Redes de armazenamento partilhado (SAN e NAS)

Iniciado por José Costa, 07 / Mai / 2009, 13:25

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José Costa

Boas.

As actuais câmeras de gravação de formatos vídeo baseados em ficheiros vieram agilizar a produção vídeo, o chamado Tapeless e Workflow. No entanto, a gravação em memórias de estado sólido não resolvem todos os problemas.

Quem trabalha a tempo inteiro em vídeo mais tarde ou mais cedo acaba por se deparar com a necessidade de adquirir um segundo sistema de edição. Quem ainda tem a fita como fonte de vídeo (que é a grande maioria) durante a captura do material vídeo (da fita para o PC) fica impossibilitado de editar. Se tivermos 1 hora de vídeo, durante uma hora temos que aguardar a finalização da captura. E o mesmo se pode dizer numa exportação e na compressão para MPEG-2. Mas será que tem mesmo de ser assim? Não necessariamente.

Imagine as seguintes situaçôes:

- Tem por exemplo 1h:30m em fita para digitalizar para o PC. 5 minutos após ter iniciado a digitalização do material, começa a editar o seu projecto. A captura do material continua enquanto você também continua a editar normalmente. Resumindo, captura e edita ao mesmo tempo, não tendo assim de ficar á espera que o sistema digitalize primeiro todo o material.

- Enquanto procede á exportação para MPEG-2, para a gravação do DVD, está já a capturar uma outra fita para posterior edição, a editar um outro trabalho ou simplesmente a beber um café.

- Enquanto procede á exportação para MPEG-2 para a gravação do DVD, está a abrir o mesmo projecto para efectuar umas alteraçôes ao projecto original, para criar uma versão da edição para a web, por exemplo. Mas também pode iniciar um outro projecto, com os mesmos ficheiros vídeo ou com outros.

- Se tem dois ou mais sistemas de edição, nunca chega a ficar com um disco cheio num PC enquanto que noutro PC o disco está vazio. O espaço de armazenamento é gerido pelos PC´s como um só, automaticamente, pelo que não tem de se preocupar com qual PC tem o espaço em disco. Desde que exista espaço de armazenamento, qualquer PC tem acesso e pode gravar nele.

- Tem dois ou mais sistemas de edição, mas apenas um original de músicas, de backgrounds, de vídeos... não existem ficheiros duplicados. Tem apenas um original para todos os PC´s, poupando assim no espaço de armazenamento. Não tem de copiar esta ou aquela música para o outro PC, não tem de copiar este ou aquele vídeo por causa deste ou daquele projecto.

-  Está a capturar, editar, converter... tudo ao mesmo. Com os mesmos ficheiros de video ou com ficheiros diferentes.

- Está com a corda no pescoço, derivado á falta de tempo. Portanto, enquanto finaliza a parte final do projecto, tem já o que está para trás a converter para MPEG-2, de forma que no final só tem de converter esses minutos que está entretanto a editar.

Tudo isto é possível recorrendo a uma rede de armazenamento partilhado, que são conhecidas como SAN (Storage Area Networks) e NAS (Network Attached Storage). Durante anos, só grandes produtoras e estúdios podiam ter acesso a uma, derivado ao alto custo das mesmas. Mas actualmente é possível ter uma no nosso pequeno estúdio, e por incrível que possa parecer, a quase custo zero. E se andar á já bastante tempo nestas coisas do hardware, o mais provável é já ter todo o material necessário para construir uma, ficando então mesmo a custo zero. Boas.
O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier

AC

Excelente artigo!
Pessoalmente acho mesmo, que se pensarmos em armazenamento externo, o que actualmente vale a pena são as unidades NAS, precisamente pelas imensas possibilidades que permitem, comparativamente a um simples disco externo.

Podem ser acedidos a partir de qualquer PC da rede local, sem andar a ligar e desligar cabos, e até acedidos do exterior (se configurados para tal) a partir de uma qualquer ligação internet.

O acréscimo do preço compensa e muito, vale a pena estudar esta possibilidade...
Tem unidades que permitem ter vários discos em simultâneo, somando armazenamento ou sendo backup uns de outros...
A quem não quer ver, nem a mais intensa luz ilumina!

José Costa

Boas.
Efectivamente, as unidades NAS são largamente preferiveis ãos discos externos. Enquanto que um disco externo apenas serve o PC ao qual está ligádo (tecnologia DAS - Direct Attached Storage), uma unidade NAS serve todos os PCs ao qual se encontram ligados por rede. Para além deste facto, um NAS pode ser configurado com niveis de segurança, utilizando os niveis RAID, de forma a que no caso de um disco avariar não se perda os dados. Por exemplo, um NAS com nivel RAID 5 permite que no caso de avaria de um disco tudo quanto seja necessário fazer é substituir o disco avariádo. O sistema indica qual o disco com problemas e a partir dos restantes discos reconstroi a informação para o disco novo. Não se perde um só bit desta forma. Mas para além do RAID 5, existem outros niveis de RAID com outras caracteristicas, todos com a função principal de proteção dos dados, excepto o RAID 0, que não oferece proteção alguma, apenas um acesso mais rápido á leitura/gravação dos dados. Sobre os vários niveis de RAID, creio que já por aqui no fórum escrevi algo. Uma busca deve indicar o tópico em questão.

Se bem que existam NAS á venda para todos os gostos, quer a nivel de preço, quer a nivel de capacidade, quer a nivel de funcionalidades, é possivel a qualquer um com um minimo de conhecimentos técnicos construir um NAS a preço de custo zero. Basta para isso ter um qualquer PC que já não use.

Um NAS é básicamente um PC com um sistema operativo próprio para essa funcionalidade. Acrescente-se a isso espaço em disco e uma placa de rede e temos um NAS.

Existe um software em Linux especifico para essa funcionalidade, o FreeNAS. Ele pode ser obtido em freenas.org (é gratis) e precisa apenas de um PC com apenas 32MB para correr. Pode ser instalado em Compact Flash, Pen, disco rigido ou até mesmo correr num LiveCD com a gravação da configuração feita em floppy ou Pen USB. Permite RAID por software em modo 0,1 e 5. Não precisa de licença Windows (sistema operativo), uma vez que o FreeNAS já é o SO, e grátis!

Existem NAS á venda com caracteristicas muito superiores ão que este sistema permite, mas que têm um custo muito elevado. Outros NAS mais baratos estão normalmente limitados a 1 ou 2 discos, pelo que não é possivel implementar um RAID 5. A SMC tem NAS que aceitam 4 discos, mas o preço é algo elevado para a maioria dos utilizadores. O FreeNAS permite criar um NAS com bastantes caracteristicas, a custo zero (desde que se tenha um PC disponivel), só perde no requesito consumo, uma vez que os NAS comerciais têm um consumo eléctrico um pouco inferior ão de um PC. Pode-se ter tantos discos quantos o PC aceite, e por acrescimo de controladora pode-se acrescentar ainda mais discos.

No entanto, e uma vez que eu escrevi este tópico a pensar nos editores video, o NAS não é a melhor opção para quem edita. O NAS é basicamente um armazem de dados, em que o acesso ãos mesmos é feito por um processo de acesso por ficheiro enquanto que numa SAN o acesso é feito por bloco. A diferença é um maior desempenho por parte de uma SAN, uma vez que todo o ficheiro não precisa de transitar pela rede como acontece num NAS, apenas transita a informação que se precisa. Ou seja, num acesso a um ficheiro video através de um NAS, todo o ficheiro video transita pela rede, sobrecarregando-a e limitando a largura de banda disponivel para outros utilizadores da rede. Mesmo que só seja preciso 1 segundo do video, todo o ficheiro transita pela rede. Numa SAN, só esse segundo de video é que transita pela rede, visto o acesso ser feito por bloco ão disco. No fundo, é como se em vez de ter uma rede SAN ligáda se tivesse um disco rigido externo ligado directamente ão PC. Os discos rigidos existentes nos PCs também são acedidos por blocos.

