Boas.
Certa vez, durante a execução de um serviço, assisti a uma conversa entre o fotografo e um dos convidados dos noivos, pois era de um casamento que se tratava. O convidado afirmava ser possuidor de uma câmera fotográfica igual à que o fotografo tinha, mas havia certas funçôes que ele não entendia direito, pelo que pediu "conselho" ão fotografo. Eu sei que é feio ouvir as conversas dos outros ( :lol: ), mas como a conversa estava a decorrer ali ão meu lado, não podia (nem queria) ir ter com eles e dizer: "Desculpem, mas estou a ouvir a vossa conversa!". Pelo que me deixei ficar ali quietinho no meu canto, na escuta. 8)
O que o convidado estava a perguntar eram coisas que eu entendo que qualquer profissional que se preze, deve saber. Coisas como aberturas, ISO, prioridades à abertura ou obturação, as suas relaçôes entre elas são assuntos que têm de ser do conhecimento de qualquer fotografo, digno desse nome. Mas perante tais perguntas, foi visivel o embaraço do fotografo. Era notório que as respostas áquelas simples perguntas, ele não as sabia. E a resposta que ele deu foi digna de um puro amador e não a de um fotografo: "Eu não me preocupo com essas coisas. Ponho sempre a máquina em P e corre sempre tudo bem.
De uma outra vez, vejo um outro fotografo a fotografar em contra-luz, num jardim e debaixo de sol, e após cada disparo, a verificar a foto no LCD da câmera. Mexia no controle de aberturas (ou na obturação?), nova foto e nova verificação. E isto se passou umas poucas de vezes, até que acabou a abanar a cabeça, em sinal de desagrado, e mudou de posição, para não ficar tanto em contra-luz. Eu que estava a verificar a situação a alguma distância, sabia bem o que estava a acontecer. O problema residia no facto de ele estar a trabalhar com o flash em modo TTL, pelo que a cada mudança nos controles, o flash compensava. Ele devia controlar a potencia do flash, não as aberturas ou obturação.
De muitas outras vezes, e desta vez de video falando, verifico que muitos operadores de câmera se colocam de lado às janelas, no interior dos edificios, de forma a evitar a forte luz proveniente da luz exterior, isto já depois de terem iniciádo a gravação de frente à mesma. Com a intenção de controlar as contra-luzes acabam por prejudicar o resultado final da imagem. Algo que a Iris resolvia com facilidade. Outras vezes, iniciam e terminam as gravaçôes, uma e outra vez, sempre no mesmo local e com o mesmo plano de imagem. Esta falha ou erro é depois colmatada na edição, com um efeito ou transição qualquer, com um resultado algo questionável. Planos demasiádo curtos ou longos, imagens sub ou sobre-expostas, controle de brancos ou WB não realizados,... são muitos os exemplos de falta de conhecimentos técnicos, por parte de quem nestas andanças anda. Junte-se a isto a ideia pré-concebida que muitos têm de que na edição de arranja tudo, e temos o panorama do que se verifica neste mundo das reportagens BBC (Bodas, Batizados e Casamentos).
O que é comum a todas estas situaçôes, é o facto dos seus intervenientes não terem conhecimentos minimos para exercerem as suas funçôes com o minimo de competência. É um desenrasca, um acreditar que tudo vai correr bem, uma certa dose de falta de respeito pelo cliente, que é quem perde quando as coisas não correm pelo melhor. Este, o cliente, também não está totalmente issento de culpa, pois ele próprio também não se preocupa muito com a questão, apenas com o preço do serviço. Se é certo que todos os profissionais não estão issentos de erros, também é certo que quem não tem conhecimentos minimos, muito mais propensos estão a ser vitimas dos seus próprios erros.
A tecnologia video e fotográfica tem evoluido ão longo destes anos. Ão ponto de que qualquer um é capaz de tirar uma foto ou de fazer um video, ão ponto de que qualquer um é capaz de efectuar reportagens fotográficas ou de video. Os equipamentos estão cada vez mais baratos e de qualidade mais elevada, pelo que cada vez mais são os que se decidem a entrar neste mercado. A qualidade, a do producto final e entregue ão cliente, tem vindo a diminuir ão longo dos mesmos anos, apesar de todos os avanços tecnológicos. È que se é certo que os equipamentos estão cada vez mais acessiveis e com melhores performances, continuam a vir com um enorme defeito: não trazem firmware para os seus utilizadores fazerem um upgrade ãos seus conhecimentos, pelo que continuam cada vez mais a cometer sempre os mesmos erros, equipamento após equipamento. E em vez de procurarem a solução para o problema, a formação, procuram colmatar a sua falta de conhecimentos com novos equipamentos, que mais não fazem que aumentar a definição da imagem, mas não aumentam a qualidade do producto final.
Todos são capazes de efectuar reportagens fotográficas ou de video, escrevi eu acima. Se vai ser uma boa reportagem, essa é uma outra questão. Boas.
Concordo com tudo o que disse, mas infelizmente, são cada vez menos os clientes que se preocupam com a qualidade final do trabalho. Procuram o mais barato sem questionar a qualidade ou competência do profissional.
Falando um pouco mais da área em que movimento, a fotografia, tenho-me deparado com algumas situações que me têm deixado um pouco desiludido. Tenho visto alguns trabalhos de "supostos" colegas em que o resultado final deixa muito a desejar, mas pelo que me tenho apercebido têm conseguido alguns clientes. São novos na área dos BBC e embora digam ser fotógrafos, olhando para o trabalho final :-k. Acho que percebem tanto de fotografia como eu entendo de física quântica...
Agoira resta saber se o resultado final vai corresponder às expectativas do cliente...
Enfim...
é assim...se os engenheiros têm de fazer um exame para acederem à ordem(na área que concorrem:civil, química, mecânica,etc), os fotógrafos e "videomakers", tb deviam fazer um exame escrito e prático para acederem à "ordem"...o pior é que não existe "ordem", pelo que eu saiba...cada pessoa deveria ter um cartão devidamente autorizado(tipo bi) a confirmar as suas competências...mas mesmo sem ordem, o cliente , deveria reclamar se o trabalho não estivesse bem feito...ou seja, poderia ir a outro fotógrafo pedir uma opinião, e a partir dai pedir uma reclamação em relação ao trabalho feito(geralmente no vídeo)...mas o que realmente acontece, é que as pessoas querem ver é máquinas grandes e com flashes muito potentes, caras sorridentes(nem que estejam de cabeça para baixo...ehehhe) e vídeo com o pessoal todo lá metido, nem que seja aos trambolhões...depois, se pagarem 250 euros pelo trabalho final melhor ainda(qualquer dia é o que faz o vídeo que ainda tem de pagar ao cliente...por este andar...)...posto isto, queria dizer, que é preciso haver uma organização que regule estas situações...fica aqui a sugestão, para o bem de todos os verdadeiros profissionais da fotografia e vídeo(e tb audio, já agora)...boas.
Boas
A inveja é um dos pecados mortais!
Os políticos também preocupam-se muito com os adversários falando deles constantemente nos seus comícios quando deveriam apresentar proposta válidas para que as pessoas votassem neles.
Ora, eu vejo as coisas da seguinte maneira:
- O cliente que procura um determinado serviço, só pode pagar 250,00€ portanto não vai pagar 500,00€ só porque é feito por alguém que tem o exame X ou Y feito na ordem Z.
Quando vamos à oficina da marca do nosso carro pagamos muito mais à hora do que se formos ao nosso vizinho que também é mecânico e que até trabalha na oficina da marca do nosso carro. E o quê que fazemos (na maioria dos casos)? Vamos ao nosso vizinho, correcto?
Eu até posso não ter o exame X ou Y feito na ordem Z, mas se o meu cliente só pode gastar 250,00€, viu o meu trabalho (fraco é certo) mas cumpre com os requisitos da reportagem desejada, claro que seria contratado para fazer esse serviço, fico eu servido (sem fazer concorrência desleal porque não tenho um serviço tão bom como o de 500,00€) e fica o meu cliente servido, porque era aquilo que podia pagar. Se todos os fotógrafos levassem 500,00€ este cliente ficava sem a reportagem registada. Ora, ninguém deseja isso, pois não?
Existes user's aqui no fórum que não fizeram os exames X ou Y na ordem Z, mas que sabem muito mais que aqueles que os fizeram. A teoria por si só não é garantia de que o trabalho seja bem executado, assim como só a prática também não o é, o ideal seria juntar as duas coisas, mas mesmo assim não é garantia de um bom serviço.
Agora para o Rui Ressurreição, que disse:mas mesmo sem ordem, o cliente , deveria reclamar se o trabalho não estivesse bem feito...ou seja, poderia ir a outro fotógrafo pedir uma opinião, e a partir dai pedir uma reclamação em relação ao trabalho feito(geralmente no vídeo)
Ora se assim fosse os fotógrafos eram os juízes do trabalho dos próprios colegas :-k, onde é que isto ia parar?
Cumprimentos a todos
Rodrigo Pinheiro
Boas.
Rodrigo, tenho que te dar os parabêns, pois creio que nunca vi um texto teu tão comprido. E o teu raciocinio por muito correcto, só peca em alguns pontos:
1º ponto: O cliente só pode (ou quer) pagar 250 euros, e tú decides fazer o trabalho por esse dinheiro. Pois muito bem, nada a apontar, pois se não fores tú, o cliente vai procurar outro que o faça. O serviço que tú vais fazer pode não ser nada de espectacular, pode não ter uma edição 5 estrelas, pode não ser em multicâmera e pode até, em última análise, nem ter edição. Se o cliente tem noção do serviço que vais fazer, se concorda com o tipo de serviço que ele vai levar pelo preço em questão, novamente nada a crescentar. Mas tú não vais entregar um dvd ão cliente cheio de zooms, sem partes importantes da cerimónia que não filmaste, com uma imagem toda queimada ou escura, ou seja, não entregas ão cliente um trabalho que mais parece que foi filmado por um desses amadores rascas, como tantas vezes eu já vi por aí, e tenho a certeza de que tú também. O trabalho que entregas pode não ser nada de especial, mas não será nada parecido com aquilo que um amador faz. Um trabalho pode ser muito simples, mas mesmo assim ser profissional.
