Pirataria: se não fez...

Iniciado por José Costa, 23 / Mar / 2012, 15:09

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José Costa

Pirataria: se não fez...
Tivesse feito!

Boas.
Depois do Megaupload, mais alguns sites identicos estão a sair do ar, com os ficheiros a serem dados como indisponiveis ou eliminados. É certo que o "mercado" rápidamente encontra forma de contornar a questão, tal como aconteceu com o Napster,  mas não à dúvida de que durante algum tempo aceder à programas piratiados vai ser mais dificil.

Sempre quero ver se o pessoal daqui para a frente vai continuar a ter a última versão do software. Porque nós sabemos que a percentagem dos piratiados ultrapassa em muito os originais. Ou não é verdade? Boas.
O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier

Filipe Araújo

#1
 Pirataria: moralidade e legalidade.

Alguns anos atrás, no seguimento do percurso escolar, um professor debateu a velha questão entre moralidade e legalidade. O objectivo era o de incentivar o espírito crítico do aluno e incentiva-lo a tomar posições.

Durante alguns anos defendi que os downloads além de ilegais eram também imorais, mas no percurso da vida tenho-me deparado com frases e situações que me levam a questionar até que ponto isso é verdade ou se pelo menos é incorrecto.

1-   Desde a muito, e cada vez mais, vem-se produtos de marcas conhecidos discretamente colocados em filmes e séries. – Não será que o público é taxado duplamente, ao assistir como espectador e como alvo de propaganda.

2-   No seguimento do ponto anterior, não crêem que as grandes produtoras de filmes usem o número de espectadores "ilegais" como universo de interesse, bem como de argumento, para elevar o preço do espaço para a publicidade.

3-   Caso conseguissem acabar com a pirataria, face ao número de produções mensais de filmes, não crêem que seria possível que a queda da publicidade não seria maior do que o crescimento da audiência.

4 - Isto não é estranho:

" Os estúdios de cinema norte-americanos Paramount foram os mais lucrativos no ano passado.
Os estúdios Paramount bateram assim a Warner Brothers, que ocupava o primeiro lugar do pódio há três anos consecutivos.
De acordo com o jornal britânico The Guardian, no ano passado, a Paramount lucrou a nível mundial mais de quatro mil milhões de euros. Os estúdios de cinema norte-americanos Paramount foram assim os que mais lucraram em 2011, batendo a Warner Brothers, que ocupava o primeiro lugar do pódio há três anos consecutivos.
Entre os filmes produzidos por aqueles estúdios em 2011 estão êxitos de bilheteira como "Transformers 3", que rendeu mais de 800 milhões de euros de bilheteira em todo o mundo, "O Panda do Kung Fu 2", com lucros de 519 milhões de euros, e "Atividade Paranormal 3", que, como um orçamento de apenas quatro milhões de euros, rendeu 158 milhões de euros. Os lucros da Warner Bros, que em 2011 lançou filmes como "Harry Potter e os Talismãs da Morte -- parte 2" e "A Ressaca 2", ficaram-se pelos 3,6 mil milhões de euros."


Desculpem-me a sinceridade ou inocência, mas tenho alguma dificuldade a encontrar o grande prejuízo da pirataria.

4-   A questão da segurança: algum tempo atrás alguém me disse que, caso os grandes gigantes do software quisessem que não houvesse violações dos seus programas que eles conseguiriam. Isto porque, uma das formas de garantir que as empresas paguem e tenham complexos programas que os monopólios de software criam é através de candidatos preparados. Afinal são cada vez mais as escolas e os cursos tecnológicos existentes neste país, e cada vez mais a pensar na realidade profissional. Ou seja, se o desejo é preparar os alunos para o mercado de trabalho, em áreas como o design, tem de colocar nos seus percursos académicos disciplinas e cadeiras onde Photoshop, Premiere, Ilustrator, flash, etc.  façam parte dos currículos.  O preço destes programas seriam proibitivos as escolas e aos alunos, ainda que fossem licenças académicas. No entanto é preciso alimentar as empresas com candidatos frescos e actualizados, antes que as empresas ponderem software de baixo custo. Conclusão: as escolas cada vez mais incentivam os alunos a trazer os seus portáteis e quanto a origem do software é: assunto tabu. Atenção, isto não só se passa em ensinos básicos, mas em secundários e também no ensino superior.

5-   Disseram-me ontem que os bilhetes dos coldplay que virão actuar cá no próximo 18 de Maio no Porto, estão praticamente esgotados, bilhetes esses que rondam os 55 a 95€ cada um. Isto porque face a procura que existiu e esgotou para o Optimus Alive aproveitaram para aumentar o número de espectáculos no nosso país. Alguém acredita, que sem a pirataria, haveria esta afluência? Mais uma vez, não estão as marcas a apostar na publicidade, para atingir estes públicos e aumentando assim os lucros dos artistas. 

6-   A questão internacional: os preços dos softwares são tablados mundialmente, até porque é sempre possível um consumidor importar de um país para o outro. No entanto as economias locais não tem enquadramento ou opinião. No entanto, já me disseram que é frequente o preço rondar os 5 000€ em reportagens de casamento em países como os E.U.A. ou Canadá, quanto que em países como em Portugal raramente ultrapassam os 1 500€ . 

7-   A questão da vida cada vez mais curta das "novidades", recordo-me do tempo em que uma mesa de mistura era cara, mas seria para muitos anos. Mas rapidamente veio o DVD, HD, o Full-HD, o Blu-ray, o 3D isto sem falar no 4:3,16:9, DVDs printables, lightscraibls, megapixéis e afins. Quem não responder ao mercado, corre o risco de ver as suas propostas declinadas em função do vizinho, claro está que se tentar inflacionar os preços com os reflexos das actualizações dos investimentos correrá também os mesmos riscos.


Claro está, como alguém muito bem disse, querer não é poder. Mas tudo que citei atrás é para defender que já achei mais imoral a pirataria.

  Já quanto as empresas, que se dizem prejudicadas, creio que já se adaptaram a essa realidade e mantêm os seus lucros por outras formas de financiamento, apenas a lei não tornou legal, o que a meu ver num futuro próximo será.

Cumprimentos, Filipe Araújo.

AC

Excelente questão José Costa...
Gostei de ler Filipe Araújo...

Será que se não fosse a "pirataria" que eu diria parcialmente consentida, os "softwares" da Microsoft estariam na maioria dos computadores actualmente existentes, e teriam atingido a notoriadade que têm?
Será que se não fosse a "pirataria" a Adobe e outros alguma vez teriam vendido um decimo do que já venderam?

A industria cinematográfica e discografica sempre foram as que mais se queixaram, mas não deixam de ter lucros astronomicos. Pura ganancia, em consonancia com os tempos que vivemos.

Cada vez me apetece mais ser da resistencia (aquela dos antigos filmes de franceses e alemães).
A quem não quer ver, nem a mais intensa luz ilumina!

José Costa

Boas.
Fazendo de advogado do Diábo:

No tempo do MS-DOS, o Wordstar foi o programa com mais exito comercial, praticamente pela força da pirataria. Mas quantos é que não ficaram pelo caminho, pela mesma força da pirataria?

A industria de Hollywood lança para o mercado cerca de 400 filmes anuais. O sucesso ou fracasso de um filme é verificado no mesmo fim de semana em que é exibido. Dos sucessos, todos nós sabemos. Mas dos fracassos, quantos são os que passam despercebidos e imediatamente são lançados em DVD? Sabem quantos filmes são um fracasso e quantos milhôes são de prejuizo?

Os bancos também ganham milhôes diáriamente. Será que podemos começar a fazer uns "levantamentos"?

E por fim, mas não esgotando o assunto, o problema e prejuizos são dos outros, o lucro é nosso. Está tudo bem. Mas se os papeis se inverterem, será que o pensamento será o mesmo? O gaijo que tem um negócio e é obrigado a ter software legal, ao verificar que o outro gaijo ao lado pratica preços mais baixos, muito por força de não ter de comprar os softwares, será que vê com bons olhos o actual panorama?

Como disse, fazendo o papel do Diábo... Boas.

O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier

José Costa

Boas.
Citado por mim lá em cima: "não à dúvida de que durante algum tempo aceder à programas piratiados vai ser mais dificil."

Além de alguns sites terem sido retirados e de outros terem suspenso a partilha livre, os que ainda estão em funcionamento estão a se debater com o aumento do trafego, tendo aumentado o tempo entre descargas, como forma de tentar absorver e minimizar o trafego. Más noticias para quem é forte adepto das descargas (sejam elas legais ou ilegais). Boas.
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José Costa

Boas.
Já agora, uma questão: os que utilizam este tipo de sites como forma de backup dos seus ficheiros, através de assinatura, que temos que admitir que são poucos mas que existem, os que têm conteúdo legítimo nestes sites, como é que ficam?

Ficam sem nada! Sem o dinheiro e sem os dados. Boas.
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