Paleio técnico

Iniciado por José Costa, 26 / Mai / 2010, 03:44

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José Costa

Boas.
Ácerca de 1-2 anos atrás assisti a um congresso sobre a área da virtualização. Na parte destinada ás perguntas do público, um participante levantou-se, apresentou-se e disse mais ou menos o seguinte para o orador, não talvez com estas palavras exactas, mas muito próximas ou com o mesmo significado:

"Ouvi-o com muita atenção, é um assunto que me desperta alguma curiosidade e fascinio, mas a verdade é que pouco ou nada percebi do que esteve a falar. Para um desconhecedor como eu, e desculpem se sou o único aqui nesta situação, será me me pode explicar melhor o que é isso de virtualização?"

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O que me fez contar a história acima citada, foi o facto de por vezes me ver eu próprio na pele do orador. Sou um individuo que estou aberto a ajudar, gosto de explicar as coisas, mas confesso que por vezes dou com a outra parte a olhar para mim sem estar a perceber o que estou para ali a falar. E quando de tal me apercebo, simplifico as explicaçôes que dou e tento arranjar exemplos de forma a mais facilmente levar a outra parte a compreender a mensagem. Mas por vezes estou de tal maneira envolto no raciocinio, na explicação, que nem me apercebo da falta de conhecimento da outra parte.

Pela parte de quem me ouve, e que eventualmente não está a acompanhar a minha explicação, verifico duas reaçôes principais: os que assumidamente não me compreendem e afirmam-no, e os que abanam com a cabeça que sim, como os burros, mas que na verdade não estão a apanhar uma e não querem dar ares de ignorantes. E se não sabem, continuam sem saber, pois não têm coragem de assumir o seu desconhecimento e perguntar.

Desconhecimento não é sinónimo de estupidez. Ninguém nasce ensinado, é perguntando que se aprende. Mas é preciso ultrapassar este preconceito que muitos têm de que, reconhecer os seus fracos conhecimentos em determinada área  é dar parte de fraco. Fraco não é quem pergunta mas sim quem tem medo de perguntar. E estúpido é quem é possuidor de uma inteligência orgulhosa, porque com o continuar da explicação, quem sabe acaba muitas vezes por se aperceber de que a outra parte não sabe mesmo nada, apesar de afirmar o contrário. E quando isto acontece, só uma das partes é que sai a perder.

Assim, se não sabe, pergunte. Pior que perguntar é tentar dar uma de conhecedor. Boas.
O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier

Fernando

Neste momento, após ler este post, só me ocorre dizer: sábias palavras!