Boas,
a coisa de 2 a 3 anos atrás, talvez no momento em que entrei na faculdade apercebi-me de algumas realidades, inclusive o aumento de alunos nas faculdades, a base prática exigida e do impacto da orientação na curta curva de crescimento de conhecimento que refletia. Vi com os próprios olhos alunos que não sabiam o que era uma timeline, e no final do semestre (com a orientação devida) a fazer alguns trabalhos de fazer inveja (face ao tempo em que trabalharam com tais ferramentas).
Conclusão, apesar de o meu curso ser de Design Gráfico, rapidamente criei paralelismos com outras saídas académicas, a exemplo de cursos de fotografia, comunicação Social, jornalismo, etc. Digo isto porque prevejo que, em poucos anos o nosso mercado (BBC), estará rapidamente inundado de pessoal altamente qualificado, face as saturações das próprias áreas.
Quando alguns elementos, que foram preparados para voos mais altos, com um espirito critico mais refinado, se dedicarem a sério na nossa área, explorando ferramentas como after effects, in design, animação 3D, novas metedologias de trabalho, etc … acrescido da frescura da juventude, entrarem no nosso mercado, teremos (aqueles que já andam aqui a alguns anos) sérias dificuldades em acompanhar.
Assim prevejo para o futuro do vídeo de casamentos, que por um lado dentro de alguns anos teremos trabalhos de topo, que fará também deste país um exportador de serviços (ou seja, serão mais o numero os fotógrafos e videografos convidados a fazer capturas no estrangeiro, que mais tarde será cá finalizado) pela relação qualidade/preço que toda a cadeia do trabalho sofre. Com as Rayiens Aires, clics e afins, que tornaram as nossas cidades em aldeias mais próximas. Por outro lado, quem não se adaptar as novas ferramentas, irá competir pelo preço, pois não tem outra opção.
Se tomarmos como um facto a exposição que cada um tem de se submeter, voluntaria ou involuntariamente as redes sociais, sites e blogues de noivas. Acredito que o tempo que demora a alguém projetar um bom trabalho será mais curto, da mesma forma que quem fizer um mau trabalho viverá pouco tempo neste meio. As redes sociais atrás mencionadas darão um mãozinha final (empurrão).
Por outras palavras, será mais do mesmo, com maiores extremos e vidas com mais pressão ou mais curtas. O capitalismo desenfreado está aí.
Gostaria de acrescentar, alguns meus pontos de vista a este tópico. Sem dúvida que a empresa a que se refere trabalha bem e sabe o que faz. No entanto não creio que acrescentem nada a chamada “escola americana” que a anos faz exatamente a mesma coisa. A meu ver, de algum tempo a esta data apenas vejo imitações, umas com mais ou menos sucesso. Sinto alguma ilusão, e com todo o respeito não creio que eles estão a acrescentar nada.
Outro aspecto que creio ser importante é o seguinte, reconheço que estes trabalhos são executados com mestria, entrega e meios, mas acima de tudo com muita participação dos casais num dia em que o que eles menos tem, é tempo. Sendo eu o melhor barómetro de mim mesmo, a exemplo do que fiz quando casei, quis só e apenas que quem me filmasse me ocupasse o mínimo de tempo possível, para estar com o que considero ser o mais importante, estar com as pessoas e gozar o dia. Claro está, que respeitei e facilitei as imagens, mas sempre dento de um limite. Menos ainda gostaria de investir dias antes e depois para simular imagens do que não aconteceu.
Entendo o nosso trabalho como reportagem e contadores de histórias que aconteceram e não como criadores de histórias só porque são diferentes ou tem mais projeção.
O futuro, são vários futuros, um deles será a não intervenção no dia e que está na linha oposta a que sugere. Há gostos e gostos.
Na linha da empresa que fala, se fizer uma pesquisa a alguns anos atrás a esta data, encontrará já trabalhos de Luís Rolo, e outros como ele, que são bons exemplos dessa linha de trabalho nacional e que prova que a NKG não trás nada de novo.
Já agora, um pedido, José Costa não saia desta discussão porque para além de fazer cá falta, creio que o assunto está mais quente e pelo que o conheço gostará certamente de participar.
Filipe Araújo.