Boas.
As câmeras HD precisam todas elas de mais luz que as SD. Algo inerente ás limitaçôes da tecnologia. Por sua vez, e devido á alta definição das imagens, torna-se necessário iluminar melhor, pois em SD os "defeitos" não são tão visíveis quanto em alta definição. Para se obter uma boa imagem em HD, há que fazer uma iluminação adequada.
Os fabricantes das câmeras mencionam, muitas vezes, iluminação mínima de 1.5 lux, por exemplo. Mas é preciso procurar muito nas especificaçôes ou no próprio manual da câmera, para se encontrar em que condições tal é conseguido: shutter a 25 e +18dB de ganho ou mesmo mais são exemplos do que se encontra. Escusado será dizer que tais valores torna impraticavel uma utilização normal, além de degradar imenso a qualidade da imagem.
Com vista a obter uma boa iluminação, e portanto uma boa imagem, torna-se necessário rever ou mesmo mudar alguns conceitos em luz. E um deles é a utilização de projectores sobre as câmeras.
A luz sobre a câmera ilumina o assunto de forma desproporcional e muitas vezes exageráda. O assunto principal fica com uma imagem "chapada" de luz, o que diminui a beleza da imagem que se poderia obter se tal "chapa de luz" não existisse. A luz sobre o assunto principal escurece o fundo, pois na tentativa de controlar a entrada de luz na câmera, obriga a se fechar a iris.
Existem situaçôes em que a qualidade da imagem "não importa", pois a informação é muito mais importante. É o caso das noticias nos telejornais e nas entrevistas de rua que nos mesmos surgem. Nos telejornais o importante é a informação a ser transmitida e não a beleza das imagens, até porque a maioria das noticias não são propriamente "uma beleza".
Com o surgimento da iluminação por LEDs, e graças á autonomia que o seu baixo consumo proporciona, muitos são os que começam a utilizar este tipo de iluminação nas reportagens BBC (Bodas, Batizados e Casamentos). No entanto, a sua utilização é muitas vezes mal aplicada.
Muitas são as igrejas actuais, para não dizer quase todas, que são iluminadas com lâmpadas cuja temperatura de côr se situa na casa dos 3200K, e não raras vezes, a sua intensidade luminosa é suficiente para uma gravação de imagens aceitáveis. Não será na grande maioria das vezes uma quantidade e uma qualidade de luz óptima, mas será na sua generalidade razoável. Mesmo assim, muitos são os que teimam em utilizar projectores sobre as câmeras, e mais grave ainda, iluminação de LEDs. O problema não é tanto a utilização dos projectores (sejam eles halogénio, HMI ou LEDs), mas sim a potência dos mesmos e a sua temperatura de côr.
Como referi acima, o excesso de luz sobre o assunto principal (em relação ão fundo), escurece o que está á volta do mesmo. Num casamento numa igreja, por exemplo, a utilização de um foco de luz sobre os noivos faz com que eles passem a ter uma intensidade luminosa superior em relação ão restante da igreja. Nestas situaçôes temos os noivos com muita luz (e com tudo o que de bom e de mau isso significa), mas os convidados por trás ficam na escuridão. É um facto que o motivo principal são os noivos, mas são os convidados por trás dos mesmos que dá beleza ás imagens.
Por outro lado temos a temperatura de côr. Com igrejas maioritariamente iluminadas com lampadas de halogénio e incandescentes, cuja temperatura de côr ronda os 2900-3200K, a utilização de iluminação LED (cuja temperatura de côr se situa nos 5500K) é tudo menos aconselhável. A não ser que se utilize filtros ou gelatinas para a sua correção, algo que a maioria não o faz (muitas vezes por desconhecimento da temática iluminação), os resultados não serão os melhores. Passa a haver uma diferença de côr entre o primeiro plano e os segundos e terceiros planos.
Mas fora o espaço "igreja", existem outros espaços em que a utilização de iluminação LED, se a temperatura de côr não fôr corrigida, se torna nefasta para a beleza das imagens a serem captadas. Veja-se o caso de imagens nocturnas, numa festa de casamento ou numa saida dos noivos para "ver a lua". Nestes casos, em que é utilizada uma iluminação dita fria como é os 5500k da iluminação LED não corrigida, a utilização deste tipo de luz é totalmente contrária aquilo que se pretende obter: um ambiente quente, agradável, afável.
A iluminação por nós "introduzida" no ambiente deve-se limitar á estritamente necessária pela câmera, para assim se poder gravar correctamente os intervenientes e o ambiente que os rodeia, além de se dever respeitar a luz predominante no local. Para isso, nada melhor que a utilização de iluminação adequada, quer pela temperatura de côr das lampadas e/ou dos LEDs, quer pela intensidade luminosa. No primeiro caso - temperatura de côr - a utilização de filtros e/ou gelatinas para a correção da temperatura de côr, em função do efeito pretendido ou da luz predominantemente existente no local. A utilização destes filtros e/ou gelatinas tem o efeito adverso de diminuir a intensidade luminosa, muitas vezes em metade, pelo que ter dois iluminadores diferentes, com temperaturas de côr diferentes, pode ser uma boa opção. Poderá não ser tão prático como ter um só iluminador e aplicar filtros para a correção da côr, mas permitirá obter uma maior intensidade luminosa quando ela fôr e é necessária.
No segundo caso - intensidade luminosa - a utilização de um projector com dimmer incorporado permitirá regular a intensidade da luz, de forma a que ela não seja exageráda em relação ão ambiente que rodeia o assunto. A utilização de um projector que possua mais que uma lampada, com potencias iguais ou diferentes, mas com a possibilidade de as ligar independentemente uma das outras, é também uma opção.
Sou apologista de que é preferivel uma imagem com um pouco de grão, a se ter uma imagem "limpa" com recurso a um projector centralizado no assunto principal. Utilizar a luz ambiente é sempre preferivel a um projector na câmera, pois no primeiro caso faz-se realçar a beleza do espaço e do ambiente, e no segundo caso (projector sobre a câmera) obtem-se uma imagem "limpa" de grão, mas que no entanto não deixa ver mais nada que o assunto principal. Em vez de obtermos uma imagem com alguma profundidade, no primeiro caso, passamos a ter uma imagem em que o primeiro plano está "chapado" na lente. Muito "interessante" num telejornal, mas simplesmente abdominável numa reportagem de um acontecimento social.
Mas atenção que esta "imagem com um pouco de grão" não é ter uma imagem sem definição, sem côr e sem profundidade. Não se pode querer nem cair na tentação de filmar á luz de uma vela e esperar ter imagens belas por todo o comprimento de uma sala. A tecnologia tem limitaçôes e temos de estar conscientes delas, de forma a que as conheçamos e saibamos até onde podemos ir nas nossas ambiçôes com a câmera. Querer ir para além do que a tecnologia que possuimos nos permite é investir no fracasso das nossas imagens.
Alguém disse que iluminar é pintar com luz. Se a nossa "pintura" tem um grande borrão logo no centro, será a única coisa em que se vai reparar. Se a função do video nos casamentos e afins é fazer arte com as imagens, estes "borrôes" são algo a se evitar. Os "borrôes" e as discrepâncias de côr, pois se á algo que chama bastante a atenção é um primeiro plano frio e um segundo plano quente, e vice-versa.
Boas.
Boas
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Pena é que todos os noivos (clientes em geral) não leiam este tópico.
Boas.
Citádo: "Pena é que todos os noivos (clientes em geral) não leiam este tópico."
Simples: É indicar-lhes o link. :lol: :-({|= \:D/ =D> :-k Boas.