Discos externos menos seguros

Iniciado por José Costa, 19 / Ago / 2009, 05:26

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José Costa

Boas.

Não sei se a ideia é generalizada, mas já encontrei várias pessoas com a ideia pré-concebida de que gravar os dados num disco rigido externo é mais seguro do que o fazer no próprio disco interno no PC. Copiam os dados para um disco externo, apagando depois os que estavam no interno. Portanto, não se pode chamar este procedimento de backup, pois para ele existir seria necessário que mantivessem os mesmos dados gravados em ambos os discos, no interno e no externo.

Ão contrário do que muitos possam julgar, os discos rigidos não são assim tão fiáveis quanto se possa pensar. Aliás, a taxa de problemas com os mesmos são até demasiádo elevados para que se possa considerar a gravação em disco rigido como um método seguro de arquivo. O google, que possui uma enorme capacidadde de armazenamento para seu próprio uso - quer em base de dados quer para armazenamento de dados dos utilizadores - fez em tempos uma pesquisa sobre a fiabilidade dos discos rigidos, do qual originou um relatório que foi disponibilizado para acesso na web. O relatório conclui que é preocupante o nivel de problemas que ocorrem com os discos rigidos, problemas esses que são na sua grande maioria de origem mecánico, levando á perda irrecuperavel da informação neles contida. È de referir aqui que os problemas nos discos rigidos podem ser de duas ordens: de origem mecánica e de origem electrónica.

Voltando ão tema em questão,  os discos externos não são mais que um simples disco igual ão que se encontra no interior do PC, ão qual se acrescenta uma caixa com a função de proteger o mesmo e de proporcionar uma interface de ligação /adaptação entre o disco e o PC, ou seja, uma "ligação" que faça a conversão entre o Sata ou IDE utilizado pelo disco e o USB ou Firewire utilizado pelo PC. A sua extrema facilidade de ligação, pois basta ligar a ficha USB no PC e a corrente electrica na caixa do disco para que o PC imediatamente reconheça o disco e disponibilize o seu espaço para imediata utilização, faz com que os discos externos sejam preferidos pela maioria das pessoas em detrimento dos internos. Um disco interno obriga a ter que abrir a caixa do PC e a ligar alguns conectores, algo que a maioria tem pavor (e desconhecimento) para o fazer.

Sendo que o calor é um dos maiores inimigos dos discos rigidos e sabendo que a grande maioria das caixas externas não possui qualquer ventilação para refrescar os discos no seu interior, fácil é de concluir que os  mesmos vão em pouco tempo atingir uma temperatura perigosa. Um disco actual sem qualquer processo de dissipação de calor atinge em poucos minutos perto de 50 graus Celsius no seu interior, alguns mesmo mais. Ficando o mesmo disco contido numa caixa fechada, mesmo que a mesma possua alguns orificios para respiração, bastará para que o disco ultrapasse facilmente os 50 ou 60  graus, contribuindo assim para uma diminuição do tempo de vida útil do mesmo. O calor faz com que os rolamentos e motor "gripem" derivado ão facto dos lubrificantes secarem e a electrónica atinge uma temperatura para a qual não foi certificada para trabalhar. Além de que existe um outro efeito perverso: o sistema de calibração térmica existente em todos os discos é obrigado a estar constantemente a actuar com vista a manter a "cabeça" de leitura na trilha dos dados, por força da dilatação/contração do material. Vale lembrar que estamos a falar de zonas de leitura/gravação que não não se medem em milimetros mas sim em micrometros. Esta constante correção da trajectória da "cabeça" faz aumentar o tempo de acesso ãos dados, pelo que as leituras/gravaçôes são mais lentas.

Este factor do aumento da temperatura fez com que alguns fabricantes, sendo a WD um deles, fez com que dotasse os seus discos externos com um circuito que desliga o disco quando o mesmo não está a ser utilizado pelo sistema. Quando se acede ão disco, o mesmo entra em funcionamento. E se por um lado isto contribui para a diminuição da temperatura, pois com o disco parado não á produção de calor, por outro lado tem um efeito negativo: o aumento dos ciclos Start/Stop (sem contar com o tempo extra necessário para o acesso ãos dados).

