Opiniôes de Segunda-feira...

Iniciado por José Costa, 09 / Nov / 2009, 05:43

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José Costa

Boas.

Em 1999 o único modelo de gravador de DVD para PC á venda em Portugal (da Pioneer) tinha um custo de 3500 euros (cerca de 700 contos na altura). Para a sua compra tinha de se fazer a encomenda nas poucas casas que o comercializavam . Hoje, qualquer vão de escada tem á venda gravadores de DVD.

Em 2000-2001, surgiu pela "mão" da HP um gravador de DVD realmente acessivel ás massas e á venda na maioria das lojas do ramo informático. Tinha um custo "módico" de 870 euros. Os mais batidos (lê-a-se antigos) nestas andanças da informática e do video sabem que não estou a mentir. Hoje, um gravador de DVD custa cerca de 20 euros e com um pouco de sorte ainda trazem de oferta meia-dúzia de DVDs virgens. No passado, os discos regravaveis (DVD-RW ou DVD+RW) tinham um custo de pouco mais de 25 euros (5.200 escudos á altura), e eu ainda tinha de percorrer cerca de 20-30 Km para os ir buscar ão único sitio que os comercializava. Os DVD virgens convencionais (apenas gravavel uma vez) ainda não existiam á venda.

Em conversa com outros colegas de profissão, é-me referido muitas vezes que os gravadores de Blu-ray para PC são muitos caros. Um gravador de Blu-ray tem um custo superior 200 euros. Caro, dizem...

A noção de caro é relativa. Se comparar-mos os 20 euros actuais do gravador de DVD com os 200 e poucos do Blu-ray, pode-se dizer que é caro. Mas se comparar-mos os 200 euros do Blu-ray com os 870 euros dos primeiros gravadores de DVD, valor que tive de largar pela compra de um, pode-se dizer então que é barato.

O problema dos gravadores de Blu-ray não é serem caros ou baratos. O problema é ninguêm os querer, ou melhor dizendo, não "quererem" o video em HD (com os custos que isso representa). Houvesse procura (e exigência) por parte do consumidor final pelo HD e os profissionais compravam os gravadores de Blu-ray, fossem eles baratos ou caros.

Em 2000-2001, o mercado das reportagens BBC (Bodas, Batizados e Casamentos) era ligeiramente diferente do actual panorama Português. Os casais que contratavam reportagem video aquando dos seus eventos já pediam (para não dizer exigiam) DVD. Já não queriam a convencional cassete VHS, pois eram possuidores de um qualquer leitor de DVD de mesa, leitores esses que se vendiam que nem pãezinhos quentes á saida de uma padaria. Novos, velhos, com crianças e com cadeiras de rodas, todos carregavam felizes e contentes a sua futura aquisição, até á caixa registadora de uma qualquer grande superficie comercial.

Hoje, por várias razôes, os casais já não compram um leitor de Blu-ray. E eles estão bem mais baratos que muitos modelos de DVD na altura. Por cerca de 150 euros já se compra um leitor de mesa Blu-ray. No passado, um leitor de DVD custava cerca de 250 euros (50 contos). Actualmente compra-se um por 25 euros, o preço de um filme comercial em DVD, dos recentes.

Se o consumidor não compra Blu-ray, não pede (e não exige) o seu evento em HD. Se o consumidor não pede, o profissional não o faz. Se não o faz, não existe razão para comprar um gravador Blu-ray. Se não o compra, os preços mantêm-se "altos". Assim está criado o efeito bola de neve.

As grandes superficies comerciais até que têm discos Blu-ray graváveis á venda. Até têm, pasme-se, os extintos discos HD-DVD. Têm os discos Blu-ray, mas não têm os gravadores para PC. Porque eles (os leitores de Blu-ray) não estão a ser comprados pelas pessoas. E se não se vendem gravadores nem leitores, não se coloca nas prateleiras. E não existindo nas prateleiras, não existe a tentação de querer comprar um. Novamente o efeito bola de neve.

Alguns teimosos querem fazer acreditar as massas de que o Blu-ray está a ser um sucesso e que será o formato do futuro. Até pode estar a ser um sucesso, mas não no nosso mercado. E quanto a ser o formato do futuro, tenho muitas dúvidas, dúvidas essas também mencionadas por alguns "participantes" na indústria. O nosso mercado continua a ser DVD, assim como no mercado global, e assim será nos tempos mais próximos. E num mercado em que a tecnologia está em constante evolução, estes tempos de estagnação em que o mundo está mergulhado, apenas contribuem para o surgimento de um outro método ou formato de gravação, que facilmente destruirá as hipoteses do Blu-ray em vir a ser o sucessor do DVD.

Caro, dizem... a questão não é se é caro ou barato. A questão é saber se realmente acreditamos que o Blu-ray vai vingar e se é rentável o investimento. Porque 200 euros são sempre 200 euros. Porque são 200 euros e porque de equipamento ultrapassado e encostado está as nossas prateleiras cheias. Pelo menos, os que por cá já andam á bastante tempo, nestas "danças" do video.

Boas.
O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier