Boas.
Num computador, a avaria de um disco rigido significa na maioria das vezes a perca da informação nele guardada. Se bem que a avaria pode ser de origem electrónica ou mecánica, e passivel de ser recuperada na sua totalidade por serviços de recuperação de dados (serviços, não software), tal recuperação é dispendiosa para a maioria dos utilizadores. Só mesmo empresas (ou particulares) em que seja vital a sua recuperação é que estão dispostas a dispender algumas centenas de euros (senão milhares) para recuperar os dados.
Os niveis RAID têm como função evitar a perca de dados no caso de avaria de um disco rigido. Mas mais importante ainda, têm como função manter em funcionamento o computador até que seja possivel a troca do disco avariado.
Imagine o seguinte cenário: uma produtora, que vai proceder á gravação de imagens de um espectáculo, opta por gravar directamente para disco rigido, num sistema baseádo em MAC ou PC ou mesmo Linux. A meio do espectáculo, um dos discos rigidos avaria. O técnico ou produtor não pode simplesmente dizer "Parou! Parem o espectáculo, pois vou ter que ir num instante á loja comprar um disco novo, que o que tinha avariou!"
Nestes casos, em que a segurança dos dados é fundamental, assim como continuar a operar, utiliza-se discos num nivel RAID, pois em caso de avaria de um disco o sistema continua em funcionamento, sem haver perca de dados. A gravação continua como se nada tivesse acontecido e no final do espectáculo pode-se então proceder ão desligamento do computador para se trocar o disco avariado, sendo os dados reconstruidos recorrendo ãos outros discos existentes. Isto para o caso do computador não estar munido de discos hot swap, também conhecidos como "troca a quente", em que nesse caso nem sequer é necessário se desligar o computador ou reiniciar. E ainda existe um outro sistema, que é de reconstrução automática, em que um disco extra se encontra desactivado e entra imediatamente em funcionamento no caso de avaria de um outro, sem necessidade de utilização humana.
Normalmente os niveis mais utilizados são o 1 e o 5, mas podem ser utilizados outros. Existem vantagens e inconvenientes de uns e de outros, mas uma das vantagens que são referidas do RAID 1 ou 10 em comparação ão RAID 5 é um rebuild (reconstrução) mais rápido. Enquanto que o RAID 5 precisa de ler todos os dados de todos os discos rigidos para assim poder "recuperar" a informação perdida no disco avariado, no RAID 1 ou 10 só é necessário proceder á cópia dos dados que se encontram no outro disco, que é um espelho do disco avariado.
Ora este "só é necessário" tantas vezes utilizado na literatura técnica, pode passar a ideia de que todo o processo é rápido. Já foi, não é mais. Foi rápido e é rápido quando os discos têm apenas meia dúzia de GBs. Num tempo em que os discos têm 1 TB e mesmo 2 TB, este processo é tudo menos rápido.
Senão, façamos as contas:
Temos dois discos de 1 TB cada um, num nivel RAID 1. Isto significa que apesar de termos 2 TB de disco, só temos 1 TB disponivel para dados, pois um disco é a cópia do outro. No caso de um disco avariar, o sistema continua em funcionamento, pois o disco "bom" assume o comando.
Quando a troca é feita, do disco avariado pelo novo, os dados são copiádos do disco "bom" para o novo. Como todo o sistema é limitado pela velocidade de escrita do novo disco, isto significa que na melhor das hipoteses vai ser gravado uma média de 125 MB por segundo. Na prática poderá ser bastante menos, como explico mais á frente.
125 MB/s vezes 60 segundos corresponde a 7500 MB, ou seja, cerca de 7.5 GB por minuto x 60 minutos = 450 GB por hora. Como o disco é de 1 TB, e a formatação ocupa algum espaço do mesmo, isto significa que será necessário um pouco mais de 2 horas para o rebuild ser finalizado.
Mas 125 MB/s é um valor optimista, pois á medida que o disco vai ficando cheio a velocidade de escrita diminui. Temos também o aquecimento provocado pela longa escrita, que cria uma dilatação dos materiais que compoêm o disco, o que obriga a que o sistema de alinhamento das pistas e cabeçotes tenha de actuar para corrigir esta variação. Não esquecer que estamos lidando com unidades micro, não de centimetros ou milimetros. Por cada necessidade de alinhamento das cabeças em relação ás pistas, a gravação é interrompida, o que faz com que a velocidade de transferência diminua, aumentado o tempo necessário para o rebuild completo.
Até aqui tem-se partido do principio de que o sistema fica inactivo, apenas se encontra a fazer o rebuild. De que o computador não está a ser utilizado. Mas se durante o rebuild utilizarmos o computador normalmente, o disco "bom" tem que se dividir entre as requisiçôes do SO e dos programas, na medida em que utilizarmos o computador, e as leituras dos dados para serem gravados no disco novo. Isto faz diminuir ainda mais a velocidade de transferência dos dados. E haverá também a situação de que dados já gravados no disco novo terão de ser novamente gravados, por força de que podem ter sido alterados no disco "bom", devido á utilização normal do computador.
Por tudo isto, se pode concluir que um rebuild de 1 TB de dados em RAID 1 ou 10 pode demorar 3, 4 ou mais horas. Se durante este processo o disco "bom" avariar também... espero que tenha backup!
Boas.
P.S. O RAID 0 está excluido deste processo, pois ele não oferece redundância dos dados. Se um disco avariar, perde-se todos os dados existentes no RAID. Só de RAID 1 para cima é que se tem segurança, e esta depende também do nivel de RAID utilizado.