O ciclo Start/Stop é quando o disco entra em funcionamento (Start) e quando é desligado (Stop). Os discos são certificados para trabalhar até um limite de Start/Stop, limite esse que depende de disco para disco, de fabricante para fabricante, e de interface para interface. Esse limite faz com que as probabilidades de avaria ocorram á medida que se aproximam dele. È só um ponto de referência, um número (que ronda os 50.000) pois nada garante que o disco vai trabalhar nas perfeiçôes até atingir esse valor. Na verdade, pode avariar com poucos ciclos contabilizados. O relatório da Google menciona que normalmente os discos avariam ou nos 6 primeiros meses de funcionamento ou no 5 ano de funcionamento.

O ciclo Start provoca um enorme esforço sobre o motor que faz girar os pratos do disco. Este esforço contribui para a degradação do lubrificante e da fadiga do material. È na face de arranque que se verifica um maior consumo de corrente, pelo que a electrónica também acaba por sofrer com isso.

Não consegui encontrar referências á percentagem de avarias de discos internos e de externos, se bem que tal informação pode ser relativa, pois existem mais discos internos que externos, mas é certo que os dados existentes nos discos externos estão mais vulneráveis ás perdas que os existentes nos seus homologos. Pelo que esta ideia (geral?) de que os discos externos são mais seguros é totalmente falsa. É certo que por norma um disco externo está menos tempo em funcionamento comparativamente a um interno, diminuindo assim as probabilidades de avaria, mas os inconvenientes sobrepoêm-se a essa vantagem.

Actualmente compra-se um disco externo de 500 GB por cerca de 60 euros e um de 1 TB por pouco mais de 80 euros. Com o preço por GB tão baixo como está, e pela facilidade de uso que os mesmos proporcionam, facilmente se compreende como tantas pessoas optam por comprar discos externos e fazerem deles os seus arquivos. O que desconhecem é o real perigo que representam para os seus dados. Pois se é certo que por meia-dúzia de euros compram um disco externo, certo é também que a informação perdida não tem preço. E essa, a informação, não é passivel de compra na grande maioria das vezes. Aonde comprar as fotos das férias passadas com a familia ou onde comprar a gravação em bruto daquela reportagem que se foi fazer no mês passado?

Atendendo á Lei de Murphy,  "Se algo pode dar errado, dará." E confiar cegamente os dados a um disco externo (e mesmo a um interno) é contribuir para que algo dê errado. Porque o disco vai acabar por "morrer". A questão está em saber "quando?"

Boas.
O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier

mquinta

Gostei!
Obrigado pela informação e pelo post!

Por sinal, o disco duro do meu cunhado, apenas com 1mês e meio de uso, de um momento para o outro "saltou", deu um erro de sistema, e começou a fazer um ruído "tec tec tec.." constante e muito alto.. Resultado, um erro mecanico do disco, de 200gb de informação foi possível salvar 2gb e um novo pela garantia.


José Costa

Boas.
É por essas e por outras que ter um backup dos dados é sempre boa solução. Quer seja em fita, disco óptico ou até mesmo em disco rigido. Se existir uma cópia dos dados num segundo disco, as hipoteses de se perder os dados são reduzidas para metade. Será muito azar avariar os dois discos com a mesma informação ão mesmo tempo.

A propósito... É incrivel o que um sistema baseádo em RAID permite evitar e a tranquilidade que proporciona ão seu utilizador. Avariou o disco? Tira fora e mete outro. Os dados? Não aconteceu nada, continuam lá todos intocáveis. É só certificar-se que não tem um RAID 0, pois esse, para a segurança dos dados, é pior que avariar um só disco (o RAID 0 não tem redundancia da informação).

Apesar de ele ser fácil de implementar e das vantagens que traz para a segurança, poucos são os que o implementam. Depois acontecem os desastres. E recuperar deles custa bem mais... Boas.

O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier