Referendum
10 / Jan / 2009, 04:46 *
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Autor Tópico: Referendum  (Lida 916 vezes)
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JC Duarte
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« em: 23 / Out / 2006, 12:51 »

Ouvi com bastante atenção o que duas senhoras disseram ontem uma à outra na televisão. Com muita atenção, aliás, porque não só o assunto me interessa como tive que estar presente.
O tema era sobre o eventual futuro referendo sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez.
Ambas são deputadas do mesmo partido à Assembleia da República. E têm posições diametralmente opostas sobre a matéria.
Uma, Matilde Sousa Franco, é defensora do “não” e justificou-o com velhas, estafadas e conservadoras ideias. Apesar disso, ainda conseguiu usar de uma relativamente nova, que refere a baixa taxa de natalidade e a necessidade de isso inverter. Acrescentou ainda que irá fazer campanha em apoio do seu ponto de vista.
A outra, Maria de Belém Roseira, defensora do “sim”, para além de dizer que os seus afazeres não lhe permitem dispor de tempo para intervir na campanha, usou de diversos argumentos em seu favor.
A estes argumentos, ia eu concordando interiormente: que é uma decisão da responsabilidade da mulher, que ela não deve ser penalizada por o decidir e fazer, e que, em tendo que o fazer, tal deve suceder em condições higieno-sanitárias dignas e seguras,.
No entanto, conseguiu deixar-me estupefacto com um pequeno detalhe de semântica legal, que faz toda a diferença e que eu desconhecia.
Disse esta senhora que a expressão “Interrupção Voluntária da Gravidez” na pergunta a apresentar aos Portugueses na consulta é usado porque este é o termo usado na lei e que é criminalizado e penalizado.
E o que se pretende com este referendo e a eventual e subsequente alteração da lei é eliminar a penalização que a lei aplica a este crime.

Como é?!
Ao que parece, a Interrupção Voluntária da Gravidez - vulgo Aborto – até às dez semanas de gestação, vai continuara a ser crime. Apenas não penalizado!
Ou seja: a sociedade vai continuar, através das leis vigentes, a considerar este acto como ilegítimo e ilegal. Apenas deixa de o punir!

Que tamanha hipocrisia!
Ou bem que é crime e é punido ou bem que não é crime. Agora ter códigos de conduta censuráveis e fechar-lhe os olhos e estar isto escarrapachado na lei é um absurdo!
Quanto mais não seja porque esta despenalização pode, em qualquer momento e assim que mudar a cor predominante no parlamento, ser invertida e voltar a ser penalizada. Afinal, do ponto de vista legal continuará a ser crime!

Por outro lado ainda, o facto de continuar a ser considerado crime, impede certamente que o Serviço Nacional de Saúde o abranja nas suas práticas. Não fará sentido que um serviço estatal dê o seu apoio com a utilização de meios técnicos e humanos à prática de um acto médico e cirúrgico criminoso.



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JC Duarte

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Rui Ribeiro
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« Responder #1 em: 24 / Out / 2006, 22:49 »

... pois que é fabuloso!

Primeiro diria que um governo eleito por maioria tem de tomar decisões e ter a coragem de não delegar a outrem o que tem legitmidade para fazer.

... pois que é fabuloso!

Pensar calços quando o que se podia discutir o que pode significar a vulgaridade de um acto pela sua liberalização " ... sim, vamos liberalizar! Mas como é que não o tornamos mais um método anticontraceptivo, ou um acto vulgar? "
A resposta a encontrar devia ser como um acto de Interrupção Voluntária da Gravidez, tem ser um acto responsável.

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JC Duarte
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« Responder #2 em: 20 / Jan / 2007, 10:19 »

No próximo dia 11 de Fevereiro irei votar “SIM” no referendo sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez.
Para quem tem vindo a passar por este espaço, esta declaração nada tem de surpreendente e, espero eu, estará em consonância com as vossas próprias decisões.
Os argumentos que nos podem levar a ter esta posição são vários e de diversas índoles. Não os vou aqui escalpelizar a todos. Por hoje ficarei por um, que vai para além do aborto em sim mesmo: Liberdade!

Nesta sociedade castrante e opressiva, toda a educação e legislação se baseia no conceito de “Pecado”, de “Proibição”, de “Negação”. A palavra “Não” é, provavelmente, a primeira que a criança diz com consciência do seu significado: “Não!!”
E, de então em diante, toda a vida do ser humano assenta em negações e/ou proibições. A bem da sociedade e em desfavor do individuo.

Por uma vez teremos nós, cidadãos, a oportunidade de libertar os actos e as mentes, deixando que a sua prática ou não seja decisão do próprio e sem constrangimentos impostos pela sociedade.
Por uma vez, é a sociedade chamada a pronunciar-se se o individuo é ou não Livre.

É que, e ao contrário do que alguns querem fazer crer, a vitória do “SIM” neste referendo não obriga as mulheres a praticarem o aborto. Nem sequer é um incentivo à sua prática, que continuará a suceder, seja qual for o resultado.
É, antes sim, deixar a cada mulher a capacidade e liberdade de decidir se quer ou não interromper a sua própria gravidez até às dez semanas de gestação e em condições de saúde seguras e dignas. Sem o estigma da vergonha e sem a opressão da justiça.
E vincula a sociedade a esta liberdade individual!

No próximo dia 11 de Fevereiro, vou votar “SIM” à despenalização do aborto. E “SIM” à liberdade!



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João Tiago Calviño
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« Responder #3 em: 20 / Jan / 2007, 18:50 »

Confesso que concordo com tudo o que o JC Duarte disse e acrescento mais uma...
Trata-se de igualdade de oportunidades e no direito de acesso igualitário à saúde.

É completamente irresponsável, permitir que as mulheres com menos posses tenham de recorrer á obscuridade e insegurança do aborto clandestino, quando as mulheres com mais posses podem recorrer com toda a segurança a qq clinica legal em espanha.
é vergonhoso que continuem a morrer mulheres, ou a ficarem com graves problemas de saúde, por terem tomado uma decisáo que acharam ter sido a melhor quer para a vida delas quer para a vida de um possivel ser.

é injusto, é cruel...

E eu n sou a favor do aborto, tal como acredito que ninguém é... mas dia 11, eu vou votar SIM.
Pelas mulheres, pela liberdade.
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Rui Barros
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« Responder #4 em: 20 / Jan / 2007, 19:25 »

Tema sensivel, este o do aborto, no entanto para que ele seja uma "necessidade" são necessários dois, um homem e uma mulher. Ela, numa sociedade, altamente politizida e religiosa advindo dai todos os preconceitos, é em norma o alvo de todas as perseguições. Ele, a história é outra, mas por raras excepções, poucos são aqueles que assumem-se como homens e partilham as rensposabilidades.
O referendo em si é uma arma de escape de um estado, o nosso estado, incapaz de assumir as suas responsabilidades mais básicas. O povo vota e quem governa limpa as mãos, independemente dos resultados, as crenças religiosas advêm e pregam o sermão. Em termos de ditado, " A politica, religião e o clube desportivo não devem estar acima do bom senso"
Não me parece que esteja em cima da mesa um referendo para acabar com a vergonha dos recibos verdes e das condições precárias de trabalho de muitos portugueses. E já agora, um referendo sobre o TGV... Ainda estamos a tempo de poupar os nossos impostos e investi-los numa sociedade mais justa e equilibrada, enfim sermos cidadãos de plenos direitos e igual circunstância de um País com história e que se diz europeu.
 
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Jose Costa
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« Responder #5 em: 21 / Jan / 2007, 10:53 »

Boas.

"Tema sensivel, este o do aborto"
O Rui Barros escreveu e muito bem, e abordou alguns assuntos importantes. E eu próprio me sinto tentádo a fazer o mesmo. Mas como alguns já devem ter notádo, eu escrevo sem papas na lingua. Sem ofensas, ou pelo menos não é essa a intenção, mas a verdade é que alguns se tocam. Talvez porque conscientemente, ou inconscientemente, se revejam nas palavras escritas por mim. Ou talvez seja pela maneira como escrevo, não sei. A verdade é que essa é uma das razôes pelo qual diminui a minha participação neste forum. As criticas ao que escrevo não me incomodam. São até bem vindas. O que me "incomoda" é alguns ficarem incomodados. E eu não gosto de incomodar os outros, portanto... Mas avante...

A frase do "politicamente correcto" é aliáda da hipocrisia. E uma vista de olhos pelo dicionario seria aconselhável. Não para saber o seu significádo, até porque acredito que todos devem saber, mas para ver se realmente compreendem o significádo. E ai é que reside a minha dúvida: não que eu não compreenda, até porque sou muito autocritico, mas se todos a compreendem.

Dizer "Sim, não, talvez..." todos o sabem fazer. Mas estas simples palavras muitas vezes não basta para justificar algo. È preciso mais, mais diálogo. E aqui é que reside o problema: a falta de diálogo. È que todos sabem criticar e reconhecer os erros dos outros, mas muitos poucos sabem reconhecer os seus próprios erros. E quando os reconhecem, não os aceitam, negam. E se a outra parte não reconhece o seu próprio erro, não é possivel um diálogo sério. È andar á volta do verdadeiro problema.

Defender uma causa é bonito, fica bem perante a sociedade e algumas vezes dá notariedade e status. Mas a hipocrisia, que quase sempre está ao lado, não é vista. Ou pelo menos, não a querem ver.

Não vou expremir aqui a minha opinião sobre o assunto em questão, o aborto. Tenho a minha, como todos têm, mas ter uma opinião não basta. È preciso respeitar a dos outros. Por muito controversas que sejam. È que respeitar é uma coisa e concordar é outra. Mas infelizmente, digo eu, muitos não respeitam. A opinião deles está acima de tudo e de todos. E com essa ideia em mente, não estamos abertos a novas ideias, novos conceitos. E como tal, não evoluimos como individuos, pertencentes a uma sociedade também ela fecháda a novas ideias.

Para expremir aqui a minha opinião, teria de chamar as coisas pelo nome, porque tudo tem um nome. E é o nome que choca as pessoas. E nome não significa palavrôes, palavras insultuosas, falta de respeito. Significa verdade, pontos de vista e factos. E a sociedade portuguesa não está preparada para um choque desses. Religião, educação, tabus, tudo são motivos, e muitas vezes desculpas, para não se ver mais fundo na questão. O aborto é uma das matérias em que dizemos uma coisa, pensamos noutra, e fazemos outra ainda mais diferente. O aborto é um dos assuntos em que apontamos para os outros mas somos incapazes de apontar para nós próprios.

È bonito defender uma causa, mas primeiro deviamos perguntar a nós mesmos se os nossos actos e, principalmente, pensamentos, estão de acordo com a causa que defendemos. E se forem sinceros, tenho a certeza de que muitos vão ficar admirádos com o que descobrem.

Não sou o dono da verdade, nem sequer estou perto, mas tenho olhos e massa cinzenta suficiente para ver o mundo á minha volta e tirar as minhas próprias conclusôes. Podem estar erradas, é certo, mas são as minhas conclusôes. Não são as conclusôes que outros me impingiram, por motivos muitas vezes dúvios. São as conclusôes de alguém que pensou, avaliou os dados que lhe estão disponiveis, que conhece os seus próprios erros e preconceitos (ou tenta conhecer), que sabe ver a sociedade em que vive, e que sempre tem presente a seguinte pergunta: Estarei certo no meu raciocinio, ou estou a deixar-me infuenciar por algo ou alguém? Estarei certo?

Sou a favor, sou contra, não interessa. Para poder discutir este assunto, muitos tinham que ter a mente bem aberta. Falar de assuntos que incomodam, que existem. E o sinal que obtenho não é esse. Dizer "Sim, Não..." não basta. È preciso dizer o porquê, com todas as letras. Sem preconceitos, sem hipocrisia. E é o que por cá mais abunda. E antes que alguém fique aborrecido, não me estou a referir ao forum. Mas o forum faz parte da sociedade...

"Paus e pedras podem me partir os ossos, mas insultos não me ofendem" é uma frase que utilizo bastantes vezes. Mas não é uma frase só, é um estilo de vida. Os que os outros pensam de mim não me interessa, o que me interessa é o que eu penso de mim. E tenho dias que penso bem, tenho dias que penso o diábo. Felizmente, os dias em que penso bem  são mais dos que os dias em que penso o diábo. E disse (penso o diábo, não disse "Penso no Diábo" )

Alguns são pródigos em ler nas entrelinhas, ou querem ler algo nas entrelinhas. Mas nem sempre existe algo escrito. Por vezes, as palavras querem dizer o que elas próprias dizem. O ser humano é que muitas vezes quer ver para além disso. E estas linhas apenas querem dizer o que leram, nada mais.

Sim, Não... ão aborto. Enquanto cada um não for capaz de dialogar abertamente sobre este assunto, muitas vezes contra si próprio, enquanto não forem capazes de ver o verdadeiro problema da questão, e discutir todos os "enlaces" envolvidos, creio que devia ser uma opinião do forum privado de cada um. Dizer "Sim", mas os actos dizem outra coisa, dizer "Não", mas pensar outra diferente, isso, para mim, é simplesmente hipocrisia. Cada um diz o que acha que os do seu circulo pensa. Não se querem sentir diferentes da opinião generalizada, e muitas vezes têm medo de serem regeitados por uma sociedade também ela regeitáda e marginalizada.

Cada um deve votar em consciencia, a sua consciencia, independentemente daquilo que outros querem que faça. E isto não tem nada a ver com a opinião expressa por algum user.

Eu, por mim, vou ficar em casa. Opinião tenho, mas é a minha opinião.

Boas.
« Última modificação: 21 / Jan / 2007, 11:03 por Jose Costa » Registado

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