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Câmaras Video e DSLR => Câmaras DSLR => Tópico começado por: Diamantino simão em 14 / Nov / 2013, 17:13

Título: Câmara Fotográfica. Qual comprar?
Mensagem de: Diamantino simão em 14 / Nov / 2013, 17:13
Boas pessoal

Ando p'ra aqui com umas dúvidas e não consigo decidir-me na compra de uma nova máquina fotográfica, apesar de já ter lido tudo sobre elas.

Pois bem essas máquinas são a Canon 6D e a 70D, a 1ª. é full frame e é isso e só que me agrada nela, a segunda tem tudo da 1ª.  tem melhor focagem (auto em filme) caso a queira utilizar como segunda camara, mas não é full frame. a vantagem com a 70D é que posso reutilizar também as minhas lentes e comprando a 6D terei de comprar também a lente além de ter que pagar a mais cerca de 1200€ .

A vontade de optar pela full frame é simplesmente que encontro que a minha actual 50D qd. utilizada com o flasch Metz 58, encontro um pouco de aberração nas fotos e creio que com o full frame isso não aconteça visto esta ter um captor maior...será?

Obrigado por alguma informação que me seja dada por algum perito em fotografia, eu, em foto, comecei há pouco tempo e tenho ainda mt. que aprender.
Título: Re: Câmara Fotográfica. Qual comprar?
Mensagem de: Filipe Araújo em 14 / Nov / 2013, 20:06

Boa noite,


não posso dar opinião sobre a Canon, mas posso criar um paralelismo com a Nikon e com a minha experiência passada. Ou seja, tive um dilema parecido entre manter uma nikon D7000 (dx) ou investir numa D800 (fx).

Pessoalmente fiquei igualmente intrigado quando comparava as características entre ambas, ou seja, pareciam-me iguais. O senso comum dizia-me que as empresas e consumidores não andam a dormir, terá de haver razões que justificassem a diferença de quase 2000 euros. Acabei por arriscar e comprar uma D800.

Ainda bem que o fiz, ou seja, senti que a grande diferença entre elas assenta em algo de que pouco se fala - gama dinâmica - ou seja, a capacidade da maquina reproduzir nuances em situações criticas, bem como a informação contida no ficheiro. Com os ficheiros criados na D800, praticamente não tenho necessidade de recorrer aos ficheiros raw, já na d7000 era bastante frequente em virtude dos brancos rapidamente estourarem quando havia a necessidade de "puxar" pela foto.

Outra das grandes diferenças que encontrei entre as máquinas foi que na de full-frame o grão a grandes isos é praticamente inexistente, o que torna esta máquina numa ferramenta muita poderosa.

Mantendo-me neste paralelismo, creio que a opção pelo full-frame lhe permitirá melhores resultados, bem como maior latitude de trabalho. Se me perguntar se com a d7000 não faria um bom trabalho, respondo que sim, no entanto não teria imagens tão limpas e obrigava-me a mais tempo na pós-produção - isso também tem de ser quantificado.

A minha sugestão, e após o Sr. sondar outras opinião técnicas da Canon, é avaliar a sua quantidade de trabalho que tem, se achar que precisa de uma máquina que responda a uma grande quantidade de trabalho - Full-frame sem duvida.

Outra questão que deve levar em conta é o notável crescente de nitidez em clips mais recentes, nos casos que estão disponíveis a ficha técnica reparará que a 6D e 7D são uma realidade cada vez mais comum - acredito que o retorno na fotografia será também uma mais valia.


Espero que tenha ajudado,
Filipe Araújo.
 
Título: Re: Câmara Fotográfica. Qual comprar?
Mensagem de: José Costa em 15 / Nov / 2013, 01:20
Boas.
Citado: "...encontro que a minha actual 50D qd. utilizada com o flasch Metz 58, encontro um pouco de aberração nas fotos..."

Pode explicar melhor este aspecto? Excesso de luz, distorção da imagem,...? Talvez o possa ajudar... Boas.
Título: Re: Câmara Fotográfica. Qual comprar?
Mensagem de: Diamantino simão em 15 / Nov / 2013, 11:41
Olá Sr José Costa

O facto de eu encontrar por vezes esse defeito nas fotos, ou seja encontro que a foto não está bem nítida, desfocada, como falta de contraste em relação a ser tirada sem flash, no entanto a exposição está bem correcta. Já experimentei com várias opções no flasch, auto, manual, mas trabalho sempre com o TTL e nelas é a mesma coisa. Se utilizar o flasch incorporado da máquina parece-me melhor  a foto.

Será que é o Metz 58 AF-1 que falha?

Se me puder dar alguma informação relativa a este assunto fico grato ao amigo josé Costa.

Os meus cumprimentos e obrigado pela atenção.
Tino Simão
Título: Re: Câmara Fotográfica. Qual comprar?
Mensagem de: José Costa em 17 / Nov / 2013, 06:11
Boas
Face ão exposto, acredito que o problema não é a máq. fotográfica, não é o flash e também não é a compra de uma outra máq. fotográfica, seja ela full ou não, que irá resolver a questão. Se tivesse uma fotografia para visualizar era mais fácil identificar a origem, mas quase que aposto que ela reside na má utilização do flash.

A luz do flash é uma luz muito dura, muito directa. Por outro lado, com o aumento da distância a luz diminui 4x, ou seja, se fotografar uma pessoa de frente, relativamente perto, o que está por detrás dela vai ficando rapidamente mais escuro. Estes dois factores juntos contribuem para que quando se fotografa com flash exista pouca "profundidade" na imagem (não é profundidade de campo que estou a falar), dando por vezes a impressão de que a fotografia está desfocada, não existe ali aquele contraste, aquela vivacidade entre o primeiro e o segundo plano. A luz solar é uma luz difusa, o flash é uma luz directa, daí a diferença entre quando fotografa com e sem flash.

Experimente o seguinte:
Fotografe uma pessoa a 3 metros de si, dentro de casa e com a objectiva em grande angular, com o flash, e com os parametros com que habitualmente o costuma fazer.
Depois, coloque a máq. em manual, selecione uma velocidade de obturação de 1/60 e uma abertura de 5.6. Coloque o flash em TTL e vire-o para cima, de modo a que a luz vá para o tecto. Em vez do flash ficar totalmente na vertical, incline-o só um bocadinho para a frente, coisa de um centimetro. Fotografe agora o mesmo assunto, mantendo o mesmo enquadramento e angulo. Compare as fotografias.

Irá reparar que a diferença de luz entre o primeiro e segundo plano não é tão acentuada, ou seja, a luz está mais uniformemente distribuida por toda a fotografia. A fotografia fica com mais vida, mais côr, existe mais contraste. Acredito que desta forma não verifica o problema que menciona. Esta é uma técnica de iluminação - luz indirecta - que torna a luz do flash mais suave. Foi resumida, mas o conceito é este. Soft box, flash separado do corpo da câmera, etc. É o dominio destas técnicas de iluminação que faz com que se elimine os problemas da utilização da luz directa do flash.

Acredito que uma máq. fotográfica melhor atenue um pouco o problema, mas não vai eliminá-lo. A iluminação correcta, sim. A câmera até pode ser full, mas o mesmo problema vai continuar, se fotografar da mesma forma que habitualmente o faz. Á certas coisas que são mais fáceis de resolver com conhecimentos e truques simples que com mais e melhor equipamento. De nada serve ter melhor material se não soubermos tirar partido dele.

Experimente e depois diga alguma coisa.

Relativamente ás dúvidas entre uma câmera e outra, sem sombra de dúvidas que uma de sensor full é muito melhor, mas para mim, e devido á diferença de preço, uma de sensor full só se justifica nas seguintes situaçôes:

- Quando já se tem conhecimentos e experiência em fotografia.
- Quando a Impressão em grandes formatos e de alta qualidade, é necessário.
- Já se tem boas objectivas para uma câmera full.
- Tem-se trabalho (ou espera-se ter) que justifique o investimento.
- E principalmente, quando se tenciona comprar também boas objectivas para trabalhar. E por boas objectivas, quero dizer qualidade óptica e luminosas.

E agora, isto são opiniôes meramente pessoais:

Comprar uma câmera de sensor full e utilizar lentes normalissimas e escuras, tipo aquelas que são vendidas em packs, não faz qualquer sentido para mim. A qualidade da imagem é proveniente da lente, e se a lente é fraca, não vai ser o corpo que vai fazer milagres. Acho preferivel gastar num corpo com um sensor menor e investir numa boa lente e luminosa. As boas lentes ficam, os corpos estão sempre a surgir de 6 em 6 meses.

Mencionou num outro tópico que tem pouco trabalho. Se assim é, um investimento elevado é algo que tenho dificuldade em recomendar. Acho preferivel um corpo mais barato, boas lentes, e mais tarde quando se justificar e tiver mais trabalho, dá o salto. E fica sempre com uma segunda câmera como reserva.

Não tem objectivas para a full frame, mas tem para a APS-C (sensor pequeno). Mais uma razão, pelo meu ponto de vista, para um corpo de sensor menor.

E finalmente, a qualidade da imagem. E neste aspecto, vejo as coisas da seguinte forma:

Uma câmera tanto pode fotografar em RAW como em Jpeg, ou ambos. O RAW para mim, é o equivalente ão antigo negativo do filme 35mm. O Jpeg é o equivalente á fotografia impressa em papel. Fotografar em Jpeg e retocar no Photoshop é o mesmo que pegar numa fotografia em papel, retocar com umas tintas e canetas e depois entregar o resultado ão cliente. Se eu quero qualidade de imagem, e esse é o apelativo de uma câmera de sensor full, não posso trabalhar com os Jpeg, mas sim com RAW.

Muitos não gostam de trabalhar com RAW, são ficheiros maiores, precisam de um PC mais potente, demoram mais tempo a abrir, ocupam mais espaço em cartão, ... muitos não gostam da imagem quando abrem um ficheiro RAW, é uma imagem morta, sem côr, sem vida,... o RAW é isso mesmo, uma imagem em bruto proveniente do sensor, sem qualquer processamento. Ela precisa de ser trabalhada, "calibrada", para fazer sobresair "a fotografia". E o resultado é muito superior ão Jpeg obtido directamente pela câmera.

Um Jpeg é um RAW processado internamente na câmera, que através de algoritmos e comparação com uma base de dados também interna, nos é apresentado como o melhor que a câmera dá. E na generalidades dos casos, dá bons resultados. Mas todos os profissionais afirmam, e os próprios fabricantes, de que um RAW processado em PC proporciona uma melhor imagem, uma maior latitude, melhores e melhor fidelidade de cores,... se assim não fosse, ninguém andava por aí a ter trabalho com os RAW.

Uma outra questão, é que fotografar em RAW não é o mesmo que fotografar em Jpeg. Em Jpeg, o ideal é que a fotografia fique correctamente exposta, porque pretende-se que ela seja já o producto final. Pretende-se, não significa que assim seja. Em RAW, o ideal é fotografar com sobreexposição em dois ou três pontos, com vista ão processamento no PC. Recupera-se as altas luzes e as baixas luzes ficam mais correctamente expostas, pois este é o grande problema nos sensores: altas e baixas luzes. Mas ão se sobreexpôr a fotografia, perde-se o Jpeg, tornando inútil fotografar em RAW e Jpeg, ão mesmo tempo. É por isso que a opção por Jpeg ou RAW é uma decisão que não tem volta. Ou se vai por um caminho ou por outro.

É claro que se pode fotografar com ambos ão mesmo tempo, Jpeg e RAW, e com a exposição correcta. Pode-se depois trabalhar o RAW, com vista a "retirar" mais da fotografia, mas o resultado não vai ser tão bom como se fosse só RAW e sobreexposto.

Não estou com isto a querer criticar ou elogiar quem trabalha com este ou aquele workflow, estou apenas a dar o meu ponto de vista sobre o assunto. Cada um escolhe o workflow que acredita que lhe dá os melhores resultados. Mas para mim, se tenho como objectivo qualidade, não vou investir num corpo full para andar depois a retocar Jpegs.

Vou ter mais trabalho com pós-produção? Sim, mas não é a qualidade que eu procuro? Se os albuns são agora digitais e obrigatóriamente tenho que retocar as imagens, porque não o fazer aproveitando toda a qualidade que o sensor me proporciona? Não foi para isso que investi (teóricamente) num sensor full?

Fui dar uma vista de olhos na net acerca da 50D. Não é uma 6D ou 70D, mas nas mãos de um bom profissional ainda faz muita boa fotografia. Basta saber iluminar, compôr a imagem e trabalhar com os RAW.

Na minha opinião, não vejo razão para investir agora noutra câmera. Já tem uma e boa. E como menciona que ainda está a aprender, mais uma razão para não investir já, pois vai acabar por não retirar partido do equipamento, pelo menos nos tempos mais próximos. E mais ainda se é pela razão que menciona.

Cabeças diferentes pensam de maneiras diferentes. A minha é apenas mais uma, no meio de tantas outras, com pensamentos tão ou mais válidos que os meus.

Bons trabalhos e boas decisões. Boas.
Título: Re: Câmara Fotográfica. Qual comprar?
Mensagem de: Diamantino simão em 18 / Nov / 2013, 17:47
 Olá Sr. Costa

Como sempre o Sr. José Costa sabe e sabe explicar-se perfeitamente na matéria que alguns de nós temos dificuldades, obrigado por isso.

Doutro modo e em relação ao meu problema da desfocagem queria apenas acrescentar que eu de facto coloco o flasch para o teto e ligo o pequeno flash frontal direto ao assunto que fotografo, só não lhe dou a ligeira inclinação como o sr. salientou, mas vou experimentar na próxima oportunidade porque agora ando ocupado com um bar que abri há pouco tempo, como vê a foto e filme tá mau por aqui!

De facto a Canon 50 D é mt. boa, eu sei, mas quero esta para suplente porque  vendi uma outra que tinha para esse efeito . Tive um dissabor este verão com uma avaria numa lente e a outra lente que tinha não valia nada e tive tb. dificuldades com ela, daí ter duas boas máquinas e 2 boas lentes esta-se mais tranquilo quando o trabalho o exije.

Agora com estas explicações estou de facto mais inclinado para a 70 D, mas não vou ainda comprar, tenho tempo e aguardo uma boa promoção que surja por aí.

O meu obrigado
Atentamente, Tino Simão