Um NAS serve as necessidades da grande maioria dos utilizadores de PC, mas a nivel de edição video é preferivel uma SAN. E também esta é possivel de se construir a custo quase zero. Boas.

O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier

raul caldas

Estou a construir uma pequena base de edição de video com 2 ilhas com Premier.
Interessei-me bastante pelo assunto, uma vez que estava a pensar adquirir uma NAS de 6T, mas após ter lido a informação " a custo quase 0" gostaria, se possível de obter mais informações sobre a construção de uma SAN.
Já possuo uma placa Asus P-45, com 6 ligações SATA, 2 G 667 e Pentiu D 3.2 caixa e fonte, grafica , pelo que depreendendo do explicado só me falta o SO e discos.
Todo o sistema está em Switch rede Giga + internet.
podem explicar melhor onde e como montar todo esse sistema.
Obs. as duas máquinas operam W7 64
Obrigado

António Cristo

Tenho que adquirir uma unidade de discos preferencialmente numa arquitectura SAN.

Como se pode construir?
4HD 1 T
Caixa para os colocar.
Uma placa (aqui existem várias opções da capacidade de transmitir dados) estou a leste sobre este assunto mas tendo como base uma ligação no máx a 1000 Mbps pois fibre chanel creio que obriga a comprar um switch que não é baratinho (mais uma despesa)...

EonStor Plus with:
  SAS Host Interface
iSCSI Host Interface
4Gbps Fibre Channel Hostinterface

http://roundtarget.com/index.php?main_page=index&cPath=1_4
Estive a ver este site mas.... os €uros....

Estou a lançar estes dados mas entendo nada disto alguém tem luzes sobre como montar?
José Costa em tempos lançou um tópico sobre este assunto (não este) mas nunca foi desenvolvido por alguma razão... mas de volta ao assunto.
TK AC

José Costa

#5
Boas.
Citádo: "mas nunca foi desenvolvido por alguma razão..."

Os desenvolvimentos acontecem em função do interesse demonstrado pelos Users. Como não houve qualquer indicação de interesse pelo assunto em questão (assim como por muitos outros sobre os quais tenho escrito), deixa de haver interesse, por parte de quem os escreve, em desenvolver o asunto ou assuntos. Haverá quem escreva num fórum ou num blog com o intuito de passar um bom tempo, por não ter mais nada que fazer ou simplesmente por gostar de o fazer. A net está cheia de casos desses. E é uma opção que assiste a cada um, e sobre a qual não me pronuncio, a não ser para dizer que é uma opção que respeito. Há no entanto outros, no qual me incluo, que escrevem com o intuito de partilhar ideias, experiências e informaçôes, com vista a aumentar ainda mais os seus próprios conhecimentos. Ão partilhar os meus conhecimentos com outros, e havendo uma reciprocidade em relação ão mesmo, todas as partes envolvidas saem a ganhar. Se no entanto essa partilha não é comum, e se nem sequer á uma demonstração de interesse pelo assunto exposto, ninguém ganha, e mais grave ainda, saio a perder, pois dou o meu tempo como perdido e deixa de haver motivação para em próximas oportunidades voltar a desenvolver o assunto. Porque tempo é dinheiro, ninguém me paga o tempo nem eu escrevo para passar o tempo.

Creio assim ter respondido á questão levantada. É que também eu, a exemplo do JC Duarte no seu post "Na web", também por vezes fico com a sensação de que é mal gasto o tempo que por aqui "perco", pois é triste verificar que de comunidade pouco temos por estes lados. Talvez seja o mesmo noutras comunidades, e estou certo que assim é, mas ás outras comunidades "não pertenço". Faço parte de uma comunidade que é na sua grande maioria egoista e pouco dada a partilhas de conhecimento. É uma pena, todos perdemos!

Quanto ão assunto:
- NAS não é o mesmo que SAN. NAS lida com ficheiros, SAN lida com blocos. Logo, para edição de video, é uma SAN que se deve usar.
- Os discos rigidos que vão fazer parte da SAN devem ser da mesma marca, modelo e interface, excepto o que se destina a "suportar" o SO, que em alguns casos também pode ser uma PEN.
- Devem ser agrupados num nivel RAID, preferenciálmente 0, 3 ou 5, e complementados com um sistema de backup em tempo real.
- Dependendo do processador utilizado para gerir a SAN, o RAID pode ser implementado por software.
- A plataforma em que se baseia a SAN pode ser MAC, Windows ou Linux. No entanto, para MAC, não conheço software free para a função em causa. O XSAN da Aplle custa cerca de 800 euros, fora o servidor. Para Windows ou Linux existem alternativas free.
- SAS é um interface de disco. Para se tirar verdadeiro partido do mesmo, é necessário discos SAS. A SAN pode utilizar discos IDE ou SATA convencionais, para além dos SCSI.
- iSCSI Host Interface não é necessário. O iSCSI por software tem o mesmo desempenho, excepto na carga de processamento extra que é exigido ão processador. Algo que os actuais processadores lidam bem, até mesmo um Pentium 4 a 3.0
- Fibre Channel justifica-se em HD não comprimido, com preferencia para 4 Gbit/s. Mas mesmo assim, uma rede 10 Gigabit Ethernet é preferivel pois é muito mais barata.
- Na SAN, pode ser utilizado o Fibre Channel ou uma rede Gigabit Ethernet. No Fibre Channel não é obrigatório a utilização de um Switch, dependendo da topologia utilizada, caso da FC-AL. No Gigabit Ethernet o Switch também não é de todo necessário, para o caso de uma SAN com poucos clientes ligados, podendo os PCs ser ligados ponto-a-ponto. De todas as formas, no Gigabit Ethernet é utilizado o protocolo iSCSI ou AoE.
- É necessário uma placa de rede Gigabit por cada PC ligádo á SAN, com suporte a Jumbo frames 9K. A SAN terá de ter outra placa também com suporte a Jumbo frames, e o Switch também terá de suportar Jumbo frames e ser Gigabit (não sendo de todo necessario o Switch).
- Se bem que a internet possa conviver com a SAN, é aconselhável ser independente desta. No caso de partilha da rede, o ideal é criar uma VLAN.
- Uma rede Gigabit suporta SD, HDV, AVCHD e outros formatos de video comprimidos, para além de todos os formatos audio e de dados. HD não comprimido necessita de 2 placas de rede por cada PC, mais outras 2 para a SAN, em agregação de link. As placas Gigabit têm de suportar este modo, assim como o Switch.
- Os cabos devem ser preferencialmente class 6, se bem que possam ser utilizados os 5e.
- O software terá de ser escolhido em função da capacidade total que se pretende que a SAN tenha, em função do protocolo a utilizar e do SO, podendo o SO ser o mesmo que o software.
- E agora vou dormir. Boas.
O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier

António Cristo

Sem dúvida que partilho dessa que considero frustração de nem sequer um obrigado.
Reparei no exemplo do tópico citado sobre a Maratona na Ponte em que estava na expectativa do feedback na medida em que é dos assuntos na área de vídeo que mais gosto.

Sobre o San .... como disse não percebo nada do assunto .... mas vou mastigar a questão em toda a vertente possível esta lista terá de ser vista à lupa caso a caso (custo de placas discos software montagem, expansão etc.)

CitaçãoPara Windows ou Linux existem alternativas free.
Aqui estamos a falar de SO de gestão SAN e de suporte é gestão de discos e disponibilização de dados no respectivo canal de comunicação?

Citação- É necessário uma placa de rede Gigabit por cada PC ligádo á SAN, com suporte a Jumbo frames 9K.
É possível traduzir "Jumbo Frames 9K" (significa uma especificidade da placa de rede)?



Obrigado
ACristo


António Cristo

Interessante... Mas estas unidades são bastante grandes ... não vi referencia a questão de gasto energético.

Tk AC

José Costa

#9
Boas.
Tentando ser rápido...
A página que o António Ramos indica é bastante interessante, e pode servir como base para a construção de uma SAN, mas precisa de alteraçôes. Basicamente, o que é apresentado na página é um NAS. NAS não é SAN.

Jumbo frames - a informação circula numa rede em pacotes, frames. O tamanho máximo de um pacote é de 1.518 bytes. Qualquer arquivo maior é dividido em pacotes menores, com um tamanho máximo de 1.500 bytes cada, pois á que acrescentar ãos dados bits que correspondem ão sincronismo entre os hosts (placas), bits do MAC destino e MAC origem, tipo do frame e CRC, o que perfaz os tais 1518 bytes. Isto é conhecido como MTU (Maximum Transmit Unit).

Este valor foi acordado no tempo das redes 10Mbps, em que os ficheiros que transitavam pela rede eram pequenos. Numa rede Gigabit, e no caso de um ficheiro grande, este tem de ser dividido em muitos ficheiros pequenos (1500 bytes cada um), pelo que a quantidade de pacotes (frames) é muito elevada, sobrecarregando os PCs, pois a informação tem de ser dividida no inicio da transmissão e depois novamente montada na recepção. Para aliviar a carga foi criado os Jumbo frames, que não é mais do que um aumento do tamanho de informação que pode ser enviádo por pacote. Jumbo frame é o nome que se dá aos pacotes maiores que o limite de 1.500 bytes. Tem como função melhorar a performance do trafego de rede, quando se trata de grandes arquivos. No entanto tem um contra, em arquivos pequenos (inferiores ão tamanho do frame), á uma diminuição do desempenho da rede.

A utilização de Jumbo frames pode melhorar o desempenho da rede em cerca de 30%, dependendo do tamanho dos jumbo frames e dos arquivos, além de diminuir a carga sobre os processadores.

Esta função não está disponivel em todas as placas de rede. A grande maioria não tem suporte a esta caracteristica. Outras têm suporte a Jumbo frames de 4088 bytes ou 7680 bytes. Uma placa com suporte a Jumbo frames 9K significa que transmite 9014 bytes por cada pacote. Isto significa uma maior velocidade na rede, transferências mais rápidas.

No entanto, todas as placas da rede têm de suportar esta caracteristica, assim como o switch, pois caso contrário os pacotes são descartados. Existem Jumbo frames maiores (16K e até mesmo de 64K) mas os valores monetários são muito elevados. Uma placa de rede com suporte a Jumbo frames de 9K custa cerca de 20 euros e um switch cerca de 50 euros (preços em Portugal).

Quanto á questão do software, não percebi a pergunta. A função do software é gerir todo o sistema, protocolos a usar, limite de cotas no espaço de armazenamento que cada user pode utilizar, que ficheiros podem ser apagados, alterados, desfragmentação dos discos, etc.

Mencionei acima que construir uma SAN pode ficar a custo zero. E assim é, desde que se tenha o hardware: PC, discos rigidos e placas de rede, tudo material convencional. O mais fora do vulgar será mesmo as placas de rede e o switch. Mas também são baratas.

O que é um NAS e uma SAN? Imagine uma caixa cheia de DVDs, juntamente com muitas outras caixas, que se encontram no armazém. Você precisa de um DVD especifico e manda lá um empregado buscar. Ele em vez de trazer só o DVD que você quer, traz toda a caixa. Veio carregado, só conseguiu trazer aquela caixa, pois ela é grande. Isto é o funcionamento de um NAS. O NAS entrega a caixa toda, não uma parte.

Imagine agora a mesma situação, com um outro empregado. Ele em vez de trazer a caixa toda traz só o DVD que você quer. Como vem leve, ainda pode ir buscar outros DVDs que estão noutras caixas e que você entretanto se lembrou que também queria. Este é o funcionamento de uma SAN. Entrega partes da caixa, mas também pode entregar a caixa toda, se você quiser.

Num NLE, você precisa de partes do ficheiro, não do ficheiro todo. O software lida com pequenas partes do ficheiro, á medida que você vai editando. Não lida com o ficheiro inteiro de uma vez. È por esta razão que um NAS não serve para edição video. O NAS entrega o ficheiro inteiro, não entrega só a parte que voce quer. Os discos rigidos funcionam da mesma forma que uma SAN, entregam partes do ficheiro, os chamados blocos. È por isso que se diz que um NAS acede a ficheiros e uma SAN acede a blocos, tal como os discos rigidos.

Numa SAN, se tiver um PC a digitalizar o material, proveniente de um fita por exemplo (e para isto pode utilizar um PC mais fraco, que eventualmente esteja encostado), pode começar a editar o material que está a ser digitalizado num outro PC. Digitaliza com um, edita noutro e entretanto pode ter um terceiro a converter para MPEG, tudo ão mesmo tempo. Repare que a cassete ainda está a ser digitalizada e você já pode estar a editar e a converter. Creio que entendeu que se ainda não digitalizou uma determinada parte da fita, não pode editar essa parte. Terá de aguardar. Por isso é que se cria um batch capture, para começar a digitalizar primeiro as partes que se vão inicialmente utilizar no projecto, com vista a não se ficar á espera. E em vez de se ter um PC a digitalizar, pode-se ter  dois, e em vez de um a editar, pode ser três ou quatro. Escusado será dizer que é preciso um editor em cada PC, pois os NLE não editam sózinhos. A isto se chama edição colaborativa.

Não sei se transmiti correctamente o conceito de NAS e SAN. Boas.
O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier

António Cristo

Desde já Obrigado pela elucidação da questão.

A questão do Jumbo Frames ficou entendida é a capacidade do pacote transmitido pela placa de rede e respectiva recepção do switch e reenvio à seguinte.

Tenho de verificar as placas de rede incluída numa motherboard da INtel outra é numa Assus.
(A ver - caso não tenha.... comprar Placa de rede PCI)

Tenho
4 TB de HD
1 AMD 3200 Processador + HD de sistema
Só falta as placas de rede e o Sistema Operativo.

Vou investigar o material interno...

AC


António Cristo

José Costa

Depois de uma pesquisa aos sites dos fabricantes do equipamento que tenho cheguei á triste conclusão que não tenho rede com Jumbo Box.

O que significa que tenho de iniciar um processo de aquisições para atingir esta performance.

No mercado já vi algumas placas acima dos 9 K e o preço não era substancialmente diferente destas.

Reparo que uma arquitectura SAN pode e deve significar ter (HD) para o backup dos dados existentes (pressuponho que com a mesma capacidade caso se queira o backup total).... então não faz sentido os HD em Raid 5. Se faço duplicação dos dados por automatismo de bakup logo não vejo razão para o Raid estarei a ver bem a coisa?

Tenho disponível "Motherboard ASUS A8V Deluxe"
2 Portas sata/Raid
2 portas ATA133
Controlador Promise c/1*ATA
Controlador Promise c/2*SATA RAID

Penso que me obriga a comprar controlador para disco SATA?

O Software que gere este processo corre como sistema operativo?
Algum software experimentado neste domínio do SAN.

TK
António Cristo

José Costa

Boas.
Não é Jumbo Box, é Jumbo frames. Largue o panfleto dos "supermercados" Jumbo e pegue numa brochura sobre redes.  :-({|=

Em relação ás outras questôes, assim que me fôr possivel respondo em profundidade. Apesar de ter todo o gosto em participar por aqui, preciso de pagar as contas, que é o mesmo que dizer, preciso de trabalhar. Vou adiantando que precisa sim de um qualquer nivel de RAID para uma SAN. Entretanto, lei-a o tópico RAID 5 vs RAID 10 que se encontra algures neste fórum. Assim como um NAS não é um SAN, também um SAN não pode ser visto como um simples disco rigido externo, que se liga por USB. Existem uma serie de aspectos que têm de ser considerados antes, se não quiser gastar dinheiro á tôa e ter uma carga de chatices. E verifique novamente a sua board, pois uma pesquisa por alto deu-me a entender que ela suporta sim Jumbo frames. Mas não estou a afirmar nada. Boas.
O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier

José Costa

#13
Boas.
António Cristo, só para não pensar que me esqueci das questôes, vá pensando no seguinte:

citádo: "...não vejo razão para o Raid estarei a ver bem a coisa?"
Se num PC normal para edição de video é habitual utilizar dois discos rigidos em RAID 0, destinados á leitura/gravação do audio/video, com vista a aumentar o desempenho do sistema, e se esse PC só tem de "alimentar" um NLE que no máximo vai precisar de em alguns sitios de ler 3 camadas de video, não terá uma SAN de ter um desempenho superior a esse PC, uma vez que vai "alimentar" 3 ou mais PCs, cada um com o seu NLE e todos a trabalhar ão mesmo tempo, muitas vezes com os mesmos ficheiros de audio/video? De que é que serve a SAN, se não fôr capaz de fornecer o armazenamento a todos os PCs? A função da SAN é oferecer desempenho a qualquer PC, como se de um disco rigido interno se trata-se.

Podemos esquecer o RAID na questão de segurança, se assim o quisermos. Mas temos de ter a questão desempenho em mente. O RAID 0 não ofereçe segurança, mas dá desempenho, que é o que queremos. Assim, a solução passa por ter os discos em RAID 0. Lembre-se de que a SAN tem de ser capaz de ler/gravar pelo menos 9 sinais de video todos ão mesmo tempo (3 por cada NLE). Se não utiliza um nivel RAID, como é que o vai conseguir com apenas um disco a gravar/ler? (se não utiliza RAID, os discos estão "separados" uns dos outros, de forma que só um se encontra a gravar/ler no momento)

A outra questão prende-se com o agrupamento dos discos. Será mais fácil encontrar um ficheiro num disco, por maior que seja o seu espaço, ou encontrar em meia dúzia de discos?

Não basta pegar numa board, em 2 ou 3 discos e num software para se ter uma SAN. Até se pode ter a SAN, mas se ela não é capaz de gravar/ler todos os dados que são precisos, não serve de muito. A solução passa por optimizar o hardware que se tem, que no seu caso consiste em ligar os discos em RAID 0.

Quando tiver um pouco mais de tempo, desenvolvo mais. Boas.

P.S. Qual é o processador que tem?
O profissional inovador não segue a multidão. Ele tem lucidez para remar contra a maré e não se importa em ser taxado como "um estranho no ninho". - Luiz Roberto Carnier

António Cristo

José Costa 

Processador
AMD Athlon64 Socket 754 3200+
Motherboard ASUS A8V Deluxe
   chipset VIA K8T800Pro
   áudio 8 canais
   rede 10/100/1000MBps
   2 portas ATA133 normais
   2 portas SATA/RAID
   +Controlador Promise com 1*ATA+2*SATA RAID
   Firewire

Nas máquinas que editam já vi que as motherboard não equipam a sua rede com Jumbo Frames (INTEL DP35DP a outra é uma ASUS P4 P800 SE), no caso da motherboard Asus-AMD, no site ainda não descobri ...ou a informação não existe em relação à placa de rede ou não cheguei lá.

A questão do Raid 0 não dá segurança pelo que tenho lido. se avariar um dos discos (... fica-se a 0).
Não sei se posso fazer raid com 3 discos. Do pouco que sei o ideal é um raid 0 com raid 5 (não sei se é possível fazer isto) isto significa 6 Discos (3HD raid 0 + 3HD raid 0) + Raid 5.
Não sei se escrevi alguma barbaridade (penso que não).

Estou a entender o conceito de vários discos (será que todos os discos tem de ser da mesma fornada?).

Uma questão que se me levanta tenho 4 HD de 1TB será que com estes não consigo montar o sistema?

Tenho de continuar a estudar o assunto até solidificar a informação para avançar.
Tk
António Cristo