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Zona Livre => Café Virtual => Tópico começado por: JC Duarte em 27 / Ago / 2009, 12:00

Título: Perguntas lucrativas
Mensagem de: JC Duarte em 27 / Ago / 2009, 12:00
(https://www.portugalvideo.com/portugalvideo/forum/proxy.php?request=http%3A%2F%2F2.bp.blogspot.com%2F_u2ywkEfNdsM%2FSpZkDnl3ZMI%2FAAAAAAAACxA%2FY2MOw9fUEyY%2Fs400%2FPerguntas%2Blucrativas.jpg&hash=489e828fbff23d0b08623736ad89d35f1eb26ebb)
E porque é que os computadores são estúpidos e ignoram o que é felicidade? Porque só dão respostas e nunca perguntas!

Tinha eu uma dúvida. Nada de muito especial, mas fazia-me confusão, já que aquilo não encaixava em nada do que eu sabia ou conhecia. Referia-se ao comportamento de uma planta, junto da qual passo com muita frequência. Aquela em particular, ao invés de uma outra igualzinha e ao lado, tem as suas folhas organizadas de forma diferente e incomum.
Mostrei o fenómeno a vários conhecidos que comigo partilham o local, em momentos de ócio e nicotina, mas nenhum soube dar uma resposta cabal. Luz, calor, vento, poluição, várias foram as explicações aventadas, mas nenhuma consistente com bom-senso.
Eis que tropeço no jardineiro daquele local. Homem com comportamentos pouco habituais, consta que tem aquele emprego como forma de recuperação de vidas anteriores menos recomendáveis. A maior parte das pessoas que por ali passam, em o sabendo ou suspeitando pelo aspecto, evitam-no ou, pior ainda, ignoram-no, como se fosse portador da peste ou um mero ornamento do local.
Pois eu abordei-o e questionei-o sobre a coisa. De imediato obtive uma resposta sobre a planta em questão, sobre a sua irmã, mesmo ao lado, do que elas gostam e não gostam e de que forma manifestam a sua satisfação e desagrado. E ficámos um pouco a conversar sobre isso mesmo e sobre o como podemos ver as plantas sorrirem para nós, se nos deixarmos penetrar pela sua forma de falar.
A conversa acabou, ele seguiu para onde ia, eu fui comprar o gelado que me apetecia. E, estava eu a receber o troco do negócio, debatendo-me com o porta-moedas, os trocos e o gelado, tendo apenas duas mãos, quando ele regressa e me aborda.
Diz-me ele "Tem dois ou três dias para as comer." E entrega-me esta galhada de uma romãzeira com duas belas romãs. Fiquei meio sem jeito e ainda lhe perguntei de onde vinham. Havia uma, ali mais ao fundo, agora carregadinha, e eu nem havia dado por ela. E estas duas vinham porque alguém gosta de plantas. E havia dado importância a quem, as mais das vezes, é transparente ou a evitar.
O saber está em todo o lado. E fazer perguntas dá-nos, para além das respostas, alguns prazeres insuspeitos.

Título: Re: Perguntas lucrativas
Mensagem de: José Sobral em 27 / Ago / 2009, 17:21
É um deleite ler estas crónicas que vou acompanhando na clandestinidade como quase todos os leitores, bem à maneira portuguesa, por vezes por vergonha de opinar, por não querer intervir ou meramente por preguiça. Mas desta vez, com esta real lição de que para receber é preciso dar, venho também dar da maneira que posso o meu BEM HAJA ao autor.

Aqui é expresso como por vezes ao dar uma palavra a alguém que pela sua simplicidade, pobreza, suspeição, nos afugentaria pode-nos trazer o bem-estar de que os outros também precisam nesta sociedade cheia de presunções.

Aqui é expresso de que agradecer aos autores as suas maravilhosas linhas dá-lhes força para continuar e a todos um bem-estar.

Nem só de técnica vive o homem, também de palavras.

BOM CAFÉ virtual.