Doc sobre casamentos

Iniciado por Edgar Feldman, 03 / Mar / 2010, 02:57

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Edgar Feldman

Filmei casamentos ha mais de 25 anos. No tempo do VHS. Em que a montagem era uma coisa terrível. Todas as montagens eram uma cópia retalhada do original. A degradação de imagem era considerável. Decidi então levar somente uma cassete de uma hora e filmar somente uma hora. Criei mentalmente um story board e deixei de entregar cópias. Filmava e montava em tempo real. O casamento é um acontecimento que começa de manhã e acaba a noite. A montagem acompanha essa cronologia. É possível filmar e montar simultaneamente. Eis um bom exercício!

Entretanto foram aparecendo outras coisas  na minha vida e deixei os casamentos.  Esqueci-me desta fase da minha vida, até que descobri os "bbc" aqui no portugalvideo. E passado esses anos  lamento não ter percebido que os casamentos são um retrato social de um país. Mas nunca é tarde.

De repente pensei: Será possível associar os "bbc" do portugalvideo e montar um documentário dos casamentos em Portugal. Imagens não devem faltar. Casamentos pobres e ricos, rurais e urbanos. Há que encontrar as ligações para a montagem se articular. Mas desafio a comunidade do portugalvideo a pensar nisso. Sem autoria de ninguém. Mas numa proposta colectiva.

José Costa

Boas.
A ideia é boa, mas só que esbarra com dois problemas:
1 - Esta comunidade não é muito dada a "propostas colectivas"
2 - Direito de imagem. Imagens não faltam, mas carecem de autorização dos intervenientes.

Citado:"É possível filmar e montar simultaneamente"
Também concordo, mas acredito que para 90% dos intervenientes neste mercado, tal seria impossivel. Também eu venho do tempo do VHS e da edição linear, numa altura em que capturava 50 minutos de imagens e que após edição o trabalho era entregue ão cliente com cerca de 55 minutos. Mas isso era nesse tempo. Actualmente, tal método significa ser deixado para trás pelos clientes.

Em relação ão projecto, creio que seria mais fácil enveredar pelo lado da actividade e da evolução tecnológica, em vez de ir pelo lado social do acontecimento. Pelo menos, a questão do direito de imagem é mais fácil de contornar. Boas.
O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier

Edgar Feldman

Percebo que hoje em dia, a formação de colectivos de trabalho não é fácil. E os poucos que conheço que passam por associações culturais e pequenos grupos de teatro, criam desde logo vícios, há sempre alguém que se destaca no grupo e acaba por o liderar. Não ponho em causa a liderança se ela for democrática. Infelizmente o que vejo mais, são comportamentos com tiques totalitários. Imitam o comportamento do poder politico, mas estão sempre a critica-lo.

E depois a ilusão dos direitos de autor. Por muito que nos incomode o rapinanço das musicas, dos vídeos, das fotos, ele veio para ficar. O que valem as nossas imagens quando uma longa do Tarantino é vista primeiro na net do que nas salas de cinema.

Mas enfim, mesmo que isto não dê em nada, e é o mais certo, talvez esta conversa sirva de reflexão.

José Costa

Boas.
Citado: "há sempre alguém que se destaca no grupo e acaba por o liderar"
Muitas vezes é esse lider que impede o grupo morrer. Tomar as redeas de uma associação ou de um grupo de teatro obriga a muitos sacrificios, a nivel profissional, pessoal e familiar, e são muito poucos os que estão dispostos a tais sacrificios. Gerir pessoas é algo de muito dificil e nem todos estão para ai virádos. Estar á frente de algo exige tempo, obriga a deixar muitas outras coisas para trás, pelo que é mais fácil criticar no que se colocar no lugar do criticado. Das duas associaçôes que conheço em mais profundidade, não fosse o "lider" e já á muito que as associaçôes teriam morrido, como muitas outras aconteceu. È caso para citar Winston Churchill "Nunca Tantos Deveram Tanto a Tão Poucos."

Citado: "o rapinanço das musicas, dos vídeos, das fotos, ele veio para ficar"
Direitos de autor não é o mesmo que direitos de imagem. O facto de se viver numa sociedade que vê a pirataria como algo banal, o facto de se viver numa sociedade em que as próprias empresas de telecomunicaçôes "incentivam" a pirataria porque isso lhes convém, não significa que isso seja um livre transito para se violar o direito á imagem que assiste a qualquer cidadão. Veja-se o caso recente do casal que processou  o Google por esta colocar online uma imagem deles, porque foi capturada por um software.

Faça um documentário sem obter as necessarias autorizaçôes dos intervenientes e tente ir a uma productora ou festival. Poderá ter alguns dissabores se alguém quiser avançar para a justiça. Talvez o operário ou o trolha até fique todo contente por aparecer na TV ou numa projeção, tanto mais que possivelmente até desconhece os seus direitos, mas o mesmo pode não acontecer com o médico, engenheiro ou advogado.

O objectivo dos meus comentários não foi o de "bota abaixo", muito pelo contrário. Apenas alertar para os problemas, pois eles existem, quer se queira quer não. Como também alguém escreveu: "se tencionas violar a lei, então é bom que conheças a lei". Boas.
O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier

Edgar Feldman

Em momentos de guerra é necessário alguém como Winston Churchill. Depois da guerra foi deposto. Os Ingleses têm a maior tradição democrática da história. Não é o caso de Portugal. Antes pelo contrario.

Quando falo dos liders, de algumas associações e grupos de teatro, e sou amigo de alguns, não é para os denegrir, antes pelo contrário,  eles carregam com tudo as costas em estruturas pequenas. Como os outros membros não possuem tanto poder de iniciativa,  inevitavelmente o líder vai ter dar ordens. E é nesta fase que as coisas podem deteriorar-se. Num país com pouca tradição democrática como o nosso, esse perigo ainda é maior.  O problema mais grave não é o lider, esse pelo menos trabalha, são os outros que se acostumam somente a receber ordens. A transformação que isso opera é grave. Há quer ter atenção aos modos de funcionamento, e nesse momento falta-nos cultura democrática. Olhemos para a Rússia por exemplo, com uma longa história de absolutismo e despotismo, vemos hoje que mesmo em democracia os seus governantes são totalitários.

Direitos de imagens de facto não são direitos de autor. Mas se este projecto levantar voo, é óbvio que vão ser necessárias as autorizações de imagem. Havendo vontade cria-se uma equipa de produção para tratar do assunto. Mas também estou céptico em relação a isto tudo.

Percebi que a tua mensagem não foi o bota a baixo. O confronto de ideias só nos faz bem.