Boas.
Não sendo eu uma coisa nem outra (iluminador ou director de fotografia), diria que sim, que o teu raciocinio está correcto. E sabendo eu também que por vezes a cabeça nos prega destas partidas, em que a nossa matemática mental nos diz uma coisa mas os factos descritos nos livros nos diz outra, fui dar uma volta num dos catrapaços que por aqui tenho e encontrei o seguinte:
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A luminosidade de uma lente depende do seu diâmetro e da sua distância focal. Como estes dois factores variam inversamente um em relação ão outro, quanto maior o diâmetro de uma lente mais luminosa ela é, e quanto maior a sua distância focal menor a luminosidade da mesma.
Uma lente comum fixa (excluindo portanto as Zooms), não pode ter a sua distância focal alterada, mas pode ter o seu diâmetro alterado, através do diafragma. Abrindo-se ou fechando-se o mesmo é possível controlar a luminosidade da lente, daí o termo abertura ser utilizado para medir esta característica da lente. A letra f é utilizada para representar o quociente da relação DF/DL, em que DF é a distância focal a dividir pelo diâmetro da lente.
Estes valores são medidos em milímetros, pelo que um exemplo de abertura para uma determinada lente é f =100mm / 50mm o que resulta no valor f =2. Existe uma convenção herdada da fotografia, pelo que no exemplo dado acima a abertura da lente de distância focal 100mm e de diâmetro 50mm é indicada por f/2.
Para facilitar o uso do diafragma, foram estabelecidos determinados valores-padrão para as suas aberturas numa escala de pontos (f-stops), onde cada ponto corresponde a uma abertura do diafragma que deixa passar metade da luz do ponto antecessor e o dobro da luz do ponto sucessor.
Como a área pela qual passa a luz no diafragma é a de um circulo, uma fórmula matemática relaciona-a com seu diâmetro: a área de um círculo dobra se seu diâmetro for multiplicado pela raiz quadrada de 2 e fica dividida pela metade se o mesmo diâmetro for dividido também pela raiz quadrada de 2.
Conforme visto acima, a abertura de uma lente pode ser representada pelo quociente da distância focal da lente pelo diâmetro da mesma. Considerando-se f = 1 como o valor máximo de abertura da lente (diafragma totalmente aberto), o próximo valor será portanto 1 multiplicado pela raiz quadrada de 2. Como o valor é igual a 1,4142135... , chega-se a 1.4, que é o valor do próximo número f (f-stop), e que deixa entrar metade da luz em relação a f =1.
Multiplicando-se sucessivamente cada valor de f pela raiz quadrade de 2, tem-se os valores da escala padrão de aberturas:
1.0 - 1.4 - 2 - 2.8 - 4 - 5.6 - 8 - 11 - 16 - 22 - 32
onde, da esquerda para a direita, cada ponto significa metade da luz admitida pela lente em relação ao ponto anterior e vice-versa. A abertura máxima da lente (diafragma totalmente aberto) corresponde ao valor 1.0. No entanto, como as lentes possuem anéis ao seu redor para fixá-las à objetiva e outros elementos internos, as suas aberturas máximas nunca são 1.0 e sim valores um pouco menores do que isto, como 1.2 por exemplo.
Esse valor de abertura máxima varia portanto de lente para lente, porque depende da sua construção, e influi na luminosidade da lente. Assim, para lentes com o mesmo diâmetro e a mesma distância focal (outro factor que influi na luminosidade), uma lente com abertura máxima 1.2 é mais luminosa do que uma lente cuja abertura máxima é 1.8 . Por outro lado, para lentes com diâmetros diferentes e mesma distância focal, ter a mesma abertura máxima não significa que as lentes sejam igualmente luminosas: entre duas lentes com a mesma distância focal e a abertura máxima 1.3, se a primeira tiver diâmetro maior do que a segunda é mais luminosa do que esta. E, ainda, duas lentes com o mesmo diâmetro, a mesma abertura máxima e a mesma distância focal podem diferir (embora pouco) na característica luminosidade, que também depende do material com que as mesmas são confeccionadas.
No segmento semi-profissional, os diâmetros mais comuns são: 34mm, 37mm, 43mm, 46mm, 49mm, 52mm e 72mm.
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È por estas e por outras razôes que eu sempre defendi que da troca de ideias e de informaçôes todos beneficiámos. Benefecia o simples User, que não sabendo de estes tecnecismos, sempre fica a saber um pouco mais. Beneficia quem comete o engano (neste caso eu) pois dessa forma tem a oportunidade de rectificar e de eventualmente consultar os "apontamentos" se tiver dúvidas acerca dos Posts (e porque não dizê-lo, acerca dos conhecimentos), e benefecia quem detecta o erro (neste caso o Pedro Rocha), pois só demonstra estar atento, ajuda a consolidar os seus conhecimentos (os seus e dos outros) e contribui para aumentar o seu mérito, neste caso merecido, junto da comunidade do fórum.
E com esta história toda fiquei meio confuso, pois já não tenho a certeza do que escrevi. Pois se por um lado sigo um caminho, a cabeça está a querer empurrar-me para outro. Haverá por aqui quem ponha alguma "luz" no assunto? Boas.