Être citoyen
10 / Jan / 2009, 01:51 *
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Autor Tópico: Être citoyen  (Lida 9947 vezes)
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JC Duarte
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« Responder #30 em: 16 / Mai / 2005, 09:02 »

IV

Meu caro Amigo:
Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.
.............................
Feche, pois, os ouvidos ao que lhe ensino, se alguma coisa lhe ensino; faça a viagem por sua conta e risco, você mesmo ao leme; se tivermos naufrágio, far-lhe-emos uma Elegia marítima: duas páginas de versos todos cheios do ritmo das vagas e desse estranho soluçar do vento nos altos mastros dos navios.
..............................................

in: “Sete cartas a um jovem filosofo”, de Agostinho da Silva



O resto, como de costume, aqui
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=relogioparado&action=view&id=1396167

Divirtam-se e aproveitem bem a luz
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« Responder #31 em: 17 / Mai / 2005, 07:54 »

Algures entre as sete e as oito da manhã, dou regularmente uma volta pelos noticiários on-line.
Hoje as “manchetes” eram estas, por esta ordem em cada um deles!
...................
...................
...................
Assim são construídos os nossos noticiários.
Tenho que perder este vício ou começar a tomar anti-depressivos!


O resto, como de costume, aqui
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1399716

Divirtam-se e verifiquem se a luz está acesa
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« Responder #32 em: 05 / Jun / 2005, 07:54 »

"Hoje aqui na rua, no bairro, na cidade, nasceu uma criança!
Como disse um africano, feita com muito, mesmo muito amor. Todas as noites fizeram um pouquinho mais, uma perninha, um bracinho, hoje a boca, amanhã os pezinhos… Nasceu saudável e mãe e filho estão bem. O pai está baboso e sorri para quem passa…
.........................
Hoje, aqui na rua, no bairro, na cidade, foi um dia feliz!
E os media ignoraram-nos!"


Como de costume, o resto está aqui
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1431200

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« Responder #33 em: 07 / Jun / 2005, 22:17 »

"Supostamente, o jornalista verá as cores do globo em preto e branco.
Sem se deixar influenciar nem pelo colorido partidário, nem pelos tons vivos das explosões ou os pálidos cadavéricos.
Em preto e branco para que todas as cores sejam tratadas pelo que são, sem simpatias ou empatias pessoais.

Supostamente…


Imagem: by me"



Desta vez, a imagem está aqui:
http://www.photoblog.be/photoblog.php?nickname=jc2&action=view&id=1436049


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« Responder #34 em: 10 / Jun / 2005, 00:42 »

Citar
Supostamente, o jornalista verá as cores do globo em preto e branco


Até pode ver. O chefe de redação é que verá sempre a cores! E em cada altura, consoante o poder que reirar, sempre mais uma do que outras.
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A escravatura não foi abolida, passou a 8 horas por dia ou mais.
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« Responder #35 em: 14 / Jun / 2005, 23:14 »

Isto é um excêntrico! Uma peça mecânica em que o seu limite exterior, ainda que seja uma linha curva, não se encontra equidistante do seu centro ou eixo.
Aplicado que lhe seja um movimento de rotação, a irregularidade do seu limite exterior entrará em conflito com o que o circunde, provocando uma acção nos elementos que o rodeiam.
É usado para provocar acontecimentos cíclicos, controlados, em mecânica.

No caso específico da imagem, faz parte do mecanismo de um projector de cinema de 8mm e super 8mm que tenho temporariamente em casa.
Recorri ao empréstimo deste vetusto aparelho para passar para suporte digital velhas películas cinematográficas a pedido de uma ex-aluna. De caminho, e a título de pagamento do empréstimo, procedi a idêntico tratamento aos filmes do dono do projector, passando-os para DVD.

Este trabalho levou-me a conhecer bem duas coisas:
- O mecanismo em causa, já que o tive que reparar por diversas vezes face à sua idade avançada;
- Os filmes passados para a tela, recuperados pela câmara de vídeo e reencaminhados para o disco rígido.
Foram várias horas de um tempo que não se repete, em que figuras que não conheço passaram da fase de bebé de colo à de adolescência vistos pelo olhar técnico de seu pai e pela complacência de sua mãe.
Os trajes e os lugares, os penteados e os automóveis, a participação dos adultos nas brincadeiras e as próprias brincadeira variam enormemente em 30 ou mais anos.

No entanto, ainda me pergunto se terei feito bem em fazer este trabalho.
O prazer da manipulação deste equipamento antigo, o ruído do projector, o ritual das luzes apagadas e dos olhares fixos na tela reflectora perder-se-á. As bobines de metros e metros de milhares de fotogramas serão arrumadas numa qualquer caixa, ganhando bolor e esquecimento.
O ver destas novas imagens na tela emissora que não reflectora ganhará a banalidade de abrir uma gaveta, e fazer click. Tão fácil quanto o ver mais um qualquer filme alugado no clube de vídeo.
A carga mágica do suporte desaparecerá, vulgarizado que for o seu uso.
Será que as gerações vindouras darão ao suporte banal dos bites e dos bytes o mesmo valor que aos fotogramas?

PS – Eu não possuo uma peça destas! A minha excentricidade não se manifesta em peças de teflon, engrenagens e rotações.
Antes em matéria viva, textos e fotografias, pensamentos e intervenções na sociedade.
Como aqui e agora!


Imagem: by me



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« Responder #36 em: 19 / Jun / 2005, 11:43 »

Sou de uma pobreza intelectual confrangedora, uma nulidade enquanto ser pensante, um sofista indigente!

Face aos recentes, ou não tanto, acontecimentos que envolveram grupos de delinquentes em roubos de multidão, organizaram-se manifestações de repúdio pelos migrantes e seus descendentes que por cá fixaram residência.
Africanos, brasileiros, hindus, ucranianos, romenos, ciganos e islâmicos, judeus e outros que tais. A história é pródiga na multiplicidade de origens do que somos, temos sido ou fizemos ser.

Tentei, muito seriamente, pensar e assimilar os diversos raciocínios que alimentam os discursos xenófobos, tanto por cá como por outros pontos do globo.
A questão da nacionalidade, a questão das fronteiras, a questão da raça e das origens.
O emprego e o desemprego, a identidade cultural e a sobrevivência da moral pública.
A questão das leis, da ordem e da desordem.
As intervenções policiais, as questões legais e os discursos políticos.
A cobertura dos media, os medos e os anseios.
Os guetos, as classes sociais, a defesa das prerrogativas, a psicologia de massas e os pânicos colectivos.

Não sou capaz, confesso que é uma incapacidade, de aceitar e entender os discursos daqueles que defendem as teorias raciais ou xenófobas.

E então nós, os portugueses, que construímos um país a partir de batalhas com os que por cá viviam, que não nos demos bem com os vizinhos e partimos a conquistar o que por aí havia, indiferentes aos que por lá viviam, que explorámos os recursos locais, que traficámos escravos, que impusemos religiões, que assinámos tratados a dividir a posse do mundo, que alimentámos guerras contra a liberdade…

Não! Não posso entender argumentos raciais ou xenófobos!

Nem me posso esquecer que o homem e a mosca partilham mais de 90% dos genes!


Imagem: algures na web



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« Responder #37 em: 25 / Jun / 2005, 00:39 »

A dois quilómetros a norte de Zambujeira do Mar encontra-se a praia dos pescadores.
Uma pequena enseada rochosa, que serve de porto de abrigo aos botes que naquele mar vão pescando. Uma dúzia, no máximo.

Um verão, estava eu de férias na vila, o meu passeio matinal levou-me até lá bem cedo. Tão cedo que cheguei a tempo de assistir à lota do peixe.
Estava tudo pronto: Os pescadores, as canastas de plástico com o peixe, o leiloeiro, os compradores, o guarda fiscal…
Mas não havia meio de começar. Olhavam uns para os outros, iam conversando mas nada de vendas.
Até que se ouve um ruído de motor. Estava a entrar um barquito.
Aproou na areia, desceram os seus dois tripulantes, subiram com as canastas e juntaram-se aos demais.
De imediato começou o leilão matinal.

Mais tarde, em conversa com eles enquanto iam arrumando e limpando as artes, explicaram-me aquele compasso de espera:
Naquela praia nenhuma lota começa sem que estejam todos presentes. Assim, todos têm oportunidade de vender o pouco ou muito que conseguiram pescar. Sempre assim ali foi!

São estes hábitos ancestrais que a actual sociedade, plena de competitividade e anulação do indivíduo, quer extinguir.
Entre a solidariedade que havia e o espezinhar do vizinho que há, prefiro os tempos antigos!


Imagem: algures na web


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« Responder #38 em: 29 / Jun / 2005, 00:57 »

Vindo assim quase do nada, perguntou-me à queima-roupa:
“Em quem é que votas?”
Fiquei meio à-toa. Primeiro porque não há a tradição, ainda, de o disser em público; depois, e por causa disso, é meio incorrecto pergunta-lo; terceiro porque, se bem que bons companheiros de trabalho, pouco mais somos.
Mas, perante tamanha franqueza, respondi no mesmo tom:
“Nas legislativas assim, nas autárquicas assado!”
“Então e não queres fazer partes das listas para a tua freguesia por esta formação política?”

Hesitei! Não no conteúdo da resposta, mas antes na forma de a fazer.
Não faço, nem farei parte de nenhuma formação política, nem mesmo num lugar não elegível, apenas para fazer o número necessário para a formalização da lista.
Se o fizesse estaria a assumir algum tipo de compromisso com essa formação ou partido. Mesmo que como independente.
E isso obrigar-me-ia a algum tipo de lealdade para com esse grupo. Não um seguidismo absoluto nem uma posição acrítica, mas teria que lhes ser leal e, pelo menos em público, reservar as minhas posições contestatárias.
Quanto mais não fosse enquanto durasse o mandato para o qual os demais fossem eleitos.

Prefiro manter-me como franco-atirador.
Manter a minha “liberdade” de contestatário, protestando contra o que entendo por incorrecto e apoiando aquilo com que concordo.
Mantendo-me fiel aos meus princípios sócio-políticos, sem cedências ou contemporizações.
Continuando a intervir socialmente, com subtileza ou toda a frontalidade. Tentando provocar a discussão de ideias, o desempoeirar de mentes e levar os meus concidadãos a tomar posições por si mesmos e não porque alguém bem engravatado e falante sugere um cruz aqui ou ali ou ainda porque este ou aquele tema é tabu.
Quer seja através de discussões no trabalho, no comboio ou no café, quer seja através do panfletismo real ou virtual, da arte ou da técnica.

Tento manter acesa a consciência dos valores do individuo e do grupo.

Imagem: by me


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« Responder #39 em: 07 / Jul / 2005, 10:20 »

Naquela quinta, o ratito fugia do gato malvado que o queria comer.
Já cansado e ofegante, entrou o ratito no estábulo e, vendo a vaca pacatamente ruminando, pediu-lhe:
Oh vaca, tu que és grande e poderosa, protege-me do gato malvado que me quer comer!
A vaca, apercebendo-se do drama que se avizinhava, respondeu-lhe:
Está bem! Põe-te atrás de mim.
Assim que o viu no lugar certo PLOF, largou-lhe uma enorme poia em cima, cobrindo-o por completo.

Ainda mal tinha acabado quando surgiu o gato, matreiro e lambeiro. Olhando para um lado e para o outro, perguntou à vaca:
Oh vaca! Viste o ratito? Estou com vontade de o papar!
Huummm… não! Não vi nada que pudesses comer a esta hora.
Bem, então vou procurar noutro local.
Deu meia volta e começou a afastar-se.

Ao ouvir estas palavras, guinchou o ratito do seu esconderijo:
Ufa! Desta já me escapei!
Mas o gato, matreiro e ágil, ouviu-o, saltou-lhe em cima e papou-o.

Moral da estória:
Nem todos os que te põe na M*** te querem mal!
Ou:
Nem todos os que te tiram da M*** te querem bem!
Ou ainda:
Se estiveres na M*** não ginches!

Esta é a estória tradicional, com o seu final humorístico e políticamente correcto.
Mas eu tiraria outras conclusões:

Desconfia dos grandes e poderosos!
Mantém-te alerta, mesmo quando te encontras numa situação de aparente segurança!” – As estórias tradicionais são conformistas e derrotistas, pelo que é preferível não ligar à moral pública e tradicional.
O problema da moral pública é que é sempre a moral dos outros!


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« Responder #40 em: 09 / Jul / 2005, 00:19 »

(------------)


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« Responder #41 em: 09 / Jul / 2005, 04:55 »




A texto, como de costume, está aqui:
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JC Duarte, desculpa o trocadilho, foi sugestão das imagens...
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« Responder #42 em: 11 / Jul / 2005, 07:44 »

De acordo com as religiões monoteístas contemporâneas, a fé é um dom de deus!
Dizem os crentes que a fé nos é dada por deus (tenha ele o nome que tiver e as interpretações sujeitas às modas das épocas em que se viva) para que possa cada um partilhar dos seus desígnios e ser feliz numa vida eterna junto a ele e aos seus anjos.
Dizem ainda os mesmos crentes que quem não possuir a mesma fé, a fé no seu deus, estará condenado aos infernos eternos (sejam eles como forem) a título de castigo!

Estes dois dogmas, comuns ao Judaísmo, Cristianismo e Islamismo levam-me a alguns silogismos e conclusões.

Se eu estou condenado por não ter fé e não a tenho porque deus não o quis, então estou condenado por vontade de deus!
Ora como as religiões oriundas do Médio Oriente não defendem o conceito da re-encarnação e entendem que a alma (seja ela lá o que for) surge aquando da fecundação (ou pouco depois), então estou condenado sem nada ter feito de mal ou pecaminoso, apenas porque deus assim o entendeu e decidiu.
Condenado na inocência?!

Se cada uma das três religiões citadas defende que o seu deus é o verdadeiro e os demais não passam de embustes, há que acreditar nele e não nos outros.
Significa isto que, por grande que possa ser a fé que possa ter numa delas, estou condenado por infiel pelas outras duas.
Ou, por outras palavras, seja qual for a minha crença, estou condenado aos infernos por outras duas crenças.
Ou, ainda, que tenho 33% de probabilidade de acertar e 66% de falhar a religião certa.
Com o azar que tenho, o mais certo seria que, escolhesse eu a fé que escolhesse, acabaria por escolher a errada e ir para aos infernos de qualquer forma.

Assim, prefiro esquecer as fés, os dogmas e os preceitos religiosos e optar e conceber os meus próprios códigos de conduta. Baseados no respeito pelo que me cerca e na solidariedade para com os outros.
Como estas abordagens são comuns às religiões referidas – na génese e não nas práticas – tenho fortes probabilidades de não ofender em demasia nenhum dos três grandes.
Presumindo que existem, que se importam comigo e com o que faço e que terão uma boa dose de tolerância perante todos os meus erros e falhas.

Que possam os Deuses vos dar em dobro o que me desejais!


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« Responder #43 em: 12 / Jul / 2005, 18:46 »

Neste incidente morreram dezenas de pessoas e centenas de outras ficaram gravemente feridas.

Este é um texto banal que se ouve nas TVs e Rádios ou se lê nos jornais.
Incidente?!!
Chamam incidente a um atentado bombista, às mortes no afundamento de um barco ou queda de um avião, ou à intervenção armada num país ocupado?

Eis o que diz o meu Dicionário da Língua Portuguesa, compilado por Domingos J. da Silva e publicado por Editorial Domingos Barreira


Incidente (Lat. Incidente), adj., Que incide; superveniente; s. m. Circunstância acidental; episódio.

Por questões de dúvidas, fui ver mais duas entradas:
Episódio (Gr. Epeisódion, incidente), s. m. Incidente relacionado com a acção principal; coisa acessória; caso; sucesso.
Superveniente (Lat. Superveniente), adj. Que sobrevém; que vem ou aparece depois ou por acrescentamento.


Com é bom ver as classificações que os media dão às mortes de seres humanos!


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« Responder #44 em: 15 / Jul / 2005, 08:42 »

Aqui em casa tenho diversos serviços contratados: água, gaz, energia, telefone, tv, Internet… Regularmente quando as facturas chegam, e certinho como qualquer português que se preze, vou pagá-las. Se uso, pago!
Mas protesto quando entendo que tenho motivos para isso, o que, em Portugal, é frequente.

Nestes últimos tempos, um desses serviços tem-se mostrado menos que sofrível. Intermitente, com níveis de fornecimento e satisfação a raiar o péssimo.
Quando cheguei a casa, tarde na noite, não o tinha de todo. Nada! Por mais que “escarafunchasse”, não funcionava!
Liguei para os serviços de apoio permanente, segui as indicações que me eram dadas e nada igualmente. Disseram-me, então, que teria que ligar de novo, agora em horário normal de expediente, a fim de ser marcada a visita de um técnico para resolver “in loco” a questão.
Assim fiz.

Mas, do outro lado marcaram-me uma visita para dali a mais de uma semana. Inadmissível!
Puxei da minha voz de “sargento lateiro” e tentei falar com quem mandava na coisa, já que quem me estava a atender mais não fazia que cumprir ordens.
Deixei o serviço de atendimento normal e tratei de contactar a sede da empresa, tentando ir até onde alguém me resolvesse o problema. De uma recepcionista simpática a uma secretária afável, passando por um técnico de relações publicas eficiente, de tudo fui encontrando e sem solução.
Até, já perto do topo, uma senhora me disse que iria expor o problema superiormente e que em breve teria uma resposta telefónica.
Para espanto meu, assim aconteceu.

Uma voz desconhecida mas bem agradável de ouvir, disse-me ter o meu caso entre mãos e perguntou-me se conhecia “Fulano de Tal”. Confirmei como tendo sido meu colega de trabalho, havia tempo.
Pois agora encontrava-se bem alto na cadeia hierárquica daquela empresa, tinha tomado conhecimento da situação, tinha-me classificado como cliente VIP e que dentro de uma a duas horas teria um técnico em minha casa para resolver a deficiência.
Espanto! E eu que nem sequer sabia que ele estava a trabalhar ali!
Mas o técnico veio no prazo previsto e a questão resolveu-se num piscar de olhos a contento de todos. Encontro-me, agora, em dívida de agradecimento para com esse meu ex-colega.
E quem sou eu para me queixar?!

A questão que se põe, muito naturalmente, é:
E os demais clientes ou utilizadores dos serviços daquela empresa?
Que lhes acontece quando se encontram em situações semelhantes à minha e não tentam ultrapassar as barreiras burocráticas quando entendem que têm razão?
Ficam chateados mas conformados fatalísticamente, como bons portugueses que são!
Ficariam mais de uma semana à espera que um técnico resolvesse um problema num mau serviço que é pago por inteiro, rangendo e resmungando entre dentes mas engolindo o sapo vivo!

Saiu-me em sorte uma cunha inesperada. O meu problema resolveu-se em tempo record. Mas preferia que o sistema funcionasse sem cunhas e célere para todos. Conheça-se quem se conhecer.

Em qualquer dos casos, mais logo lhe telefono a agradecer.

Imagem: algures na web


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