Être citoyen
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Autor Tópico: Être citoyen  (Lida 9954 vezes)
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JC Duarte
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« Responder #45 em: 17 / Jul / 2005, 17:08 »

Jornalista - É o primeiro testamento de vontade registado em notário onde está expresso o pedido para que seja aplicada a eutanásia no caso de o titular ficar em estado vegetativo persistente.
Este professor de contabilidade e gestão de empresas tem ideias muito próprias sobre a vida e a morte. Por isso mesmo decidiu avançar para este acto.

Manuel Ribeiro – É crime fazer a eutanásia. Se me permite… Eu nem sei se vou ser preso se não, espero que não. (…) Eu não acho que seja, é exactamente ao contrário. O que eu acho é que nesses estados terminais, esses estados vegetativos (…) O crime não é fazer, o crime é deixar de o fazer! Porque as pessoas, depois de 15 ou 20 anos em estado vegetativo, as pessoas têm que resolver a sua vida, não só as pessoas que estão em estado praticamente de morte, como as outras pessoas que também precisam de viver e não podem estar agarrados a uma cama toda a vida.

Jornalista – Foi o exemplo do filme espanhol “Mar Adentro” que retrata o sofrimento de um homem e a luta que travou para conseguir que lhe fosse aplicada a eutanásia, que de alguma forma inspirou Manuel Ribeiro.
Este testamento de vontade ou testamento biológico, até foi fácil de fazer.

Manuel Ribeiro – Eu tive assinatura presencial, e registaram-me o nome, Manuel Joaquim Nunes Ribeiro, com uma assinatura presencial do testamento de vontade, do testamento biológico.
E pronto, paguei 10 euros ou 11 euros, salvo erro, puseram uma quantidade de carimbos, selo branco… Eu vim muito contente com aquilo.

Jornalista – A ordem dos médicos condena o pedido sobretudo porque eticamente está interdito aos olhos da lei portuguesa. E garantem que a eutanásia nunca será aplicada.

José Pedro Moreira da Silva, ordem do Médicos, Norte – O acto da eutanásia não pode como é óbvio. Poderá levar em conta que o doente tem essa manifestação de vontade e, portanto, poderá também levar em conta que pode não lhe prolongar a vida por meios artificiais intervindo medicamente se entender que estão reunidas as condições para isso.
Agora é evidente que não pode praticar a eutanásia. Isso está fora de questão. Não está previsto na legislação portuguesa e é condenado pelo código deontológico da ordem.

Jornalista - Enquanto espera que a Assembleia da República tenha coragem para alterar a legislação, Manuel Ribeiro também lança um apelo aos mais novos:

Manuel Ribeiro – Que tenham coragem, as pessoas novas e a juventude, que nunca se sabe o dia de amanhã, que eles próprios façam atestados de vontade, como há na Alemanha, há na França, há na Suiça…  Façam esses atestados de vontade porque o dia de amanhã é muito incerto, e isso poderá ser uma defesa para eles próprios.
Não tenham medo! Não tenham medo de viver, mas também não tenham medo de morrer!

Jornalista – A vontade de um homem que mantém como lema: “Não fui consultado no acto de nascer, quero ser ouvido no acto de morrer!”


RTP – Jornal da Tarde, 2005-07-17
Esposende.
Paulo Geronimo, jornalista.

Imagem: copy of my PC, website www.rtp.pt



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« Responder #46 em: 27 / Jul / 2005, 10:52 »

A dar fé numa notícia televisiva de hoje, várias mulheres foram ordenadas sacerdotes no Canadá. Umas Padre, outras Diácono. A cerimónia foi presidida por três mulheres sacerdotes, idas propositadamente da Europa para a solenidade.
Estas três mulheres, por terem assumido a categoria eclesiástica que possuem, foram excomungadas pela Santa Sé. O mesmo espera as recém empossadas.

Não entendo este impedimento que a Igreja Católica Apostólica Romana faz à ordenação de mulheres.
Bem sei que a história está repleta de líderes religiosos, todos homens. O papel feminino, na história da igreja, tem-se restringido à função reprodutora, à vida monacal e, nalguns casos póstumos, à elevação à categoria de santa ou equivalente.
Mas as mulheres não podem ser pastoras no rebanho de fieis! Nem mesmo agora, que a mulher atinge ¡Aleluia! altos cargos na vida política e social.
A igreja, cristã ou não, baseia-se em rituais, a repetição “ad eternum” de gestos e práticas ancestrais. A alteração destes ritos e regras perpétuas é um quebrar do conservadorismo inerente a toda e qualquer religião.

Mas, se uma das funções da religião, seja ela qual for, é definir regras e comportamentos sociais, não deveria acompanhar os espíritos vigentes no lugar e no tempo, em vez de se “agarrar” desesperadamente a conceitos definidos quando o social era bem diferente?

Não seria vantajoso para a igreja integrar nas suas regras os actuais conceitos, na tentativa de atrair para si mais fieis? De converter para a “salvação” mais almas?

Ou será que o principal obstáculo do acesso ao sacerdócio se prende com o facto de o símbolo feminino possuir uma cruz invertida? Símbolo da missa negra e da adoração do mal.

Se assim é, à mulher é atribuída a carga negativa, tal como é no Islamismo.
¡Caramba!, qual a diferença entre Roma e Meca?
E, já agora para pôr todos no mesmo saco, entre Roma, Meca e Jerusalém? Sim, porque entre os Hebreus também há actividades interditas à mulher, como seja o estudo da Tora.

Se pensarmos que a Mulher está mais ligada à vida que o Homem (ela é que gera, ele é que mata), podemos perguntarmo-nos se ambos não fazem parte do eventual deus uno e único que terá surgido ali para os lados do Médio Oriente, que vai punindo e recompensado, neste e noutro mundo.

Somos as duas faces de uma mesma moeda, que tanto vale do lado Caras como do lado Coroa!

Imagem: Edit by me, from A crucificação com dois patronos, de El Greco, c. 1580



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« Responder #47 em: 29 / Jul / 2005, 08:46 »

A existência do Homem, dizem os especialistas, divide-se em duas grandes épocas: pré-história e história. A fronteira, dizem ainda eles, é a invenção da escrita.
É um ponto fulcral, então e agora. Permitiu-lhes a transmissão do conhecimento de geração em geração sem a já clássica situação “Quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto!” E permite-nos saber hoje o que pensavam os antigos.
Ideográfica ou fonética, a escrita revolucionou e existência humana.

......................

Assim, quando por cá acedemos a uma estação de TV ou rádio, que vão beber nas agências internacionais o “néctar informativo”, mais não estamos que a ser moldados de acordo com os interesses não confessos de um ou vários grupos económico-politico-culturais.
E esta manipulação segue-se, dia após dia, noticiário após noticiário, segundo após segundo.

O inglês, o francês, o castelhano e o português já eu domino. Estou a pensar, muito seriamente, em ir aprender russo, chinês, árabe e indiano.
E, depois disso, continuar tão ou mais baralhado que antes sobre o que me cerca.

Afinal, em quem podemos ou devemos acreditar?
Você sabe?

Imagem: by me



O texto completo e a imagem estão, como de costuma, aqui:
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« Responder #48 em: 31 / Jul / 2005, 13:33 »

Este computador em que me lê é profundamente estúpido!
Tão estúpido que só a sua simples existência dá direito a uma ataque de riso histérico!

É que ele só sabe dar respostas. Não faz perguntas!

É um autómato programado para responder às questões que lhe são colocadas, seleccionando as opções possíveis até chegar àquela que o programador escolheu.
Engrenagem complexa e fiel num mecanismo previsível.

Você sabe fazer perguntas?

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Como de costume, a imagem está aqui:
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« Responder #49 em: 31 / Ago / 2005, 17:02 »

A história passa-se nos arrabaldes de Maputo.


Uma fábrica, montada ao abrigo de acordos de cooperação Afro-europeus, processava carnes.
Equipada com maquinaria de penúltima geração, possuía uma máquina que era o coração da fábrica. Introduzia-se o porco de um lado e do outro saíam as salsichas, os presuntos, os chouriços, os fiambres, etc.
Acontece que esta máquina avariou! Passou a ejectar salsichas salgadas, chouriços com osso, presuntos entripados e toucinhos… bem, ninguém quer saber como estavam a ser produzidos os toucinhos!

O dono começou a ficar cinzento, o que por estas bandas é sintoma de desespero. Sem a máquina, a fábrica parava e lá se ía o negócio e os subsídios europeus.
Entrou em contacto como representante da máquina, no centro da cidade, para que lhe enviassem um técnico.

No dia seguinte, com uma pontualidade germânica, ao abrir da fábrica apresentou-se o engenheiro alemão. Envergou a bata, calçou as luvas e começou a examinar o complexo monte de peças móveis e fixas, circuitos eléctricos e electrónicos. À medida que espreitava aqui e ali, ía tomando notas nuns impressos que ía extraindo de uma pasta de couro que trazia sempre consigo.
Passadas duas horas, apresentou o diagnóstico e a solução:
“Esta máquina tem um parafuso com a rosca moída. Acontece que sou especialista em porcas, pelo que não posso resolver o problema. Há que chamar o nosso técnico em parafusos. É coisa para umas três semanas, já que ele se encontra em comissão de serviço na América do Sul.”

O cinzento do patrão ía aclareando. Ao fim de três semanas, já nem couratos conseguia fabricar ou vender!
A alternativa, bem mais cara, seria chamar um outro fabricante, americano, sediado em Pretória, que talvez resolvesse o assunto.
Trinta e seis horas depois, chegavam três carrinhas pretas de vidros fumados. Os fatos escuros, tal como os óculos dos seus ocupantes, poderiam sugerir outra ocupação, mas de imediato se dirigiram ao interior da fábrica.

Ligaram à máquina diversos terminais, conectados com os seus computadores portáteis, sincronizados com a antena de satélite que um deles, entretanto, tinha montado. Quinze minutos depois tinham uma resposta impressa em diversas línguas, para que não houvessem dúvidas:
“Existe um parafuso com a rosca moída que impede todo o funcionamento normal da máquina.”No entanto, e em virtude da diferenças das unidades métricas existentes, não poderiam resolver a questão que não fosse venderem toda uma máquina nova, última geração, automatizada e computorizada.
Caramba! O acordo de cooperação era com os europeus e estes não gostariam de ver os seus euros transformados em dollars desta maneira!

Já branco de desespero, lembrou-se o patrão de um português que trabalhava de mecânico numa oficina ao fundo do bairro. Constava ser mágico com as mãos e que não havia avaria ou deficiência que não resolvesse.
Chamaram-no.

Ao fim do dia veio, com a sua mala metálica chocalhando de ferragens e ferramentas.
Pediu para porem a trabalhar a máquina, espreitou aqui, deu umas marteladas ali, rastejou acoli e, passado um bocado, deu o seu veredicto:
“Tem um parafuso com a rosca moída! Não tenho destes. Mas ali ao fundo existe uma peça que tem seis e trabalha bem com cinco. Tira-se um de lá para cá e o assunto fica resolvido!
Mas, por favor! Não digam nada ao meu patrão que é uma coisa assim simples, que eu quero ir passar uns dois dias ali à praia!”


Assim são os Portugueses: especialistas em coisa nenhuma, peritos no desenrasca, amantes do nada fazer. Mas, quando fazem algo com dedicação – o que é raro – fazem-no bem e com rapidez.

Pena é que a sociedade não se restaure com expedientes e desenrascanço!


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« Responder #50 em: 02 / Set / 2005, 23:06 »

Desempenham as mesmas funções que faziam os que pertenciam aos quadros. Mas estes foram afastados por rescisões de contractos ou por mudança de actividade dentro da empresa.
Os que agora fazem essas tarefas, vulgo tarefeiros, recebem bem menos que os que já lá estavam e não têm nenhum vinculo à empresa, porque contratados por uma outra, fornecedora de serviços. Out sorcing!

Ganha esta empresa que se limita a receber os candidatos e a fornecer mão de obra a preços da chuva.
Ganha a empresa que a recebe, que diminui notoriamente as suas despesas com pessoal, sem nenhum compromisso para o futuro em relação a eles, nem encargos com segurança social ou outros. Em qualquer momento os pode mandar embora sem nenhum tipo de escrúpulos.
E que ganha quem assim vai trabalhar? Nada!
Dores de cabeça para fazer esticar o magro ordenado pago de má vontade, a incerteza de futuro e a incapacidade de assumir compromissos, porque ninguém quer emprestar dinheiro a gente com este tipo de ocupação.
E a raiva de saber-se a trabalhar ombro a ombro e em igualdade de exigências de qualidade com pessoal dos quadros e a ganhar por metade ou nem isso. Sejam quais forem os horários a cumprir, as tarefas a desempenhar, o número de horas dia em trabalho ou as responsabilidades no produto final.

Foi pela fé!
Foi pelo império!
Foi pelo espaço vital!
É pela competitividade!

Quais as diferenças entre estas formas de escravidão? Alguém me explique que eu não entendo!
Estes novos processos feudais, como os seus noveis senhores e os sempre eternos servos da gleba deitam por terra os sonhos e as lutas de quem tentou construir uma sociedade igualitária e justa!

Estamos a precisar de uma nova limpeza!
Seja qual for o dia ou mês em que se realize!
Com cravos ou cardos!!


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Divirtam-se e acendam a luz!!!!!!!!!!!!

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« Responder #51 em: 03 / Set / 2005, 00:23 »

E quem se interessa com isso??? Nem os própios se atrevem a denunciar as condições em que trabalham.

Um dia, após assistir a uma conversa de refeitório de um grupo destes novos escravos, vim para aqui e escrevi sobre o assunto, chamei-lhe "Tenho escravos, mas não são meus!", o assunto está na área de freelancer's, e nem um comentário teve... não se organizem não.
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A escravatura não foi abolida, passou a 8 horas por dia ou mais.
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« Responder #52 em: 06 / Set / 2005, 08:02 »

Começa a ser objecto de falatório a possibilidade de a igreja Maná adquirir a empresa Media Capital, possuidora da TVI.
Tratando-se de empresas com cotação na bolsa e uma organização por acções, em que o controle de poder passa por quem tem mais acções (o jogo da bolsa ou do monopólio, lembram-se?), não sei em que medida esta associação religiosa poderá de facto controlar a estação de televisão.

No entanto, sabendo nós que outras organizações semelhantes possuem cinemas, jornais, estações de rádio, escolas e universidades, isenções ficais, acordos de excepção com o estado e quejandos, não entendo onde está o problema que começa agora a agitar as consciências?
Será que tem a ver com esta igreja em particular? Pelo facto de cobrar o dízimo aos seus fieis? Por o seu líder ser de origem brasileira? Pelo capital investido num negócio deste tamanho?
Veja-se quem está à frente da igreja católica apostólica romana e o que ela possui em Portugal. Veja-se a quantidade de cinemas, armazéns e lojas adquiridos para serem transformados em templos de outras confissões. Veja-se o número de pares de pessoas que, em horário normal de trabalho ou não, percorrem os bairros das cidades na sua actividade missionária.

A única coisa que espero é que, da mesma forma que sabemos que o jornal “Avante” pertence ao PCP, que o jornal “Povo Livre” pertence ao PSD, que a “Rádio Renascença” pertence à igreja de Roma, que seja divulgado, sem camuflagens, quem possui as estações de televisão.

Na prática, se é obrigatório ter bem visível a composição dos produtos alimentares ou farmacêuticos, no caso da comunicação social deveria ser igual!

E que os deuses nos ajudem!

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« Responder #53 em: 07 / Set / 2005, 10:33 »

Oiço um jornalista, com responsabilidades editoriais, afirmar que o mês de Agosto foi terrível.
Não houve notícias, pelo que se encheram os noticiários com os incêndios.
Ainda segundo essas afirmações, se não há notícias, encurtam-se os noticiários!

Não há notícias?!!!!
O que é uma notícia? A actividade política do governo ou oposição? Serão os media órgãos de um ou de outro?
Ou será que apenas o que a tal respeita é importante, sendo o resto negligenciável?
Quantas operações de sucesso foram realizadas nos nossos hospitais? Não interessa, pois que ninguém morreu!
Quantos casamentos, feiras e festas estivais se realizaram? Informação inútil, que a polícia não interveio!
Se existirem estatísticas sobre as mortes por afogamento nas praias ainda é como o outro! Agora o número de salvamentos…
Só para dar três exemplos!

Mas isto implica jornalismo de investigação, recolha de dados, comparação de valores, inúmeras entrevistas e conversas.
Não mostra mortes e morgues, não tem discursos nem afirmações polémicas, não é sancionado por nenhum das facções parlamentares.
E, além disso, é caro! Não se pode fazer este tipo de informação com uma câmara, um jornalista e uma ligação em directo. São muitas horas de trabalho com pouca publicidade de retorno!

A informação é uma indústria de poder! Compra, vende, constrói e destrói reputações, políticas e argumentos. Se não tem matéria-prima, hiberna.
Neste caso, estiva!

Imagem: algures na web


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« Responder #54 em: 11 / Set / 2005, 00:04 »

Em tempos antigos, os jornais não se vendiam em bancas.
Eram os ardinas que percorriam as ruas da cidade, com os diversos periódicos num tradicional saco de pano pendurado do ombro, que iam apregoando as “parangonas” (manchetes nos tempos que correm).
Para além dos títulos em venda, iam avisando os passantes e potenciais clientes de quais as notícias mais importantes. Regra geral orientando a publicidade para o mercado existente.

Pois este ardina, que de novo já nada tinha, tinha por actuação a zona centro da cidade, com algumas esquinas de estimação.
Apregoava ele, naquela manhã:
Olha o desastre! Trás o desastre! Olha o desastre!

Às solicitações de “Dê-me um” ou “Deixe-me lá ver isso” ou ainda “Vou levar”, respondia com um “Bom dia vizinha” ou “Aqui tem o seu troco cavalheiro” ou ainda “Até amanhã, freguês”.
E continuava, com a sua voz em tom elevado e já meio rouca:
Olha o desastre! Trás o desastre! Olha o desastre!

Um cliente, depois de folhear o jornal e não encontrando em parte alguma o título apregoado, levantou-se da mesa do café e veio ter com ele:
Oiça cá! Está para aqui há mais de uma hora a anunciar um desastre no jornal e não vejo nada disso por aqui! Anda a enganar a freguesia?

A resposta veio em tom mais baixo, mas decidida e esclarecedora:
Veja lá no fundo da página 26, onde diz “Mulher dá à luz três gémeos”. Eu sou o pai! Quer maior desastre?
E continuou no tom habitual:
Olha o desastre! Trás o desastre! Olha o desastre!

É velhinha esta estória. Pois será.
Mas já então os media davam relevo aos desastres e ocorrências que lhes tocavam mais de perto, deixando para segundo plano outras circunstâncias.
Já não se fala no Inverno gélido que tivemos e que podemos tornar a ter; O Tsunami do Sudeste asiático é notícia requentada; A evacuação dos colunatos judaicos da faixa de Gaza também é sobremesa de anteontem; Os incêndios passaram a segundo plano, tal como a seca e a poupança de água.
O que está a dar é o Katrina, que tem aspirações ao Guiness: desalojados, epidemias potenciais, mortos, destruições, militares em manobras e declarações de políticos.
Ou então a “reentrée” política, com os duelos dentro e entre partidos.
É o que está a dar!

Agora a excisão genital feminina, que é um drama mas que não dá imagens dramáticas, os refugiados do Darfur, cujas imagens são sempre iguais pois que não diferenciamos um faminto de outro, isto já não enche nem 30 segundos de jornal.

Esperemos pelo fim das férias judiciais para ver como será coberto o caso Casa Pia, que sempre distrairá as atenções do acto eleitoral que se avizinha…

Imagem: by me


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« Responder #55 em: 13 / Set / 2005, 00:31 »

A língua é algo de vivo, tanto na sua oralidade como na escrita. A sua evolução não depende dos acordos ortográficos que uns quantos lentes decidem mas antes da utilização que os falantes ou escribas lhe dão.
Um bom exemplo é Mia Couto, que constrói as palavras quando as que sabe não expressam o que sente.
Mas há o linguajar diário, aquelas expressões, que interjeições ou desabafos, verbalizam as raivas e as vontades contidas.
A propósito de um outro post meu, onde reproduzo um artigo do “Público” intitulado “As bombinhas do Katrina”, alguém, que me faz o favor de vir ver o que por aqui vou pondo, quis comentar. Uma vez, outra e outra e o sistema impediu-o de o fazer.
Decidiu então enviar-me a sua opinião sobre a matéria por e-mail.
Porque acho que não apenas as opiniões expressas como também o estilo de escrita o merecem, aqui fica na íntegra, com a devida referência:
By: pafmax



Carissímo, este photoblog anda doido, diz-me que o meu comentário contêm spam!!
Ou então tem algum tipo de censura (tou a ser paranóide, sim)
Mas pronto, como não quero deixar passar o assunto em claro, aqui vai todo o comment, tal como deveria ser...

------------

O katrina, tal como os incêndios cá em portugal denotam apenas 1 coisa. Há cidadãos de primeira (com dinheiro) e de segunda (sem dinheiro).
Por mais florezinhas ou punhos fechados, por mais cor-d-rosa que o queiramos colorir, a realidade é, e sempre será a mesma. Existem classes. Existem, elas tão sempre lá!!
O caso do Katrina é um caso peculiar, por atingir uma sociedade peculiar.
Os Americanos de Bush são racistas, snobs e uns filhos-da-*Prostituta* de primeira.
Houve um tsunami, matou milhares e milhares de "amarelinhos", mas houve solierariedade, houve e há quem ajude o seu vizinho, porque se preocupa.
Houve incêndios por cá. Populares a ajudar os bombeiros, curtos no seus meios e força anímica, gente a ajudar o vizinho, porque se preocupa.
Houve um tufão na terra do tio Sam... (vou ser um muito sarcástico e corrosivo nas próximas linhas, sorry)

1º, no dia anterior foi o salve-se quem puder, pelos seus proprios meios (e quem n puder? k s foda!)
2º, oops! olha o furacão a dar cabo de tudo em directo na CNN! Uaaau! q boniiito, pareçe holywood, ké do Rambo!?
3º, olha, só ficaram pretos pa trás, velhos e pobres... "tadinhos" mas hei, afinal são pretos e alguns velhos gagás!
4º, mas o q é feito das equipas de socorro? Aaah, hot-dogs no texas!
5º, eix olha a destruição... Pilhagens?! (pudera, preto pobre do guetto é violento por natureza - oh, mas *só* tá há 3 dias sem ajuda de ninguém)
5º e 1/2, os cabrões dos pretos andam aos tiros! Chamem a guarda nacional, o exército e matem-nos a todos!
6º olha mas tb há brancos a entrar nas lojas? Coitadinhos, tem d ser! Tão a tentar encontrar mantenimentos para sobreviver!!! (e 40 sapatilhas nike ajudam mesmo...)
7º olha, os radicais arabes já andam a gozar com os americanos, k passado 5 dias ainda não fizeram puto... pudera, andam em guerrinhas lá fora! Mas isto não pode ser!!! Olha, o bush viu as notícias de Nova Orleães afogada na Aljezira!
8º Lá vem o exército!!!!! e o Bush a abraçar duas pretas magrinhas, maquilhadas e bem arranjadas (axo k vi uma dela num filme qq....) UAU! Bush Saves America Again! (demorou kuase uma semana, mas té vem de mangas arregaçadas e tdo, compensa!)
9º Ajuda intenacional? pa kê??!... Os amirecanos não precisam desse lixo estrangeiro!
....

(acabo o sarcasmo hiper-corrosívo...)

O Próximo episódio vai o número (ainda muito secreto) de mortos k akela bodega fez... Há de meter a guerra no iraque, o 11 d setembro e o afeganistão no cantinho como pequeninos "incidentes", tou mm a ver...

...É que o problema com os americanos é que são ensinados e incentivados a olharem para o vizinho como um inimigo, como um alvo a abater, sem nenhum valor... They don't care!
E isso foi o que se viu com o Katrina. Q para além de uma sociedade racista e classista, onde quem tem $ é rei e quem não tem é cão. Nos EUA há uma cultura de total desrespeito pela vida do próximo, uma falta de solierariedade atróz!!! (e não me venham com as "doações" k afinal d contas são dedutiveis nos impostos da terra do titi Bush).


