Captação de Eventos Sociais
10 / Jan / 2009, 04:31 *
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Autor Tópico: Captação de Eventos Sociais  (Lida 10436 vezes)
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Athouguia
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« Responder #45 em: 09 / Abr / 2007, 12:35 »

Bom, se achas que os 1000 euros não são de lucro porque se perde tempo no prórprio dia e a editar as fotos, então os 500 do vídeo também não são lucro pq tenho q contabilizar o próprio dia e a edição do vídeo. Aliás, por esse ponto de vista nada é lucro porque estamos a investir o nosso tempo e trabalho. Eu considero lucro a diferença entre o que se ganha e as despesas, se eu ganho 100 e invisto 50 então o meu lucro é 50.

Se os 1000 que eles ganham é justo ou não não te sei dizer, se for pela qualidade do trabalho sim, são excelentes fotógrafos. Em norma não consigo editar um vídeo em 5 dias, preciso de pelo menos 7 ou 8. Não me considero lento, apenas perco algum tempo com pormenores e detalhes para tentar dar o meu melhor, para que o resultado seja o mais harmonioso possível. E sinceramente 600 euros não acho que seja um bom preço por tanto tempo de trabalho, sem esquecer o investimento no equipamento e o desgaste do mesmo. Será um bom valor para muita gente, mas não no meio em que trabalhamos onde as horas de edição se pagam a preço de ouro e um bom equipamento é caríssimo, mais do que o da fotografia. É claro que as pessoas querem pagar menos, estranho seria se quisessem pagar mais, não podemos é baixar as calcinhas só para conseguir o trabalho. E isto aplica-se a tudo o que fazemos. Eu sou free-lancer e tenho um preço, se me oferecerem menos simplesmente não trabalho.

Se calhar sou eu que estou errado em achar que o nosso trabalho é tão válido como o da fotografia e que devia ser renumerado como tal...
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Nelson Rocha
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« Responder #46 em: 09 / Abr / 2007, 15:08 »

é claro q o nosso trabalho é tao valido como o do fotografo, é so mm a questao da despesa do fotografo que difere.

Quando ao ser justo ou nao, é como te disse, acho injusto um freelancer ter preços muito altos, comparativamente a alguem que tem uma loja, que nao é o meu caso.

Ate porque a pessoa que tem a loja teve muitas despesas, alem do material que precisa para trabalhar.
Não devemos baixar as calças, concordo contigo, mas acredita que o cliente quendo acha caro vai a outro..e somos nos que perdemos, porque o cliente nao a valor ao nosso trabalho na maior parte das vezes, escolhe o serviço pelo preço...
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Athouguia
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« Responder #47 em: 09 / Abr / 2007, 16:48 »

Desculpa Nelson mas tenho que discordar. Um freelancer pode ter também despesas tal como uma loja, impostos, a câmera e acessórios, o computador, o software, o escritório se tiver, etc. A loja tem a vantagem de ter as portas abertas para quem quiser entrar e ver, como freelancer tens de ir atrás dos clientes ou ninguém sabe que existes. Uma loja de fotografia não vive só das fotos q faz dos casamentos, também vendem material e têm laboratório de revelação. As coisas não são assim tão lineares. Por outro lado, eu como freelancer tenho menos trabalho e posso dedicar mais tempo à elaboração dos vídeos. E acredita, há muito melhor qualidade nos vídeos feitos por freelancers do que naqueles que as lojas vendem. Eu trabalho para algumas casas de fotografia, apenas gravo, a edição é com eles. Já vi coisas de por os cabelos em pé.

O cliente pode achar caro, mas se gostar do trabalho não vai procurar outro. Se tens boa qualidade isso paga-se e ele sabe disso. Eu tenho perfeita consciência que não sou o mais barato, também não sou o mais caro. Mas acho que consigo fazer os vídeos com alguma qualidade, o que neste meio não é difícil tendo em conta a má qualidade que reina. Posso dizer que cobro 600€ pelo serviço, mais IVA e despesas de deslocação. Se é caro ou não não sei, tenho até agora já 12 marcados, tive apenas uma nega. O meu amigo fotógrafo acha que eu devia subir o preço, eu acho que é arriscado e prefiro ter um pássaro na mão q 2 a voar. Tenho falado com pessoal americano nos fóruns, posso dizer-te que a média de preços ronda os $2000. Já vi coisas fantásticas, altas produções feitas por gajos que só fazem aquilo. Claro que o mercado nos EUA não tem comparação com o nosso, mas aqui mesmo q consigas trabalhar num meio social mais elevado, onde as pessoas podem pagar um video a sério, jamais conseguirias os preços que se praticam lá. As pessoas não estão conscientes do valor dum vídeo, se fores à exponoivos encontras 2 ou 3 stands que também mostram vídeos, o resto é tudo fotografia.

Onde eu quero chegar é, um fotógrafo cobra um preço justo pelo seu trabalho, freelancer ou não quer faça casamentos quer outra coisa qualquer acaba por ter preços equivalentes. No vídeo não é assim, se fizeres um institucional ou um trabalho qualquer e apresentes um video de 30 minutos provavelmente não vais cobrar apenas 500 ou 600 euros, aliás tendo em conta o investimento que estás prestes a fazer não me parece que vás praticar preços desses. Então porque num video de 30 minutos dum casório vais cobrar os tais 500 ou 600 euros? Eu sou apologista de que a qualidade paga-se, e somos nós que temos capacidade e conhecimentos para fazer um bom serviço. Temos que mentalizar as pessoas para o preço das coisas.
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Jose Costa
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« Responder #48 em: 10 / Abr / 2007, 01:13 »

Boas.

Paulo Portas, quando era deputado na Assembleia da República, gostava de dar o exemplo do Zé e da Maria, quando se dirigia ao Parlamento. Parece que o estou a ouvir agora: "Temos o Zé, cidadão português e cumpridor, que decide criar uma casa de fotografia. Faz reportagens de casamentos. Pága a tempo e horas os seus impostos e assume as suas responsabilidades para com a sociedade e o Estado. Temos depois" - continua ainda o Paulo Portas, perante uma Assembleia aparentemente interessáda no seu discurso - "temos ainda o Francisco, cidadão que mora a 2 quarteirôes de distância do Zé, individuo manhoso, sabichão, que trabalha na empresa Aberto & Fechádo, como trolha de quinta categoria. Porque comprou á duas semanas uma máquina fotográfica ou câmera de video, e até acha que sabe alguma coisa do assunto, decide também fazer reportagens. Mas o Francisco, ao contrário do Zé, não cria empresa alguma, não paga os impostos decorrentes da sua actividade, nem tão pouco passa factura dos seus serviços. Um verdadeiro exemplo da actividade fotográfica/video em Portugal. Depois, temos a nossa Maria. Cidadã que vai casar daqui a 6 meses, que namora com o Joaquim e que tira o dia para ver o trabalho que o Zé e o Francisco fazem. E uma vez que o preço proposto pelo Francisco é bastante mais baixo que o do Zé, e o trabalho á primeira vista até parece igual, a Maria contrata o Francisco. Ela não quer saber se o Francisco tem casa aberta ou não. Nem quer saber se ele paga os impostos. O que a Maria quer saber, e que lhe interessa mesmo, é que vai pagar muito menos."

"Pergunto eu," - questiona Paulo Portas ao Parlamento - "Pergunto eu: quem é mais inteligente?"
"Resposta A) - O Zé por pagar os seus impostos e cumprir com as suas obrigaçôes, mesmo sendo por isso prejudicádo?"
"Resposta B) - O Francisco por se desenrascar e fazer um trabalho mais barato?"
"Resposta C) - A Maria por olhar pelo seu bolso, independentemente de quem está legal ou ilegal?"

Bom, parece que a Assembleia da República ainda está a discutir o assunto. Quanto á minha opinião, diria que: tanto o Zé como o Francisco têm direito a tentar a sua sorte. Mas estarão os dois em igualdade de situação? Vale a pena pensar nisto!

Quem trabalha é que faz o preço. O mercádo da oferta e da procura dita se ele é aceite. Mas quem pága acha sempre muito e quem recebe acha sempre pouco. Querer mentalizar as pessoas de que as coisas têm um preço, não funciona pelo simples facto de que nós próprios somos consumidores e também queremos o mais barato possivel. Se um trabalho é bem págo ou mal pago, é tudo muito relativo. Mas dizer que é mal pago e fazer uma competição de preços, não é de certeza o caminho. A união faz a força. E num Pais em que todos lutam contra todos, chamais será possivel chegar a um acordo. O individualismo e o olhar para o seu próprio umbigo é o grande travão a um trabalho devidamente renumerádo. Até os músicos (dos casamentos) são mais unidos. Vale a pena também pensar nisto! Boas.

P.S. O texto acima escrito é ficticio. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.  Think Think
« Última modificação: 10 / Abr / 2007, 01:19 por Jose Costa » Registado

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« Responder #49 em: 10 / Abr / 2007, 15:44 »

bom, eu tb sou freelancer e nao tenho nenhuma loja aberta, apenas acho que quem faz o serviço deve ter noçao da qualidade do seu serviço e por isso o avaliar, em funçao do mercado.
So acho mau por vezes alguns freelancer praticarem preços exagerados, é algo que vai sp existir...

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« Responder #50 em: 10 / Abr / 2007, 16:29 »

Boas.

Devo dizer que neste assunto de ter ou não casa aberta e de cobrar X ou Y, tenho uma opinião própria e por vezes contradictória. O assunto é demasiadamente complexo e envolve vários aspectos, alguns deles de ordem social e outros de ordem económica. Sem falar nas mentalidades ainda vigentes.

Mas para responder á tua questão, a pergunta é: como é que alguém pode ter noção do serviço que faz, e da qualidade dele, se muitas vezes tudo o que sabe de fotografia e de video é o local do botão REC/Pausa, e que não admite que nada sabe? "Está muito bom, está a reclamar de quê?" - não conhecem esta expressão?

E o que são preços exagerados? Quem define o que é exagero ou não? 30.000 euros por uma câmera HD é um exagero para mim, mas no entanto é o preço dela e se a quero possuir é quanto tenho de largar se a quero ter. Sendo exagerádo ou não. A noção de "exagerádo" é muito vaga. Existe um mercádo, um determinado preço, um determinado serviço ou producto, e o cliente escolhe em função das suas necessidades ou posses.

Os preços são todos exagerádos. Só temos de encontrar a pessoa certa, com essa ideia, porque á sempre quem ache o preço barato. Se o serviço ou producto efectuádo fôr diferente dos outros, vai existir sempre quem o compre, independentemente do preço. Só se tem de encontrar o cliente certo, porque os outros vão achar "um preço exagerádo". Boas.
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« Responder #51 em: 10 / Abr / 2007, 19:05 »

Subscrevo totalmente, o que realmente define um preço exagerado? Não há preços exagerados se houver quem os pague, o trabalho é que tem de justificar o seu valor. Se é bom paga-se bem, se é mau é barato ou deveria ser. Os freelancers têm tanto direito a serem bem pagos como outro qualquer, se não fosse compensador em termos de renumeraçao concerteza ninguem queria ser freelancer. Não podes dizer que um preço é exagerado ou que não é justo, quem quer paga, quem não quer pode procurar outro serviço. É a lei da oferta e da procura.

Um vídeo de casamento bem feito demora muitas horas a ser realizado, um operador de câmera e/ou editor profissionais gasta milhares de euros em equipamento e formação e isso tem de se pagar bem, isto sem contar com a vertente artística. Lá porque é um vídeo dum casamento não tem de ter um valor mais baixo do que outros produtos. É feito tão profissionalmente como o resto... ou deveria ser!
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« Responder #52 em: 05 / Jun / 2007, 23:05 »

Viva!

Chego um pouco atrasado à discussão, mas como diz o ditado, antes tarde que chover no molhado! Seja como for, é um assunto sempre actual por isso acho que não há mal em ressuscitar o tópico!

O que mais me chamou a atenção foi o facto de terem dito que havia  freelancers a "praticar preços exagerados".

O que eu tenho vindo a assistir não é propriamente "preços exagerados" mas sim "preços exageradamente *baixos*"!!! Graças à descida de preços de material, software e potencialidade e automatismo dos mesmos, que houve uma abertura de mercado imensa, fazendo com que qualquer gato-pingado que compra(?) um programa julga que pode meter qualquer "efeito enlatado" e já é fotógrafo/editor de video/animador 3D! A qualidade dos trabalhos é sofrível mas o cliente olha mesmo é para o preço mais barato. E enquanto eu investi milhares de contos (sim, ainda foram contos!) em computadores potentes e software profissional e preciso de levar um valor sério para suportar os custos, os constantes upgrades que são necessário fazer aos diversos programas, as horas de contante auto-formação (que tdos os meses aparece uma técnica nova ou uma feature nova para aprender, e lá vai mais um manual, mais um DVD de formação e mais uma semana  de aprendizagem em que não se ganha nada) e todas as despesas normais (telefone, energia, água, net, renda, etc), aparecem dezenas de miúdos que "fazem umas coisas" graças aos tais milhares de templates enlatados que há por aí utilizados em software que não lhes custou um tusto ("cópias de segurança", pois claro!) e vivem em casa dos pais sem preocupações de rendas nem contas ao final do mês nem nunca pensaram em comprar um upgrade para os programas utilizados (qdo sair um upgrade logo arranjarão uma
"cópia de segurança", com certeza!). Assim, os clientes vêem-se confrontados com o meu preço e o preço destes biscateiros que ficam todos contentes por ganhar 5€/h, que sempre dá uns trocos para gastar na noite nas Docas ou numa discoteca/pub lá da terra!

Há clientes que nem me admiro que tal coisa aconteça, pois é evidente que não tem "olho" para discernir uma peça de qualidade, original e que deu trabalho a fazer... de um efeito escolhido de uma biblioteca e que dá origem a um trabalho igual a mais outros 50! O que me irrita mesmo é ver coisas hediondas em trabalhos de publicidade, ou em separadores e intros de programas na TV, sendo alguns feitos com uma amadorismo tal que desafiam os ensinamentos mais básicos do B-A-BA da especialidade!

Bem, a minha área não é a fotografia ou video-reportagem. como parece ser a vossa, mas acho que se equipara em termos de actos de freelancer e o panorama não há-de ser muito diferente (com a excepção de que na minha área não há a tradição de haver freelancers, visto haver uma falta de confiança medonha nas capacidades dos ditos freelancers, e cada vez menos, pelo que tem acontecido nos últimos anos).

Bom, foi só uma coisita que me deu vontade de partilhar convosco! Smile
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« Responder #53 em: 06 / Jun / 2007, 00:28 »

Olá Fernando, gostaria primeiramente de dizer que concordo quase plenamente com o que dizes. O preço do equipamento é um dos principais factores que influencia no preço da oferta. É injusto para quem investe milhares de Euros em software ter de combater com preços praticados com quem usa software "gratuito". Contudo, como sabes os milhares de contos que falas serviam para comprar equipamentos que estão hoje em dia obsoletos e que qualquer portátil com um software de edição tem mais capacidade que tinha por exemplo um sistema Video Machine da Fast que custava cerca de 20.000 contos há 12 anos atrás. Com menos de 10.000 Euros consegues comprar uma câmera melhor do que uma Betacam SP que custava cerca de 6.000 contos. Acho muito bem, apesar de também sofrer no pêlo com a concorrência de baixa qualidade, que os equipamentos estejam mais acessíveis e com melhor qualidade. Graças a isso posso ter o meu equipamento e fazer dinheiro com ele.

Contudo não posso deixar de fazer um reparo ao teu comentário acerca dos freelancers. Eu sou operador de câmera freelancer e tal como muitos qua participam neste fórum, a video-reportagem não é a minha única área, posso mesmo dizer que é a que menos faço e menos gosto de fazer faço porque é mais um dinheiro que me ajuda a pagar as despesas. Como tal, acho um pouco depreciativo o teu comentário acerca de nós, não sei qual é a tua área mas qualquer que seja tenho a certeza que há freelancers tão ou mais capazes de a fazer como os outros. Freelancer não é sinónimo de incapaz, amador ou incompetente, muitos de nós pagaram milhares de contos pelos seus cursos e actualizam os seus conhecimentos tanto cá como no estrangeiro. A diferença é que não estamos vinculados a uma empresa, temos um trabalho extremamente diversificado e quando o temos e nos pagam podemos ganhar bem acima da média...

Por favor não me interpretes mal, gostaria apenas que tivesses cuidado quando afirmas que há falta de confiança nas capacidades dos freelancers. Estás a ferir algumas susceptibilidades, como em tudo há bom e mau e por isso não podes generalizar... como se só os freelancers trabalhassem mal. Provavelmente não foi tua intenção depreciar o trabalho de ninguém, mas na verdade foi o que fizeste talvez sem te aperceberes.
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« Responder #54 em: 06 / Jun / 2007, 01:06 »

Já em tempos tinha dito, que existe mercado para todos os preços e é assim que temos que sobreviver pois o modelo de negócio de à 5 anos ou mais já não pode ser o mesmo dos dias de hoje. Mas aqui o cliente tem de começar a ter um papel importante e "educa-lo" nesse sentido, tomo como exemplo a área dos casamentos.
Entre 80% a 90% das pessoas que escolhem um video de casamento nunca vê uma demo de trabalhos anteriores de quem contrata e isso normalmente acontece quando o trabalho é barato (entre 300€ a 400€). As casa de fotografia detêm o monopólio dos videos e praticamente "obrigam" que o video seja contratado juntamente com a fotografia. Lá "fora" deste pais à beira mar plantado, normalmente as coisas são separadas (video e fotografia), havendo dentro da mesma área geográfica acordos de cooperação entre a empresa que faz o video e a empresa que fotografa. Não quero com isto tirar o mérito a algumas casa de fotografia que fazem bons videos e investem em formação e equipamento e tentam criar equipas fixas para reportar os seus trabalhos, para com isso aumentar a qualidade. Mas o que disse nas linhas anteriores é um bocado utópico, pois são poucos que o fazem.

Quero eu dizer com isto tudo que o problema está também nos clientes finais que não estão educados a ver e a apreciar um bom trabalho. À que consciencializar as pessoas a comparar e a ver demos de trabalhos, para depois irem pra casa comparar preços/qualidade. Por isso digo à mercado pra todos, para o bom e para o assim assim...  Laughing Laughing Laughing
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Fernando Martins
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« Responder #55 em: 06 / Jun / 2007, 12:45 »

um sistema Video Machine da Fast que custava cerca de 20.000 contos há 12 anos atrás

Hehe! Pois era! Por essa altura - bom, na verdade foi há quase 15 anos! -, para me desenrascar, comprei um Amiga 4000, que custou uns 450cts, depois um acelerador Warp Engine (que fazia o computador andar em média 3 vezes mais rápido e aumentava a capacidade de memória) e uma placa VLab Motion (um sistema de captura e edição de video que podia obter qualidade de video de output algures entre o S-VHS e o Betacam, dependendo do que estava a ser tratado. Isto porque nessa altura não se conseguia ler a informação do disco tão rapidamente quanto agora e o video empancava caso fosse precisa "demasiada" velociade de leitura. Por isso era preciso estabelelcer um equilíbrio entre a qualidade de compressão e a velocidade do disco). Ao todo investi à volta de 1500 cts no sistema, e se bem que não tivesse sempre qualidade Betacam, na maior parte das vezes passava bem.

Contudo não posso deixar de fazer um reparo ao teu comentário acerca dos freelancers.
(...)
Freelancer não é sinónimo de incapaz, amador ou incompetente, muitos de nós pagaram milhares de contos pelos seus cursos e actualizam os seus conhecimentos tanto cá como no estrangeiro. A diferença é que não estamos vinculados a uma empresa, temos um trabalho extremamente diversificado e quando o temos e nos pagam podemos ganhar bem acima da média...
(...)
Estás a ferir algumas susceptibilidades, como em tudo há bom e mau e por isso não podes generalizar... como se só os freelancers trabalhassem mal. Provavelmente não foi tua intenção depreciar o trabalho de ninguém, mas na verdade foi o que fizeste talvez sem te aperceberes.

Ia dizer que não entendeste o que eu queria dizer, mas realmente parece que não me soube explicar bem e daí teres entendido tudo ao contrário do que quiz dizer.

Deixem-me esclarecer:

Ao dizer "a minha área não é a fotografia ou video-reportagem. como parece ser a vossa, mas acho que se equipara em termos de actos de freelancer" pensei que ficasse esclarecido que eu também sou freelancer, apenas numa área diferente da fotografia ou video-reportagem.

Eu sou animador 3D. Sou freelancer desde há quase 12 anos (Setembro de 1995). Tenho-me mantido como freelancer durante todo este tempo, mas a muito custo. E o que disse foi por experiência própria, pelo que senti na pele e ainda sinto: não existe tradição de freelancers na minha área (qdo comecei a mostrar demo reels a algumas produtoras disseram-me coisas do tipo "em 7 anos de existência nunca nos apareceu um freelancer à porta a mostrar uma demo como tu estás a fazer"). As necessidades de grafismo 3D só há relativamente pouco tempo se começaram a fazer sentir de uma forma regular, por isso não há muitas empresas onde se possa trabalhar como freelancer. Por outro lado, os clientes finais não confiam nos freelancers. Mais uma vez falo por experiência própria, pois muitas vezes as coisas estavam bem encaminhadas, gostavam dos meus trabalhos e tal, mas qdo chegava à fatídica pergunta "mas a que empresa é que pertence?" e eu dizia que era freelancer, imediatamente a coisa mudava de figura e os trabalhos não apareciam porque:
-já tivemos freelancers a trabalhar nisto e depois não conseguiram levar até ao fim
-perderam o interesse e a gente é que ficou a "arder"
-não era aquilo que eu pretendia e eu não tinha a quem bater na cabeça (não havia um superior ao freelancer que desse garantias de que o trabalho ficasse bem feito e a quem puxar as orelhas)
-se alguma coisa correr mal nestes prazos apertados aos freelancers não acontece nada e depois quem se lixa sou eu.

Essencialmente, só queriam entregar trabalhos a uma empresa a quem pudessem responsabilizar e com quem possa existir um vínculo de honra e responsabilidade, um compromisso que, ao ser quebrado, tivesse consequências.

É evidente que tb se pode ter esse compromisso com freelancers e que tb têm honra e sentido de responsabilidade. Mas como os freelancers são conotados (pelo menos na minha área) a putos que estão a fazer aquilo para ganhar uns trocos e não estão para se chatear com mais nada, e se não conseguirem acabar o trabalho, paciência, então não querem arriscar entregar trabalhos de grande envergadura.

O panorama mudou um pouco entretanto mas o mal já está feito.

Daí o meu comentário!

De resto concordo contigo em absoluto! Sem dúvida que os freelancers são tão ou mais capazes que os outros (para já têm de ser generalistas, para conseguir levar um trabalho do início ao fim. Para isso têm de estudar com afinco várias disciiplinas, o que, na realidade, os torna numa "máquina mais bem oleada" Smile ). Mas há realmente excepções e são esses que dão mau noe aos freelancers. Sim, que ninguém presta atenção qdo se trabalha bem, mas assim que se faz uma asneira é-se logo apontado com o dedo e é disso que as pessoas se lembram. Ou seja, se uma emrpesa  já contratou 10 freelancers e tudo correu bem, ninguém levanta questões. Mas assim que tiverem azar com um trabalho em que contrataram um desses jovens inconsequentes que fazem o trabalho a preço de banana, será muito mais difícil voltara a contratar um freelancer.

Se fosse uma empresa, nunca mais fariam negócios com essa empresa e a história acabava aí. No caso dos freelancers não se limitam a cessar negociações apenas com aquele, generalizam logo para todos e não querem arriscar a apanhar mais um daqueles, que "é tudo a mesma cambada"!

Pelo menos é assim que eu tenho visto as coisas a passarem-se.

Espero que esteja desfeito o mal-entendido Smile
« Última modificação: 06 / Jun / 2007, 12:46 por Fernando Martins » Registado

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« Responder #56 em: 06 / Jun / 2007, 21:03 »

Fernando Martins

Tb pelo o que escreves.... mas tb porque é um trabalho (3D) que requer mt comunicação com o cliente final... em que na maior parte das vezes o trabalho em 3D não é feito directamente para o cliente final, mas sim para uma produtora ou estudio que detem os trabalhos desse cliente.
Ora esta situação levanta questões de vária ordem.
Da produtora ou afins.... é necessário orçamentar um trabalho que não é linear e por vezes dificil de orçamentar, depois se o cliente final quer retirar ou colocar uma "virgula" horas trabalhadas vão para o lixo num piscar de olhos (o free lancer diz: mas o que me pediram foi isto....a produtora fica logo á toa e orçamento p or água abaixo).... depois á a questão da estética do assunto trabalhado que só depois de feito é que vale ou não..... Já acompanhei algumas coisas em 3D por freelancer sem equipamento (portanto a trabalhar numa empresa- em que estes já são reconhecidos pelo seu trabalho pois não era o primeiro trabalho - e chegar o cliente final e deitar tudo para o lixo no instante.... É NECESSÁRIO que quem contrata o free lancer tenha uma reunião entre as partes do trabalho.... depois levanta-se a questão ....este tipo até conhece o cliente e pode fazer o trabalho directamente... pois a converssa é entre eles (cliente final e freelancer).... um assunto complicado... então com os gestores que temos em Portugal (não todos, mas uma maioria) é preciso que tenham confiança ou conhecimento com o freelancer.
É uma analogia mas aconteceu-me: Uma camara encomendou um serviço de web-design com conteudos yyy. foi contratado uma empresa para fazer os bonecos (2D) bem como o design do site (os conteudos foram fornecidos por mim) depois de tudo feito o cliente não gostou muito de várias coisas de design (conteudos ok) a empresa disse nós alteramos mas custa mais x. Quando isto acontece com um trabalho em vídeo em que sou o operador eu aguento-me á bronca e altero para satisfazer o cliente idependentemente de ganhar mais alguma coisa ou não.

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« Responder #57 em: 07 / Jun / 2007, 14:23 »

Fernando, desculpa o mal entendido. Quando disseste que esta não era a tua àrea entendi que te estavas a referir à capatação de eventos, vista por alguns como uma área menos digna para um profissional.
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Fernando Martins
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« Responder #58 em: 08 / Jun / 2007, 15:11 »

Realmente, como já disse, a captação de eventos não é a minha área (se bem que a minha área pode complementar a de captação de eventos, já que posso tratar a imagem ou acrescentar efeitos, títulos e outras coisas), mas longe de mim a ideia de menosprezar a área ou dizer que é pouco digna!
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« Responder #59 em: 23 / Set / 2007, 19:57 »

Olá, boa noite. De uma forma muito sucinta, gostava de dar um ponto de vista de alguem recentemente formado na área:

Acho que se não forem os casamentos, estou muito entalado!!!  Dancing
Tirei uma Lic. em audiovisual e multimédia, e sinceramente, se não fosse a minha paixão pela área e ser auto didacta, não ia saber grande coisa a nível técnico. E sinto que ainda não sei. Tenho tido bastantes trabalhos até como freelancer, devido ao famoso passa-palavra, mas se quiser algo mais estável....é para esquecer. Eu sinto-me um completo leigo quando vou a entrevistas. Não porque me desvalorize, apenas porque tenho a consciência que existe muita gente melhor formada que eu. E se não me armar em empreendedor e continuar a ser auto didacta, não vai dar! Também porque sozinho uma pessoa acaba por desmotivar, qd não tem meios nem com quem ir trocando ideias.
É aí que os casamentos entram em grande força, quero começar por fazer casamentos para ver se consigo colmatar parte do valor de um investimento em material que já me permita começar. (quero comprar uma xl2, já que normalmente alugo camera a 3ºs)
Acredito que não seja o sonho de toda gente. Mas acho que durante um ano vou achar engraçada, a experiencia. pessoas diferentes, contextos diferentes, sitios diferentes.... acho que se fica sempre com grandes historias para contar. E como QUALQUER outro trabalho, nem que por uma questão de brio profissional, se podem fazer coisas bem interessantes e estimulantes. tudo depende da paciencia, gosto e realmente, se nos sentimos estimulados para o fazer. (normalmente o € é que nos impulsiona, né...) Quando sinto que tenho bom material, e o pagamento me compensa tendo a brindar o cliente com qq coisa a mais. é também sempre uma oportunidade para nos evoluirmos.

Espero que consiga arrancar co meu freelancing mais a sério.
Cumprimentos à comunidade!!
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