Bit error – Tape vs. Disco
Um dos maiores problemas que actualmente as produtoras e emissoras de TV enfrentam é o armazenamento dos seus conteúdos. Desde os primórdios que o negativo foi o meio utilizado para tal, não fora ele o único suporte disponível, até ão surgimento da fita magnética.
A fita magnética veio proporcionar um meio prático e barato de gravar e armazenar o vídeo até ãos dias de hoje. Mas a tecnologia vai evoluindo, e as tapes para gravação de imagem são cada vez mais um método em extinção.
Como suporte de gravação de imagens, a tape tem os dias contados. Elas ainda continuam a ser utilizadas nos meios broadcasting e pequenas produtoras, mas a sua utilização limita-se – na maioria das vezes – ão acesso de imagens gravadas no passado. Como método de gravação de imagem, praticamente não são usadas actualmente. Pelo menos nos países mais desenvolvidos, pois as tapes ainda são bastante usadas em algumas emissoras de TV por esse mundo fora.
Mas se as tapes já não são o suporte predilecto como meio de gravação de imagem, o mesmo já não se passa como método de armazenamento. Cada vez mais a fita magnética é eleita como meio preferencial de armazenamento de conteúdos vídeo.
Os conteúdos vídeo devem ser acessíveis quando são necessários e num tempo útil. As horas ou dias necessários, no passado, para encontrar uma determinada imagem não são compatíveis com os tempos actuais. Exige-se rapidez num mercado altamente competitivo e em constante mudança, pelo que os conteúdos devem estar disponíveis em minutos ou até mesmo segundos.
Um facto reconhecido pela maioria dos especialistas em armazenamento é que a necessidade de armazenamento é exponencial e não linear. Âo ritmo do actual crescimento, por cada 10 TB de armazenamento necessários hoje em dia, daqui a 5 anos serão necessários 76 TB. Muitos acreditam que mesmo este valor é por baixo, ou seja, será necessário muito mais que 76 TB.
São essencialmente três os métodos actuais para o armazenamento de conteúdos: discos rígidos, fita magnética e disco óptico. A todos eles é pedido o mesmo: tempos de acesso curtos, segurança dos dados no imediato e a longo prazo e um custo por GB o mais baixo possível.
O disco óptico é pouco utilizado quando se trata de grandes quantidades de dados (leia-se vídeo/áudio). Quanto ãos discos rígidos e à fita magnética, ambos sistemas têm defensores e detractores. Isto porque ambos têm vantagens e inconvenientes e os especialistas têm muitas vezes dificuldades em chegar a um consenso, porque a linha que separa os prós e os contras é muito ténue e depende de vários factores. Para além disso, muitas vezes os termos de comparação entre uma tecnologia e outra não é dos mais apropriados e são baseados em pressupostos errados ou adulterados.
O armazenamento em fita magnética é feito recorrendo às tapes LTO e suas congéneres. O armazenamento em disco rígido é feito através de discos rígidos convencionais (Sata), ou discos rígidos de classe empresarial ou profissional (Sata Enterprise, SAS, FC).
Um dos factores que levanta sempre muita discussão é a fiabilidade de ambos os suportes (Tape vs. Disco). Estudos apontam que quando comparados lado a lado, as tapes são muito mais fiáveis que os discos rígidos. O bit error (erro de bit gravado) para um disco rígido Sata convencional é de 1 × 10E 14 bits (1 vezes 10 elevado a 14), para um disco Sata Enterprise é de 1 × 10E 15 bits e para os discos FC (Fibre Channel) ou SAS é de 1 × 10E 16 bits. E quanto às tapes? Uma tape LTO-5 tem um bit error de 1 × 10E 17 bits.
Traduzindo, para leigo entender, estes dados significa que num disco rígido Sata se tem um erro de gravação, em média, a cada 11.3 TB gravados. Num disco FC ou SAS esta média sobe para 113.6TB. Já numa tape LTO-5 a média sobre 1.1 PB (1 PB – PetaByte - é igual a 1024 TB).
Uma forma de mitigar o bit error é recorrendo ão RAID e a backups. Estes, por sua vez, aumentam a necessidade de armazenamento, pois os dados extra necessitam de ser guardados.
Juntamente com a fiabilidade, temos a durabilidade dos mesmos. As tapes LTO têm uma vida útil de cerca de 30 anos, enquanto que os discos rígidos se cingem a 5 ou 6 anos em média. Por outro lado, a necessidade de manter os discos rígidos em funcionamento, acarreta custos de electricidade superiores às tapes. Um disco rígido parado na prateleira corre o sério risco de não mais funcionar ão fim de um ano e meio. Sem contar com o facto de que uma grande percentagem de discos rígidos avaria nos 6 primeiros meses de funcionamento ou então ão fim de cerca de ¾ anos. A Google, possivelmente o maior utilizador mundial de discos rígidos, em tempos realizou um estudo interno acerca das avarias nos mesmos, tendo sido posteriormente disponibilizado na net.
Os discos rígidos têm algumas vantagens comparativamente com as tapes, sendo a mais importante o seu menor tempo de acesso ãos dados. Mas se tivermos em conta que 99% dos dados existentes numa produtora ou emissora de TV não são necessários no imediato, que se destinam a estar armazenados para serem – talvez – utilizados num futuro que não se sabe quando ou se, então este tempo de acesso rápido não se faz assim tão necessário. Mais importante que o tempo de acesso, é saber aonde está o quê, pois saber a exacta localização de um certo vídeo ou som é meio caminho andado, um tempo de acesso mais rápido à informação que se pretende ou precisa.
O preço por GB desce continuamente, sendo mais acentuado na Tape. Acrescente-se a isto o aumento da densidade de gravação por polegada, a retrocompatibilidade das drives LTO actuais com os modelos mais antigos, a constante evolução das LTO (as LTO-6 já aí estão no mercado) e o aumento para o dobro da sua capacidade de armazenamento, a portabilidade... e facilmente se compreende a razão da fita magnética ser preferida como meio principal de arquivo dos conteúdos.
À quem diga que a fita magnética está morta. Ela não está morta, está viva e recomenda-se, pois continua a adaptar-se às necessidades do mercado. E são muitas.
by José Costa