Deixem-me ficar aqui neste cantinho rectangular. Onde a terra são cinzas, os políticos vasculham a economia como cães procurando no lixo algo pa comer, crianças morrem por incompetência, mas....
Mas... mas onde pelo menos existe solierariedade na sociedade, e respeito pelo próximo q.b...
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Um Abraço,
Pafmax



Imagem: in NewYork Times, usada para ilustrar o texto comentado



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« Responder #56 em: 17 / Set / 2005, 06:45 »

Aquela era uma empresa grande, com alguns milhares de colaboradores.
Um dos locais de laboração era grande, com umas centenas de metros quadrados onde, em regime de rotatividade, os pouco mais de noventa pontos de trabalho eram ocupados por cerca de centena e meia de pessoas.
Menos de ano e meio depois de se terem “deslocalizado” para ali, pelo menos oito pessoas já tinham sido alvo de tratamento psiquiátrico ou psicológico, algumas com impedimento temporário de trabalho.”


Esta é uma história ficcionada.
Nunca aconteceu em Lisboa, em Portugal, na Europa e muito menos no séc. XXI.

Mas esta história ficcionada é a terceira versão escrita.
As outras duas estórias nunca foram mais que rascunhos detalhados. Com algumas conclusões e estatísticas. Ficcionadas, entenda-se.
Que a ética e o receio devido a veladas ameaças de represálias me levaram a destruir.
Provavelmente não as deveria ter rasgado, mas até eu tenho assomos de senso comum.
Talvez um dia fique integralmente imune!



Imagem: o meu actual estado de espírito


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« Responder #57 em: 30 / Set / 2005, 00:26 »

Sindicato dos Jornalistas chocado com jornais azuis.
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) questionou a acção de marketing da TMN que ontem tingiu de azul dez jornais diários, incluindo títulos desportivos e gratuitos. "Não estando em causa o recurso do anunciante à generalidade dos jornais, é, no entanto, chocante a submissão dos órgãos de comunicação ao recurso publicitário utilizado", refere um comunicado do órgão sindical dos jornalistas sobre a acção publicitária inserida na mudança de imagem do operador de telemóveis. O SJ considera "este episódio mais grave do que outros anteriores" e apela "às direcções dos jornais, aos conselhos de redacção e aos provedores dos jornais para que encetem uma reflexão séria sobre os limites da publicidade".


In: Público, 2005-09-29





Ele é publicidade sonora nas estações de metro, disfarçada de informação, da qual não podemos fugir, queiramos ou não!
Ele é a publicidade através de inquéritos telefónicos, que nos chamam aos aparelhos para responder às questões mais disparatadas!
Ele é a publicidade com imagens subliminares em spots televisivos, ilegalíssima, mas que é emitida! Tenho exemplos disso aqui em casa da TV portuguesa!
Ele é a publicidade em painéis de TV gigantes na berma das vias e ruas, que desvia a atenção dos automobilistas, tal qual o telemóvel!
Eles são os ditos “jornais gratuitos” que mais não são que folhetos publicitários com algumas notícias avulsas e minimalistas!
Ele é a publicidade na correspondência, convencional ou electrónica, mesmo que à revelia da vontade de quem a recebe.

E vem o sindicato dos jornalistas incomodar-se com este fenómeno?!?
Será que apenas agora descobriu que os jornais mais não são que um negócio que vive das vendas de cada unidade e da publicidade e que os investidores mais não querem que lucro?

Não nos enganemos!
Os media são um negócio e não existe nenhum isento. Nem do ponto de vista ideológico nem do ponto de vista comercial!
Apenas alguns são mais discretos e dão menos nas vistas que outros!

Imagem: algures na web


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« Última modificação: 30 / Set / 2005, 00:30 por JC Duarte » Registado

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« Responder #58 em: 03 / Out / 2005, 10:09 »

Por uma questão de principio, sou contra as leis!
Elas existem para impor ou proibir comportamentos ou práticas. E tudo o que me querem impor ou proibir provoca-me urticária e deixa-me de unhas de fora.
No entanto, há que ser sensato! Na sociedade em que vivemos, com o ser humano que somos, elas têm que existir, quando não…

Vejamos uma história recente:
Nas minhas deslocações recorro aos transportes colectivos. Na esmagadora maioria das vezes, de casa para o trabalho e vice-versa e, quase sempre de superfície. Ainda que prefira o metro, porque não poluente nem engarrafado, não me calha em caminho. Mas às vezes lá os uso.

Um destes dias em que tive que viajar nele, “Saltou-me a tampa”!
Os painéis de vídeo existentes nalgumas estações vomitavam o costume: vídeos musicais, notícias soltas e sem responsabilização editorial, e publicidade.
Montes de publicidade!
Em querendo, poderia não ver: bastaria olhar para o lado. O que já não poderia, mesmo querendo, era deixar de ouvir!
Estrategicamente colocados ao longo do cais de embarque, inúmeros altifalantes garantiam que eu, estivesse onde estivesse, continuaria a ouvir o que me queriam impingir!
Senti-me como que dentro de uma lavandaria cerebral, onde me queriam impor comportamentos, consumos e gostos!
Fiquei com urticária e com as unhas de fora!

Tendo tempo, dirigi-me ao Instituto do Consumidor, ali ao Saldanha. O afável funcionário de uma empresa de segurança informou-me, da sua cadeira, que só havia dois períodos de atendimento ao público, duas manhãs por semana. Para rematar as coisas, ainda me acrescentou que, dos dois juristas destacados para esse efeito, um deles encontrava-se em estágio algures numa capital europeia, pelo que estavam reduzidos a uma manhã por semana.
Não só já era depois de almoço, como aquele nem sequer era o dia em questão!
Mas estas coisas não me atrapalham e, tendo ficado com os contactos telefónicos e de web que me forneceu, telefonei-lhes passados uns dias.
E fiquei elucidado quanto à questão!

A publicidade sonora, em espaços privados, não está legislada. Donde, este caso não está nem dentro nem fora da lei. Nada impede a sua utilização, seja qual for o fim e os conteúdos.
Tratando-se de Portugal, com a sua “Chico-esperteza”, alguém resolveu utilizar este vazio em seu proveito, pondo de parte escrúpulos ou éticas no que toca ao respeito pelo outros.

Quanto mais não seja, ao comprar um título de transporte de metro, o que eu estou a comprar é transporte e não lavagens ao cérebro!
E quero ter o direito de dizer “NÃO” quando me querem impingir publicidade. E se posso desviar os olhos ou fechá-los, já o mesmo não posso fazer quanto aos ouvidos!

Tenho estado cá a pensar numa nova oportunidade de negócio: A venda de tampões de ouvidos, na rua, junto às bocas de entrada do Metro. Não sei se alguém compraria, mas eu seria cliente, de certeza!



Imagem: by me



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« Responder #59 em: 18 / Out / 2005, 09:09 »

The Bridge over the River Kwai”, filme rodado em 1957 por David Lean.
À época, e não só, marcou o cinema.
Trata-se de um potente manifesto anti-bélico!
E de um excelente exercício de personalidades, do estudo sobre as diversas motivações humanas para um mesmo objectivo, do esforço interior e colectivo para a sobrevivência psíquica em condições extremamente adversas.
Este tema tem sido abordado inúmeras vezes no cinema como por exemplo “Lifeboat”, de Alfred Hitchcock, baseado num romance de John Steinbeck.

A história original de “The bridge over the river Kwai” é má! Tenho por aí algures um exemplar do livro traduzido para português, tal como tenho por aí algures uma cópia em VHS do filme. É um daqueles casos raros em que o filme supera em muito a história original. Se virem o livro, não o comprem, mas se puderem ver o filme, não o percam!

Mas o que deu grande notoriedade a este filme foi o seu tema musical, aqui em fundo. Composta por Malcolm Arnold correu mundo e tem diversas interpretações, por orquestras, bandas ou solos. Quem quer que tenha visto o filme, não pode deixar de o rever mentalmente ao ouvir este tema.

Agora, dói-me profundamente a alma que se venham apropriar deste tema musical para o tele-lixo intitulado “1ª companhia”, transmitido por uma estação de TV portuguesa.
Da mesma forma que me incomoda que a expressão “Big Brother” seja associado a outra série de tele-lixo no lugar de ser referenciado com a obra de George Orwell "1984", levada à tela, brilhantemente, por Michael Radford.
É como usar reproduções do teto da Capela Sistina para embrulhar doses de extazy ou equivalente!

Da mesma forma que existe um “Tribunal internacional dos direitos do homem”, igualmente deveria existir um “Tribunal internacional dos direitos da arte”, para punir estas ligações de obras de arte a lixo, televisivo ou não!


A imagem e o som estão, como é hábito, aqui:
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