Micro a pensar nas DSLR

Iniciado por António Cristo, 02 / Fevb / 2012, 15:36

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António Cristo


Rui Mendes

Onde comprar e qual comprar, para gravar som maioritariamente em casamentos e batizados.
Eu já vi alguns micros no site da Niobo mas não sei qual é o mais indicado e mais em conta(€€€)

António Cristo


Rui Mendes


José Costa

Boas.
Se quizer aguardar um pouco, está para sair um modelo igual, mas com gravador já incluido, gravação em cartôes flash, monitor e control audio e saida de linha para câmera, para sincronização do audio. Boas.
O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier

Filipe Araújo


Bom dia a todos,


José Costa, considera uma vantagem o facto de guardar os ficheiros áudio a parte, não será mais prático já os ter sincronizados nos próprios ficheiros de vídeo facilitando assim a edição. Ou vê isso como mais uma alternativa.

Cumprimentos, Filipe Araújo.

LG

parece-me outro sobre azul... microfone com gravador incluído

e como   as DSLR gostam de parar de 15 em 15 minutos... se tiveres a gravar o som à parte, este fica completo, depois é fácil remediar a falta de imagem... ;)

José Costa

Boas.
Filipe Araújo,
A sugestão que dei foi a pensar nas câmeras DSLR, sabendo-se que o audio é o ponto fraco das mesmas. Pouca qualidade, captação de ruidos indesejáveis, som mono... um microfone externo é algo essencial a quem quer gravar imagens com as DSLR, e o gravador associado.

Um microfone externo (sem o gravador) também pode ser utilizado, utilizando-se a entrada In na câmera. Mas o som será sempre mono (se não em todas, na maioria), só existirá um canal disponivel, o que poderá ser um inconveniente em certos trabalhos, como gravação de entrevistas. Em broadcasting utiliza-se um canal para a entrevista e o audio ambiente fica noutro. Com uma DSLR, como fazer isso? É necessário gravador à parte.

Relativamente à vantagem/desvantagem de audio à parte do video, depende do que se faz e como se faz. No caso das DSLR, não à muita volta a dar, aceita-se ou não os inconvenientes. No caso de uma câmera de video, grava-se audio e video junto, o que poderá facilitar na edição. Mas podem existir situaçôes em que só precisamos de audio ambiente. Com uma câmera de video, como o fazer sem gravar video? Mesmo que a imagem fique a preto (lente tapada ou Iris fechada), existe a questão do espaço ocupado pela gravação. Vai haver sempre um "consumo" extra de fita ou cartão, quando se fosse só audio o espaço ocupado seria muito inferior. Sem falar no espaço em disco no PC, se bem que depois possamos aí apagar o video, ficando só com o audio.

Uma outra situação: quem se movimenta nos casamentos e afins, quando está na igreja a gravar a imagem e audio do padre no altar, se quizer nesse momento gravar os convidados, mas manter o audio do padre, se virar a câmera para o outro lado (do padre para os convidados), o audio vai-se refletir. Não à como evitar isso. Terá de tomar decisôes, cujo alcance irá depender do que pretende. Se se gravar o audio à parte, tem-se mais mobilidade, sabendo-se que o audio impôe sempre algumas condicionantes quando é gravado conjuntamente com o video.

Gravar video e audio junto:
É mais prático? É.
É mais limitativo? É.
Dá mais trabalho na edição? Dá.
Tem vantagens? Tem.
Tem inconvenientes? Tem.

Gravar o audio à parte:
Aconselho? Depende do que cada um quizer fazer e de como o faz. Eu gosto de o utilizar nos meus próprios trabalhos, mas eu sou eu. Cada um terá de avaliar as suas necessidades e vantagens/inconvenientes do seu uso. Mas aconselho. Boas.
O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier

Filipe Araújo


Bom dia a todos, em especial a José Costa,

a quem mais uma vez fico grato pela explicação, conteúdo e extensão da mesma.
Desde, que frequento este forúm, que sinto que tenho crescido como profissional na área do vídeo e que as dicas e orientações tem sido alerta para um espírito cada vez mais critico e conhecedor.

A exemplo disso, foi uma frase que aqui li, algo como: " 80% do que vemos no cinema é som", creio que foi colocada por Luís Rolo, citando alguém. Esta frase, mesmo que exagerada, dá que pensar, sem levar para os discursos dramáticos, imaginem ver um trailler de um filme de acção, com as colunas desligadas .... Veríamos o mesmo, mas não seria de certo a mesma coisa.   
  José Costa, depois de ler a sua resposta, há uma dúvida que fico e que é a seguinte: o Sr. Alerta para uma particular situação e com toda a razão, que não poderia estar mais de acordo:
" ... quem se movimenta nos casamentos e afins, quando está na igreja a gravar a imagem e áudio do padre no altar, se quiser nesse momento gravar os convidados, mas manter o áudio do padre, se virar a câmara para o outro lado (do padre para os convidados), o áudio vai-se reflectir."
A questão que eu faço é a seguinte, que tipo de micro e onde é colocado, sabendo que o padre se desloca, ora no altar, ora junto aos noivos, bem como os noivos, entrada na igreja, altar, etc.

Segunda questão, se me é possível, sabendo que as equipas de reportagem muitas vezes são 2 elementos, um fotografo e um operador de câmara, não considera que a introdução desta ferramenta não é uma limitação para o trabalho, acreditando que uma câmara que ronda os 4000 a 5000 €, por norma já vem com um bom micro e que grava em stereo.

Desde já, o meu muito obrigado, Filipe Araújo.

José Costa

Boas.
Citado: "80% do que vemos no cinema é som"

E também considero uma afirmação exagerada, muito exagerada. O som tem importância, mas quanto muito, na mesma proporção da imagem. E por vezes, não ter som é a melhor opção. Exemplo:
À uns tempos atrás vi uma apresentação num site, tipo slide show de umas fotos. Não era video, era flash, mas também podia ser video. Vi a apresentação e gostei imenso, as fotos tinham impacto. Na altura tinha o som no meu PC desligado. Liguei o audio no PC e voltei a ver a apresentação. Pois as imagens morreram, perderam a magia. A música escolhida foi uma má opção para aquelas imagens. Nem sempre acrescentar som é a melhor opção. Opinião minha.

Citado: "que tipo de micro e onde é colocado, sabendo que o padre se desloca"
Citado: "não considera que a introdução desta ferramenta não é uma limitação para o trabalho"
Citado: "uma câmara que ronda os 4000 a 5000 €, por norma já vem com um bom micro"

Não tenho a certeza de ter compreendido totalmente a sua citação do meio, mas de qualquer das formas...

Não existem equipamentos perfeitos nem existem  locais de reportagem ideais. Compete ao profissional avaliar a situação, e com base nos seus conhecimentos e experiência, tomar as melhores opçôes com vista a executar o trabalho o melhor possivel, tendo sempre em atenção os vários imprevistos.

Em cinema e publicidade, existem várias pessoas, cada uma delas com as suas funçôes defenidas e especializadas. Só para o audio, existe o responsável pela perche, o do gravador de audio, os ajudantes... na reportagem social, o mesmo individuo tem de fazer tudo: gravação de audio, gravação de imagem, iluminação, focagem,... refere que nos casamentos as equipas são constituidas na sua maioria por dois elementos: o fotografo e o op. de câmera. Acontece que uma equipa devia trabalhar para o sucesso do trabalho de todos. E não é isso que se verifica em muitas equipas. O fotografo está se borrifando para o trabalho de video, mesmo quando muitas vezes é ele próprio que contrata o op. de câmera. Quantas vezes já vimos o fotografo "entrar" no nosso enquadramento de imagem, apesar de já por várias vezes se alertar para a situação? Quantas vezes é ele a apressar o nosso trabalho, quando para a fotografia quer todo o tempo do mundo?

Os microfones nas câmeras podem ser de dois tipos: externos e internos. Os externos estão na maioria das vezes montados sobre um qualquer suporte que ajuda a minimizar as vibraçôes, fazendo parte da câmera. Pode ser substituido por um outro de melhor qualidade, ou pode ser afastado da câmera, tipo nas reportagens de rua. Não estou a dizer que os que são vendidos com as câmeras são maus, apenas estou a dizer que é sempre possivel substituir por um melhor, se fôr necessário. Mas também temos de ter em atenção que o microfone vendido com as câmeras não são o melhor do mundo. Para a função que se pretende que cumpram, são na maioria das vezes bastante bons.

Já os microfones internos não podem ser substituidos, estão no interior da câmera, tendo como seu grande defeito o facto de serem muito subjetiveis a ruidos e vibraçôes, podendo mesmo captar o ruido do motor, nas câmeras de gravação em tape. Pelo menos as câmeras mais "profissionais" permitem, algumas delas, a ligação de um microfone externo. Aconselho sempre a utilização de um externo, em detrimento do interno, podendo o mesmo ser montado num suporte ao lado do iluminador.

A gravação do audio na câmera tem vantagens e inconvenientes, sendo um deles o que referi no anterior post. A gravação do audio num gravador à parte, também tem os seus Quês. Não existem situaçôes ideais. O profissional é que define o equipamento que vai precisar, para fazer o trabalho que pretende. E não podendo utilizar o equipamento que gostaria, muitas vezes por questôes de orçamento, tem de conhecer as limitaçôes do equipamento que possui e arranjar soluçôes para contornar os problemas que surgem, porque tanto os problemas como as soluçôes existem. Um microfone na câmera tem limitaçôes, mas um microfone com gravador à parte também tem outras limitaçôes. Tudo se resume à avaliação das vantagens e dos inconvenientes.

Eu gosto de utilizar um microfone fora da câmera, nas entrevistas. O som é muito mais nitido. Nas reportagens BBC, gosto de utilizar um gravador de audio externo. Não só na igreja, como na quinta. Existem muitas situaçôes em que o mesmo pode ser usado com claras vantagens. Mas não quero com isto dizer que todos o devem usar. Eu uso, porque me permite fazer um trabalho diferente. E este diferente não quer dizer que o meu trabalho seja melhor que o trabalho do A ou do B. Apenas é diferente, para o melhor e para o pior. Mas eu gosto de pensar que é melhor.

Aonde é colocado? Depende. Na igreja, de preferência entre o padre e os noivos. Colocar na lapela dos noivos pode ser uma boa ou uma má opção. Na altura das alianças, durante a leitura, permite ter um som nitido. Mas no resto da cerimónia... se o casal é daqueles que estão sempre a falar baixinho um com o outro, ou daqueles que estão sempre cheios de tosse, chegamos ão fim sem um som decente. Solução: um segundo gravador ou colocar o micro noutro local que não a lapela. Na boda, afastado das colunas dos músicos e dos putos. Cada caso é um caso, e todos têm vantagens e inconvenientes. Conhecimento e experiência é a melhor forma de contornar os problemas. Boas.
O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier

Filipe Araújo

#10
 Boa tarde José Costa,

já alguns dias que aguardava esta resposta com alguma curiosidade.

Mais uma vez grato pela partilha da sua experiencia.

Citado: "não considera que a introdução desta ferramenta não é uma limitação para o trabalho"

  Apesar de, cada vez mais procurar chegar com a máxima antecedência a igreja, até para fazer planos que serão inserts posteriores, sinto que por vezes o tempo não chega para tudo, assim quando fiz-lhe a questão, pedi a sua opinião nesse sentido, acrescido do facto que gosto de manter o material vigiado ainda que esteja na sacristia a fazer o registo das assinaturas. Ao que li já respondeu-me.

Quantas vezes já vimos o fotógrafo "entrar" no nosso enquadramento de imagem, apesar de já por várias vezes se alertar para a situação?

  Ao que sei, creio que ainda trabalha em SD – 4:3, assim que transitar para HD, ou Full-HD – 16:9, a frequência será bem maior, face ao panorâmico do enquadramento e ao aumento de tamanho das actuais lentes e tendências fotográficas (uso de 70-200 a exemplo). Esta foi uma das razões porque li com atenção o seu tópico sobre máquinas 4K, e a possibilidade de crops.

Já os microfones internos não podem ser substituídos, estão no interior da câmera, tendo como seu grande defeito o facto de serem muito subjectiveis a ruídos e vibrações, podendo mesmo captar o ruído do motor, nas câmeras de gravação em tape.

Aproveito para abrir aqui um pequeno parêntesis, como um alerta a quem leia este post e esteja a equacionar a compra de uma câmera. Uma das razões porque que comprei a Sony HXR-NX5E, ao invés da HXR-AX2000 (segmento inferior), deveu-se a essa situação. Seguindo a recomendação de um colega, os micros internos de ambas as cameras, registam os sons por si mencionados e que a única alternativa é a compra de um micro externo, a NX5E (apesar de mais cara) vem com o micro externo incluído. 

Posso fazer-lhe uma questão, que tipo de micro ou gravador é que fala, acreditando que o micro referenciado no inicio do tópico tem uma sapata para máquina fotográfica e que parece-me ser muito direccional.

Desculpe a questão, mas ainda que não tenha razões de queixa dos meus clientes, pessoalmente desde algum tempo a esta data que desejo melhorar os meus trabalhos, razão porque frequentei a sua formação, migrei para o Full-HD, equacionei a compra de um slide, equaciono a compra de um monopé (mais concretamente o 685B da Manfrotto), questiono a forma do registo das imagens, as músicas, a edição e até mesmo o registo do som.  Acredito que deve ser o profissional, a ser o primeiro a encontra brechas no seu trabalho, e a colmata-las bem antes do seu cliente as referir. Assim atravesso uma auto-reflexão neste momento.

Mais uma vez grato pela resposta, partilha e ajuda, Filipe Araújo. 

José Costa

Boas.
Para a RTP ainda é em SD 4:3, por imposição deles. Nas reportagens BBC, já começa a ser em 16:9. E realmente o problema com o fotografo agrava-se bastante.

Quanto ao gravador/micro referenciádo no inicio do tópico foi só pela questão das DSLR e do audio mediocre nas mesmas. É no entanto de salientar que o micro, apesar de ser colocado na sapata, o mesmo internamente está isolado, para evitar as vibraçôes. No meu caso, utilizo um MiniDisc. Como referi, vantagens e inconvenientes.

Referente ão monopé que menciona, antes de o comprar tenha presente o que referi anteriormente: "Compete ao profissional avaliar a situação, e com base nos seus conhecimentos e experiência, tomar as melhores opçôes com vista a executar o trabalho o melhor possivel, tendo sempre em atenção os vários imprevistos."

O problema do monopé é que se de repente, numa cena critica, precisar de o baixar, sem enterromper a gravação da imagem, essa imagem não se aproveita. Terá de desapertar ou aliviar as pernas para o poder baixar, e só esse movimento já faz com que toda a câmera abane por todo o lado. Um exemplo: está a gravar a cena das alianças, tem um plano fantástico. Vem o sacristão com o microfone e coloca o mesmo no seu enquadramento. A opção disponivel é baixar ou levantar a câmera. Levantar não tem problema, levanta o conjunto todo. Mas se precisar de baixar, como está no monopé, como é que faz, sem que a imagem fique inutilizada?

A Manfrotto tem um modelo de monopé em que o subir ou descer é feito por um gatilho no punho. Na situação acima mencionada, basta apertar levemente e o mesmo desce ("efeito" pedestal), ficando nessa posição, sem que a imagem seja gravemente afectada. O mesmo funciona para subir. Considero uma melhor opção para quem trabalha em video, pois tem-se um maior controle sobre a imagem. Mas é apenas uma opinião, longe de mim dizer o que cada um deve ou não comprar. Como disse, é apenas o MEU conhecimento e a MINHA experiência. Boas...  compras.
O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier

Filipe Araújo


Boas.

O monopé que referi, é mesmo esse, razão porque custa 169 € na Niobo e fora o adaptador do topo.

O meu objectivo da compra dessa ferramenta, assenta acima de tudo para os baptizados, onde a mobilidade nas igrejas é maior e porque cada vez mais assisto a seguinte situação: vários baptizados ao mesmo tempo, o que torna impossível o uso de tripé. No ano passado, numa cerimónia de vários baptizados, eu registei 1 de 15 que decorriam ao mesmo tempo, assim creio que esta é uma boa solução, alguma estabilidade dentro de mais alguma mobilidade.

Outro dos objectivos, é para a casas (onde não me atrevo ao uso de tripé), o momento da dança dos noivos e convidados, planos altos para além de que, com alguma experiencia (talvez com algum peso na base), pode  substituir(ainda com algumas limitações) um stedy.

        Mais uma vez muito grato, Filipe Araújo.

José Costa

Boas.
Desculpas, não tinha reparado que era esse. Boas.
O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier