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Jose Costa
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« Responder #5 em: 21 / Jan / 2007, 10:53 » |
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Boas.
"Tema sensivel, este o do aborto" O Rui Barros escreveu e muito bem, e abordou alguns assuntos importantes. E eu próprio me sinto tentádo a fazer o mesmo. Mas como alguns já devem ter notádo, eu escrevo sem papas na lingua. Sem ofensas, ou pelo menos não é essa a intenção, mas a verdade é que alguns se tocam. Talvez porque conscientemente, ou inconscientemente, se revejam nas palavras escritas por mim. Ou talvez seja pela maneira como escrevo, não sei. A verdade é que essa é uma das razôes pelo qual diminui a minha participação neste forum. As criticas ao que escrevo não me incomodam. São até bem vindas. O que me "incomoda" é alguns ficarem incomodados. E eu não gosto de incomodar os outros, portanto... Mas avante...
A frase do "politicamente correcto" é aliáda da hipocrisia. E uma vista de olhos pelo dicionario seria aconselhável. Não para saber o seu significádo, até porque acredito que todos devem saber, mas para ver se realmente compreendem o significádo. E ai é que reside a minha dúvida: não que eu não compreenda, até porque sou muito autocritico, mas se todos a compreendem.
Dizer "Sim, não, talvez..." todos o sabem fazer. Mas estas simples palavras muitas vezes não basta para justificar algo. È preciso mais, mais diálogo. E aqui é que reside o problema: a falta de diálogo. È que todos sabem criticar e reconhecer os erros dos outros, mas muitos poucos sabem reconhecer os seus próprios erros. E quando os reconhecem, não os aceitam, negam. E se a outra parte não reconhece o seu próprio erro, não é possivel um diálogo sério. È andar á volta do verdadeiro problema.
Defender uma causa é bonito, fica bem perante a sociedade e algumas vezes dá notariedade e status. Mas a hipocrisia, que quase sempre está ao lado, não é vista. Ou pelo menos, não a querem ver.
Não vou expremir aqui a minha opinião sobre o assunto em questão, o aborto. Tenho a minha, como todos têm, mas ter uma opinião não basta. È preciso respeitar a dos outros. Por muito controversas que sejam. È que respeitar é uma coisa e concordar é outra. Mas infelizmente, digo eu, muitos não respeitam. A opinião deles está acima de tudo e de todos. E com essa ideia em mente, não estamos abertos a novas ideias, novos conceitos. E como tal, não evoluimos como individuos, pertencentes a uma sociedade também ela fecháda a novas ideias.
Para expremir aqui a minha opinião, teria de chamar as coisas pelo nome, porque tudo tem um nome. E é o nome que choca as pessoas. E nome não significa palavrôes, palavras insultuosas, falta de respeito. Significa verdade, pontos de vista e factos. E a sociedade portuguesa não está preparada para um choque desses. Religião, educação, tabus, tudo são motivos, e muitas vezes desculpas, para não se ver mais fundo na questão. O aborto é uma das matérias em que dizemos uma coisa, pensamos noutra, e fazemos outra ainda mais diferente. O aborto é um dos assuntos em que apontamos para os outros mas somos incapazes de apontar para nós próprios.
È bonito defender uma causa, mas primeiro deviamos perguntar a nós mesmos se os nossos actos e, principalmente, pensamentos, estão de acordo com a causa que defendemos. E se forem sinceros, tenho a certeza de que muitos vão ficar admirádos com o que descobrem.
Não sou o dono da verdade, nem sequer estou perto, mas tenho olhos e massa cinzenta suficiente para ver o mundo á minha volta e tirar as minhas próprias conclusôes. Podem estar erradas, é certo, mas são as minhas conclusôes. Não são as conclusôes que outros me impingiram, por motivos muitas vezes dúvios. São as conclusôes de alguém que pensou, avaliou os dados que lhe estão disponiveis, que conhece os seus próprios erros e preconceitos (ou tenta conhecer), que sabe ver a sociedade em que vive, e que sempre tem presente a seguinte pergunta: Estarei certo no meu raciocinio, ou estou a deixar-me infuenciar por algo ou alguém? Estarei certo?
Sou a favor, sou contra, não interessa. Para poder discutir este assunto, muitos tinham que ter a mente bem aberta. Falar de assuntos que incomodam, que existem. E o sinal que obtenho não é esse. Dizer "Sim, Não..." não basta. È preciso dizer o porquê, com todas as letras. Sem preconceitos, sem hipocrisia. E é o que por cá mais abunda. E antes que alguém fique aborrecido, não me estou a referir ao forum. Mas o forum faz parte da sociedade...
"Paus e pedras podem me partir os ossos, mas insultos não me ofendem" é uma frase que utilizo bastantes vezes. Mas não é uma frase só, é um estilo de vida. Os que os outros pensam de mim não me interessa, o que me interessa é o que eu penso de mim. E tenho dias que penso bem, tenho dias que penso o diábo. Felizmente, os dias em que penso bem são mais dos que os dias em que penso o diábo. E disse (penso o diábo, não disse "Penso no Diábo" )
Alguns são pródigos em ler nas entrelinhas, ou querem ler algo nas entrelinhas. Mas nem sempre existe algo escrito. Por vezes, as palavras querem dizer o que elas próprias dizem. O ser humano é que muitas vezes quer ver para além disso. E estas linhas apenas querem dizer o que leram, nada mais.
Sim, Não... ão aborto. Enquanto cada um não for capaz de dialogar abertamente sobre este assunto, muitas vezes contra si próprio, enquanto não forem capazes de ver o verdadeiro problema da questão, e discutir todos os "enlaces" envolvidos, creio que devia ser uma opinião do forum privado de cada um. Dizer "Sim", mas os actos dizem outra coisa, dizer "Não", mas pensar outra diferente, isso, para mim, é simplesmente hipocrisia. Cada um diz o que acha que os do seu circulo pensa. Não se querem sentir diferentes da opinião generalizada, e muitas vezes têm medo de serem regeitados por uma sociedade também ela regeitáda e marginalizada.
Cada um deve votar em consciencia, a sua consciencia, independentemente daquilo que outros querem que faça. E isto não tem nada a ver com a opinião expressa por algum user.
Eu, por mim, vou ficar em casa. Opinião tenho, mas é a minha opinião.
Boas.
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