A questão preço cobrado não é questionável, ou pelo menos eu não questiono nesses aspectos. O que questiono ou é questionável é o cliente ver uma coisa, levar outra, e o trabalho ser feito pelo puto das terças-feiras, como por aqui já vi chamado. Uma coisa é o trabalho ser mais ou menos aprimorado, mais ou menos elaborado, e outra coisa diferente será o cliente levar um video de pernas para o ar, daqueles que não conseguimos editar, de tão ruim que está.
O mecánico vizinho pode até levar mais barato que a oficina da marca, mas não vimos do mecánico com o carro a verter óleo, correcto? Paga-se peças recicladas ou da concorrência, e é isso que se leva para casa, mas o carro não vai com peças avariadas, exacto?
2º ponto: A teoria sem a prática não serve de muito, é um facto. Mas também a prática sem a teoria de pouco mais serve. Nisso estamos de acordo. E também concordo que não é por ter o diploma X ou Y que este ou aquele é melhor. Já vi casos de jovens em estágio e outros já com o curso de audiovisuais terminado, e no entanto o serviço é tudo menos profissional. E isto tanto se aplica à gravação de imagens como depois à sua edição. E não é só com jovens que isto acontece, pois já tive oportunidade de verificar o mesmo com "profissionais" à largo tempo no mercado. Mas se existir a teoria e depois se passar à prática, de certeza que o producto final será muito superior a um outro que até filma muito, tem muita experiência em gravação de imagem, mas que no entanto não sabe minimamente o que está ali a fazer, nem como contornar certos imprevistos que por vezes nos surgem.
A teoria e a prática não é efectivamente garantia de que o serviço será bem executado. O profissional não está totalmente issento de cometer erros, mas as probabilidades serão bem menores que outros que não têm nem uma coisa nem outra. Mas quando os erros acontecem muitas vezes, em muitos trabalhos diferentes, então não são erros que acontecem, é a incompetência ou falta de saber que se verifica.
3º ponto: Estilo, tipo de edição, genero... tudo é subjectivo no que a um trabalho diz respeito. Podemos gostar ou não de um trabalho, podemos ser da opinião de que podia ser mais bem editado ou ter músicas mais adequádas, mas é tudo uma questão de gosto. Haverá quem gosta, e haverá quem não gosta, existem reportagens para todos os gostos. Mas ver as imagens todas desfocadas, gravação estilo "em cima de uma barca", cheias de grão ou todas "queimadas", não é questão de gosto, mas sim de não saber trabalhar. E é isto que devia ser condenável e quem assim "trabalha" devia ser impedido de executar serviços nesta área, pois são estes "profissionais" que dão má fama (a má fama que já temos) à nossa profissão.
4º e último ponto: Se um médico tem de dar provas da sua competência, se um engenheiro, veterinário, jornalista... se todos têm de prestar provas dos seus conhecimentos e competências, porque é que um operador de câmera disto dos BBCs (Bodas, Batizados e Casamentos) não tem? Não seria benéfico para nós todos que somos profissionais, não seria uma forma de proteger o nosso trabalho dos "habilidosos" de fim-de-semana?
Não é contra quem apenas anda nisto ão fim-de-semana que me pronuncio. Não é contra os preços altos ou baixos, não interessa... sou da opinião que existe mercado para todos, e todos podem sobreviver, melhor ou pior. Pronuncio-me e sou contra quem nada sabe disto de audiovisuais, quem apenas sabe a posição do botão REC numa câmera. É contra estes "profissionais" que eu falo. E defendo que todos nós, sem excepção, deviamos ser contra estas situaçôes.
Os cursos valem o que valem. Mas a formaçao e o conhecimento vale muito. E estando a net cheia de informação, só não obtem o conhecimento e a prática quem não quer. Boas.
José Costa concordo plenamente com o que dizes, e até acho que a tua reposta é um complemento ao que escrevi. :wink:
E já agora venham lá esses exames :-({|=
Obrigado pelos parabéns \:D/
Cumprimentos a todos e muito trabalho
Rodrigo Pinheiro
olá a todos...qd eu me refiro a exames, não estou propriamente a dizer que um tipo vai para uma sala com papel,canetas, calculadoras e material do género, responder a questões complexas, com fórmulas complexas...nada disso...o que eu queria dizer era que qd uma pessoa faz um trabalho de vídeo dando o melhor que tem lá dentro, e se o trabalho tiver um estilo profissional (sem os erros que o JOSÉ COSTA APONTOU), dá logo para ver se a pessoa é um bom profissional ou não.A própria indústria pode auto regular-se...boas.