Boas.
Não posso passar sem fazer dois ou três (ou mais) comentários:
Há cerca de vinte anos que tenho uma máxima: receber adiantado não peço nem gosto, mas do "toma lá, dá cá" não abdico. E em serviços de monta, em que vai haver um investimento mais elevado da minha parte - tempo, material, equipamento, etc - exijo sempre um adiantamento, proporcional ão orçamento. Afinal, eu é que corro os riscos todos...
Se já perdi clientes por esta forma de trabalho? Sim, já! Mas pelo menos evitei uma serie de dores de cabeça e a incerteza de não saber se vou receber certinho ou se vou ter que me chatear para receber.
Das poucas vezes que abri excepção, foi para amigos/colegas, que foram exactamente alguns destes que confundiram facilidade de pagamento com abuso de confiança. Assim se aprende.
Relativamente a alguns comentários feitos pelos Users anteriores, diria que todos querem mudanças. Mas quando elas começam a mexer em interesses instituidos por cada um de nós, deixa de haver vontade de mudanças. Todos clamam por mudanças, mas no fim ninguém as quer.
Fala-se numa tabela de honorários, mas o Zé da esquina que cobra 100 por um trabalho vê logo de seguida o vizinho baixar o preço para 80, 70 ou 60, tudo para conseguir "roubar" o trabalho/cliente ão colega. E por sua vez o Zé da esquina baixa para 50 ou 40, só para dar o troco. Depois andam a falar que isto está mau.
Fala-se de paraquedistas, e mal por sinal, mas depois temos os profissionais a contratar esses mesmos paraquedistas, pois cobram menos e dão mais dinheiro a ganhar. São paraquedistas, mas quando precisam deles...
Fala-se de estagiários, mas tenho para mim que um estagiário que entra num esquema de trabalho sem ordenado, não está a pedir outra coisa que não seja o de ser "comido". A estupidez tem limites, e estamos muitas vezes perante estúp&$# de vinte e poucos anos, e ainda dizem que têm formação superior. Não tenho pena nenhuma. Aliás, sou contra essa de estágiários, sem ordenado ou pagos pelo Estado. Estado não, que quem está a pagar somos todos nós. Todos tem direito a um trabalho, a aprender, mas aprender é uma coisa e trabalhar de graça é outra. Mas se aceitam...
Fala-se de preços "Low Cost", mas trabalhar para aquecer, ligo o aquecedor e fico em casa. O profissional que não valoriza o seu trabalho, não é profissional. Se uma empregada doméstica cobra o que cobra, porque é que nós op. de câmera/Freelancers andamos a cobrar menos que empregada doméstica? Ou somos burros ou não sabemos fazer contas. Porque tempo é dinheiro. Uma hora que passe em serviço, é uma hora em que não estou a fazer outras coisas de que gosto. Nem que seja para dormir ou passear o cão.
Fala-se em finanças, mas quantos são os que estão efectivamente colectados, quantos são os que contractam outros profissionais colectados? E quantos são os que não querem recibo pela execuçao do serviço, pois isto de ter que declarar rendimentos ou pagar IVA é uma chatice do caraças?
Fala-se de fiscalização, mas quem é que se dá ão trabalho de exigir um recibo pelos serviços e de denunciar os prevaricadores? Ou será que ninguém conhece os que estão a trabalhar à margem da lei? Ninguém os contracta, ninguém os conhece, trabalham todos certinho? Pois é, denunciar é feio. Podem-nos fazer o mesmo.
Fala-se de tribunais, mas qual é a justiça de uma loja/empresa ter que comprar licenças de software, porque a isso é obrigada, ou sujeita-se a possiveis multas, mas o tipo do 5º andar, que até é freelancer a tempo parcial, tem apenas de se preocupar em qual site vai encontrar o crack para o seu software de eleição? Todos têm as últimas versôes do Premiere (v6 ou CC) ou outros NLEs, mas muitas empresas ainda continuam a trabalhar com a versão 1.5 ou v2.0. Será por opção própria ou será porque o dinheiro não dá para tudo e á que fazer opçôes?
Não se falou em ética, porque senão qual é a ética do Zé da esquina contratar o paraquedista por X mas depois dizer ão cliente que lhe pagou Y? E sem que o Zé da esquina tenha feito algo que não o de apenas telefonar, já que foi o paraquedista que fez o trabalho todo. E muitas vezes, até ter que falar com o cliente para saber o que ele queria, pois o Zé da esquina nem isso fez.
Pois é, muita coisa está mal. Mas se está mal, é porque somos coniventes com a actual situação. Pensamos "
Sou só eu, o que é que eu posso fazer sózinho?"
Talvez começar por mudar a forma de estar nesta actividade, digo eu. Mesmo que se esteja sózinho. Porque já dizia Einsten que "
Loucura é querer resultados diferentes fazendo tudo exatamente igual!"
Queremos resultados diferentes, mas não queremos ser nós a dar o primeiro passo. É lixado!
Mas desculpem lá esta divagação. Deve ser o adiantado da hora que me está a toldar as ideias. Nada de pessoal, nada de contra algum User. Boas.