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Temáticas Várias => Suportes Gravação e Armazenamento Video => Tópico começado por: José Costa em 14 / Ago / 2008, 10:36

Título: Discos para PC: não se vendem, dá-se!
Mensagem de: José Costa em 14 / Ago / 2008, 10:36
Boas.
À 8-10 anos atrás, quando comprei o meu primeiro sistema de edição não-linear baseádo em PC, o seu sistema de armazenamento era constituido por um disco duro IDE de 20 GB, para o SO (sistema operativo) e para os programas, e de um disco de tecnologia SCSI ultra160 de 50 GB, para o video/audio.

Para os mais novos nestas andanças da informática, e para mais fácilmente compreenderem a afirmação feita acima e que serve de titulo para este tópico, convém dizer que 20 GB era o "maior" disco que se podia comprar na altura, de tecnologia IDE. A sua velocidade de leitura/gravação (que será mais correcto chamar taxa de transferencia) não se compara á velocidade dos actuais discos de tecnologia SATA 2, de 3Gb/s, ou ãos poucos discos de tecnologia IDE que ainda se comercializa, e que têm uma velocidade de leitura/gravação de 133 MB/s, também conhecidos por ATA133. Não, a velocidade de leitura/gravação dos discos dessa altura não era 133 MB/s (ATA133), não era também de 100 MB/s (ATA100), nem tão pouco era de 66 MB/s (ATA66). A sua velocidade de leitura/gravação era de uns imprecionantes 33 MB/s (ATA33). Velocidades teóricas, bem se entenda. Porque na prática, a sua velocidade real é bem inferior.

Por tal baixa transferencia de leitura/gravação tais discos não eram aconselhádos para a utilização em video. A sua utilização implicava a perda de frames, assim como a des-sincronização do audio/video. Os únicos discos aconselhádos para o video era efectivamente os SCSI. Largamente utilizados no sector empresarial, a nivel de servidores, pela sua velocidade e fiabilidade, pois eram garantidos por um periodo minimo de 5 anos, sobre o esforço de 24/7 (24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano). A nivel de comparação, os IDE tinham apenas uma garantia de 1 ano (mais tarde passou a ser de 2 anos por obrigação legal), mas eram tidas como "referencias" as 8 horas por dia, e apenas os 5 dias da semana.

Tal velocidade e fiabilidade tinha um custo: podiam custar quase 10 vezes mais que um disco de igual capacidade de tecnologia IDE. E por tal razão, o preço, muitos eram os que utilizavam os discos IDE para o video. Num tempo em que o DVD ainda não existia (praticamente), e o VHS era Rei, era bastante comum ver saltos na imagem nas reportagens BBC (Bodas, Batizados e Casamentos) devido á perda de frames tanto na captura como na gravação final para cassete VHS, assim como freezes na imagem num simples dissolve.

Graças á opção que tomei na altura de basear a edição video em discos SCSI, nunca passei por tais problemas. E todos estes anos passados, o mesmo disco ainda continua a ser um disco de trabalho diário. Não são  os 24/7, mas são 24/5, pois o sistema trabalha 24 horas por dia, todos os dias, só sendo desligado ãos Sábados de manhã até ão dia seguinte, Domingo, altura em que é novamente ligádo á noite. Já não é só aquele disco de 50 GB, entretanto outros foram sendo acrescentados ão sistema. Mas o disco inicial continua a trabalhar quase ininterruptamente.

Quando comparo o preço vs. capacidade vs. velocidade de leitura/gravação deste disco com os actuais discos SATA 2, a única coisa que posso dizer é: os discos actuais não são vendidos, são dados. Falo de 50 GB contra os 500 GB de agora, falo dos 160 MB/s contra os 300 MB/s actuais, falo dos cerca de 250 contos de dinheiro da altura (que hoje corresponde a cerca de 1250 euros) contra os 70 e poucos euros que é quanto custa actualmente um disco SATA 2 de 500 GB. A única coisa em que o SCSI fica a ganhar a estes SATA é na fiabilidade e nos tempos de acesso. Mas se quisermos fiabilidade e tempos de acesso rápidos nos discos SATA, também o podemos ter. Basta para isso comprar a versão profissional desta tecnologia, que se chama SAS. Mas temos de preparar a bolsa, pois um simples disco SAS de 146GB custa algo como 250 euros. A diferença entre o agora e o antes é que, agora os discos SATA têm uma taxa de transferencia de leitura/escrita suficiente para o video/audio, não sendo necessário optar pelos SAS. Antes os discos IDE não eram capazes de lidar com a quantidade de informação do video, pelo que a única alternativa era mesmo os SCSI.

Mas não é só por isto que os discos actuais são "dados".
À dias resolvi comprar mais um disco SATA 2 de 500 GB. Não um modelo qualquer, de uma marca qualquer. Um modelo especifico de uma marca especifica, pois o objectivo era a sua ligação em RAID com outros que já possuia.

Após uma consulta na web pelo melhor preço, 72 euros, dirigi-me á loja para o comprar. Azar dos azares, só para o final da semana é que o tinham em stock. Tinham outros modelos, da mesma marca ou de outras, também de 500 GB, mas não o modelo que eu queria. Como era Segunda-feira e não estava a fim de esperar tantos dias, sem contar com o facto de não querer voltar de mãos a abanar, decidi dar uma volta por outras casas á procura do dito cujo. E entrei numa mesmo a escasos metros dali.

Não tinham o disco na loja, só no armazem. Mas de tarde (era de manhã) já lá o tinham, se o quizesse. Lá contei que não era dali, que voltar novamente de tarde não estava muito nos meus planos, era algum transtorno para mim... nisto perguntei o preço: 92 euros menos uns centimos.

Comentei que na loja ão lado era muito mais barato, que só não comprei lá porque só para o final de semana é que iam receber uma nova remessa. "Não pode ser! De certeza que é um outro modelo!" diz o funcionário. "Outro nada!", respondi eu. "È só esse modelo que me interessa! Se não acredita veja na net!"

O sujeito pede para aguardar, que vai ver o que pode fazer, vai para dentro, volta minutos depois, e diz:
"Consigo fazêr-lhe por 79 euros!"
"Mas arranja para agora?" - pergunto eu.
"Não, só mesmo para de tarde. Se quiser, pede-se e de tarde está cá!" - responde ele.
"Bom, não estava muito nos meus planos voltar de tarde... vou dar um giro por ai e se resolver alguma coisa, ainda passo aqui de manhã para o encomendar. Bom Dia." - respondi eu e sai.

Fui dar um giro por outras casas e nada. Umas não trabalhavam com a marca em questão, outras só por encomenda. Para o dia seguinte, mas não naquele momento. E enquanto eu dava estas voltas, pensáva: "De 72 euros para 92 euros vai uma diferença de 20 euros. E destes 92 para os 79 que era o "desconto" que o outro fazia vai 13 euros. Se a 72 euros a casa ganha dinheiro, quanto custará realmente o disco á casa?" E nestes pensamentos entrei numa grande superficie comercial. E não é que o tão almejádo disco estava numa prateleira a uns incriveis 69 euros? Era o único, pois os outros já tinham todos sido vendidos, mas eu também só queria um. E enquanto pagáva na caixa, qual menino contente por ter o seu brinquedo preferido, pensáva: "69 euros e mesmo assim estão a ganhar dinheiro."

Termino aqui o meu raciocinio na altura, e que serviu de mote ão titulo do tópico: se o disco cá é vendido por 69 euros, se a casa ganha, se o distribuidor ganha e se o importador ganha; se a todos estes ganhos á a acrescentar as despesas referentes á distribuição e da importação (taxas, impostos, transportes, etc), a como será vendido o disco em questão á porta da fábrica? Começo a acreditar que se vivesse ão lado da fábrica e tivesse como amigo o gerente da mesma, o disco não me era vendido, nem tão pouco dado. Começo a acreditar que ainda me pagávam para retirar o disco da fábrica.

Eles não estão a vender, estão a dar! E nós agradecemos! Boas.
Título: Re:Discos para PC: não se vendem, dá-se!
Mensagem de: José Costa em 12 / Nov / 2010, 06:40
Boas.
Por norma, não compro discos rigidos de marcas e modelos diferentes. Costumo comprar a mesma marca, o mesmo modelo e da mesma capacidade. Só quando o disco em questão não se encontra mais no mercádo, e nem mesmo por encomenda se arranja, pelo facto de a própria fábrica o ter deixado de produzir, é que parto para a compra de um modelo diferente, sendo este normalmente de capacidade superior. A razão para tal atitude? Os meus discos são todos ligádos num nivel RAID, por forma a obter o melhor desempenho possivel. É por esta razão que ainda tenho discos de 120 GB ou de 250 GB de capacidade.

Dirão alguns que faria melhor substituir todos estes discos por um só, pois os discos de 1 e 2 TB estão aí à venda. Faria melhor sob o ponto de vista deles, mas não no meu ponto de vista. É que se é certo que dois ou três discos de 2 TB me dariam a mesma capacidade que tenho disponivel com estes, também é certo que tais discos não me iriam "entregar" os dados á taxa de transferência que obtenho com todos os que tenho aqui em RAID.

E pela razão de comprar normalmente a mesma marca, o mesmo modelo e da mesma capacidade, parti numa viagem pela net, à procura de um modelo especifico de 500 GB. E encontrei-o! Cá em Portugal, no Porto, mais especificamente.

O disco era do mesmo modelo a que o post anterior se refere. E é de salientar que o post anterior já tem mais de 2 anos. Na altura o disco em questão custou-me 69 euros. O mesmo modelo actualmente custa cerca de 37 euros. Metade do preço, portanto.

Aonde quero chegar, é ão seguinte: continuando na "viagem" pela net, encontro no mesmo site um disco de 1 TB pela módica quantia de 49,95 euros. É certo que a marca em questão não prima por ter discos rápidos, mas são fiáveis. E 1 TB é 2 x a capacidade do disco que quero comprar, por apenas mais 12 euros. Não pesquisei mais, até porque não "andava atrás" de discos de 1 TB, mas acredito que com um pouco mais de pesquisa iria encontrar um disco da mesma capacidade (1 TB) por um valor um pouco inferior. Não que 49,95 seja caro, nada disso, mas porque existe quase sempre algo mais barato.

Se já à dois anos tinha a opinião de que os discos rigidos andavam a ser "dados", agora e cada vez mais penso o mesmo. Não que tenha algo em contra, nada disso, mas porque me surpreendo com o cada vez mais baixo preço dos discos rigidos.

Se vou comprar o disco de 1 TB em vez do de 500 GB? Não, não vou! Mas que fiquei tentado, lá isso fiquei. Boas.
Título: Re:Discos para PC: não se vendem, dá-se!
Mensagem de: gcoutinho em 12 / Nov / 2010, 13:44
Já tá mais que na hora dos SDD saírem pro mercado a preços convidativos :)
Outro dia dei uma vista de olhos nos SDD vendidos na loja online da Apple, parece que recuamos uns 10 anos atrás... 512 gb    1400€|!!


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