Boas.
As placas RT da Matrox - RT2000, RT2500, RTX100 - forão provavelmente das placas mais usadas na edição SD, pelos editores de reportagens BBC (Bodas, Batizados e Casamentos). Quanto ás Matrox DigiSuite, forão e são encontradas em algumas productoras que ainda lidam com video SD. Com o surgimento do video HD, elas (Matrox DigiSuite e série RT) deixaram de ter utilidade, pois não conseguem lidar com um sinal video de alta definição. A tecnologia tem destas coisas: o muito bom ontem, é apenas suficiente hoje e amanhã é já hardware obsoleto.
Ainda foi lançada uma RTX2, placa capaz de lidar com video HDV, mas também já se pode considerar a mesma em fim de vida. O advento da gravação video em ficheiros ditou o fim da gravação em fita e dos equipamentos a ela associados.
Mas será mesmo que as Matrox deixaram de ter utilidade?
De á uns tempos para cá que tenho vindo a editar video HD com estas placas, e com considerável sucesso.
O processo não tem nada de novo. O mesmo já era utilizado nos anos 80, nos primórdios da edição de video sobre NLE. A capacidade de processamento dos sistemas na altura era bastante reduzida, a capacidade em disco estava vem longe dos TB que actualmente dispomos num só disco rigido, mas já se editava video recorrendo a um PC e ão que se designa por ediçao Off-Line. Emissoras Broadcast, grandes productoras de publicidade e a industria do cinema eram os principais utilizadores do sistema.
Básicamente o processo consistia em digitalizar o video (ou pelicula) em baixa resolução, e após a edição estar concluida era exportada uma EDL, que iria servir de "master" para a edição em alta resolução. Era assim contornado o problema de falta de processamento e de capacidade em disco dos sistemas da altura.
O sistema que tenho vindo a utilizar assenta no mesmo conceito: os ficheiros video HD (AVCHD, M2TS, MOV, etc) são convertidos para DV SD 16:9, editados num PC Pentium IV a 3 GHZ, utilizando uma placa da Matrox, e depois criado o respectivo DVD. Ou quando necessário, é criado um ficheiro video HD. O projecto é aberto numa Timeline HD e os ficheiros DV SD são substituidos pelos ficheiros video HD originais. Não existe nova edição e não existe perca de qualidade video, motivada pela recompressão.
Este método que tenho vindo a utilizar tem algumas vantagens, mas também alguns inconvenientes.
Como maior vantagem, a facilidade da edição. Editar video HD, mesmo o proveniente de DSLR ou AVCHD, é como cortar manteiga com faca quente. Até mesmo um PC do tempo dos dinossauros consegue editar video HD, "com uma perna ás costas". Mais fácil não podia ser.
Como desvantagem, aponto principalmente duas:
1ª - Não é possivel utilizar as centenas de efeitos que o hardware das Matrox proporcionam. O leque é restricto ãos efeitos do software NLE. Como o estilo da minha edição é muito baseado em corte seco, este acaba por não ser um inconveniente.
2ª - Como é necessário converter inicialmente os ficheiros HD para SD, o método não é compativel com uma edição "para ontem". Para quem trabalha em contra-relógio, este não é seguramente um exemplo a seguir. E como a capacidade de processamento de um Pentium IV é bastante inferior a um PC recente, a criação dum ficheiro HD é bastante mais demorada. Mas também aqui este acaba por não ser um inconveniente de maior: enquanto se está a editar num sistema, pode-se ter outro a converter os ficheiros.
O método tem inconvenientes, é verdade. Mas para quem "luta" com PCs com pouco desempenho, esta pode ser uma alternativa. É que o processo não precisa de uma placa da Matrox para funcionar. Ele funciona com qualquer PC, com qualquer hardware. O conceito é o mesmo. Boas.