar / 2005, 13:19 »

Quando entrei na papelaria em busca de cartolinas, já lá estavam os três garotos, o mais velho a rondar os dez anos.
Ainda fui a tempo de os ouvir pedir um maço de cigarros e um totoloto completo, feito pela máquina. Receberam o que pediram, pagaram com uma nota de 20€, guardaram o troco na mão bem fechada e saíram.
Quando chegou a minha vez, interpelei o lojista sobre a legalidade do acto. A resposta foi a tradicional por cá:

“Na verdade a lei obriga a que o tabaco e o jogo só se venda a maiores de 16 anos, mas conheço a mãe e sei que é ela que pede aos filhos para cá virem e assim não sair de casa.”

Caro está que não é importante que, amanhã, a compra seja para consumo próprio, primeiro por brincadeira, depois já com “o macaco às costas”.
A lei existe e a fiscalização é ineficiente. Restam os agentes económicos, mas a eles a lei não importa: Desde que o negócio corra bem e que se dêem bem com a vizinhança… E que não surja um qualquer chato a fazer perguntas e observações incómodas!


em "www.photoblog.be/jc2"
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« Responder #17 em: 24 / Mar / 2005, 12:21 »

"De novo se fala nesta matéria. Ainda só no campo das possibilidades, mas já se fala num possível referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez.
Obviamente que me interessa o resultado. Mas o que é realmente importante é a participação dos cidadãos neste acto.
Não se trata de escolher um grupo de pessoas que irão legislar ou governar, animados ou não de boas intenções.
Trata-se de os cidadãos poderem, directamente, decidir sobre os conceitos base que gerem a sociedade.
Se a participação num acto eleitoral normal é importante, neste é-o muito mais. A defesa do voto branco ou abstenção neste referendo é uma das maiores manifestações de anti-sociabilidade que a nossa forma de viver em grupo possui.
...


Mais, como de costume, em
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1304773

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« Responder #18 em: 24 / Mar / 2005, 12:25 »

"Uns dias antes tinha estado mesmo na fossa, mais por baixo que barriga de jacaré. Por isso, quando me abordaram no comboio, não só não os afastei como é meu hábito como ainda caí na patetice de lhes dar a minha morada. Assim, quando naquela naquela tarde os dois “Elder’s” me bateram à porta, tive que os convidar a entrar e conversar com eles. Afinal o convite tinha sido meu…
...
Quando ouvi isto, ainda ponderei a situação, mas achei que o preço a pagar pelas vidraças quebradas era demasiadamente alto comparado com o prazer que sentiria vê-los sair pela janela do meu 7º andar.
Engoli em seco e tentei acabar a conversa rapidamente, procurando mostrar a minha boa educação para com as visitas.
À saída, ainda tentaram dar-me uns papeis com excertos do seu livro sagrado, para que o pudesse conhecer melhor. Perante a minha recusa em aceitar, visto que não seria por excertos que poderia conhecer a sério uma religião, entreolharam-se e ofereceram-me o exemplar que possuiam.
Ainda lhe dei uma olhada, mas nunca fui mais longe que isso.
Queima-me os dedos e a retina ler um livro que tão primariamente defende o racismo e a segregação racial.
Não! Não na minha casa nem na minha convivência! E, se pudesse, não na convivência dos demais seres humanos!
Porque estes que ali estiveram, são infra humanos!


Mais, como de costume, aqui
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1304216

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« Responder #19 em: 04 / Abr / 2005, 18:04 »

Lisboa, primavera de ‘76. Tinha eu 17 anos.
Sentada no beiral de uma boca de metro encontro uma mulher a chorar.
Chorava para dentro, mas com lágrimas para fora. Quase não fazia ruído, mas o corpo estremecia.

Abeirei-me dela e perguntei-lhe o que se passava, se se sentia mal.
A resposta foi evasiva, mas as lágrimas não paravam de correr. Insisti e perguntei se queria que chamasse uma ambulância. Todo o seu aspecto era de quem estava com dores intensas…
Assustou-se e os seus olhos abriram-se desmesuradamente.
“Que por favor não. Que não podia ir para o hospital.”
Fui insistindo até que me explicou:
“Tinha acabado de fazer um aborto, estava cheia de dores e não se conseguia mover para ir para casa. Se fosse para o hospital seria presa ou, pelo menos, interrogada pela polícia.”
......
Basta, digo eu!


O resto, como de costume, aqui
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1322595

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« Responder #20 em: 08 / Abr / 2005, 09:12 »

Estou em crer que a legislação existente em Portugal não abrange esta situação. Assim sendo, é legítima – no sentido de “dentro da lei” – a sua utilização. E não há como os portugueses para usar de expedientes e tirar partido das falhas da lei.
Mas já da moralidade e honestidade da coisa, é outra conversa.
......
Passa-se o mesmo com a imagem animada e as chamadas “imagens subliminares”. Apesar de facílimas de fazer com as actuais tecnologias, são proibidérrimas, como é evidente.
......
Talvez por isso mesmo, noutras linhas de transporte ferro e rodoviário de outras grandes cidades europeias, este sistema não seja usado.
A bem da saúde pública e em defesa dos cidadãos.


O resto, como de costume, aqui
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1329170

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« Responder #21 em: 09 / Abr / 2005, 22:02 »

Não andava nem depressa nem devagar. Andava na sua velocidade.

Chegava-se aos clientes, recebia as suas encomendas, desaparecia por entre as prateleiras e regressava com os braços cheios de papeis, sobrescritos, canetas, borrachas, réguas, lápis, blocos e cadernos, o que quer que fosse que lhe tivessem pedido. Volta e meia voltava atrás para confirmar um detalhe, mas tudo vinha aparecendo em cima do balcão.
Aliás o balcão de madeira, vetusto e carcomido pelos embates dos pacotes, pouco mais velho seria que aquele caixeiro que nele pousava o que vendia.

Quando entrei, já lá estariam uns três ou quatro clientes que pacatamente aguardavam vez.
De súbito tocou o telefone. Ninguém reagiu, até porque os telemóveis eram uma invenção do futuro. E aquele de digital tinha apenas o dígito com que se rodava o mostrador.

TRiiiiim. TRiiiiim. TRiiiiim.

Nem o bom do vendedor se interrompeu, que o ignorava como se de um surdo total se tratasse, continuando na sua tarefa de atender o cliente.

TRiiiiim. TRiiiiim. TRiiiiim.

Ao fim de um pedaço, um dos outros clientes que, como eu, aguardava vez e achava estranho que ele não o atendesse, chamou-lhe a atenção para o aparelho que retinia.
A resposta foi bem clara:

“O telefone só toca porque clientes que não querem esperar gostam de fazer as suas encomendas e tê-las prontas quando cá chegam.
Mas os senhores já cá estavam.
Quando chegar a vez dele, logo o atendo.
É a seguir àquele cavalheiro!”


O silêncio que se fez só era interrompido pelo toque estridente da campainha. Que cedo se calou. Quem quer que estivesse do outro lado do fio deve ter percebido a lição.

E quem diz que há que ter um curso superior para dar lições?...



Em www.photoblog.be/jc2, como de costume

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« Responder #22 em: 19 / Abr / 2005, 06:02 »

Regra geral somos nós que “damos” as notícias.
Do ponto de vista ético nem fica bem nós próprios sermos a notícia, a menos que os factos sejam “dignos de nota”. Mas é o caso. Agora somos nós o objecto de atenções, poucas é verdade, mas algumas.

Tem-se feito o possível, nos órgãos de comunicação social e nos últimos tempos, de pouco falar de agitação social, de confrontos laborais, do desemprego e de greves, do fecho de empresas e de fome.
Mas tudo isto continua a existir. Queira-se ou não dar o benefício da dúvida aos recém-chegados, os conflitos existem e o seu número está a crescer.

Agora chegou a nossa vez.
A RTP vai entrar em greve a partir das 00.00 horas de segunda-feira e por um período de 72 horas. Promovida pelas organizações sindicais representativas das áreas técnicas e jornalísticas.
Não irei aqui dizer o porquê, para que não se diga que estou a advogar em causa própria (e até estou mesmo), mas deixo isso aos outros media: a informação dos motivos da greve.

Mas vamos parar e, se não existir recurso a meios técnicos e humanos externos à empresa, como manda a lei, a emissão deverá parar também.
Assim, se ao sintonizar a RTP ou a RDP virem ou ouvirem alguma coisa, fiquem sabendo que esse trabalho estará a ser realizado por algum dos poucos técnicos ou jornalistas que não aderiram à greve (que é um direito que lhes assiste, legal e moralmente).
Mas se as emissões decorrem dentro ou quase da normalidade, será porque se recorreu a meios técnicos e humanos externos à empresa, o que não é permitido pela lei e pelos estatutos da comunicação social.

E, considerando as recentes posições e declarações proferidas por altos responsáveis da empresa, esperemos que os conflitos e atitudes resvés aos limites legais se fiquem por aqui…



Em
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1344904

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« Responder #23 em: 19 / Abr / 2005, 06:04 »

Há uns tempos chorei. De tristeza e de raiva.
Quando um disco rígido de um dos meus computadores se avariou sem remédio e com ele foi o trabalho de muitos meses de pesquisa na web.
Usava-o como Backup e era nele que guardava a pagina web que estava a construir. Uma espécie de atlas mundial, onde constariam, para além de algumas informações sobre os países existentes, links a todos os museus, jornais, estações de tv e agencias noticiosas possíveis.
Garanto que foram muitos meses de trabalho que se perderam em segundos, e algumas reais lágrimas que verti.

O motivo pelo qual me decidi a construir tal “monstro” prendeu-se, primordialmente, com a segunda guerra do golfo.
Todas as informações que por cá eram difundidas eram assumidamente pró Estados Unidos da América. Nada nos chegava, nem do outro lado da contenda nem de quem, não estando envolvido no conflito, tinha opinião divergente.
A propaganda política, que tão bem foi utilizada na primeira metade do século XX, tanto pelos russos como pelos alemães (mas não só, não nos enganemos) foi levada a um requinte extremo durante esta guerra. Pelo menos em Portugal.

A partir do momento em que haja divergência de opiniões, apenas verbal, no extremo oposto, pela força das armas ou algures entre um e outro, haverá sempre quem tome partido por um dos lados.
O dever da informação será o de “escarranfunchar” e apresentar os factos dos dois lados da contenda. Independentemente das opiniões que cada cidadão possa ter, quando não exerça a função de agente de informação: na imprensa, na rádio, na tv, na web.
Por outro lado, é dever de cada cidadão consumidor de informação, saber filtrar o que recebe, sendo crítico nas análises que faz e procurando obter dados de todos os lados. Agressores e agredidos, acusação e defesa, patrões e trabalhadores.

Vêm todas estas considerações a propósito de uma contenda que conheço bem por dentro. Na primeira pessoa e a cada instante: A greve que decorre nesta altura na RTP.
É evidente que as informações a esse respeito difundidas pelos serviços noticiosos do grupo sobre o assunto são tendenciosas. Defendendo o lado e os pontos de vista da entidade empregadora. Já que quem as produz e por elas dá a cara e a voz são pessoas que por um motivo ou outro não aderiram à greve e que defendem que ela não se deveria efectuar.
É igualmente natural, que os agentes de informação que se baseiam em “sensacionalismo” (sangue, tragédias, escândalos) tomem uma posição assumidamente para o lado da empresa ou dos trabalhadores, conforme o que entenderem que mais vende papel ou audiências.
É assim vital que, quem queira estar correctamente informado, sobre este ou outro assunto, busque fontes de informação credíveis, tão isentas quanto o possível e diversificadas. E que, com base nelas, forme a sua própria opinião, não se deixando levar por sensacionalismo nem emotividades.
Neste assunto também!

Claro está que neste tema sou suspeito, pelo que não deixarei aqui a minha versão dos factos.
Apenas este alerta.


Em
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1348242

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« Responder #24 em: 20 / Abr / 2005, 08:12 »

A solidariedade é um termo bem antigo mas cujo o uso está a desvanecer como um cravo murcho.

Aconteceu o desastre no Sudeste Asiático. A imprensa encheu-se de parangonas, os ecrãs mostraram as lágrimas e as enchentes. E o mundo comoveu-se. Com razão!
As dádivas sucederam-se nos multibancos. Uma referencia, uma quantia e a confirmação.
Alguns foram mais longe e deslocaram-se às organizações humanitárias e ofereceram em mão: roupas e cobertores, géneros alimentícios ou medicamentos. Vindos de casa ou da loja.
Esta é a solidariedade fácil: Alguns gestos, por causas bem lá longe, e as consciências tranquilizam-se. O acto caritativo para com os menos afortunados está feito, vamos ver a bola ou a novela!

Mas alguns vão bem mais longe.
Largam o conforto de sua casa e partem para intervir onde é necessário. Lá, onde as lágrimas não secaram e as doenças grassam.
Cruzam estradas destruídas, alojam-se em tendas ou escombros, tentam suster epidemias e levar algum conforto, pelo menos sanitário.
Conheço alguém assim e sinto-me honrado em pronunciar o seu nome na primeira pessoa: apenas C.G., que faz questão de manter o anonimato.

Mas há outro tipo de solidariedade, igualmente anónima e despretensiosa, que não é movida por emoções ou histerias colectivas, que não é alimentada pelos media.
Parados em frente ao portão, enquadrados por duas faixas a explicar os motivos da luta e greve, formávamos uma pequena multidão. O passeio é largo e o asfalto estava desimpedido. E o trânsito processava-se a velocidades que qualquer radar policial classificaria de excessivo.
Mas foram incontáveis as buzinadelas de quem passava para mostrar solidariedade. “En passant”, sem dar a cara ou seja o que for, sem perder tempo nem dinheiro. Apenas para dizer “Estou convosco”, “Estou com a vossa luta, pelo que entendem ser justo”.

Este menos de coisa nenhuma provoca um elevar dos ânimos, um aclarar das nuvens pesadas de quem está em greve, de quem assumida, pública e legalmente, prescinde de dias do seu salário para melhorar o seu presente e futuro.
Contra aquilo que entende ser injusto e despótico.
São bem-vindas estas manifestações.

O que é bem curioso de constatar é quem se solidariza em trânsito. Motoristas profissionais.
De pesados de mercadorias, de pesados de passageiros, de ligeiros de passageiros (táxis). Com as possantes buzinas de ar ou as tradicionais de automóvel. Mas são apenas os profissionais do volante que se manifestam. Talvez por saberem o que é trabalhar muito e receber pouco.
Os particulares, demasiadamente preocupados no chegar rápido de um ponto a outro, nem se apercebem do que se passa fora do asfalto.
A menos que se trate de um anuncio surpreendente, de uma garota sexy ou de uma ambulância.

Solidariedade é bem mais que um gesto caritativo. Ou o nome de um sindicato.
É uma forma de estar na vida e de interagir com o que nos cerca. De se ser parte da sociedade, activamente.
Apoiando ou contestando!



Como de costume, aqui:
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=relogioparado&action=view&id=1349462

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« Responder #25 em: 21 / Abr / 2005, 08:02 »

"Num outro espaço que tenho, existe uma secção denominada Dici-cores. (www.photoblog.be/relogioparado)
Pouco falta para estar completa. Ali estão quase todas as entradas da obra “Dicionário das cores do nosso tempo” de Michel Pastoureau.
Sobre experiências recentes, não posso deixar de aqui repetir uma das entradas, agora com outra ilustração.

AMARELO

Eis como poderia apresentar-se um quadro de resumo das diferentes funções e significados da cor amarela na cultura ocidental, tal como são invocados nas entradas deste dicionário:

.....................

5) Cor da mentira e da traição:
Cor de Judas e da Sinagoga (Idade Média).
Cor imposta aos Judeus (estrela amarela), aos excluídos e aos reprovados.
Cor dos traidores, dos cavaleiros desleais, dos falsos moedeiros (no século XIV as suas casas eram pintadas de amarelo).
Cor dos fura-greves, dos trabalhadores que atraiçoam em favor do patronato.
Cor dos maridos enganados (já atestada no século XVII).

..............."



O resto, como de costume, aqui
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1352267


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« Responder #26 em: 24 / Abr / 2005, 10:18 »

Eram folhas de papel encerado.
.....
Deram a cara e o corpo.
.......
Chama-se “Life on the Ocean Wave” e foi composta por Henry Russel.
.......
Por tudo isto, ao gozar o feriado de 25 de Abril, que este não seja considerado apenas como mais um dia de não/trabalho.

Há que estar alerta! É o que faz falta…



O resto em:
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1357767


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« Responder #27 em: 28 / Abr / 2005, 10:33 »

"Não é nem nova nem velha. É, apenas!
Mas era. Era professora e o marido era engenheiro. E os filhos eram adolescentes. E a saúde era gratuita. E a educação era para todos.
Era o dinheiro na carteira e eram as vitrines a exibirem montras de nada.
Eram as mentes quase vazias e as bocas eram fechadas, que os ouvidos eram muitos e eram denunciantes.
Era um ditador que mandava e os esbirros eram bons executantes.
...................
De uma trincheira ou varanda, via satélite ou repescadas do fundo de um rio, as imagens da queda de alguns regimes alimentam os media e asseguram a manutenção da calma no rebanho que vai sendo pastoreado aos poucos para que continue a fornecer a lã com que uns poucos se vestem.
O preço da liberdade vai assentando em louros, peças e tumbas. Louros em que cabeças, peças sobre quê e tumbas de quem? E liberdade onde?

Não é nem nova nem velha. É, apenas! Uma migrante."



Como de costume, o resto aqui
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« Responder #28 em: 02 / Mai / 2005, 12:03 »

".........
A guerra do ultramar ou das colónias portuguesas esteve recheada de episódios de todos os tipos. Por muito pouco motivados que os combatentes do continente estivessem, as situações humanas, caricatas, de coragem e de tragédia existiram. E existiram também outras para as quais não encontro classificação.

Esta contaram-ma na primeira pessoa.
..............
Na guerra não há bons nem maus!
Há assassinos e vítimas!
A esmagadora maioria inocentes!"


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« Responder #29 em: 09 / Mai / 2005, 18:53 »

"Por esta altura celebra-se o terminar da parte europeia da II Guerra Mundial.
Terminou aquilo que nunca deveria ter começado. O genocídio étnico, a definição de espaço vital, a alienação de um povo em redor de um líder megalómano…

Infelizmente não foi a única. Em luta pela liberdade ou pela imposição de conceitos sociais e políticos, por todo o mundo têm estalado conflitos armados.
Chamam-lhes conflitos armados, mas a esmagadora maioria das vítimas nem nunca pegou numa fisga sequer. Os civis são aqueles que vão pagando as facturas pelas decisões de uns quantos políticos que, do conforto das suas secretárias, decretam o abrir das hostilidades.
Quer se trate de questões locais, em que os grandes apenas discretamente apoiam com armas e logística, quer se trate de questões transcontinentais para onde esses mesmos enviam as suas juventudes, as guerras arrastam-se com as chacinas e crimes que conhecemos e as que não queremos conhecer porque incomodativas e ocultadas pela censura e véus pudicos.

Aqui nesta zona do globo, falamos da 2ª e da grande guerra e da guerra dos 100 anos. E das guerras civis aqui e ali. E dos movimentos independentistas, que recorrem aos mais diversos métodos para imporem os seus pontos de vista contrapostos aos pontos de vista e métodos governamentais.

Mas há dois conflitos, um próximo, outro distante no tempo, de que não se fala em toda a sua extensão.

Um deles, na palestina, dura há já meio século.
Por decisão dos “grandes”, criaram-se fronteiras, atribuíram-se territórios e enxotaram-se populações. A maioria dos cidadãos desta zona do globo, por decisão dos tais “grandes” nasceram, viveram e morreram em clima de guerra, com ódios viscerais pela outra parte.
Foi dado o pontapé no calhau no topo da montanha, e a bola de neve continua a rolar. Esmagando inocentes, manipulados por políticas que não as suas.

O outro conflito é bem mais antigo. Terá sido, talvez, a guerra mais longa da história e travou-se do outro lado do atlântico e dos Andes.
Pela posse de um território que não lhes pertencia, os conquistadores espanhóis lutaram durante mais de 300 anos contra o povo Machupe no Chile. Foi uma guerra de vitórias e derrotas, de espingardas e couraças contra arcos e flechas, de uma cultura baseada na religião e na ganância contra um povo que nem escrita usava. Venceram os espanhóis pelo cansaço!
O povo Machupe, hoje, encontra-se restrito a uma espécie de “reservas” bem lá no sul, na região da patagónia Chilena, à imagem e semelhança do que acontece no continente norte-americano.

Usamos as armas para reclamar a posse de terra que já por cá estava muito antes de termos descido dos galhos das árvores. E, a menos que façamos algo que o mude, vamos continuar pelo mesmo caminho até o ser humano mais não ser que um vestígio fossilizado.

Se isto não é um absurdo, não sei o que significa este termo!"



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