Edius e o RAID 3

Iniciado por José Costa, 07 / Fevb / 2011, 23:19

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José Costa

Boas.
Existe no mercado algumas workstation equipadas com o NLE Edius e com um sistema de proteção baseádo num nivel de RAID 3. São comercializadas por uma empresa portuguesa, já à varios anos no mercado. Podem existir outras empresas portuguesas a comercializar workstations com um sistema em RAID 3, talvez até com outros NLE instalados, mas apenas conheço este caso. Os discos são do tipo  Hot Swap (discos extraíveis em gaveta), também conhecidos por sistema "troca-a-quente". Apesar de todas as caracteristicas de tais workstation, óptimas para edição de video, elas podem ser uma armadilha.

O RAID 3 é um nivel de RAID que na sua configuração mais "baixa" utiliza três discos rigidos. Os dados são distribuidos por dois discos e os dados de paridade são gravados num terceiro. A capacidade total é sempre a soma de todos os discos, menos a capacidade de um.

A grande vantagem de um sistema destes é a eliminação do Downtime, o tempo em que o sistema está fora de serviço. No caso de um dos discos avariar, basta extrair o disco avariádo e introduzir um novo. Nenhuns dados são perdidos pela avaria do disco, e o sistema pode continuar em funcionamento, mesmo que o disco avariádo não seja logo substituido. Esta é uma das grandes vantagens destes niveis de RAID: o computador continua em funcionamento, sem contudo existir a perda de dados. O desempenho, esse, não é afectado. O editor video pode continuar a editar, quer a nivel de edição quer a nivel de captura de uma tape, sem que veja o seu trabalho em perigo.

Então, aonde está o problema?

A generalidade dos utilizadores destas workstation não têm total consciência e conhecimento do que é o RAID 3 e o que representa. É vendido um sistema como tendo uma proteção imune a avarias de disco, um sistema seguro, e é nesta base que eles são utilizados. E isto representa uma falsa segurança.

A avaria de um disco rigido é algo de inesperado. Um disco tanto pode funcionar sem problemas durante 5 anos, como só durante 1 mês. Existe um estudo interno da Google referente às avarias dos discos rigidos, dos seus próprios discos rigidos, e o mesmo estudo indica que a percentagem de avaria é demasiádo eleváda para se dar os mesmos como totalmente seguros.

Quando uma avaria de um disco acontece numa workstation destas, o disco avariado é retirado e substituido por outro. E os problemas começam aí.

Em primeiro lugar,  nenhum dos utilizadores têm um disco rigido vazio para efectuar a substituição. Se durante esse tempo um segundo disco avariar, toda a informação se perde. Não à substituição posterior que resolva a situação.

Segundo problema, qualquer sistema de proteção em RAID necessita de discos iguais, mesma marca, mesmo modelo. É possivel utilizar discos diferentes, mas neste caso o desempenho geral do sistema será inferior. Assim, a substituição do disco avariádo deverá ser feita por um disco igual. Sendo a Iliteracia tecnológica muito elevada entre os profissionais de video, na compra de um disco de substituição, o mais provável é ele (o disco) não ser o correcto para a substituição em causa.  Para além disso, se a avaria se der um par de anos depois do sistema ter sido comprado, o mais certo é o disco especifico já não ser comercializádo, mesmo que se saiba qual o disco a comprar.

Terceiro problema, RAID não é backup. A função de um sistema RAID é permitir que o PC se mantenha sempre em funcionamento, sem perda de dados. É permitir que uma avaria de um dos discos não signifique o Downtime do sistema, é permitir que o sistema se mantenha nas suas funçôes, sem interrupção. Numa altura como a que atravessamos, em que cada vez mais as emissoras de TV são baseádas em servidores de video, abundantes utilizadores de discos rigidos, já pensaram se durante a avaria de um disco, a emissão tinha de ser interrompida, como o que se verificava no longinquo tempo da RTP com os robotics videotapes? Ou então no caso de uma gravação de um concerto (audio e/ou video), em que a gravação se está a efectuar em disco?

Uma empresa vende soluçôes, mas muitas vezes não ilucida os clientes sobre os problemas. E verdade seja dita, muitas vezes os clientes também não querem ter conhecimento dos eventuais problemas. E quando eles surgem (os problemas), porque mais tarde ou mais cedo eles vão surgir, a empresa pouco ou nada pode fazer, porque o bem mais precioso de um cliente já se perdeu: os seus dados.

O melhor de tudo é que não precisa de ser assim. Existem soluçôes, mantendo na mesmo as workstation com o RAID 3. Mas primeiro torna-se necessário reconhecer que existe um problema e depois ter vontade de resolver esse mesmo problema. Boas.
O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier