Cópias a preço de banana

Iniciado por José Costa, 08 / Out / 2010, 23:36

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José Costa

Boas.

À coisas que eu tenho dificuldade em entender. Tento, mas não consigo entender de todo...

À cerca de 12 anos atrás, o amador comum ia a uma casa de fotografia para fazer uma cópia de uma cassete video, proveniente da sua câmera de filmar HI8 ou então de uma gravação VHS caseira. Tal acto, para o consumidor, tinha um custo de cerca de 5 contos, pois os euros ainda não existiam. Para quem já não sabe a quanto isso correspondia, eu digo: 25 euros.

Para a casa de fotografia, a cópia tinha um custo de menos de 1 euro, se não colocar-mos a electricidade e desgaste do equipamento na equação. Menos de 1 euro (dinheiro actual) era quanto custava uma cassete video virgem, pois as cassetes eram "Bulk", muito mais baratas que as vendidas nas lojas comerciais. Quanto ão trabalho, pouco mais de 30 segundos: introduzir cassete do cliente num leitor, cassete video virgem num gravador VHS, Play e REC em ambos e deixar "rolar" até ão fim. Era depois introduzida numa caixa plástica e "final de trabalho".

Os tempos foram passando, a tecnologia evolui, e já não se passa cassetes video para outras cassetes video. Mas passa-se cassetes para DVD. O custo? 15 euros é o preço comum pelo qual se encontra esse serviço na maioria das casas de fotografia, mas também já o encontrei por 10 euros. Um DVD virgem tem um custo de 50 cêntimos, ou pouco mais, e o trabalho também já não é só 30 segundos, pois utilizando um gravador DVD de mesa ou um PC, e básicamente tudo ainda se limitar a PLAY e REC, todo o processo demora um pouco mais que antigamente.

Actualmente, tal como à 12 anos atrás, existem casas que não fazem "pessoalmente" esse serviço. Entregam a outros ou outras empresas, colocando depois a sua percentagem de lucro. O cliente, esse, paga tudo, mas ciente que o serviço não fica por mais que 15 euros. Então, quanto custa a essas casas de fotografia entregarem uma cassete video para cópia? E contas depois feitas, qual a percentagem de lucro?

Fiquei esta semana a saber que preços de 6 euros por cópia já são comuns. O cliente entrega a cassete video numa casa de fotografia, a casa de fotografia entrega a um individuo, o individuo faz a cópia. Cobra 6 euros pelo serviço, com menús, capa e impressão personalizada no DVD e na capa. E ainda vai á casa fotográfica levantar a cassete do cliente e depois entregar a cópia. A casa fotográfica cobra depois 15 euros ão cliente final.

Não ando muito por dentro das percentagens de lucro de muitos negócios, mas sei que os jornais e revistas nas bancas têm (ou tinham) uma percentagem de cerca de 11%. As roupas e negócios afins tinham uma margem de lucro de 30%, mas com a actual crise, acredito que seja um pouco menos.

Ora de 6 para 15 euros é uma percentagem de 250%. 9 euros é quanto ganham essas casas de fotografia, sem terem praticamente trabalho nenhum. Quanto a quem faz realmente o trabalho, tem o investimento nos vários tipos de leitores necessários para os vários formatos de cassetes existentes, a elecricidade, os consumiveis, as avarias, manutenção do equipamento, gasolina e tempo. Numa palavra, e ela é forte eu sei, estas pessoas são exploradas pelas casas fotográficas. São exploradas, mas parecem que gostam!

Se tenho pena das pessoas que trabalham neste esquema? Nenhuma. Elas próprias, e de livre vontade, é que estão a cavar a sua própria sepultura. O tempo vai-se encarregar de lhes mostrar que o caminho trilhado não é o mais indicado para se vingar profissionalmente. O azar é que estão a levar todo este mercado também para o cemitério. É que se estão a cobrar 6 euros pelo serviço, em breve se vai ouvir falar de quem "cobre" 5 euros, como forma de ganhar também algum. E dos 5 euros para menos é um passo muito curto. A casa fotográfica, essa, mantém os 15 euros ão cliente, aumentando assim o seu lucro.

Não estou contra as casas de fotografia ganharem dinheiro com esta prestação de serviço, um serviço prestado ãos seus clientes. Não estou contra os preços praticados por quem efectua o serviço - seja o preço das casas de fotografia, seja o dos que realmente efectuam o serviço - pois a concorrência existe e é muita. Nem tão pouco estou contra o cliente, pois esse procura sempre o preço mais baixo, alheio a estas questôes de "trabalho". Estou é contra a percentagem de lucro das casas fotográficas, que considero exageráda. Estou contra quem, inconscientemente, efectua este tipo de trabalhos para as casas fotográficas e pratica preços tão baixos, alimentando os ganhos de alguns, acto que considero de oportunismo. Estou contra todo um percurso de prestação de serviços que está a levar todo o mercado para a bancarrota, contra um "método" de trabalho que impede que se cobre o justo pelo nosso trabalho, que quem se movimenta profissionalmente neste mercado se veja impossibilitado de rentabilizar os investimentos.

Quando se conhece pessoas que por estes preços andam por ai a fazer tais serviços, e alguns até conheço pessoalmente - seja casas fotográficas, seja alguns prestadores de serviçps - e em conversa com eles se exprime tal opinião, facilmente se cria inimigos. É que muitos são os que não sabem separar as águas: as opiniôes que cada um de nós tem e as quais tem direito a expressar, não deviam ser fonte de discórdia. As opiniôes pessoais não deviam interferir nos relacionamentos pessoais e profissionais, pois todas as opiniôes são válidas e passiveis de comentários. E se eu penso assim, tal não significa que tenha o dom da verdade, apenas que tenho uma determinada opinião acerca de um determinado assunto. E se assim penso, assim o faço: recuso-me a fazer cópias de cassetes por um pagamento que considero - mais que "gratuito" - um insulto. Se a nivel de trabalho exigido a cópia não significa muito, o mesmo já não se pode dizer dos investimentos. E para além dos investimentos, existe a questão manutenção dos mesmos. Mas é claro, isto sou eu que penso assim!

A forma de se dar volta a isto, de modificar um mercádo, que cada vez mais penaliza quem efectivamente faz os investimentos e o trabalho, eu sei qual é: passa por valorizarmo-nos pessoalmente e profissionalmente. Mas é claro, na verdade haverá sempre quem não concorde e faça o contrário. É pena. Todos perdemos.

Boas.
O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier

Rijo Madeira

Plenamente de acordo, caro José Costa! =D>
Diz-se na minha terra que quanto mais nos agachamos, mais nos vêm o r...!
Depois lá vem o rol de queixas: que o mercado está mau... que não há qualidade... que fulano trabalha muito caro... pois...

Grande abraço.
Rijo

José Costa

Boas.
Citádo por mim anteriormente: "em breve se vai ouvir falar de quem "cobre" 5 euros"

Sabia que era uma questão de tempo até tal acontecer. Pois bem, aconteceu! Por estes lados, já à quem esteja a cobrar 5 euros por uma passagem de cassete para DVD, em regime de prestação de serviços para casas de fotografia. Pergunto-me como é possivel ganhar dinheiro e rentabilizar equipamentos, com tais valores. As casas de fotografia, essas, aumentaram a sua percentagem de lucro, pois continuam a cobrar 15 euros ão cliente final. O.K., estou a mentir. São 14,95 euros. Não que a diferença seja muita. Boas.

O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier